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D IFFICULTES DE MODELISATION ET DE CONCEPTION

3. NOUVELLE STRATEGIE

4.1 M ODELISATION DES MEMS

4.1.1 D IFFICULTES DE MODELISATION ET DE CONCEPTION

Através da presente pesquisa, pode-se constatar que os desafios e as dificuldades de se trabalhar a educação sexual fora de um prisma normatizador e abrangente, fugindo dos discursos naturalizantes e biológicos. Os educadores exercem um grande papel neste sentido, visto que estes (estas) alunos (as) passam boa parte do tempo na escola, a qual, segundo Foucault (2005), é uma instituição de acomodação dos mecanismos de poder e regulação do corpo. Os professores, portanto, desempenham um poder disciplinador dos corpos dos (as) adolescentes, normalizando comportamentos. A sexualidade é um dos principais eixos de normalização, visto que, de um lado, se trata de um comportamento extremamente corporal, que requer disciplinamento e vigilância e, por outro lado, está relacionada ao lado biológico da procriação. Portanto, a regulação da sexualidade tem dois focos: o primeiro é o corpo individual, e o segundo é a população, corpo múltiplo. Nesta população, a biorregulamentação passa a se dirigir aos seus acontecimentos com o propósito de estabilizá-la, fixar um equilíbrio, por meio de mecanismos globais de regulação, ou seja, controle de natalidade, morbidade e outras incapacidades biológicas diversas. Campanhas que estimulam o uso do preservativo lançadas pelo Governo, por exemplo, são estratégias de administração e controle da sexualidade dos indivíduos de uma população.

Foi visto que apesar de tanto conhecimento sobre a sexualidade que se tem produzido em pesquisas, há um grande desconhecimentos dos indivíduos em relação às suas próprias sexualidades. Os sujeitos desta pesquisa associaram-na apenas ao ato sexual e ao prazer desta prática, deixando de lado, os fatores históricos, culturais e sociais que são inerentes à sexualidade de cada um. Ao pesquisar o conceito de sexualidade em enciclopédias e em um dicionário, percebeu-se que, nestas fontes, o conceito também está limitado ao sexo e ao prazer sexual. Este acaba sendo um grande problema quando os professores usam estas fontes de pesquisa para preparar suas aulas, pois acabam passando informações equivocadas para os (as) alunos (as), como nos exemplos que foram mostrados sobre a aula observada da professora de ciência.

Em relação à prática sexual antes do casamento, a religião mostrou-se ter forte influência sobre opinião dos (as) estudantes. Consideraram a virgindade para as meninas

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como um sinal de pureza, decência e honra para os pais. A perda da virgindade foi relacionada à perda de valor para a sociedade e até a possibilidade de não ter um bom casamento. Em relação aos rapazes, o que mais influencia é a pressão social de masculinidade e virilidade. Este tipo de influência pesa mais na decisão dos garotos de começar a vida sexual que a religiosidade.

Quando se trata dos métodos anticoncepcionais, os (as) estudantes demonstraram certo desconhecimento sobre a variedade que existe no mercado. Mesmo assim, a camisinha foi o mais citado entre as moças e os rapazes. Entretanto, em relação aos alunos (as) que já tiveram relação sexual, poucos usaram o preservativo, alegando que o (a) parceiro (a) não tem risco de transmitir AIDS. Percebe-se que a falta de conhecimento sobre as DSTs, bem como sobre os métodos anticoncepcionais aumenta a vulnerabilidade de se doenças, sobretudo a AIDS. Portanto, quando se fala que a biorregulamentação do Estado, ou seja, a biopolítica também se preocupa com a morbidade, refere-se ao controle destas doenças as quais subtraem as forças da população, diminuindo sua capacidade de trabalho e produção. Desta forma, a multiplicação dos esforços para o controle da sexualidade da população e do disciplinamento dos corpos nas escolas são imprescindíveis para a diminuição da vulnerabilidade destes indivíduos e, consequentemente, dos índices de infecção pela AIDS, por exemplo.

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