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Os primeiros grandes núcleos na formação de Minas Gerais foram: São João del- Rei, Mariana, Ouro Preto e Sabará e o desbravamento do Estado se deu a partir do ribeirão do Carmo11. Os desbravadores seguem para além dos picos de Itabira e Itambé e eis que surgem Conceição e Serro. E, mais ao norte, no ano de 1725, descobrem-se os diamantes e um rico centro diamantífero que passou a se chamar: Diamantina (LATIF, 1960).

O estado de Minas Gerais, durante todo o período colonial – só conheceu um núcleo urbano que recebeu a denominação de cidade: Mariana. Por ser sede de bispado – o primeiro do Estado, a partir de 1745, Mariana tinha que ser “cidade”, pela legislação vigente àquela época, “com todas as prerrogativas e privilégios que estas tinham se comparados às restrições que impunham às vilas‟ e „arraiais‟” (PAULA, 2000, p. 34).

Quando do império no Brasil, a província de Minas Gerais era a mais populosa e urbanizada entre as vinte províncias existentes àquela época e a quinta em extensão. Separada do Oceano Atlântico por montanhas, que se estendiam de norte a sul, e por florestas virgens, a referida província permaneceu desconhecida pelos descobridores do Brasil.

Posteriormente, expedições saindo de São Paulo, foram organizadas em busca de ouro no interior do Brasil e enormes jazidas foram descobertas e exploradas com êxito, atraindo trabalhadores, aventureiros e especuladores interessados nas riquezas subterrâneas das terras onde hoje se localiza o estado de Minas Gerais.

Conforme a prosperidade das minas esses núcleos demográficos iam também se desenvolvendo e várias atividades comerciais foram se estabelecendo: as vendas, os armazéns de secos e molhados, as lojas, os açougues, os seleiros, os ranchos de tropas e demais ramos essenciais à manutenção das minas e às construções urbanas. E, assim, esses pequenos núcleos demográficos foram povoando o estado de Minas Gerais (CARVALHO, 1956).

Os mineiros criavam o porco – que se alimentava da lavagem dos pratos e panelas – para sua própria nutrição. Toda a economia doméstica girava em torno desse animal que

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O ribeirão do Carmo foi descoberto em 1698 por João Lopes de Lima, de Atibaia, São Paulo, que levou consigo o Padre Manoel Lopes e seu irmão em expedição à procura de ouro. Em jornada de quatro dias desceram o ribeirão e João Lopes levantou uma capelinha com ramos de palmito e nela colocou uma imagem de Nossa Senhora do Carmo, de quem era devoto. Do arraial que se formou em volta do ribeirão surgiu a primeira vila criada em Minas Gerais e, posteriormente, a primeira capital, a primeira cidade e sede do primeiro bispado: Mariana (BARBOSA, 1971, p. 276).

melhor se ajeitava “à vida ainda meio rural e meio citadina do mineiro. Salgada, a sua carne constitui o luxo das despensas particulares e das casas de negócio” (LATIF, 1960, p. 106).

Os primeiros povoados do Estado eram denominados de arraiais12, cujo nome referia-se, em Portugal, às reuniões festivas da população, quando das romarias (LATIF, 1960).

No final do século XVIII e início do século XIX a área pertencente a Minas Gerais tinha cerca de 50% da área que hoje pertence ao Estado. Vargas (2008) sustenta que o francês Antoine Saint-Hilaire “afirmou que essa região se limitava ao espaço em que se exerciam as atividades de extração do ouro e diamante, com a forma parecida de um losango” (VARGAS, 2008, p. 30, grifo do autor).

À medida que o Estado ia se desenvolvendo sentiu-se a necessidade de traçar um mapa que pudesse indicar a dimensão do território. Ocorre que até os últimos anos do período colonial, Minas Gerais não possuía nenhuma espécie de representação gráfica do que seria o Estado, apenas algumas cartas manuscritas e de qualidade ruim. No período anterior à independência, em 1821, criou-se um mapa da Capitania de Minas Gerais que, apesar de superior às cartas, ainda possuía qualidade inadequada. Diante dessa realidade, uma das primeiras leis do Estado, o Ato Adicional de 1834, determinou que fosse levantada uma Carta geográfica e topográfica da província (HALFELD; TSCHUDI, 1998).

Para tanto, Heinrich Wilhelm Ferdinand Halfeld, foi contratado em 1836 para o cargo de inspetor de estradas da Província de Minas Gerais, para cuidar da manutenção dos caminhos e desenho de plantas de cidades. Halfeld de origem germânica foi encarregado de desenhar o mapa de Minas Gerais e, somente em 1855, com o auxílio do desenhista Friedrich Wagner, imigrante da República Checa e também funcionário régio, é que o mapa foi concluído e considerado como “o mapa mais exato disponível sobre qualquer província brasileira” (HALFELD; TSCHUDI, 1998, p. 58).

Sabe-se que o enaltecimento ao desenhista Wagner ao cumprir sua tarefa se deu em razão das adaptações dos levantamentos de campo e vários anos de trabalho dedicado à confecção do mapa.

Em decorrência desse trabalho efetuado por Halfeld e Wagner e contando, também, com o auxílio do suíço Tschudi é que o primeiro compêndio sobre a geografia de Minas Gerais foi publicado em outra língua, o alemão (HALFELD; TSCHUDI, 1998).

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O arraial, segundo Ferreira (1975, p. 136) é uma “povoação de caráter temporário, geralmente formada em função de certas atividades extrativas, como a lavra de minérios ou metais raros, etc.”

A posição do estado de Minas Gerais, localizada no centro do país e separada do litoral por barreiras de difícil transposição, trouxe um isolamento e algumas desvantagens econômicas, mas que, por sua vez, conforme Carvalho (1956)

deu-lhe o privilégio de poder conservar uma cultura nascida da fusão de elementos do sul e do norte do país, de que resultou tornar-se o mais brasileiro dos nossos Estados. O equilíbrio nas ideias e sentimentos domina o planalto mineiro, de onde se pode divisar com imparcialidade e clareza os problemas nacionais (CARVALHO, 1956, p. 57).

O estado de Minas Gerais representa o fruto do vigor dos bandeirantes paulistas que vieram para o Estado à caça de índios, esmeraldas e ouro e, também, de baianos e pernambucanos que entraram no território mineiro, pelo norte, a fim de fundar fazendas para criação de gado bovino (CARVALHO, 1956).

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