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B. DC POWER DISTRIBUTION a) Description
Os PCNs da disciplina de história indicam como objetivos do Ensino Fundamental que os alunos sejam capazes de conhecer as características do Brasil nas
dimensões sociais, materiais e culturais como meio para construir a noção de identidade pertencente ao país. Apesar de o documento trazer a necessidade da criação de estratégias que fomentem a inserção de temas que corroborem para o desenvolvimento da cidadania, como: o desemprego; a segregação étnica e religiosa; o reconhecimento da especificidade cultural indígena; os novos movimentos sociais; o desrespeito pela vida e pela saúde; a preservação do patrimônio histórico-cultural; a preservação do meio ambiente; a ausência de ética nos meios de comunicação de massa; o crescimento da violência e da criminalidade (BRASIL, 1998, p. 37), ele pouca aborda questões referentes ao racismo, e tampouco ações efetivas para o seu combate. Para Van Dijk:
[...] desde o Ministério da Educação, ao estabelecer parâmetros curriculares até os autores e editores ao produzirem livros didáticos ou os comitês de professores que os aprovam e, finalmente, os professores que os usam para ensinar, todos podem estar convencidos de que o que esses livros didáticos ensinam é bom para os alunos (VAN DIJK, 2010, p. 22).
Daí a necessidade do embasamento teórico dos professores sobre questões relativas à raça, para que não se reproduzam discursos estereotipados. Para Van Dijk (2010, p. 150), o racismo é uma característica apreendida, construída, e não inata. As ideologias e preconceitos étnicos não se desenvolvem espontaneamente, mas são adquiridos e aprendidos (VAN DIJK, 2010, p. 135), e esse processo de aprendizagem começa na escola muitas vezes.
Os PCNs definiram a “Pluralidade Cultural” como tema transversal a ser trabalhado no Ensino Fundamental, e direcionaram um capítulo do documento para o tema. Essa parte do documento estabelece medidas para o trato das questões étnico- raciais:
A idéia veiculada na escola de um Brasil sem diferenças, formado originalmente pelas três raças — o índio, o branco e o negro — que se dissolveram, dando origem ao brasileiro, também tem sido difundida nos livros didáticos, neutralizando as diferenças culturais e, às vezes, subordinando uma cultura à outra. Divulgou-se, então, uma concepção de cultura uniforme [...] (BRASIL, 1998, p. 126).
O documento fornece sugestões a serem tomadas para a superação dessa visão homogeneizante, e trata da necessidade de reconhecimento e valorização de características específicas e singulares de regiões, etnias, escolas, professores e alunos. De acordo com os PCNs, estudar a Pluralidade Cultural no Brasil possibilita aos alunos
oportunidades de conhecimento de suas origens como brasileiros e como participantes de grupos culturais específicos:
Ao valorizar as diversas culturas presentes no Brasil, propicia ao aluno a compreensão de seu próprio valor, promovendo sua auto-estima como ser humano pleno de dignidade, cooperando na formação de autodefesas a expectativas indevidas que lhe poderiam ser prejudiciais. Por meio do convívio escolar, possibilita conhecimentos e vivências que cooperam para que se apure sua percepção de injustiças e manifestações de preconceito e discriminação que recaiam sobre si mesmo, ou que venha a testemunhar — e para que desenvolva atitudes de repúdio a essas práticas (BRASIL, 1998, p. 137).
No tocante ao racismo, a sugestão dada pelo documento para as escolas é de se criarem outras formas de relação social e interpessoal, por meio da integração do trabalho educativo escolar e as questões sociais, posicionando-se de maneira crítica e responsável. Sendo uma proposta curricular voltada para o desenvolvimento da cidadania, o tema da Pluralidade Cultural se caracteriza na oferta de subsídios para que a escola possibilite que a criança estabeleça relações entre a “democracia, a consolidação do pleno cumprimento de direitos, a coexistência de diferentes grupos e comunidades étnicas e culturais, e sua própria vida, no cotidiano” (BRASIL, 1998, p 156). Este documento sugeria uma mudança de postura no trato com as questões raciais, mas o teor de exigência desse quesito só passa a existir com a promulgação da Lei n. 10.639/03.
O parecer que instituiu as Diretrizes Curriculares Nacionais para a educação das relações étnico-raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana foi aprovado em março de 2004. O documento procura oferecer um retorno à população negra, no sentido de criação de políticas de reparações, e de reconhecimento e valorização de sua história, cultura, identidade:
Trata, ele, de política curricular, fundada em dimensões históricas, sociais, antropológicas oriundas da realidade brasileira, e busca combater o racismo e as discriminações que atingem particularmente os negros. Nesta perspectiva, propõe à divulgação e produção de conhecimentos, a formação de atitudes, posturas e valores que eduquem cidadãos orgulhosos de seu pertencimento étnico-racial – descendentes de africanos, povos indígenas, descendentes de europeus, de asiáticos – para interagirem na construção de uma nação democrática, em que todos, igualmente, tenham seus direitos garantidos e sua identidade valorizada. (BRASIL, 2004, p. 2)
A justificativa para a elaboração do parecer se embasa na necessidade do cumprimento da Lei n. 10.639/03 e no Art. 205 da Constituição Federal, que assinala
como dever do Estado a garantia, por meio da educação, do oferecimento de iguais direitos para o pleno desenvolvimento de todos. E declara que sem a intervenção do Estado, os setores marginalizados, entre eles os afro-brasileiros, dificilmente romperão o sistema meritocrático que agrava desigualdades e gera injustiça, por se pautar em critérios de exclusão, fundados em preconceitos e manutenção de privilégios para os sempre privilegiados, fato comprovado por estatísticas (BRASIL, 2013, p. 498). Sendo assim, esse parecer se constitui em elemento norteador da prática docente para o encaminhamento de ações de combate ao racismo e representatividade negra condizente com a constituição social brasileira, e é um instrumento de extrema relevância para o tratamento das questões étnico-raciais na escola e combate ao racismo, sendo leitura obrigatória para profissionais da educação.
A finalidade da História, de acordo com as Diretrizes Curriculares Estaduais da Educação Básica do estado do Paraná: “é a busca da superação das carências humanas, fundamentada por meio de um conhecimento constituído por interpretações históricas” (PARANÁ, 2008, p. 47). Esse documento se propõe a fazer uma reorientação na política curricular, com o objetivo de construir uma sociedade mais justa, em que as oportunidades sejam iguais para todos (PARANÁ, 2008, p. 14). Em relação à abordagem dos conteúdos relativos à história e cultura afro-brasileira, este documento dialoga de maneira consonante com os direcionamentos sugeridos pela DCNs, à medida que contempla os conteúdos sugeridos, a ideologia de construção positiva das múltiplas identidades integrantes da sociedade brasileira e o combate à discriminação:
Nestas diretrizes, objetiva-se superar a visão de que os sujeitos históricos de significância locais e nacionais seriam menos importantes do que os de significância mundial, criando uma hierarquia na qual o Brasil assumiria o papel periférico.
Propõe-se, então, uma abordagem de divisão temporal a partir das histórias locais e nacionais que torna possível analisar os componentes mais complexos das heranças africanas como, por exemplo, a reivindicação dos movimentos negros a respeito da inserção da cultura africana e afro-brasileira no ensino de História. Essa nova perspectiva permitirá estabelecer relações entre a sociedade brasileira e as demais, como a indígena, a africana e a asiática, promovendo a reflexão sobre sujeitos até então negligenciados pela História.
[...] Estudar a História do Brasil e as histórias locais relacionadas à mundial, entendendo-a para além da História europeia, permite questionar com o estudante as ideias históricas permeadas de preconceitos que são difundidas pelos meios de comunicação de massa. A partir da valorização de novas narrativas históricas é possível construir ideias históricas sistematizadas em um diálogo cognitivo com o Outro (PARANÁ, 2008, p.74-75).
Dessa forma, as DCEs se adequam às exigências legais no trato às questões raciais, enfatizam a interdisciplinaridade, e configuram-se em um dos instrumentos norteadores do currículo da disciplina de história. O documento estabelece como meta que ao final do trabalho na disciplina de História os alunos possam identificar processos históricos, reconhecer criticamente as relações de poder, e tenham condições de intervir no mundo histórico em que vivem, de modo a se fazerem sujeitos da própria História (PARANÁ, 2008, p. 83). Apesar de as DCEs se constituírem em documento para a Educação Básica específica do estado do Paraná, optei por trazê-lo pela relevância da sua representação na educação paranaense.
Os documentos analisados são requisitos fundamentais para o processo de embasamento teórico necessário à formulação de um currículo escolar que atenda às leis e esteja em harmonia com práticas educativas que respeitem as diversidades e corroborem para a construção de identidades positivas nos jovens.
1.3 PESQUISAS SOBRE O LIVRO DIDÁTICO DE HISTÓRIA APÓS