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3.2 TEST DE DNS : HYBRID vs colocated

3.2.4 D´ ecroissance de THI

Cada projecto pessoal é configurado numa teia de elementos com os quais o in- divíduo interage – família, amigos, colegas, professores - a qual se modifica, ao lon- go da vida, através de reorganizações frequentes, resultantes de opções pes- soais, que se reflectem, segundo combinações múltiplas, na construção de um trans- curso mais normativo ou idiossincrático.

Face às múltiplas transformações e reajustes que ocorrem ao longo do de- senvolvimento, os indivíduos realizam adaptações aos mais variados acontecimentos, construindo estilos de vida diversificados e, por vezes, contrastantes, que lhes per- mitem experienciar (ou não) algum bem-estar.

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os critérios usados pelo sujeito no seu processo de auto-avaliação, importa sublinhar, no entanto, a relevância das características da personalidade na determinação do grau de satisfação das pessoas com a sua vida em geral.

Assim sendo, a satisfação com a vida refere-se à avaliação que o indivíduo faz das suas condições de vida em geral, da sua qualidade de vida como um todo, mais do que em relação a dimensões específicas. Tratando-se, essencialmente, de uma avaliação cognitiva do desenvolvimento pessoal face a objectivos e expectativas globais, a satisfação com a vida remete para uma avaliação da congruência en- tre as circunstâncias de vida reais e as ideais, de acordo com critérios estabelecidos pelo próprio indivíduo (Diener et. al., 1985; Pavot & Diener, 1993; Judge et. al., 1994; Diener et. al., 1999). Para grande parte dos autores, a satisfação com a vida cons- titui um dos indicadores de um funcionamento psicológico positivo.

A satisfação com a vida, em conjunto com a afectividade positiva e negativa cons- tituem indicadores distintos, embora complementares, de um constructo mais am- plo definido como o bem-estar subjectivo: a maneira positiva ou negativa como as pessoas experienciam a sua vida. Tal constructo psicológico apresenta relações com conceitos tão importantes como a felicidade e a qualidade de vida, tendo si- do alvo de investigação crescente nas últimas décadas, a qual, para além de sublinhar a sua grande utilidade e significado, tem vindo a revelar uma consistente estabi- lidade da satisfação com a vida (Diener & Suh, 1997; Diener, 2000).

Com base numa revisão dos estudos levados a cabo com amostras de milhares de participantes, em dezenas de países1e ao longo de alguns anos, Diener & Suh

(1997) concluem que a satisfação com a vida “parece manter-se relativamente es- tável entre as diferentes coortes na maior parte das sociedades” (p.310).

1Um deles envolveu cerca de 60 000 sujeitos de 43 nações diferentes, dos 5 continentes (World Value Survey, 1994),

enquanto outro analisou os dados de 300 000 participantes de 8 países europeus, entre 1980 e 1990 (Okma & Veenhoven, 1996). Neste último, os autores concluem que entre os 18 e os 90 anos não se regista, praticamente, qualquer mudança, na sa- tisfação com a vida.

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De facto, e apesar da relevância e centralidade da escola e do trabalho, como va- riáveis organizadoras da vida do indivíduo, nas sociedades actuais, outras esferas da vida (família, lazer, voluntariado, participação na vida comunitária, etc.) têm vin- do a ganhar uma importância crescente. Pelo menos nos países ocidentais, o en- trecruzamento entre as esferas académicas e profissionais e as dimensões do não-trabalho é cada vez mais intrincado, relação que, nos últimos anos, tem sido alvo de uma quantidade considerável de investigações empíricas, as quais têm vin- do a confirmar a sua complexidade.

Apesar do volume de investigação produzida e do consistente apoio à hipótese de uma correlação positiva entre a satisfação com a vida em geral e o bem-estar noutras esferas, o sentido de tal relação continua a constituir fonte de debate e de alguma controvérsia, ainda que a hipótese de generalização (spillover) pareça emer- gir com alguma consistência. Tal como o nome indica, a hipótese da spillover su- gere uma generalização emocional entre as diversas esferas da vida, pressu- pondo que uma alta satisfação ou insatisfação num dos seus aspectos se possa estender a outros, como por exemplo a dimensão académica ou profissional.

Para os defensores de um enquadramento teórico disposicional2, a satisfação

com a vida, enquanto predisposição ou característica relativamente estável, influencia as avaliações relativas às outras esferas da vida. Deste modo, os indivíduos satisfeitos com a vida sentem-se, provavelmente, mais satisfeitos com a dimensão académica ou profissional, porque a sua predisposição positiva em relação à vida generaliza- se à interpretação e avaliação das condições de estudo ou de trabalho. Embora es- ta perspectiva tenha vindo a receber alguns apoios empíricos (Staw et. al., 1986; Judge & Locke, 1993; Judge et. al., 1998), ela é, igualmente, controversa, carecendo,

2Estudos recentes têm vindo a sugerir a existência de uma componente biológica significativamente associada às nossas

atitudes e comportamentos em relação à vida em geral, de que a satisfação é apenas um indicador. Os defensores do efeito da influência de predisposições consideram que estas podem afectar a forma como o indivíduo racionaliza as suas condições de vi- da. Deste modo, indivíduos com predisposições positivas tendem a fazer avaliações mais optimistas das suas condições de vida.

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ainda, de investigação adicional. Parece-nos, no entanto que, a estabilidade registada, de forma consistente, por Diener & Suh (1997), para a satisfação com a vida, en- tre indivíduos de diferentes idades e contextos socioculturais, permite funda- mentar, de algum modo, uma conceptualização que valorize as predisposições.

Em síntese, e embora possamos estar agora mais confiantes de que a satisfação com a vida em geral e a satisfação com as outras esferas da vida se correlacio- nam de forma significativa, é também certo que há ainda questões que permanecem por esclarecer, nomeadamente no que se refere ao sentido de tal relação.

Apesar de alguma fragilidade teórica e limitações metodológicas, que mar- cam os diversos estudos, e “tendo como certeza que o optimismo traz mais saú- de mental e física e maior felicidade, e que mistura uma maior leveza com uma mais forte estrutura para aguentar os embates da vida” (Marujo, Neto & Perloiro, 1999, p.21), parece-nos ser possível admitir que a satisfação com a vida em geral possa estar positivamente associada à adaptação dos alunos do 1º ano do Ensino Superior Politécnico, pressuposto subjacente a uma das nossas hipóteses de in- vestigação.

Ao longo da fundamentação teórica apresentada na primeira parte deste tra- balho, e após uma clarificação dos conceitos, procurámos mostrar a importân- cia da percepção do suporte social no processo de transição do jovem estudante do ensino secundário para o ensino superior, bem como as respectivas implicações na sua satisfação com a vida em geral.

É no âmbito deste enquadramento conceptual que passaremos a apresentar o nosso estudo empírico, investigação de natureza transversal, baseada numa amostra de alunos do primeiro ano do ensino superior politécnico e realizada com o objectivo de analisar as relações existentes entre os constructos psico- lógicos referidos e de avaliar a influência relativa de algumas variáveis associadas ao perfil do estudante em tais constructos.