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DE LA SPATIALISATION À LA TERRITORIALISATION

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A “análise de conteúdo” é procedimento investigativo composto, segundo Bardin (2011), por três fases: a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação. De certa forma, as considerações da autora levam em conta o aspecto quantitativo da “análise de conteúdo”; no entanto, apropriamo-nos do que diz respeito à parte qualitativa da investigação.

De acordo com Bardin (2011), a pré-análise é a parte de organização. “Corresponde a um período de intuições, mas tem por objetivo tornar operacionais e sistematizar as ideias iniciais, de maneira a conduzir a um esquema preciso do desenvolvimento das operações sucessivas, num plano de análise” (BARDIN, 2011, p. 125). A autora coloca como primeira atividade a leitura flutuante, que consiste no estabelecimento de um primeiro contato com os materiais para análise. Essa parte é fundamental, porque permite ao pesquisador ter uma impressão inicial do que os textos dizem. Há, aí, uma leitura mais descompromissada e que permite um avanço no conhecimento dos materiais, já com o intuito de se apreender impressões iniciais e gerar intuições no investigador.

Em relação a nossa pesquisa, realizamos a leitura flutuante num segundo momento, após a escolha dos documentos, já que, no próprio projeto para entrada no doutorado, tínhamos definido o volume de materiais para investigação, isto é, já tínhamos como definição, a priori, o período de tempo para análise, ainda que não tivéssemos entrado em contato com os materiais. Essa definição temporal e, por consequência, do conjunto de edições para a análise, foi fundamentada mais numa posição epistemológica do que propriamente empírica. Daí o fato de realizarmos a leitura flutuante após a seleção dos materiais.

A propósito, a escolha dos documentos é marcada pela constituição de um corpus. “O corpus é o conjunto dos documentos tidos em conta para serem submetidos aos

procedimentos analíticos. A sua constituição implica, muitas vezes, escolhas, seleções e regras” (BARDIN, 2011, p. 126). A autora apresenta quatro regras que implicam na escolha dos documentos: regra de exaustividade, regra da representatividade, regra da homogeneidade e regra da pertinência.

A regra da exaustividade significa, em miúdos, que não se pode deixar nada de fora do âmbito em que se pretende investigar; tudo o que for correspondente aos critérios adotados para a seleção de determinado conjunto de documentos deve ser considerado e recolhido para futura investigação. Sobre a regra da representatividade, Bardin afirma que a amostragem só é representativa se for fiel ao universo inicial considerado. Sobre a regra da homogeneidade, diz: “Os documentos retidos devem ser homogêneos, isto é, devem obedecer a critérios precisos de escolha e não apresentar demasiada singularidade fora desses critérios” (BARDIN, 2011, p. 128). Em relação à regra de pertinência, indica que os documentos devem corresponder ao objetivo que levou à análise.

Antes da leitura flutuante, e após a escolha dos documentos para a análise, formulamos a hipótese e os objetivos do estudo, os quais foram ajustados no desenvolvimento da pesquisa, principalmente após a “banca de qualificação” desta tese.

Uma hipótese é uma afirmação provisória que nos propomos verificar (confirmar ou infirmar), recorrendo aos procedimentos de análise. Trata-se de uma suposição cuja origem é a intuição e que permanece em suspenso enquanto não for submetida à prova de dados seguros. O objetivo é a finalidade geral a que nos propomos (ou o que é fornecido por uma instância exterior), o quadro teórico e/ou pragmático, no qual os resultados obtidos serão utilizados (BARDIN, 2011, p. 128).

Uma quarta etapa da pré-análise é a referenciação dos índices e a elaboração de indicadores. Esse é um trabalho que provém da visualização de índices que se manifestam nos textos e que a análise explicitará. “Uma vez escolhidos os índices, procede-se à construção de indicadores precisos e seguros” (BARDIN, 2011, p. 130). Em nossa pesquisa, os índices foram percebidos a partir dos elementos constituintes das matérias, como os títulos, subtítulos e textos, de modo que os indicadores apareceram no processo de codificação das unidades de registro, a partir de palavras-chave.

A quinta etapa do processo é a da preparação do material, e aqui reside situar nossos procedimentos metodológicos com maior nitidez, inclusive, em relação à etapa anterior de referenciação dos índices e elaboração dos indicadores. Após a seleção das edições do dia 12 de junho ao dia 14 de julho de 2014, totalizando 33 documentos, tivemos que selecionar os textos para análise, do montante de materiais contidos em cada um dos exemplares do “Jornal

da Copa”, de Zero Hora. Como critério elementar, selecionamos todas as matérias jornalísticas que estivessem “soltas” no interior de cada caderno, isto é, excluímos, num primeiro momento, todo o conteúdo que estivesse sob alguma seção específica ou fosse parte de alguma das colunas criadas especificamente para o “Jornal da Copa”77. Sobraram notícias, reportagens, crônicas, entrevistas e notas. Assim, trabalhamos com notícias, reportagens e crônicas – que não apareceram sob o formato de coluna78. Para registro, cabe ressaltar que chegamos a um total de cerca de 300 textos.

Após a seleção do conteúdo, realizamos a leitura de cada um dos textos e fizemos a codificação, especialmente das unidades de registro. A unidade de registro corresponde a uma espécie de unidade base de conteúdo, e que trabalhamos visando, sobretudo, a categorização. Segundo Bardin (2011, p. 134), “a unidade de registro pode ser de natureza e de dimensões muito variáveis”. O recorte baseado nos temas acontece em nível semântico, diferentemente de outros, como a palavra, que acontece num nível linguístico. Além do tema e da palavra, são unidades de registro o objeto ou referente, o personagem, o acontecimento e o documento. Em nossa pesquisa, tomamos como base cada um dos documentos (as matérias jornalísticas).

A unidade de contexto serve como unidade superior à unidade de registro, permitindo uma compreensão melhor de como esta aparece no interior de um texto, por exemplo. Como o processo de “análise de conteúdo” é “automático” e suas partes estão entretidas, em nossa investigação a unidade de contexto, o próprio “Jornal da Copa” em sua totalidade, funcionou para dar suporte à emergência das categorias para a análise.

A categorização é também parte dos procedimentos de recorte da pesquisa. Na realidade, é a partir da categorização que estabelecemos os módulos necessários para a “análise de conteúdo”.

A categorização é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto por diferenciação e, em seguida, por reagrupamento segundo o gênero (analogia), com os critérios previamente definidos. As categorias são rubricas ou classes, as quais reúnem um grupo de elementos (unidades de registro, no caso da análise de conteúdo) sob um título

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Não consideramos as matérias que apareceram sob as designações “O jogo hoje”, “O jogo em Porto Alegre” e “Na beira da Copa” como pertencentes a seções específicas. Essas três “denominações” apenas serviram para chamar a atenção do público para um conteúdo singular dentro da já específica tematização do acontecimento no “Jornal da Copa”.

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Cabe ressaltar que nosso trabalho não é um estudo sobre os gêneros jornalísticos, embora tenhamos refletido sobre os que trabalhamos na pesquisa e consideremos que eles aparecem, muitas vezes, de forma híbrida e suas fronteiras são relativamente tênues. No caso do jornalismo esportivo, mais especificamente, as crônicas não têm vínculo com uma coluna em específico, muitas vezes, sendo matérias relativas, por exemplo, aos resultados dos jogos. São textos interpretativos, mesclando relato e comentário, opinião e informação, assinados por jornalistas de Zero Hora, como Diogo Olivier e David Coimbra.

genérico, agrupamento esse efetuado em razão das características comuns destes elementos (BARDIN, 2011, p. 147).

Como se pode perceber, a categorização aparece relacionada com a codificação. Em nosso caso, o levantamento das unidades de registro fez emergir, inicialmente, uma centena de categorias. Após a primeira categorização, passamos a perceber possíveis correspondências de sentido entre as matérias, de modo que passamos a realizar sucessivos processos de categorização até chegarmos aos eixos temáticos finais, que são os seguintes: “jogos”, “gente”, “Porto Alegre”, “protagonistas”, “Seleção Brasileira” e “polícia”.

Após a pré-análise, passamos para a análise propriamente dita, com a investigação dos temas, ou análise temática, que “é rápida e eficaz na condição de se aplicar a discursos diretos (significações manifestas) e simples” (BARDIN, 2011, p. 201). Na análise, realizamos a segunda etapa do processo investigativo, que é a “exploração do material”. Segundo Bardin (2011, p. 131), “se as diferentes operações da pré-análise forem convenientemente concluídas, a fase de análise propriamente dita não é mais do que a aplicação sistemática das decisões tomadas”.

Para efeitos de nossa pesquisa, a exploração do material começou depois que agrupamos as unidades de análise, isto é, as notícias, reportagens e crônicas – do total de cerca de 300 textos selecionados – nos eixos temáticos, formando conjuntos de matérias por analogia. Feito o agrupamento, debruçamo-nos sobre cada uma das seis “apostilas” que montamos, sob a designação dos temas específicos – “jogos”, “gente”, “Porto Alegre”, “protagonistas”, “Seleção Brasileira” e “polícia”. O primeiro momento foi de leitura e anotações sobre o que mais chamava atenção em cada uma das matérias, conforme os objetivos traçados em nossa pesquisa. Depois dessa rodada de análise, passamos ao que seria a terceira fase do trabalho metodológico proposto por Laurence Bardin, o “tratamento dos resultados obtidos e interpretação”. Foi nesse momento que produzimos os seis textos interpretativos, com a proposição de inferências a respeito do objeto de estudo. “O analista, tendo à sua disposição resultados significativos e fieis, pode então propor inferências e adiantar interpretações a propósito dos objetivos previstos – ou que digam respeito a outras descobertas inesperadas” (BARDIN, 2011, p. 131).

A ordem na qual aparecem os eixos temáticos se deve à indicação, na disciplina de “Análise de discurso e análise de conteúdo”, cursada no PPG em Serviço Social da PUCRS, de que eles devem ser exibidos conforme a quantidade de material trabalhado neles, partindo- se do tema com mais matérias até aquele com menos conteúdo a ser analisado.

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