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1.6.2 Data Analysis and Visualization
No ano de 2014, na cidade do Natal comecei a me dedicar à arte teatral dentro da graduação em teatro da UFRN. Todavia, tive alguns impedimentos com os horários, na época trabalhava o dia todo, por isso optei por cursar algumas disciplinas fora do departamento de
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arte e separada da minha turma. O que a princípio foi uma escolha devido os turnos, e mais tarde motivo de reflexão. Já no primeiro ano eu percebia o quanto era difícil trabalhar com teatro e quão mais difícil era ter que trabalhar com outra coisa que não fosse teatro. Ao começar a trabalhar na Chevrolet surgiram oportunidades de bolsas, como o PIBID, mas acabei tendo medo de abandonar o trabalho fora da universidade para me dedicar à bolsa, porém, com o trabalho na Chevrolet acabei atrasando o curso.
Para tanto, no início do ano de 2017 me desliguei da Chevrolet e passei a me dedicar mais ao curso, era notório o desenvolvimento dos meus colegas quanto artistas e professores, desenvolvimento esse que não pude acompanhar.
Durante a sua formação inicial, o professor de Teatro passa por diversas vivências, estudos e pesquisas com o objetivo de prepará-los para um mercado de trabalho, geralmente voltado para a educação formal, percebo isso não somente no curso de Teatro, mas em todos os cursos de licenciatura. Em 2017.2, durante o Estágio Supervisionado II, procurei a Escola Estadual Jorge Fernandes para iniciar o segundo estágio, fiquei na turma de 8º ano, sob a responsabilidade do Professor de Artes Diego Bezerra, cujo a formação é Licenciatura em Música.
Ao adentrar a sala de aula vejo os estudantes sentados, alguns conversam, outros permanecem em silêncio, todos com o material disposto sobre as carteiras em sua maioria, enfileiradas e separadas por corredores retilíneos, ao perceberem a minha presença cessam a conversa. Aproveito para fazer a chamada, conhecendo um pouco deles e confirmando a presença de cada um através do meu olhar. Primeiramente observando a rotina escolar e auxiliando o professor em sala de aula foi possível notar que é preciso estar convicto de algo para permanecer atuando no sistema público de ensino, mesmo que essa convicção esteja relacionada à impossibilidade de conseguir outra fonte de renda.
Posteriormente realizando exercícios com os alunos, pude vislumbrar e recolher estes rastros de experiências que, de alguma forma, permanecem em minha memória. Nos quais, pude perceber o pulsar dos incômodos decorrentes da tensão entre a artista e a professora. Continuei fazendo observações, porém tendo em vista que faria uma futura intervenção. Para isso, ao estar no ambiente da sala de aula, quis saber qual era a estrutura organizada, ver como era a relação dos alunos com o professor, como era a realidade do ambiente escolar do Jorge Fernandes. Assim, me concentrei no desenvolvimento, na intenção
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de introduzir a consciência da manifestação artística, pois entendo que as metodologias que antecedem os estágios contribuem significativamente no exercício da docência.
Passado o período de observação, tive embasamento de como as relações se davam para então, poder trabalhar com os jovens em sala de aula. A proposta da minha prática no estágio foi com o interesse de afirmar que o aprendizado também é um processo corporal. Portanto, eu tinha como objetivo estimular a criatividade e expressividade, realizando exercícios que aumentassem a percepção do corpo dentro do espaço que ocupa, executando exercícios de interação, sensibilização e conscientização. Este espaço dentro da sala de aula foi determinante para aflorar modos de pensar e agir tanto para a professora que em mim formava quanto para a artista. Tanto o professor Diego quanto os alunos traziam para a sala de aula, corpos permeados por discursos políticos, ideológicos, culturais e pedagógicos, além de experiências pessoais, sentimentos, desejos, os quais reunidos chegaram a criar conflitos algumas vezes, por conta da profusão de diferenças.
Durante minhas regências em sala de aula, usei exercícios que já conhecia, para trabalhar com elementos que diferenciassem as coisas comuns do espaço da sala de aula convividos por eles e despertar movimentos que envolvessem todo corpo, tais indicações surgiam dos colegas de curso que compartilhavam suas vivências em aula, sendo assim, de pouquinho e pouquinho eu tornava um pouco mais professora-artista. Desenvolvendo exercícios e gerando novos significados a partir das atividades propostas, como alongamento do corpo, percepção de ocupação dos espaços e jogos teatrais, o objetivo foi caminhando até que eu encontrasse a melhor forma de fazer as dinâmicas em sala de aula e, seguir com o foco de despertar o interesse nos jovens em relação à Arte, ao Teatro e essa aprendizagem a partir do corpo, colocando o professor como protagonista da proposta e do processo.
Capaz de ajudar seus alunos a desenvolverem a criatividade, a receptividade à mudança e à inovação, a versatilidade no conhecimento, a antecipação e adaptabilidade a situações variáveis, a capacidade de discernimento, a atitude crítica, a identificação e solução de problemas, etc. (TORRES, 1996, p.157).
Elaboramos juntos o extrato cênico: “É Preciso Recordar para Nunca Mais Repetir”. Essa montagem faz menção direta ao teatro, apesar de trabalhar com vários elementos que englobam facilmente demais linguagens, alguns dos tópicos eram: segunda guerra mundial; autoridade e autoritarismo; identidade e autonomia; movimento; música;
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artes visuais; linguagem oral e escrita. O texto surgiu em conjunto do componente curricular “Dramaturgia III”.
Ao final da apresentação dos alunos após um aluno do grupo relatar o quanto se feliz estava, e o quanto desejava ser ator futuramente, refleti que a presença do professor- artista nas aulas de artes, não diz respeito a “saber o conteúdo”, a ter somente um “domínio” desta linguagem para transmiti-la, muito menos se resume a planejar uma aula com dinâmicas participativas para despertar o interesse dos estudantes. Mas sim buscar o desejo de desenvolver no aluno um conhecimento significativo. Trazendo, portanto, o desejo por uma mudança. E, a partir de então, comecei a pensar que talvez esta mudança possa partir justamente de uma linguagem artística que carrega consigo propostas para questionar e transformar padrões de formas inesquecíveis.
O pensamento de Marques (1999) sobre o artista-docente confirma bem a reflexão que formulava sobre o professor-artista, chamado por ele na citação abaixo de “artista- docente”:
[...] O artista-docente é aquele que, não abandonando suas possibilidades de criar, interpretar, dirigir, tem também como função e busca explícita a educação em seu sentido mais amplo. Ou seja, abre-se a possibilidade de que processos de criação artística possam ser revistos e repensados como processos explicitamente educacionais. (MARQUES, 1999, p. 112).
Trago também a visão de Mariene Perobelli, para complementar ainda mais a mistura que pode ser compreendida através das palavras artista-docente: “Ao estabelecer a conexão entre artista e docente, por meio de uma ponte criada pelo hífen, estamos propondo uma relação de entrelaçamento das dimensões do artista e do docente em um mesmo Ser” (PEROBELLI, 2011, p. 3).
Portanto, ao nos referirmos ao um professor de Artes que se considera um artista, não separamos o professor do artista, visto que compartilham do mesmo corpo e das mesmas experiências. Deste modo, ser artista ou professor andar em uma via de mão dupla como diz, Ricardo Basbaum, em Um artista etc.
[...] o artista quando é artista em tempo integral pode ser chamado de “artista-artista”, no entanto, quando o artista questiona sobre a natureza e função do seu papel podemos chamá-lo de artista etc. Quando isso acontece, o artista acaba transitando por outras instâncias do sistema de arte
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incorporando outros papéis e outras funções. (Pinheiro apud BASBAUM, 2017, p.152)
Ser uma artista-etc ou uma Professora/artista é transitar entre a docência e o fazer artístico e que relacionar esses dois papéis incorporando-os e complementando-os. Cito outro autor, Vasconcelos (2007) que também discute sobre o tema.
Focamos o artista-etc na função de artista-professor, acreditando que este possa desenvolver processos e métodos didáticos-pedagógicos como Estratégica artística para o ensino da arte, sendo a “aula” um sistema poético-educacional ou uma aula-obra de arte. Esta consideração é importante porque problematiza o fazer artístico assim como a grande área do ensino e da educação. Além disso, Basbaum comenta que “(...) esta condição [do artista-etc atualiza as relações entre arte e vida abrindo outros caminhos para o curioso, o singular, para misturar casuais e ideias”. Não se pretende aqui criticar o papel do professor-professor, mas sim apontar para outras possibilidades, tanto para a arte como para o ensino (VASCONCELOS, 2007, p. 792).
Como citado acima por Vasconcelos, não devo aqui falar como o professor de Artes deve ou não atuar na sala de aula, mas refletir as possibilidades que posso percorrer. Assim não necessariamente o professor de Artes precisa ser um artista que atue, mas é importante que esteja envolvido de alguma maneira com o fazer artístico. Posso dizer assim que sou uma professora/etcem formação e esse movimento é fundamental para a minha formação como professora/artista.
Eu que ainda descobria o meu ser artístico não pensava largá-lo para dedicar-se à docência, e nem precisaria, pois como bem coloca Marques, a professora-artista que em mim surgia será capaz de criar processos artísticos educacionais, onde uma das entradas da docência em arte se dá pela “veia artística” do professor. E de fato, essa é uma característica de transformação, transformar a matéria em objeto e o artista a reflexão sobre a realidade, sendo assim, é possível dizer que quando arte e artista são unidos pela docência, há uma diversidade de efeitos sobre a atuação docente que pertence a categoria: professor-artista.
A partir dessa perspectiva, colocar o artista e o docente lado a lado, é uma possibilidade de romper com o senso comum de que a Arte produzida na escola é menor do que a arte que acontece nos espaços fora da escola. Visto como exemplo o professor Diego, meu supervisor de estágio, tão guitarrista quanto professor e entendimento docente não precisa ser mais aprofundado para o professor do que o artista. O artista e o professor
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caminham juntos. Isso não significa que o professor-artista precise realizar uma apresentação artística em cada encontro com a turma. O que entendo como apropriado, é a evocação da presença do artista, onde tanto professor como aluno se alimentam desse mútuo interesse como motivação para desempenhar, da melhor maneira, as suas respectivas tarefas. Pois cada vez mais se discute sobre o papel do professor de Artes e de que forma esse professor pode trabalhar para que suas aulas se tornem ainda mais significativas para seus alunos. Sendo assim, é importante que o professor tenha já experimentado e vivenciado o que ensina.
O professor precisa entender, compreender e saber para poder ensinar Arte, assim como o professor precisa produzir praticamente. Sim, eu sou a favor de que o professor produza sua arte (pintando, gravando, esculpindo, fotografando, ou seja, o que for). A experiência precisa transitar pela vivência e pelo conhecer o que se faz. Neste caso, conhecer significa experimentar pra então produzir sentido e ensinar. (LAMPERT, 2015, p.106).
Tais experiências ao realizar produções artísticas constroem um repertório que o auxiliará nas relações entre teoria e prática. Sabendo que a Universidade é o lugar de aquisição de saberes e competências, que conduzem o acadêmico para um conhecimento específico, adquirido na vivência acadêmica, fui conduzida a um movimento de vivência teórica-prática, assumindo-se como um espaço gerenciador de novos conhecimentos, onde no âmbito da formação de professores, o estágio se constitui como um momento de aprendizagem da profissão e observando a prática do estágio desenvolvida, foi possível perceber algumas dificuldades na prática do estágio supervisionado.
A primeira foi em relação à carga horária extensiva e com dificuldades para conciliar com os horários e trabalhos acadêmicos de outras disciplinas. A dificuldade torna-se maior na conciliação de horários, pois parte dos alunos são trabalhadores e precisam dividir o tempo entre o estágio supervisionado e o trabalho. Outro problema observado também é em relação à prática do estágio de forma geral. Diante da carência de professores de Teatro para o acompanhamento do estágio.
Também foi possível perceber o teatro como aliado na promoção do protagonismo juvenil, possibilitando aos alunos participantes das oficinas de teatro e os estagiários discentes, reconhecerem-se como sujeitos ativos do processo educativo. E hoje, olhando para as experiências pelas quais passei e ainda hei de passar, penso que a formação do professor, a busca pelas suas metodologias e experiências cotidianas podem sim facilitar seu trabalho.
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