O Museu Nossa Senhora Aparecida, inaugurado em 12 de outubro de 1967, no 2º andar da Torre Brasília - Santuário Nacional de Aparecida, apresentava uma grande diversidade de tipologias de acervos e coleções em exposição, constituindo- se, além do projeto pedagógico de seus organizadores, as representações sociais de forma interativa com seus visitantes. De acordo com Braga (2017, informação verbal), “os romeiros ficaram extasiados diante de tanta diversidade”.24
Deste modo, pretendemos analisar alguns aspectos dessa exposição, essencialmente por meio das fontes documentais e iconográficas, conforme estudo realizado por Heloísa Barbuy, ao argumentar que “para alcançarmos conteúdos mais profundos - as ideias-forças que se difundem em âmbito coletivo -, torna-se necessária a utilização de fontes que permitam uma abertura para o sistema simbólico da sociedade em questão. Essas fontes são prioritariamente as iconográficas” (BARBUY, 1995, p. 6).
A partir dessa perspectiva, as fontes primárias trazem muito material para discussão e para obtenção de informações empíricas, com interação entre imagens e textos.
Inicialmente, será feita uma abordagem por meio do Roteiro de observação para visitas a museus e exposições25, que servirá como metodologia de análise dessa antiga exposição do Museu Nossa Senhora Aparecida.
De acordo com Cury (2018, p. 1), “o objetivo específico do roteiro é apoiar a análise das formas como o museu, objeto de nossa observação, apresenta-se para o público e, sobretudo, como ele considera o visitante. O nosso foco principal é a exposição”.
Em relação à infraestrutura, a exposição era localizada no 2º andar da Torre Brasília, e o acesso era realizado por dois elevadores. Na sala da exposição havia janelas amplas, que ficavam abertas para auxiliar na ventilação. Porém, o acervo ficava exposto à luz solar ou em clima úmido, em dias chuvosos. Havia ventiladores nos tetos, portas de entrada e saída separadas, com acesso às escadas, além dos dois elevadores.
24 BRAGA, Guido Machado. Entrevista concedida a Victor Hugo Barros e a Erica Andreza Coelho.
Aparecida, 20 set. 2017, 33 min 08 s. Som, Formato MP3.
25 Roteiro de observação para visita a museus e exposições. Desenvolvido e disponibilizado pela
Profa. Dra. Marília Xavier Cury, utilizado na disciplina: MEA 16 – Exposições Antropológicas – 1º semestre de 2018, no Museu de Arqueologia e Etnologia da USP.
De maneira geral, o acesso dos visitantes ao Museu ocorria após a visitação ao Mirante, com aproximadamente cem metros de altura. Durante a descida, o ascensorista parava no 2º andar da Torre, para que os visitantes pudessem visitar a exposição.
Em relação à identificação do Museu, havia poucas placas de sinalização, algumas indicações observadas em fotografias eram relacionadas ao fluxo de entrada e saída, para conduzir os grupos de visitantes, contando com a presença de guardinhas mirins26.
Além dos organizadores do Museu Nossa Senhora Aparecida, Profa. Conceição Borges e Vicente Camargo, os guardinhas mirins, entre quatro e seis adolescentes, eram os responsáveis pela recepção, cobrança de ingressos e orientação do público no Museu, conforme constam nos Formulários EC-5- Museus, destinados ao Plano Geral de Informações Estatísticas e Geográficas, com base na Lei nº 5.534, de 14/11/1968, modificada pela Lei nº 5.878, de 11/05/1973, solicitados periodicamente pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Havia também algumas placas metálicas com informações específicas sobre alguma efeméride ou personalidade homenageada em um núcleo expositivo, não chegando a ser considerada uma exposição temporária, pois o núcleo expositivo era acrescentado à exposição de longa duração, como, por exemplo, o núcleo temático sobre o Cardeal Motta, composto por algumas vitrines específicas sobre o Arcebispo da Arquidiocese de Aparecida, com objetos de uso pessoal ou ofertados pelo Cardeal, os quais estavam localizados dentro da mesma sala da exposição.
Nesse período, a bilheteria estava localizada na própria recepção da exposição, no 2º andar da Torre. E, por meio das fotografias, notamos que a Profa. Conceição Borges realizava o acompanhamento de grupos, com monitoramento, embora não tenha sido localizado registro sobre agendamento de visitas;
26 A Guarda Mirim de Aparecida (SP) foi fundada pela Professora Conceição Borges Ribeiro Camargo
em 10 de março de 1955, com apoio do sargento Aristeu de Oliveira e do Prof. Murillo do Amaral, que reuniram os meninos que circulavam pela Praça Nossa Senhora Aparecida. Conceição Borges foi a diretora da Guarda Mirim durante nove anos, ministrando aulas de civismo e de economia, além de história da cidade. Contava com o apoio dos missionários redentoristas de Aparecida (SP), que ministravam as aulas de catecismo. Entre eles destacam-se os padres Rubem Leme Galvão, Silvério Negri, Clóvis Bovo e Antônio Silva. Uma das atribuições dos meninos da Guarda Mirim foi o trabalho de engraxate, que teve início em 31 de maio de 1956. Com um total de 250 meninos, os materiais de trabalho foram abençoados pelo padre José Ferreira Rosa, considerado o padrinho dos meninos engraxates. Atualmente a Guarda Mirim está presente em outros municípios do Vale do Paraíba.
acreditamos que eram realizadas abordagens espontâneas por parte da Profa. Conceição Borges.
De acordo com Zenilda Cristina da Cunha27, sobre sua percepção em relação
ao atendimento do Museu nesse período, Zenilda Cunha (2018) considera que a Profa. Conceição Borges era uma professora boa, embora muito brava. Mas ela tinha uma afeição, ela gostava. Zenilda Cunha complementa que:
Ela formava os grupos, ela chamava, ela conversava. E era bonito ver, ela falava das escavações, ela falava da história de Aparecida. [...] A Conceição Borges, ela era brava, porque ela tinha uns guardinhas que trabalhavam com ela. Mas, ela ficava falando das coisas, da história de Aparecida, do Vale do Paraíba e isso que era legal. [...]
Era bastante devota. Então você via o jeito dela, mesmo ela sendo assim, mas ela transmitia no olhar. Era bacana ela contando toda a vivência dela e tudo colocado ali no Museu, que o sonho dela era deixar lindo, colocar Nossa Senhora, explicar a devoção a Nossa Senhora a partir de toda a região de Aparecida, como Aparecida cresceu. Era muito interessante isso, a vida dela. (CUNHA, 2018, informação verbal).
Embora não seja possível fazer uma visita exploratória à exposição, pois ela foi desativada no ano de 2005, iremos seguir a metodologia de análise conforme consta no Roteiro de observação para visitas a museus e exposições28.
A seguir, será apresentada uma série de fotografias das vitrines em exposição, com o intuito de analisar, a partir das imagens, os acervos e coleções que foram reunidos com o passar dos anos e como foram organizados no ambiente expositivo.
Desta forma, será possível verificar o perfil das doações e aquisições que constituíram o Museu Nossa Senhora Aparecida, que em sua maioria remetem aos objetos do cotidiano, além de objetos litúrgicos e devocionais, redefinindo a maneira de fazer a oralidade dos objetos, conforme mencionado por Poulot (2013), ao dizer que as coleções começaram por abrir-se à história recente e, em seguida, à história presente. Segundo o autor,
Com a antropologia e a etnologia, os objetos do cotidiano, objetos de família marcados por destinos individuais, podem integrar uma museografia de histórias de vidas. (Re)encontrar seus bens, os de sua família, no museu já não é, a partir daí, uma experiência reservada aos ricos e às pessoas influentes, alimentando - além das visitas de natureza militante, ou daquelas, enraizadas, dos habitantes do próprio local convocados implicitamente a se tornarem doadores - uma experiência contrastada do valor e do uso. No momento em que a museografia da história social triunfante privilegiava as apresentações didáticas de aventuras coletivas, a
27 CUNHA, Zenilda Cristina da. Entrevista concedida a Erica Andreza Coelho. Aparecida, 10 jan.
2018, 1h 33 min 17 s. Som, Formato M4A.
da década de 1980 e das subsequentes coloca, no primeiro plano, indivíduos que se tornaram mediadores das coleções (POULOT, 2013, p. 109-110).
Ao observarmos fotografias da organização dessa exposição, notamos que não havia texto de curadoria ou textos complementares com o conceito da exposição e demais textos de apoio para compreensão dos diferentes núcleos expositivos, que aparentemente não apresentavam uma ligação direta entre si.
Considerando a época em que o Museu foi instalado na Basílica de Aparecida, é possível fazer uma reflexão ao relacionar o Museu Nossa Senhora Aparecida com demais Museus Históricos, pela semelhança na formação de acervos e características da expografia, com grandes aglomerados de objetos de diversas áreas do conhecimento.
Observamos que as vitrines com acervo eram separadas conforme a tipologia dos materiais e coleções. O próprio mobiliário remete ao que era utilizado no período, grandes armários de madeira e vidro com prateiras de vidro, que também podem ser observados em outros Museus Históricos.
Além dessa organização do acervo, observamos objetos de grande porte sobre os armários e fixados nas paredes e nos corredores externos da exposição e, em alguns casos, suspensos do teto (conforme observado nas Figuras 24 e 25).
Figura 24: Aspecto interno do Museu instalado no 2º andar da Torre Brasília.
Figura 25: Aspecto interno do Museu instalado no 2º andar da Torre Brasília.
Fonte: MNSA/ Santuário Nacional.
Nesse período de transição de locais, não há informação da existência de uma Reserva Técnica, embora houvesse uma pequena sala para depósito. Acreditamos que grande parte do acervo estava em exposição, embora algumas coleções permaneceram na Galeria do Hotel Recreio, tendo sido transferidas posteriormente para a Torre da Basílica, no início da década de 1970.
Na Figura 26, constam algumas imagens das vitrines da exposição com as coleções de imaginária, prataria litúrgica e doméstica, objetos litúrgicos e louças. Algumas tipologias de objetos se repetiam em outras vitrines, devido ao pouco espaço interno e aumento constante das coleções.
Figura 26: Vitrines da antiga exposição do 2º andar.
Fonte: MNSA/Santuário Nacional. Foto: Michel H. Oliveira.
Na Figura 27, podemos verificar parte da coleção de louças e porcelanas, classificadas como utensílios domésticos, que podem ser decorativos, para higiene ou objetos e recipientes para conservação, preparação, serviço e consumo de alimentos e bebidas. Nesta coleção há conjuntos de lavabos, saboneteiras e urinóis, além de vasos, travessas, conjuntos de chá e café, entre outros.
Figura 27: Acervo da coleção de louças e porcelanas.
Fonte: MNSA/Santuário Nacional. Foto: Michel H. Oliveira.
Grande parte do acervo de prataria litúrgica é procedente da Antiga Basílica de Nossa Senhora Aparecida, com diversos conjuntos de tocheiros, castiçais, candelabros, vasos de altar, lâmpadas votivas, ânforas, custódias, cortadores de hóstia, aspersório, turíbulo, concha batismal, resplendores de imagens, entre outras peças. Já a coleção de prataria doméstica é composta por talheres, bandejas, conjuntos de café e demais objetos de uso doméstico cotidiano.
Alguns objetos da coleção de prataria litúrgica podem ser observados na Figura 28.
Figura 28: Acervo de prataria litúrgica.
Fonte: MNSA/Santuário Nacional. Foto: Michel H. Oliveira. Figura 29: Acervo da coleção Cardeal Motta.
Fonte: MNSA/Santuário Nacional.
A Figura 29 compõe um núcleo referente ao Cardeal Dom Carlos Carmelo de Vasconcellos Motta, que esteve presente em vários eventos no Museu organizados pela Profa. Conceição Borges, desde sua inauguração, tendo contribuído com importantes aquisições de acervos.
Esse núcleo composto por objetos de uso pessoal do Cardeal Motta contém indumentária religiosa, mitra, solidéu, barrete, chapéu cardinalício, sapato, além de condecorações, placas de sua residência episcopal, de sua sala e placas de automóveis oficiais identificadas com o brasão cardinalício, assim como um prato decorativo e báculo. Há ainda, sobre a vitrine, um busto feito em metal pelo escultor Francisco Bussaco.
Recentemente, em 12 de outubro de 2012, familiares do Cardeal Motta fizeram a doação de uma coleção de bens pertencentes ao Cardeal Motta, que envolvem objetos e utensílios pessoais, fotos, documentos, livros, relíquias de santos, alguns com certificado de autenticidade, bem como diversas condecorações e placas de agradecimento.29
Figura 30: Acervo da coleção de objetos religiosos.
Fonte: MNSA/Santuário Nacional. Foto: Vera de Souza.
29 Ver o Contrato Particular de Doação, 12 de outubro de 2012, tendo como doadoras: Rita Maria de
Vasconcelos Motta e Maria José de Vasconcelos Motta; e, do outro lado, como donatário, o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida.
Ao lado do núcleo do Cardeal Motta (Figura 30) estão demais objetos religiosos, como casulas, dalmáticas, véu umeral, capa pluvial, cíngulo, amito, túnica, estola, solideis papais, báculos, bolsas de corporal, entre outros paramentos. Na Figura 31, ainda referente à coleção de objetos religiosos, podemos observar conjuntos de sacras, custódias, cálices, patenas, âmbulas, tecas, candelabros, castiçais e tocheiros em metal, além de peças têxteis, como estola e conjunto de bolsas de corporal.
Figura 31: Acervo litúrgico.
Fonte: MNSA/Santuário Nacional. Foto: Michel H. Oliveira.
Em relação à classificação do acervo, os objetos de culto estão classificados como objetos para aspersão e incensamento, consagração das igrejas, objetos relacionados à Eucaristia, procissão, oferendas e coleta, ritos, além de outros sacramentos. Há também tecidos e guarnição litúrgicos.
Outra tipologia é composta por vários objetos de devoção pessoal, contendo terços, medalhas e pingentes, crucifixos, pequenos oratórios, estampas com figuras
de Nossa Senhora Aparecida. Algumas estampas possuem parcelas do manto de Nossa Senhora.
As Figuras 32 e 33 apresentam detalhes do mesmo armário, porém as fotografias são de períodos diferentes, sendo possível observar alterações do acervo exposto. Na Figura 32, há crucifixos de diversos tamanhos e materiais contendo véus de sacrário ao fundo, sendo possível visualizar apenas a parte superior do armário, que segue a mesma disposição do acervo na parte superior e inferior. Já na Figura 33, os crucifixos foram substituídos por imaginárias de madeira e de barro.
Figura 32: Acervo da coleção de objetos religiosos.
Figura 33: Acervo de imaginária e têxteis.
Fonte: MNSA/Santuário Nacional. Foto: Michel H. Oliveira.
O conjunto de esculturas religiosas compõe uma das maiores coleções do Museu Nossa Senhora Aparecida. As esculturas de vulto desse conjunto podem ser classificadas como: busto, cabeça, estátua, estatueta e grupo escultórico.
Especificamente, as figuras religiosas são classificadas como: crucifixos, divino, imagens de Nossa Senhora, imagens de Santas e de Santos, Mártires, Imagens de Jesus, Presépios, esculturas religiosas não identificadas e demais atributos de esculturas religiosas, como coroas, resplendores, mantos, etc.
Dando sequência aos armários com temática religiosa, na Figura 34 observamos os mantos utilizados pela Imagem de Nossa Senhora Aparecida, assim como coroas de diversos formatos e tamanhos. Neste armário há também livros de oração, crucifixos, chaves, rosas de prata, além de alguns objetos decorativos. Ao lado há um dos cofres procedentes da Antiga Basílica de Nossa Senhora Aparecida.
Figura 34: Acervo devocional.
Fonte: MNSA/Santuário Nacional. Foto: Michel H. Oliveira. Figura 35: Acervo de pinturas com temática religiosa.
É importante considerar, também, as pinturas com temáticas religiosas, tais como a grande tela da Coroação de Nossa Senhora Aparecida, citada anteriormente, além de representações da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, reproduções da praça com a Antiga Basílica, bem como o local escolhido para construção da Nova Basílica, entre outras pinturas (Figura 35).
Na Figura 35 é possível observar a existência de mobiliários diferenciados que ocupavam os espaços na parte central do salão e nas paredes, sob as janelas. Alguns desses mobiliários eram procedentes do antigo Museu da Cúria Metropolitana de São Paulo e foram doados pelo Arcebispo D. Paulo Evaristo Arns. De acordo com a correspondência entre a Profa. Conceição Borges e o Padre Galvão 30:
Os móveis pertencentes ao antigo museu da Cúria Metropolitana de São Paulo foram doados por Dom Paulo Evaristo Arns, em abril de 1971, para o Museu Nossa Senhora Aparecida. Na ocasião da doação todos foram usados no “Museu Documentação”, localizado no 3º andar da Torre. Porém, não despertou interesse aos visitantes. Posteriormente, alguns móveis foram utilizados no Museu Histórico, Didático e Pedagógico, denominado “Museu dos Ciclos Sócio-Econômicos do Vale do Paraíba”. Com o encerramento do Museu, os móveis foram cedidos para iniciar o Museu do Seminário de Santa Therezinha, em Tietê (SP).
Figura 36: Acervo devocional e livros raros.
Fonte: MNSA/Santuário Nacional. Foto: Michel H. Oliveira.
30 CAMARGO, C. B. R. [Carta] 28 nov. 1980, Aparecida [para] GALVÃO. Aparecida. 1 f. Doação dos
móveis do antigo museu da Cúria Metropolitana de São Paulo para o Museu Nossa Senhora Aparecida.
Em relação ao acervo de livros raros, havia missais em exposição no 2º andar, conforme observado na Figura 36. A grande parte da coleção de livros ficava exposta no 3º andar, no Museu dos Ciclos Socioeconômicos do Vale do Paraíba, que foi inaugurado no ano de 1975. O referido Museu, também organizado pela Profa. Conceição Borges, será abordado no próximo item desta dissertação.
Em relação ao acervo de mobiliários e demais peças em madeira entalhada, há um fragmento de porta de um confessionário da Antiga Basílica de Nossa Senhora Aparecida, assim como genuflexórios, mesas e cadeiras, tocheiros, além de relógios do modelo carrilhão.
Os oratórios residenciais compõem uma coleção de nove peças, sendo a maioria em madeira entalhada, dos séculos XVIII e XIX, e alguns em policromia e folheados a ouro.
Figura 37: Vitrines da antiga exposição do 2º andar.
Na Figura 37 notamos a presença de ex-votos no Museu, talvez fosse interesse da Profa. Conceição Borges em formar uma coleção de ex-votos, mas não podemos descartar a hipótese da proximidade do Museu com a Sala dos Milagres ou a própria falta de conhecimento do doador em localizar o local correto para fazer a oferta do seu ex-voto, conforme ainda pode ser observado atualmente.
Em relação à organização do acervo, Zenilda Cunha31, em sua percepção
sobre os ex-votos do Museu, diz que,
“[...] eu achava que o Museu era uma Sala das Promessas, porque eram coisas muito juntas, às vezes ela ganhava coisa, eu falo porque eu vi. Então, às vezes ela ganhava umas peças de porcelana no dia em que ela estava explicando para escola, e nem bem colocava nenhum dado, ela colocava uma coisa embaixo do prato e já colocava na prateleira. Então, ela ia recolhendo praticamente e colocando. Tudo exposto, ficava tudo junto. (CUNHA, 2018, p. 5, informação verbal).
Além dos ex-votos, observamos na Figura 37 outra vitrine com imaginárias e têxteis, minerais, bem como documentos e objetos de tortura do período escravagista.
Figura 38: Acervo da coleção de instrumentos musicais e relógios.
Fonte: MNSA/Santuário Nacional. Foto: Michel H. Oliveira.
A Figura 38 apresenta uma das vitrines baixas entre os corredores dos armários, expondo alguns instrumentos musicais e relógios, objetos recorrentes em
31 CUNHA, Zenilda Cristina da. Entrevista concedida a Erica Andreza Coelho. Aparecida, 10 jan.
várias vitrines, devido à alta frequência de doações e o formato pequeno das vitrines, impossibilitando a exposição de toda a coleção em um mesmo local, até mesmo pela diversidade de tipologias, materiais e tamanhos dos objetos.
Em vitrines baixas, também eram expostas as máquinas de costura, máquinas de escrever, tinteiros, canetas e bicos de pena e demais objetos de comunicação escrita. Além de objetos de uso cotidiano feminino como leques, luvas, acessórios para cabelo. Alguns desses objetos podem ser visualizados na Figura 39.
Figura 39: Acervo da coleção de objetos de comunicação.
Fonte: MNSA/Santuário Nacional. Foto: Michel H. Oliveira. Figura 40: Acervo da coleção de arte popular.
Na Figura 40 estão figuras de presépios que compõem a coleção de artesanatos, com várias peças produzidas pelas “Figureiras” de Taubaté (SP) e também de artesãos de São José dos Campos (SP).
Em outros armários há demais figuras de presépio em gesso, compondo expressivos conjuntos com figuras humanas e figuras de animais, quantificados em