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2.3 DATA STRUCTURES

“Vejo o desporto como um lugar pedagógico por excelência. Uma fonte inesgotável de humildade e de moralização do nosso percurso e passagem” (Bento, 2002, p. 3). O Desporto Escolar (DE) é considerado uma mais-valia para a ESAH. Esta instuição defende que este pode mostra-se como um instrumento determinante na promoção da saúde e do desporto, capaz de combater o insucesso e abandono escolar e promover a integração social (Programa do Desporto Escolar para 2009-2013, 2009).

Um das ambições patentes no PFI consistia em fazer parte da equipa de voleibol feminino do desporto escolar da ESAH, acompanhando-a durante o ano, implementar programas de treino conducentes a uma evolução das competências das alunas e se possível criar um novo escalão de voleibol na escola.

Este processo foi facilitado pelo facto do Professor Cooperante ser o treinador desta modalidade no âmbito do DE, o que me possibilitou contactar com a equipa desde os primeiros treinos. O horário foi ajustado tendo em conta o das alunas, decorrendo em duas sessões por semana de sensivelmente noventa minutos, durante todo o ano letivo.

“Ser treinador das alunas de voleibol da ESAH está a ser uma experiência bastante enriquecedora a nível pessoal e profissional. Sinto-as a evoluir cada dia mais e muitas vezes continuam presentes após o horário de treinos. O professor cooperante está a ser espetacular, concedendo-me liberdade e autonomia para orientar parte dos treinos” Diário de Bordo p.8.

Corroboro Graça & Mesquita (2009) quando defende que o ato de treinar deve ser compreendido como um ato capaz de aprender e desenvolver capacidades, através de ações pensadas, refletidas e conduzidas a uma finalidade específica de promover um ensino intencional e um desenvolvimento de um projeto.

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Desta forma, após verificar que a maioria das alunas se encontrava numa etapa muito elementar, decidi conduzir o meu ensino tendo por base o modelo de abordagem progressiva ao ensino do Voleibol, em que o ensino da técnica é subordinado pelo ensino da tática. Este modelo revigora a necessidade de um aluno compreender o jogo e encaminhar a sua aprendizagem para um processo à procura de soluções, oferecendo a todos uma participação equitativa, assim como uma aquisição de competências técnicas físicas e motoras (Mesquita, 2006).

A competição de voleibol no desporto escolar para o escalão júnior organiza-se no jogo formal de 6x6. Porém, senti necessidade de numa fase inicial estruturar situações de baixa complexidade em campos reduzidos, com o intuito de aumentar o número de contactos com a bola, proporcionando dessa forma uma maior evolução a nível tático/técnico.

Ao longo dos treinos, condicionado pelos níveis de evolução global da equipa, começamos a aumentar a complexidade das situações de jogo e também o grau de exigência dos exercícios propostos.

Na medida em que o DE é considerado um espaço de oportunidades para aqueles que por ventura não tiveram oportunidade de seguir o desporto federado e de manter uma prática desportiva, fez-me sentir na obrigação de cativar as alunas durante todos os treinos. Neste sentido, adotei uma postura de treinador exigente, mas ao mesmo tempo compreensivo relativamente ao grau de evolução de todas as alunas.

“Sinto-me extremamente feliz, pois a cada dia que passa as minhas jogadoras encontram-se mais motivadas para a prática. A cada treino tento arranjar situações desafiantes para estas atletas, de forma a conseguir com que venham a todos os treinos”. Diário de Bordo p.9

Na minha perspetiva, a coesão da equipa, o trabalho de comunicação e o estabelecimento de interações são pré-requisitos necessários para que uma equipa de voleibol evolua. Desta forma, elaborei um “grito de equipa” e uma vez por semana realizava uma dinâmica de grupo que tinha por base a

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evolução do processo de comunicação, mas também de reflexão entre estes elementos.

Com o decorrer dos treinos foi possível verificar a evolução no processo de treino, porém tinha a perfeita noção de que a equipa não se encontrava preparada para o primeiro jogo da época.

“No nosso primeiro jogo batemo-nos contra a equipa da Escola Secundária Rodrigues de Freitas e apesar da derrota por 3-2, considero que as minhas atletas estão de parabéns pelas melhorias apresentadas desde o início do ano. A prestação neste jogo permitiu-me perceber que a equipa evoluiu no processo defensivo, todavia no processo ofensivo as alunas não estão a decidir bem, isto é, não procuram os espaços vazios para colocar a bola. Aspeto a trabalhar nos próximos treino”. Diário de Bordo p.17

Ao longo dos tempos a qualidade de jogo foi aumentando e o espirito da equipa também. Para aumentar a motivação durante os jogos, convidamos alguns alunos da ESAH a formar claque para a equipa, aspeto que elevou o índice de motivação e com isso os resultados foram aparecendo.

Realizando um balanço do ano no processo do desporto escolar, considero que os objetivos foram totalmente alcançados, conseguimos formar uma equipa competitiva, coesa, e ganhadora com um total de seis vitórias e apenas duas derrotas durante toda a época.

A evolução e os resultados da equipa foram reconhecidos pelo Núcleo de Educação Física bem como pelo Diretor da escola, tendo sido atribuídos diplomas, às alunas e aos treinadores, como forma de apreço pelo seu comportamento e desempenho em representação da escola.

A nível pessoal considero que o ser treinador deste grupo de jovens, com uma entrega e vontade de aprender e evoluir inesgotáveis, preparou-me para perceber o modo de funcionamento e a realidade do desporto escolar, mas conferiu-me também aprendizagens a nível da liderança e adaptação aos fluxos e refluxos motivacionais das alunas. Considero quetodas as alunas com quem trabalhei juntamente com o professor Ângelo contribuíram para a minha formação pessoal profissional.

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A liderança que exerci encaminhou-me para o enriquecimento da minha capacidade de comunicação, de gestão de conflitos e das minhas reações emocionais. Aprendi a potenciar e transmitir o interesse e o prazer que é jogar voleibol, acreditando nas capacidades que cada individualidade poderia transmitir ao coletivo.

Em suma, considero esta oportunidade uma experiencia extremamente enriquecedora para o meu futuro, tendo conseguido cumprir os objetivos a que me propus. Quanto ao objetivo que considero ser o mais ambicioso, ou seja, o de conseguir formar um novo escalão de voleibol na ESAH, considero-o como alcançado, porque na última reunião de grupo disciplinar, todo o grupo de Educação Física reconheceu a minha proposta inicial como uma das metas a cumprir no próximo ano, ficando a mesma expressa na última ata do ano.

“Assim, o grupo propõe a criação de dois grupos equipa de desporto escolar, um de Voleibol (escalão juvenil) e outro de natação. As razões para estas propostas, no caso da modalidade de Voleibol é o número elevado de alunos nos treinos do grupo equipa de voleibol no escalão júnior de alunas com idade inferior ao exigido” Ata final do Núcleo de Educação Física.

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