B. Utilisation des insectes nécrophages pour dater le décès 1. Médecine légale, entomologie et datation des corps
B.1. a. Datation des corps en médecine légale
Como foi esclarecido anteriormente (cf. Referencial teórico), esse fator se refere ao fluxo informacional no discurso, atrelado à maneira como o falante apresenta os referentes nominais na progressão textual. Segundo Prince (1981), a língua é utilizada com o propósito de transmitir informação e tem como uma de suas características universais o fato de essa informação não ser transmitida em um único plano. Ou seja, ao longo do discurso, alguns referentes transmitem informações tidas como mais “velhas” se comparados a outras. Como já vimos, a autora nomeia esse fenômeno de assimetria informacional. Nesse contexto, o status informacional dos referentes reflete as hipóteses do falante sobre as suposições, crenças e estratégias do ouvinte.
Com o intuito de classificar o tipo de informação denotada por um sintagma nominal, Prince (1981) amplia as categorias para além de novo e velho, e, baseando-se na familiaridade
presumida12, propõe um continuum informacional. Nessa proposta, a autora leva em consideração que “o falante assume que o ouvinte conhece, admite ou pode inferir algo particular (sem necessariamente pensar nisso)” (PRINCE, 1981, p. 235). Os referentes de um sintagma nominal, para a autora, podem ser categorizados como novos, inferíveis,
velhos/evocados.
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Ou seja, o “conhecimento compartilhado” pelos interlocutores no momento da interação. Contudo, a autora propõe uma nova nomenclatura, “familiaridade presumida”, por avaliar que aquela expressão pressupõe um observador onisciente, o que não condiz de fato com a realidade (PRINCE, 1981, p. 231-233).
Os referentes são tidos como novos quando são introduzidos pela primeira vez no discurso. Entretanto, Prince (1981) diferencia dois tipos de informações novas: (i) completamente novas (brand-new), quando uma nova entidade é “criada” durante a produção do texto; (ii) disponíveis (unused), quando se supõe que a entidade seja familiar ao ouvinte.
A seguir, apresentamos dados de referentes novos13 no discurso:
(11) “Entre as novidades do III Prêmio de Jornalismo do MPRN estão a inclusão de mais uma categoria, a de fotografia, a possibilidade de participação também de estagiários e o incremento da entrevista como peça que pode concorrer ao prêmio.” (Tribuna do Norte, ano 65, nº 58, notícia)
(12) “Mas aqui deve ser feita uma observação.” (Tribuna do Norte, ano 65, nº 110, artigo)
A primeira ocorrência foi retirada de uma notícia que discorre sobre o III Prêmio de Jornalismo. O SN sujeito em (11) introduz informação nova no discurso ao referir detalhadamente as inovações acrescentadas nessa nova edição do prêmio. A segunda ocorrência foi extraída de um artigo em que o autor disserta sobre pontos específicos da área do direito. O sujeito posposto em (12) denota um referente inserido pela primeira vez no discurso, abrindo, pois, espaço para um novo tópico.
Quanto às entidades disponíveis, Berlinck (1997), em consonância com Prince (1981), as define como um grupo composto por indivíduos cujo nome é de domínio público – (celebridades, políticos etc., e também de instituições, eventos etc.), bem como entidades de referência única (o sol, a lua, etc.). São entidades novas, porém seu conteúdo pode ser facilmente resgatado, por se tratar de informação amplamente disponível no domínio público, como dito.
Observem-se as seguintes ocorrências:
(13) “Entre os beneficiados está o coordenador da Lei Seca, o agora capitão Styvenson Valentim.” (Tribuna do Norte, ano 65, nº 60, notícia)
(14) “No encerramento da campanha da candidata Mariana (PMDB), lá estavam no palanque o ministro do Turismo Henrique Eduardo Alves e o deputado federal Walter Alves.” (Tribuna do Norte, ano 65, nº 82, coluna social)
As ocorrências (13) e (14) trazem sujeitos pospostos cujos referentes são facilmente acessíveis por se tratar de indivíduos relacionados a cargos públicos, portanto são familiares aos leitores em geral.
Os velhos (ou evocados) são referentes já mencionados anteriormente no texto (textualmente evocados) ou participantes do contexto discursivo (situacionalmente evocados). Levamos em consideração na pesquisa, naturalmente, apenas as entidades textualmente evocadas.
(15) “Sem perspectivas para concluir as obras e utilizar o túnel de macrodrenagem – construído para interligar o sistema de drenagem de águas pluviais entre as zonas Sul e Oeste da capital ao rio Potengi – a Prefeitura do Natal irá adotar um sistema alternativo para escoar a água de 33 pontos de alagamentos da cidade, principalmente, os da avenida Capitão-MorGoveia. (...) Contudo, não foi utilizada nas últimas chuvas, em 6 de março deste ano, quando ocorreram alagamentos na área.” (Tribuna do Norte, ano 65, nº 58, reportagem)
(16) “Esta é a filosofia do técnico Gilmar Dal Pozzo que assumiu recentemente o ABC. Formado na escola gaúcha é adepto da marcação forte, da aplicação tática e do chamado futebol de resultados, que muitas vezes desagrada o torcedor que quer ver sempre espetáculo, plasticidade, o que nem sempre é possível. (...) Está em ação no ABC, o futebol de resultado, que é o que de fato interessa ao final de uma competição.” (Tribuna do Norte, ano 65, nº 59, coluna opinativa)
A primeira ocorrência, (15), foi retirada de uma reportagem sobre os constantes alagamentos em Natal. Nesse trecho, o sujeito posposto, alagamentos, já foi introduzido no discurso anteriormente, de modo que não se trata de um referente novo na progressão textual. O mesmo ocorre em (16), no qual o trecho, extraído de uma coluna opinativa sobre esporte, apresenta um sujeito posposto, o futebol de resultados, que já havia sido mencionado previamente.
Por fim, os inferíveis são referentes que o autor do texto supõe ser perceptíveis, inferíveis pelo leitor, com base em outras entidades já mencionadas textualmente ou por meio do contexto, via relação lógica.
(17) “A igreja Católica celebra o feriado de Corpus Christi (Corpo e Sangue de Cristo), nesta quinta-feira, 4 de junho. Tradicionalmente no Catolicismo, as celebrações de
Corpus Christi serão realizadas na maioria das paróquias do Estado, promovendo a fé
na presença de Jesus Cristo nas espécies de pão e do vinho. (...) Às 16 horas, será celebrada missa, presidida pelo arcebispo de Natal Dom Jaime Vieira.” (Tribuna do Norte, ano 65, nº 60, notícia)
(18) “No que tange à ampliação da frota para traslado de presos, o Depen informou que foram dados ao Estado, entre 2011 e 2013, sete veículos tipo cela e duas ambulâncias para o transporte adequado de presos.” (Tribuna do Norte, ano 65, nº 87, notícia)
A ocorrência em (17) provém de uma notícia sobre o período religioso da Semana Santa. O sujeito posposto missa não foi mencionado anteriormente, mas pode ser inferido do contexto e do sintagma anterior as celebrações de Corpus Christi, visto que, no catolicismo, as celebrações serem realizadas com missa é um prática comum. Do mesmo modo, na ocorrência (18), extraída de uma notícia sobre as novas aquisições do sistema prisional, o sujeito posposto sete veículos tipo cela e duas ambulâncias pode ser inferido por meio de um sintagma anterior, ampliação da frota para translado de presos, uma vez que frota é um conjunto de veículos, que pode também incluir ambulâncias.
Nossa hipótese para o grupo de fatores status informacional era a de que o sujeito posposto introduz, com maior frequência, informação nova no discurso, como têm apontado estudos como os de Berlink (1997), Gomes (2006), Marques (2012) e Lamin (2013). Com base, pois, na classificação proposta por Prince (1981), analisamos o status informacional do sujeito posposto levando em conta as quatro categorias aqui explicitadas, a saber: novo, disponível, inferível e evocado. Os resultados obtidos são apresentados na tabela a seguir.
Tabela 5: Frequência de sujeito posposto em relação ao status informacional
Status informacional N % Novo 118 53 Disponível 32 14 Inferível 18 8 Velho/Evocado 55 25 Total 223 100
A tabela 5 mostra a frequência das ocorrências de sujeito posposto em relação ao
status informacional. Como esperado, o sujeito posposto ocorre preferencialmente com
referentes novos no discurso (53%). Apesar de o status informacional novo não ter apresentado uma porcentagem tão significativa a ponto de ser um fator que determinasse fortemente o fenômeno da posposição, é notório que esse tipo de status informacional prevalece sobre os demais, uma vez que apresenta uma frequência maior do que a soma das ocorrências do sujeito posposto nas demais categorias juntas.
Os referentes disponíveis exibem uma frequência de 14% e os inferíveis, de 8%. As porcentagens obtidas por essas duas categorias indicam que, como pontuou Gomes (2006), embora haja a possibilidade o sujeito posposto veicular informação com traço [- novo], nos textos jornalísticos há certa tendência de se construir o discurso em torno de referentes que sejam familiares ao leitor, isto é, que façam parte do conhecimento supostamente compartilhado, o que explicaria a recorrência de referentes disponíveis e inferíveis em taxas não desprezíveis no tipo de texto em questão.
Os referentes velhos/evocados, por sua vez, têm frequência de 25% em nossa amostra de dados. Essa porcentagem relativamente alta de sujeitos pospostos veiculando informação velha já foi verificada em pesquisas anteriores (cf. NARO; VOTRE, 1986; BERLINCK, 1988, 1997). Naro e Votre (1986), ao obterem uma porcentagem significativa de sujeitos pospostos veiculando informação dada, recorrem, como fonte de explicação, ao princípio da
polaridade, que postula que os sujeitos pospostos teriam uma função de codificar informação
mais periférica ao discurso, do que propriamente nova. Todavia, sobre essa possibilidade, os autores enfatizam a importância de se analisarem outros fatores, atrelados ao status informacional, para se delimitarem com mais precisão os contextos de ocorrência do sujeito pós-verbal.
É importante ressaltar que, apesar de separarmos referentes novos e disponíveis em duas categorias distintas (a título de uma análise mais detalhada), ambos são referentes introduzidos no discurso pela primeira vez, portanto carregam em si o traço [+ novo]. Ou seja, grosso modo, tivemos uma ocorrência significativa de referentes novos no corpus, sendo não só completamente novos mas também [+ novos]. Dessa forma, comprovamos nossa hipótese inicial de que os sujeitos pospostos introduzem, com mais frequência, informação nova na progressão discursiva.
A subseção seguinte apresenta os resultados obtidos para o grupo de fatores extensão