• Aucun résultat trouvé

DECISION SUPPORT TOOLS FOR REFERRING PHYSICIANS

OF APPROPRIATENESS CRITERIA IN THE USA

6. DECISION SUPPORT TOOLS FOR REFERRING PHYSICIANS

Os estereótipos ainda presentes no imaginário do audiovisual estigmatizam o negro e como seus corpos são vistos pela sociedade, como a hipersexualização da mulher e marginalização do homem. Retratar a subjetividade do corpo negro, a partir do olhar feminino negro é um desafio que as mulheres negras no audiovisual baiano vem batalhando para desconstruir os paradigmas e um caminho trilhado sob a perspectiva do circuito alternativo de cinema.

Por muito tempo existiu um silenciamento, uma marginalização da produção audiovisual negra na Bahia, sobretudo em Salvador, com fortes raízes do continente africano. Atualmente, muitas mulheres negras têm assumido um discurso político no campo cinematográfico, uma forma de “aquilombar-se” para fortalecer e ampliar os debates sobre a representatividade da mulher negra na sociedade e no audiovisual. Mas onde encontramos esses “quilombos” de mulheres negras no audiovisual baiano e quem são essas mulheres?

Esse capítulo vislumbra as indicações das mulheres baianas que fazem audiovisual e onde podemos encontrá-las. Algumas dessas mulheres integram equipe técnica em outras produções maiores para ter recursos e financiarem suas próprias produções. Em vista desta reflexão, elencamos as mulheres que produzem suas próprias obras audiovisuais, desenvolvendo todas as funções de lideranças na produção, a partir de um mapeamento dos circuito alternativos de mostras e festivais realizados em Salvador e dos seus próprios “quilombos” construídos a partir de movimentos específicos do cinema negro.

As mostras e os festivais alternativos têm se tornado uma janela para escoamento das produções do cinema negro. Nos últimos anos foi possível identificar nessas realizações, cineastas negras participando de debates e discussões sobre a sua representatividade nesse cenário e suas produções. Traremos as principais mostras e festivais realizados na cidade, bem como as mulheres que fazem cinema em Salvador e suas produções.

Principais eventos em Salvador com participações de cineastas negras.

MOSTRA LUGAR DE MULHER É NO CINEMA

O evento é uma ação continuada de exibição de curtas metragens nacionais dirigidos e/ou protagonizados por mulheres. A programação é composta por sessões de filmes de até 20 minutos, competitivas e não-competitivas. A cada edição uma mulher com representatividade no cinema local é homenageada. Até a sua 3ª edição não houve homenagem à mulher negra, mas algumas produções foram exibidas.

PANORAMA COISA DE CINEMA

Apesar de considerarmos um reduto de realizadores brancos, nos últimos anos foi possível identificar produções de mulheres negras neste festival. Em 2019, está na décima quinta edição e com muitas produções femininas e mulheres ocupando lugares importantes. 37% dos filmes participantes foram dirigidos por mulheres ou tinham mulheres entre os diretores.

MOSTRA ITINERANTE DE CINEMAS NEGROS MOHAMED BAMBA

A Mostra é realizada por seis mulheres negras e tem como principal objetivo ampliar as janelas de escoamento dos conteúdos produzidos por realizadorxs negrxs. As exibições das obras têm o propósito de dialogar com escolas públicas e centros comunitários de bairros populares e periféricos da cidade de Salvador, pautar a visibilidade de temáticas ligadas à população negra, reiterando a demanda dos que também consomem arte, mas tem o acesso negado por um sistema centralizador e eurocêntrico e dialogar sobre gênero e sexualidade, a fim de visibilizar dissidências crescentes nas produções cinematográficas negras.De todos os eventos, este é o mais específicos e que traz mais produções audiovisuais sobre a subjetividade do corpo negro a partir do olhar negro.

FESTIVAL ELA FAZ CINEMA

Idealizado por mulheres baianas, o festival se configura como um espaço criado para contribuir para a visibilidade da produção cinematográfica de diretoras latino- americanas. Na primeira edição, o projeto reuniu 25 obras documentais e ficcionais com assinatura de mulheres na direção, envolvendo Mostra Competitiva de Curtas e Longas-metragens, Mostra Contemporânea, oficinas, rodas de conversa com adélia Sampaio e Camila de Moraes.

As Realizadoras de cinema negro na Bahia e suas produções

Ceci Alves - Jornalista, Cineasta e diretora da Candela Produções. Com seu

curta-metragem Doido Lelé (2009), venceu os prêmios: de Melhor Montagem, no Festival Latino Americano de Curta Metragem de Canoa Quebrada 2009, no Ceará; de Menção Honrosa na categoria Mostra Teen do 8º Festival Internacional de Cinema Infantil 2010, do Rio de Janeiro (RJ); de Melhor Filme pelo Júri Popular da 9ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis (SC); de Melhor Direção de Arte no Festival de Jericoacoara Cinema Digital 2010, no Ceará; o Amazonsat pelo Júri Popular, no CurtAmazônia 2010, de Porto Velho (RO); de Melhor Roteiro, no 7º Festival de Cinema de Maringá 2010, de Maringá (PR); e de Melhor Filme, Melhor Ficção e Prêmio do Júri Popular do 3º Bahia Afro Film Festival 2010, de Cachoeira (BA). O curta rendeu, ainda, o prêmio de Melhor Ator para Vinícius Nascimento no 4° Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino 2009, de Curitiba (PR).

Outras Produções: O Velho Rei (2013); Da Alegria, do Mar e de Outras Coisas (2012); Por Ser Amor (1994)

Daiane Senna - . Foi a primeira mulher negra a ser premiada 2 vezes no

Festival de Gramado, recebendo Galgo de Ouro por melhor Direção e Honra ao Mérito. Ganhou, também 2 prêmios no Fest Aruanda. Diretora da empresa Salamandra Produções, Dayane é responsável pelo planejamento e execução de diversas produções culturais nas áreas de música, audiovisual, artes cênicas, dança e artes visuais, de naturezas locais e nacionais, fixas e itinerantes. Assinou a direção de produção da Série Sonhadores e do longa Diário da Primavera. Ministra aulas em

oficina de Cinema em centros culturais em duas comunidades de Salvador, pelo projeto Boca de Brasa da Fundação Gregório de Matos.

Larissa Fulana de Tal - faz parte do coletivo Tela Preta, criado para difundir

profissionais e o cinema negro baiano, que a auxiliou na produção dos filmes “Lápis de Cor”, “Canções de Liberdade e “Cinzas”, de sua direção. Os Curta-metragens “Canções de Liberdade” e “Cinzas” foram seus únicos projetos produzidos com recurso público. No primeiro curta, o Coletivo se deparou com o racismo institucional, pois ao vencer um edital do Ministério Da Cultura destinado a pessoas negras, o certame foi embargado sob o fundamento do edital ser direcionado exclusivamente para pessoas negras. Após dois anos, o recurso foi liberado para a produção da obra. Larissa faz parte de um grupo ascendente que busca reivindicar representatividade e inserção através da proposição e ocupação de espaços.

Glenda Nicácio - Sócia Diretora da Rosza Filmes Produções, atua como

Diretora, Diretora de Arte, Produtora executiva e Roteirista. Recentemente ganhou destaque nacional pela Direção, do filme “Café com Canela”, compartilhada com Ary Rosa, contemplado no Edital do IRDEB/TVE e premiado no festival de cinema de Brasília, que possibilitou a distribuição nacional da obra. Teve uma recepção mista por parte da imprensa: enquanto alguns jornalistas e críticos apontavam inúmeros problemas no roteiro e na execução, outros diziam que, apesar destes mesmos problemas, o filme tinha um lado encantador. Outra grande Produção da cineasta é o longa metragem de ficção “ A Ilha”. As obras possuem narrativas com personalidade e enveredadas pelo drama de pessoa negras.

Daiane Rosário - Idealizadora e coordenadora da Mostra Itinerante de

Cinemas Negros - Mahomed Bamba, atua como produtora executiva e montadora em empresas baianas mais estruturadas. Sua relação com o cinema vem desde os 12 anos, quando trabalhava com a família em uma pequena empresa de audiovisual para eventos sociais. A cineasta já produziu e montou a série documental “Travessias Negras”, integrou a equipe do filme documentário “Revolta dos Búzios” e produziu o filme documental “Uma mulher, uma aldeia”.

Taís Amor Divino - Integra a equipe de produção da Mostra Itinerante de

Cinemas Negros - Mahomed Bamba como Coordenadora de Curadoria de Filmes Nacionais e Produção. É diretora e roteirista do curta “A invisibilidade da Identidade Negra na Educação” e “Motriz”. O Curta “Motriz” é uma realização da Ori Imagem e Som

empresa de cinema baiano, cujo quadro de integrante é majoritariamente negro

,

concorreu à mostra Competitiva Baiana Salvador no XIV Panorama Internacional Coisa de Cinema. A obra também foi selecionada na Mostra Competitiva Olhar Brasilis do Festival de Cinema de Santos, na Mostra de Cinema Estéticas Negras: Periferia no Centro, no PLATEAU - Festival Internacional de Cinema da Praia em Cabo Verde e recebeu Menção honrosa pelo Cinefest Gato Preto.

Ana do Carmo – Diretora e roiteirista das obras “A Mulher no Fim do Mundo” e

a “Caixa de Quatro Cômodo”, este foi produzido quando ainda era estudante do curso de cinema e exibido na grade de Programação Especial da TVE, Mostra Universitária. Ambas produções participaram da mostra competitiva do Panorama Coisa de Cinema.

Júlia Morais – Junto a Taís Amor Divino, a cineata Integra a equipe de

produção da Mostra Itinerante de Cinemas Negros - Mahomed Bamba na Curadoria de Filmes Nacionais e Produção. Como diretora realizou o filme “Avesso” “Tradição”. Na função de roteirista desenvolveu projetos como os curtas “Deriva”. Atuou ocm oprodutora executiva e assistente de Direção no curta “ A Caixa de 4 Cômodos”, dirigido e roteirizado por Ana do Carmo.

Jamile Coelho e Cíntia Maria – Diretoras da empresa Estandarte Produções,

dirigiram a da série de animação Òrun Àiyé: a Criação do Mundo premiada com o troféu de Melhor Animação do Slum Film Festival de Nairóbi no Kênia. A série já recebeu prêmios relevantes no Brasil e no exterior, como: Novos Talentos no Festival Internacional Brasil Stop Motion (um dos maiores festivais da técnica no mundo); Menção Honrosa no 20º Florianópolis Audiovisual Mercosul; Melhor Animação no Silicon Valley African Film Festival (EUA); Melhor Direção de Arte no Festival de Cinema de Três Passos; e Melhor Filme pelo júri popular no Festival de Cinema Baiano, além de exibições nos Estados Unidos, Cuba, México, França, Espanha, Portugal, Suíça e Colômbia. Atualmente, as diretoras estão concorrendo a editais de fomento à produção audiovisual co outros projetos.

6 6 CONCLUSÃO

O Cinema como técnica de arte para reproduzir imaginário, é uma ferramenta social e política. No Brasil, mesmo com as mudanças políticas e sociais, o cenário ainda se constitui como o patriarcado invisível e ao mesmo tempo operante. Essa ambiguidade pode ser vislumbrada na forma do audiovisual ser uma ferramenta de opressão, de manutenção do status quo, mas também de oferecer o contrário, a resistência. E essa resistência vem ganhando espaço em diferentes polos no país, mas em pequena proporção, se comparado ao quantitativo populacional não representado por esse imaginário.

Ao adentrarmos no recorte temporal da relação Cinema e Estado no Brasil, o audiovisual brasileiro vem a passos curtos acompanhando as mudanças sociais ocorridas no país. Mesmo com as questões políticas influenciando o setor desde os anos 80, muitos movimentos sociais se mantém persistente e na resistência para manter a cultura do audiovisual sustentável. No entanto, são lutas diferentes que merecem olhares e tratamentos diferentes, haja vista a constatação da ANCINE sobre as disparidades de gênero e raça abordadas na pesquisa sobre Diversidade, Gênero e Raça divulgada em 2016.

No que tange à questão de gênero, as discussões e enfrentamentos percorrem em conjunto de modo linear no Brasil. A realização de Mostras, Festivais e outros eventos voltados para o olhar feminino vêm reforçando a todo tempo o audiovisual como espaço de direito nosso e que podemos e devemos ocupá-lo. Mas ainda é preciso ampliar o viés de oportunidades das mulheres ocupando os cargos de liderança no espaço comercial. Muitas encontram-se à sombra, exercendo a função de produtora executiva em projetos liderados por homens e brancos.

No âmbito da discussão de raça no audiovisual, chegamos à compreensão da interseccionalidade, que se contrapõe à concepção categórica de mulher universal do feminismo ao entendimento da diversidade de realidades vivenciadas por estas mulheres. É preciso ter um outro olhar para a mulher negra, pois os movimentos feministas trabalham o universalismo feminino, sem categorizar a diversidade e vivencias dessas mulheres, sobretudo a mulher negra, que atravessa intercruzamento

de opressões estruturantes; classe e raça. Muitas mulheres brancas ainda não compreendem, que mesmo com pouco espaço no mercado audiovisual, ela s ainda são passíveis de mais privilégios do que as mulheres negras.

Os enfrentamentos dessas mulheres devem ser tratados com olhares diferentes. Pois a dupla opressão, o machismo e o racismo, nos colocam ainda mais em situação de vulnerabilidade. Não podemos negar as condições que as mulheres negras enfrentam no mercado de trabalho. Já viemos da condição de mulheres escravizadas, no processo pós abolicionista, com o nosso corpo negro como herança e os trabalhos por nós realizados sem o reconhecimento social, apenas um caminho para a sobrevivência. Isto é, quando temos acesso ao trabalho. Assim, a representatividade da mulher negra no audiovisual vai para além do ato político e de resistência. É o reconhecimento e acesso aos espaços que por muito tempo nos foi negado.

Na produção audiovisual baiana, constatamos a presença massiva das mulheres negras no circuito alternativo, ocupando os cargos de liderança como Direção, Roteiro e Produção Executiva. Muitas em trabalho colaborativo na função de produção executiva e assistente de Direção. Dados os mapeamentos dos editais lançados no período de 2014 a 2019, a representatividade da mulher negra ainda é muito pouca, em relação ao quantitativo encontrado nos mapeamentos dos festivais. As questões de acesso aos recursos também trava a atuação dessas mulheres no cenário.

Ainda precisamos observar com outro olhar e contemplar as produções realizadas por mulheres negras baianas. Pois falar da subjetividade da mulher negra, sem o olhar desta mulher negra, talvez seja negado a realidade dessas mulheres negras, se não houver o entendimento dos processos vividos por elas. Quando nós não nos enxergamos nessas produções audiovisuais, não podemos vislumbrar até onde podemos ir, sonhar com o futuro quando não somos representadas ou somos referenciadas, nesse imaginário do cinema.

As produções e mulheres negras elencadas neste trabalho se desenham como um ponto convidativo para termos conhecimento e entendermos que existem sim mulheres negras no audiovisual, mas sem a visibilidade merecida e buscarmos mais conhecimentos sobre o processo subjetivo e diaspórico da negritude, sobretudo feminina.

7 7 REFERÊNCIAS

ANCINE - Agência Nacional de Cinema

https://www.ancine.gov.br/sites/default/files/apresentacoes/Apresentra%C3%A7%C3 %A3o%20Diversidade%20FINAL%20EM%2025-01-18%20HOJE.pdf

ANCINE APROVA COTAS PARA MULHERES, NEGROS E INDÍGENAS

<http://mulhernocinema.com/noticias/edital-da-ancine-tera-cotas-para-mulheres- negros-e-indigenas/ >

AVON: Fundo Avon de Mulheres no Audiovisual

http://www.avon.com.br/fama