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D EVELOPPEMENT ET MAINTIEN DE LA CORTICO SURRENALE

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I NTRODUCTION BIBLIOGRAPHIQUE

III. D EVELOPPEMENT ET MAINTIEN DE LA CORTICO SURRENALE

Outra importante função das categorias reflexivas diz respeito aos objetos das ciências formais. Apesar de pouco explorar este ponto, deixando apenas algumas indicações, Lask acredita que as objetualidades reflexivas são o fundamento dos objetos de que se ocupam as ciências formais. Os exemplos de ciências formais analisados por Lask na seção sobre as categorias reflexivas são a lógica540 e a matemática.

Em relação à matemática Lask se limita a dizer, em duas notas, “que a teoria das categorias defendida neste escrito fornece uma acomodação lógica para a matemática em sua totalidade”541 mas que “trata-se aqui [na seção sobre as categorias reflexivas] apenas da

fixação do conteúdo reflexivo em geral”,542 ou seja, trata-se apenas de mostrar que o número,

tomado como elemento fundamental da matemática, é um objeto reflexivo, e não da análise de problemas aritméticos, por exemplo, a constituição de sequências numéricas e de diferentes espécies de números. Com isso pode-se dizer que Lask trata a matemática como um ramo da lógica, sendo o número concebido como uma das categorias do domínio reflexivo. Isso coloca a lógica como a ciência formal por excelência, o que indica que Lask, de certo modo, compartilhava as pretensões do projeto logicista da virada do século XX, que acreditava poder reduzir a aritmética à lógica.543

Todavia, essa dependência da matemática, e das outras ciências formais, em relação à

540

Lógica aqui entendida como disciplinas acadêmica, tal como praticada pelos lógicos profissionais. Essa ressalva é necessária pois, como se viu, Lask às vezes usa a palavra lógica para designar a aletheiologia, a ciência filosófica da validade.

541

LPK, 1910, p. 155, nota: “daß die in dieser Schrift vertretene Kategorienlehre eine logische Unterkunft auch für die gesamte Mathematik gewährt.”

542 LPK, 1910, p. 149: “Es kommt hier lediglich auf die Fixierung der reflexiven Inhaltlichkeit überhaupt an.” A

única referência de Lask a uma teoria matemática aparece também nessa nota, na qual ele cita a teoria do número de J. Cohn (Voraussetzungen und Ziele, p. 109 ss, 169 ss.) como aquele que, nas pesquisas contemporâneas, melhor trabalhou o minimum material constitutivo do número.

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Apesar de não ser citado por Lask, o principal nome desse projeto logicista é Frege, que nos texto Begriffsschrift (1879), Die Grundlagen der Arithmetik (1884, 1981) e Grundgesetze der Arithmetik (1893, 1902) procurava levar a cabo a fundamentação lógica da aritmética, sendo, entretanto, interrompido em 1902 com a acusação de inconsistência apontada por Bertrand Russell, no que ficou conhecido como o Paradoxo de Russell.

lógica, não significa para Lask que a lógica possa ser considerada uma disciplina independente e fechada em si mesma. Como se viu, a principal característica dos objetos reflexivos quando comparados, por exemplo, aos objetos sensíveis e não-sensíveis, é a sua transparência espectral. Diferente dos outros objetos, a impenetrabilidade e opacidade do material reflexivo é meramente funcional. Isso implica que as categorias reflexivas não são autônomas. Elas não podem dispensar o apoio do material constitutivo, pois só subsistem enquanto extenuação deste.

Segundo Lask, ao longo da história da filosofia, a transparência espectral do material reflexivo tem fascinado os teóricos racionalistas de tal modo que eles acabam passando por cima do caráter de dependência e derivação das categorias reflexivas em relação às categorias constitutivas. A extenuação dos materiais constitutivos produz a ilusão de uma instância autônoma de transparência absoluta, levando à crença de que as ciências formais são as ciências fundamentais, a partir das quais torna-se possível submeter os domínios constitutivos e eliminar a obscuridade e impenetrabilidade dos materiais. Isso, contudo, não passa de uma ilusão teórica em face da reflexibilidade que caracteriza os objetos reflexivos. Não percebem, os teóricos racionalistas, que o sentido só se constitui em face da obscuridade e impenetrabilidade de algum material. A todo sentido e a toda significação, inclusive reflexivos, está necessariamente ligado um momento de obscuridade, um momento de ser- afetado categorial (Betroffenheitsmoment),544 que não pode ser extirpado, sob pena de se cair

num formalismo vazio. Mesmo as formas puras de que tratam a matemática e a lógica são sempre a direcionalidade de uma forma em relação ao material de que é valente, algo que sempre foi ignorado pelo racionalismo.545 O fato das categorias reflexivas se aplicarem a

quaisquer conteúdos, e a sua aparência de pureza material, não autoriza que a lógica as tome como ponto de partida absoluto e autônomo.546

Com essa concepção de lógica Lask combate não só o racionalismo, mas também o empirismo em suas variantes positivistas e nominalistas.547 No caso do racionalismo, trata-se

de mostrar que a transparência das formas teóricas puras não lhes confere autonomia em relação aos domínios constitutivos, de modo que é sempre necessário ter em conta a obscuridade e impenetrabilidade do material constitutivo, que em última instância sempre

544 LPK, 1910, p. 101, 213. 545 LPK, 1910, p. 101. 546

LPK, 1910, p. 150.

remete ao primeiro nível do edifício do sentido. No segundo caso, a luta é contra o relativismo empirista que procura rebaixar a lógica a uma significação puramente subjetiva; contra este Lask se vale da objetualidade reflexiva, que afirma o caráter absoluto do lógico e a sua independência do arbítrio subjetivo. Diante dessa oposição entre racionalismo e empirismo Lask afirma: “Irracionalidade do material, mas não irracionalismo; racionalidade da forma, mas não racionalismo!”.548

E aqui estamos diante de um traço que diferencia Lask da maioria dos combatentes do psicologismo: a sua obstinada resistência contra a autonomia da lógica.549 Ao contrário, por

exemplo, de Rickert, de Windelband, do neokantismo de Marburgo550 (e de Frege), Lask não

deduz princípios formais como identidade, diferença e número de uma forma lógica pura, mas procura sempre liberá-los de um material.551 Para não cair num psicologismo ou em alguma

forma crassa de empirismo, Lask postula um material ideal, que é liberado pela subjetividade, mas que independe do arbítrio desta. Os objetos reflexivos são absolutos em seus valores, mas dependem da extenuação de um material não reflexivo para serem vivenciados, o que sugere que vivencias de novos campos materiais, seja através de pesquisas das ciências naturais ou de novos fenômenos culturais, pode levar à liberação de novos materiais reflexivos e, assim, a novos objetos reflexivos. Com isso, Lask está de certa forma mais próximo de Husserl, para quem não é possível simplesmente partir para um tratamento puro de objetos ideais, mas é sempre necessário liberá-los a partir da experiência (intencional). Mas diferente de Husserl, que talvez possa ser enquadrado entre um realismo aristotélico e um conceitualismo empirista, Lask precisa ser considerado a partir da validade (Geltung) lotzeana, que pretendia ser uma alternativa às próprias noções de realismo, conceitualismo, nominalismo etc.

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