O município de Ponta Grossa situa-se no Segundo Planalto Paranaense, em uma região conhecida como Campos Gerais. Com uma latitude 25°05’42” Sul e uma longitude 50°09’43” Oeste, pertence à Mesorregião Centro Oriental. Com uma altitude de 975 metros acima do nível do mar, apresenta clima subtropical úmido mesotérmico e temperatura média entre 13,8°C e 21,4°C. Ponta Grossa está a 117 quilômetros de Curitiba, possui uma área total de 2.025.697 quilômetros quadrados, destes 1.863.360 quilômetros quadrados pertencem à zona rural (IPARDES, 2008).
FIGURA 1 – Mapa da Divisão Político Administrativa do Paraná
Fonte: GEOPORTAL Ponta Grossa Disponível em: <http//geo.pg.pr.gov.br/portal/plano_diretor>.
Seu território limita-se ao norte com Castro, ao sul com Palmeira e Teixeira Soares, a leste com Campo Largo e a oeste com Tibagi e Ipiranga. Além da sede municipal, possui quatro distritos administrativos: Uvaia, Guaragi, Itaiacoca e Piriquitos.
FIGURA 2 – Mapa da Messorregião Centro-Oriental do Paraná e do município de Ponta Grossa
Fonte: GEOPORTAL Ponta Grossa Disponível em: <http//geo.pg.pr.gov.br/portal/plano_diretor>.
FIGURA 3 – Vista aérea da cidade de Ponta Grossa – Pr
O surgimento de Ponta Grossa, como de outras cidades, à margem do Caminho das Tropas, está ligada ao tráfego de tropeiros que no século XVIII saíam de Viamão no Rio Grande do Sul para levar o gado que era comercializado em Sorocaba/SP. No trajeto faziam aqui uma de suas paradas. Fundada em 1812, foi elevado a Freguesia em 15 de novembro de 1823. Em 7 de abril de 1855, através da Lei n 54, foi elevada à categoria de vila desmembrando-se de Castro. Sua elevação à categoria de cidade se deu em 24 de março de 1862 e foi recebida com grande satisfação pela população (GONÇALVES e PINTO, 1983).
Com a elevação a categoria de cidade, ocorreram várias transformações na estrutura social e econômica, tais como, o progresso político e uma maior concentração de pessoas na área urbana em função dos moradores da área rural buscarem novas atividades produtivas.
Na época de seu surgimento, o desenvolvimento da pecuária havia se tornado importante atividade econômica, principalmente no extremo sul do Brasil. Por render maiores lucros e exigir menor mão-de-obra, a pecuária insere-se em nossa região. A intensidade das atividades de criação, comercialização de animais e fabricação da erva-mate, deixaram a agricultura em segundo plano (GONÇALVES e PINTO, 1983).
Este fato traria como principal consequência o baixo índice populacional no campo, cenário que persiste até os dias atuais. Ao fim do século XIX, com as modificações no transporte de gado para São Paulo, ganha destaque no cenário econômico municipal, a extração da erva-mate e da madeira (PAULA, 2001).
Durante o século XX, a economia de Ponta Grossa teve três grandes saltos: em meados de 1900, ocorreu o primeiro com a instalação da ferrovia:
A chegada da ferrovia, no final do século XIX, resulta em uma dinamização dos rumos da cidade e traz uma nova dimensão social. A partir daí, o contato com os grandes centros políticos, culturais do país determina Ponta Grossa a modificar seu tradicional aspecto campeiro e a ingressar num acelerado processo de modernização urbana, que se consolida na primeira metade do século XX. (CHAVES, 2001, p. 10).
Na década de 1970, houve o segundo com a instalação de grandes indústrias de alimentos e moagem de grãos, o que intensificou o processo de urbanização:
Este período de intensificação da industrialização levou a um maior investimento nas rodovias de acesso à cidade. A desativação das ferrovias, substituídas pelas rodovias levaram a ampliação do desemprego e da periferia da cidade. (WLODARSKI, 2007, p. 77).
Na segunda metade da década de 1990 grandes redes prestadoras de serviços e empresas nacionais do setor logístico e de produção se instalaram configurando o terceiro grande salto.
Devido a sua localização privilegiada, Ponta Grossa é o principal entroncamento rodo-ferroviário do Paraná, de onde partem estradas para todas as regiões do estado. O município está próximo dos principais mercados consumidores do país, e é ponto de passagem para a exportação de produtos pelo Porto de Paranaguá e pelo Corredor do Mercosul. É a quarta principal cidade exportadora paranaense e a décima da região sul, em especial, para Japão e Europa.
Já citado anteriormente, em seu nascedouro, o município priorizou a pecuária em detrimento da agricultura, uma atividade que exigia pouca mão-de-obra, portanto os índices populacionais no campo eram baixos. O reflexo deste passado é o fato o censo demográfico de 2000 apresentar dos 87.369 domicílios apenas 2.754 localizavam-se na zona rural.
Pode-se então, observar um alto índice de urbanização 97,47% com densidade demográfica de 155,34 hab/km2. No ano de 2000, o Índice de Desenvolvimento Humano – IDH era de 0,804, superior a média estadual de 0,785, colocando o município entre as 23 melhores cidades do Paraná em desenvolvimento humano. O PIB per capta de 13.299 reais e taxa de pobreza de 18,55%9. Entretanto, o resultado do processo de formação deste território
desde seu surgimento culminou no segundo lugar no ranking das cidades com maior número de favelas do Estado (IPARDES, 2008).
A pobreza no município de Ponta Grossa é vista como decorrente de um processo de desigualdade social, desde as primeiras relações estabelecidas, intensificando-se como resultado de um processo de modernização da agricultura, migração rural-urbana e industrialização. (WLODARSKI, 2007, p. 77).
Através deste breve relato histórico e socioeconômico pode-se conhecer melhor as característica que compõem o município, pôde-se perceber que a forma com que o município se desenvolveu econômica e socialmente, está pautado em sua origem. Embora a econômica tenha conseguido prosperar, parte da população que é majoritariamente urbana não participou deste progresso econômico e carecem de assistência. Aqueles que optaram por continuar no campo também encontram dificuldades para a sua manutenção. É neste contexto de desigualdade social que o PAA – Compra Direta foi instalado.