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D´ecomposition du mode OCTAL de chmod

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3.4 D´ecomposition du mode OCTAL de chmod

Na seção anterior, foram tratadas questões sobre o Sujeito e as Formas de

Subjetivação, no esforço de permitir a compreensão das implicações oriundas da

teoria do Sujeito de Alain Badiou. Antes de passar a tratar da relação do Sujeito com a Verdade, é necessário repisar algumas características do Sujeito teorizado por Badiou que o diferencia da categoria de Sujeito teorizada por outros Filósofos, para com isso afastar a possibilidade de má compreensão.

Em primeiro lugar, cabe sublinhar que o Sujeito em Badiou não é uma alma ou um Ser, muito menos uma substância, portanto não se trata de “algo” que pensa. Ele necessita, ao contrário, de uma espécie determinada de processo que, como todo processo, tem uma origem, um desenvolvimento e um final. Por estas razões o

Sujeito também não é uma consciência, não serve de origem a Sentidos ou se trata

de uma experiência.

Apesar destas características, o Sujeito nesta teoria não é um vazio. Ainda que, como vimos anteriormente, a toda e qualquer Situação necessariamente Pertença e esteja Incluído o Vazio, este não é o Sujeito. Trata-se, antes, de uma consistência da qual se pode determinar os componentes, entre eles o próprio Vazio. Como foi afirmado na seção anterior, o Sujeito não é algo necessário ou invariante, ao contrário, é raro em razão das exigências necessárias que se caracterizam pela particularidade do Acontecimento, sempre ocasional. Tais razões

nos levam a depreender que o Sujeito não é uma origem, é constituído por uma

Verdade sem a qual não há sujeito. Temos aqui uma ótima oportunidade para

adentrar na questão da relação Sujeito/Verdade.

Em primeiro lugar, não é demasiado repetir que tanto o Sujeito quanto a

Verdade estão relacionados com o Acontecimento, sendo os três raros. Não é

possível tratar de um sem que seja necessário fazer referência aos demais. Para que uma Verdade inicie seu processo é necessário que algo que escapa ao Saber ocorra. Isso em razão de que, atrelado ao Saber nada de novo ocorre, somente há repetição. A ocorrência de uma Verdade exige uma suplementação, totalmente ao acaso, que provoque uma ruptura na estrutura da Situação. Esta suplementação se dá por meio do Acontecimento, ou seja, quando o que não era simbolizado pela cadeia simbólica da Situação força sua simbolização, ainda que esta permaneça não totalmente simbolizada. A incalculabilidade e a imprevisibilidade desta ocorrência são características daquilo que está mesmo além do que é, o

Acontecimento. Nesta interrupção da repetição de um Saber ocorre a irrupção de

um processo de Verdade62.

Neste ponto, faz-se necessário retornar à questão da Indecibilidade e de seus efeitos quanto ao Acontecimento. Ao escapar do Saber estabelecido, da “Conta-por-

Um” e da Enciclopédia, de uma Situação ou Mundo, o Acontecimento impede o ato

de decisão que toma este Saber para a decisão sobre a falsidade ou veracidade deste Acontecimento. Isto em razão de que nenhuma Lei ou regra da Situação permite esta decisão. Como o Acontecimento é o início de um processo de Verdade, nada permite decidir se este processo tem ou não início. Ocorre que, para sustentar esta Verdade em seu processo é necessário que seja tomada uma decisão axiomática, Badiou denomina esta decisão como “axioma da Verdade”. Assim, a decisão de afirmar que um Acontecimento teve sua efêmera ocorrência é uma decisão na forma de uma aposta. Para sustentar esta aposta se faz necessária a ocorrência de um processo de Subjetivação onde o Sujeito toma a decisão axiomática da Verdade. Badiou, no livro Para uma nova teoria do Sujeito (1994), afirma que o Sujeito é constituído pelo enunciado “Isso teve lugar, não o posso

62 No dicionário de conceitos do livro Lógicas dos Mundos, Badiou escreve:Verdade. Conjunto que

se supõe acabado de todas as produções de um Corpo fielmente subjetivado (de um Corpo capturado por um Formalismo Subjetivo de tipo Fiel). Ontologicamente, esse Conjunto resulta de um procedimento genérico. Logicamente, descola no Mundo um Presente, pela sustentação de uma série de Pontos. (2008, p.650)

calcular nem mostrar, mas lhe serei fiel” (p.45). Temos então que o Sujeito suporta o

ato de fixar a Indecidibilidade de um Acontecimento, assumindo o risco de decidir axiomaticamente.

Este processo de Verdade que teve seu princípio no Acontecimento e na consequente aposta axiomática que constituiu o Sujeito, é infinitamente verificado por meio do exame das consequências do Acontecimento e do próprio axioma que decidiu sua ocorrência. Esta escolha ocorre entre dois termos que, por não serem passíveis de distinção pela linguagem da Situação, são tidos como Indiscerníveis. Esta condição de Indiscernibilidade é justamente o elemento que garante a liberdade da escolha e a verificação das consequências e os efeitos deste axioma da Verdade. Esta sucessão de verificações é infinita, como também o será o

Subconjunto da Situação, caracterizando um processo no qual o axioma do Acontecimento é constantemente verificado, o que acaba por desenhar aquele Subconjunto da Situação. Dadas suas características constituintes, esse Subconjunto não é unificado por nenhum predicado pois, por ser inacabável, não

pode ser dito pela linguagem da Situação. Como já afirmado em uma seção anterior, trata-se de um Subconjunto genérico. Genérica também será assim a Verdade. Sobre esta característica de genericidade da Verdade, Badiou considera:

Logo, o trajeto de uma Verdade não pode coincidir infinitamente com qualquer conceito que seja. E, por conseguinte, os termos verificados compõem, ou antes, terão composto, se supomos sua totalização infinita, um Subconjunto genérico do Universo. Indiscernível em seu ato, ou como Sujeito, uma Verdade é genérica em seu resultado, ou em seu Ser. Ela se subtrai a toda unificação por um predicado único (1994, p.47)

O que Badiou sustenta, em outras palavras, é que não há Lei da Situação que governe o processo da Verdade, assim como não é possível reverter a

Indiscernibilidade em discernibilidade por força de algum Saber63 superior. Isso justifica a razão pela qual o Ser genérico de uma Verdade não pode ser apresentado nem acabado. Mas com todas estas característica listadas e abordadas acima, como é possível para um Sujeito sustentar uma Verdade se esta está sempre

63 Segundo Slavoj Zizek: “Em uma sentido tudo parece girar em torno da relação entre o Saber e a Verdade. Para Badiou, o Saber é somente a captação enciclopédica positiva do Ser e, como tal, não pode apreender a dimensão da Verdade como Acontecimento: o Saber somente conhece a Veracidade (a adequação), e não uma Verdade, que é “subjetiva” (não no sentido habitual, senão vinculada a “uma aposta”, uma decisão/escolha que de alguma maneira transcende ao Sujeito, posto que o próprio Sujeito não é mais que a atividade que põe em prática as consequências da decisão) (2007, p.197).

inacabada? A resposta para esta questão está no conceito de Forçamento.

A ficcionalização de que uma Verdade teve um lugar, ou seja, de que existe um Universo onde o Ser desta Verdade se encontra acabado e totalizado genericamente, é o que Badiou denomina de Forçamento. De outra maneira,

Forçamento é a hipótese de que o Ser genérico de uma Verdade pode ser

antecipado por meio de uma ficção de que “teve lugar” uma Verdade acabada. Entre os efeitos deste Forçamento está a possibilidade de que novos Saberes, ainda que, sem terem sido verificados de alguma forma, sejam “forçados”. É este Forçamento que acaba por sustentar a própria potência de uma Verdade enquanto hipótese.

Ocorre que, sempre restará algo que não se submete a uma nomeação por parte do Saber em um Sujeito finito de uma Verdade, ou seja, por maior que seja a potência desta Verdade sempre lhe escapa um Ponto que resiste a ela. Este Ponto real que resiste é denominado o Inominável da Situação e tem o seu termo inextricavelmente fixado, enquanto limite, na própria potência da Verdade. Temos aqui, então, um Ponto onde é possível identificar a presença do não identificável, do indizível, daquilo que não pode ser simbolizado em razão de sua máxima singularização, do que na linguagem lacaniana se trata do Real.

Temos então que a relação do Sujeito com a Verdade se estabelece partindo de um Acontecimento e que desta relação é possível apontar quatro categorias cuja análise é fundamental: o Indecidível, o Indescernível, o Genérico e o Inominável. Ou seja, como assevera Alain Badiou: “O Acontecimento é Indecidível. O Sujeito está

ligado ao Indiscernível. A própria Verdade é genérica, intotalizável. E o ponto de detenção de sua potência é Inominável.” (1994, p.50).

Nesta seção, foram abordadas as questões que cercam o Conjunto acabado da totalidade das produções de um Ser-múltiplo, que nas condições de um

Acontecimento aparece no Mundo, portando, um Formalismo Subjetivo Fiel, como

resultado de um processo ontológico que constitui uma Verdade na forma da produção de um Conjunto de consequências da Marca Acontecimental neste Mundo. Destas questões foi possível conceituar Sujeito, Verdade e Acontecimento, segundo à teoria Badiouniana, e descrever as principais relações que se estabelecem entre eles. Na seção que se segue será tratada a questão do Acontecimento e suas consequências no que diz respeito à Política.

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