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DAP Q UICK S CREEN

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DAP Q UICK S CREEN

A revolução industrial iniciada no século XVIII possibilitou o crescimento econômico, abriu a perspectiva de geração de renda e de melhor qualidade de vida da sociedade. Por outro lado, propiciou o consumo exacerbado dos recursos naturais e pôs em cheque o equilíbrio natural dos ecossistemas necessários à manutenção da vida sobre a Terra. Estes ficaram a mercê do livre-arbítrio e da boa vontade do ser humano, cujas guerras, produção e consumo efêmeros e predatórios ameaçam o patrimônio natural e cultural Pilon (2005).

Até os anos 60 do século XX, a sociedade humana ainda não se dava conta de que o desenvolvimento econômico e tecnológico advindo da revolução industrial contribuiu demasiadamente para a destruição de sua própria base de sustentação, que é a natureza. Dessa forma, os problemas gerados a partir da relação homem-natureza eram discutidos num enfoque ainda muito restrito, principalmente por especialistas e em alguns poucos eventos de repercussão reduzida.

Só a partir daí as entidades ambientalistas passaram a se organizar – surgindo, inclusive, as primeiras ONGs de cunho ambiental - e a alertar para os problemas gerados pelo consumo exacerbado dos recursos naturais. Além disso, a publicação de “trabalhos-denúncia” como o livro Primavera Silenciosa (1962), da bióloga Rachel

Carson, que alertava sobre os problemas ambientais gerados pela utilização indevida de pesticidas químicos, fizeram com que a questão ambiental ganhasse o status devido e passasse a fazer parte das preocupações dos mais diversos setores da sociedade.

Face à grande repercussão causada, esse livro tornou-se o marco referencial da temática ambiental no mundo. Fez com que os problemas ambientais fossem incluídos nas inquietações políticas internacionais, bem como propiciou um novo impulso ao movimento ambientalista mundial que promoveu, a partir daí, uma série de eventos que delinearam sua história.

Em 1972, foi publicado pelo Clube de Roma (grupo formado em 1968 por trinta especialistas de diversas áreas), o relatório Os limites do crescimento, que estabeleceu modelos globais, baseados nas técnicas pioneiras de análise de sistemas e projetados para predizer como seria o futuro se não houvessem modificações ou ajustamentos no modelo de desenvolvimento econômico adotado. Segundo Reigota (1994), apesar desse relatório ter sido alvo de muitas críticas, principalmente dos intelectuais latino- americanos, que liam nas entrelinhas a indicação de que para se conservar o padrão de consumo dos países industrializados, era necessário controlar o crescimento da população nos países pobres, seu mérito principal foi ter colocado o problema ambiental em nível planetário.

No mesmo ano, as Nações Unidas realizaram, em Estocolmo, na Suécia, a primeira Conferência Mundial de Meio Ambiente Humano. Esse evento reuniu 113 países com o objetivo de estabelecer uma visão global e princípios comuns que

servissem de inspiração e orientação à humanidade para a conservação e melhoria do ambiente humano.

Decisiva para o surgimento de políticas voltadas à gestão ambiental, a Conferência de Estocolmo gerou a “Declaração sobre o Ambiente Humano”, estabeleceu um “Plano de Ação Mundial” e, em uma de suas resoluções mais importantes, recomendou que se deveria educar o cidadão para a solução dos problemas ambientais. Reconhecia, dessa forma, a Educação Ambiental como elemento estratégico para o combate à crise ambiental.

Como conseqüência da conferência de Estocolmo, diversos seminários e encontros internacionais (que geraram um grande número de textos, artigos e livros) foram realizados. Entre eles, a Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Silvestres (1973), a Convenção Internacional para Prevenção da Poluição pelos Navios (1973), a Conferência Alimentar Mundial (1974), a Convenção sobre a Proteção da Natureza no Pacífico Sul (1976), a Conferência das Nações Unidas sobre Água (1977), a Conferência das Nações Unidas sobre a Desertificação (1977), a Conferência Mundial sobre o Clima (1978), a Convenção sobre a Conservação da Fauna e da Flora Marítimas da Antártida (1980). Dentro dessa temática, merecem menção os encontros realizados em:

• Belgrado, Iugoslávia (1975) - essa reunião, com especialistas de 65 países, definiu os objetivos da educação ambiental (segundo os quais, a mesma deveria ser contínua, multidisciplinar, integrada às diferenças regionais e voltada para os

interesses nacionais), publicados no documento que ficou conhecido como a Carta de Belgrado. Esse documento também alertava sobre as disparidades entre países ricos e pobres e expressava a necessidade de uma nova ética global que proporcionasse a erradicação da pobreza, da fome, do analfabetismo, da poluição e da dominação e exploração humana.

• Tiblisi, Geórgia (ex-URSS), em 1977 - essa conferência reuniu especialistas de todo o globo para discutir propostas elaboradas em vários encontros sub- regionais promovidos em todos os países acreditados pela ONU. Contribuiu para precisar a natureza da Educação Ambiental, definindo seus princípios, objetivos e características e formulando recomendações e estratégias pertinentes nos planos regional, nacional e internacional.

• Moscou, Rússia, em 1987 – teve o intuito de analisar as conquistas e dificuldades encontradas pelos países no desenvolvimento de medidas referentes à questão ambiental, principalmente a educação ambiental.

No mesmo período, foi publicado em várias línguas o livro O Nosso Futuro Comum,

que ficou conhecido como relatório Brundtland (homenagem à primeira ministra norueguesa Gro-Brundtland, que presidia a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – CMMAD). Esse documento trata de preocupações, desafios e esforços comuns relativos à busca do desenvolvimento sustentável. Também forneceu subsídios para a realização da ECO-92, no Rio de Janeiro.

• ECO-92, Rio de Janeiro (Brasil) – com a participação de representantes de 170 países, essa conferência reafirmou as premissas de Tiblisi e Moscou. Acrescentou a necessidade de concentração de esforços para a erradicação do analfabetismo ambiental, e para a capacitação de recursos humanos para a área. Segundo Reigota (1994), a principal característica desse evento foi a mudança na concepção de meio ambiente, a qual passou de uma visão centrada na relação homem/natureza, para um enfoque pautado também pela idéia de desenvolvimento econômico, social e político.

Essa conferência teve como principais objetivos: a) examinar a situação ambiental do mundo e as mudanças ocorridas depois da Conferência de Estocolmo; b) identificar estratégias regionais e globais para ações apropriadas referentes às questões ambientais; c) recomendar medidas a serem tomadas, tanto nacional quanto internacionalmente, referentes à conservação ambiental, através da política de desenvolvimento sustentável; d) promover o aperfeiçoamento da legislação ambiental internacional; e) examinar estratégias de promoção do desenvolvimento.

Segundo Dias (2001, p. 50), na ECO – 92, reconheceu-se a insustentabilidade do modelo de “desenvolvimento” então vigente. O desenvolvimento sustentável, apresentado no relatório Brundtland, passou a ser visto como o novo modelo a ser buscado. Foi estabelecida a Agenda 21 como um plano de ação para a sustentabilidade humana e definida a educação ambiental como a estratégia de promoção desse novo modelo de desenvolvimento.

Rio+10 – Johannesburgo (2002) – esse encontro, denominado “Cúpula Mundial

sobre Desenvolvimento Sustentável”, teve a participação de 193 países (105 deles

representados por sua autoridade máxima), 8 mil ONGs, 4 mil jornalistas, 7200 delegados oficiais e cerca de 40 mil participantes, discutindo as principais questões sócio-ambientais globais (DIAS, 2004, p.33).

Foram produzidos dois documentos: a Declaração de Johannesburgo sobre o Desenvolvimento Sustentável e o Compromisso de Johannesburgo sobre o Desenvolvimento Sustentável. Desses documentos resultou o Plano de Implementação da Agenda 21, que estabeleceu os objetivos a serem alcançados para a concretização do desenvolvimento sustentável, socialmente justo e ecologicamente saudável.

Segundo Dias (2004), foram eleitas como prioridades da Agenda 21: água e saneamento, biodiversidade, energia, saúde, agricultura. Dentre as metas estabelecidas, o referido autor destaca as que tiveram os respectivos prazos de cumprimento definidos: a) saneamento e saúde - até 2015, reduzir à metade, o número de pessoas sem acesso a serviços básicos (água e esgotos tratados); b) biodiversidade: reduzir significativamente as perdas em biodiversidade até 2010; c) estoque pesqueiro – restaurar sua produção máxima até 2015; d) energia – aumentar urgentemente o uso de energia de fontes renováveis.

Para os participantes da Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável (CMDS), os objetivos fixados na Rio-92 não foram alcançados. No entanto, reafirmaram que a proteção do meio ambiente, o desenvolvimento social e o desenvolvimento

econômico responsável continuam sendo os pontos básicos inseparáveis para a busca do desenvolvimento sustentável. O Brasil foi elogiado pela proposta de unir esforços para a utilização de pelo menos 10% de energia proveniente de recursos renováveis (biomassa, hídrica, eólica e solar). Contudo, os países industrializados não aceitaram a proposta (DIAS, op. cit.).

A Rio+10 foi bastante criticada por especialistas e entidades em virtude dos tímidos resultados alcançados no que se refere ao Protocolo de Kyoto, ou seja, a redução da emissão de dióxido de carbono na atmosfera por parte de países como Rússia e Estados Unidos. Entretanto, a Rússia se comprometeu a cumprir essa exigência.

Um encontro como esse, que consegue reunir autoridades e especialistas de todo o mundo para discutir os problemas ambientais que afligem a humanidade, por si só já é uma grande vitória. E há de se esperar, que nem tudo que se pretende seja consolidado, já que são diversos interesses duelando entre si. Como afirma Dias (op. cit., p.34),

apesar das criticas aos tímidos resultados da RIO+10, há de se deixar claro que cerca de 280 iniciativas de parcerias foram estabelecidas entre governos, instituições internacionais, ONGs, comunidade empresarial, grupos trabalhistas e outros segmentos da sociedade, todos desempenhando seu papel em prol da sustentabilidade humana. [mesmo que uns bem mais que outros].

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