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D’Alembert, le savant philosophe

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A compreensão e explicação da realidade da política nacional de pós-graduação e seus impactos na produção do conhecimento em Educação Física do estado da Bahia e considerando o esforço de reconhecimento de possibilidades de superação das contradições existentes, exigiu-nos para proceder à análise de investigação, apoio em um referencial teórico crítico materialista histórico e dialético, afim de não cairmos na mera descrição dos dados coletados ou na construção de idealizações de modelos para a produção do conhecimento stricto sensu em Educação Física, esporte e lazer. Isto significa que foi preciso nos colocar a partir do ponto de vista da crítica marxista.

Segundo Taffarel (2011, p. 2-3) a crítica marxista pode ser reconhecida a partir de duas grandes trajetórias intelectuais revolucionárias, que unem as premissas teóricas das programáticas; a primeira diz respeito à crítica radical revolucionária nas formulações teóricas do próprio Marx e a segunda é tratada por interlecutores que utilizam a obra de Marx para desenvolverem suas análises de fundamento crítico.

Para esclarecer a primeira trajetória, destacamos o que Marx (2008, p. 46-47) aponta na seguinte passagem, em sua obra - “Uma contribuição para a crítica da economia política”:

O primeiro trabalho que empreendi para resolver as dúvidas que me assaltavam foi uma revisão crítica da filosofia do direito de Hegel, cuja introdução apareceu nos anais franco-alemães, publicados em Paris em 1844. Minhas investigações me conduziram ao seguinte resultado: as relações jurídicas, bem como as formas de estado, não podem ser explicadas por si mesma, nem pela chamada evolução geral do espírito humano; estas relações têm ao contrário, suas raízes nas condições materiais de existência, em suas totalidades, condições estas que Hegel, a exemplo dos ingleses e dos franceses do século 18, compreendia sob o nome de “sociedade civil”. Cheguei também à conclusão de que a anatomia da sociedade civil deve ser procurada na economia política [...] O resultado geral a que cheguei e que, uma vez obtido, serviu-me de guia para meus estudos, pode ser formulado, resumidamente assim: na produção social da própria existência, os homens entram em relações determinadas, necessárias, independentes de sua vontade; essas relações de produções correspondem a um grau determinado de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. A totalidade dessas relações de produção constituem a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política e à qual correspondem formas sociais determinadas de consciência. O modo de produção da vida material condiciona o processo de vida social, política e intelectual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser; ao contrário, é o seu ser social que determina a sua consciência. Em uma certa etapa de seu desenvolvimento, as forças produtivas materiais da sociedade entram em contradições com as relações de produção existentes, ou, o que não é mais que sua expressão jurídica, com as relações de propriedade nos seio das quais elas se haviam desenvolvido até então. De formas evolutivas das forças produtivas, que eram essas relações transforma-se em entraves.

Abre-se, então, uma época de revolução social. A transformação que se produziu na base econômica transforma mais ou menos lenta ou rapidamente toda a colossal superestrutura.

A citação longa neste momento se fez necessária, posto que neste trecho, Marx expõe os elementos fundamentais que constituí uma crítica radical ao objeto de sua investigação; demonstra que o estudo de um determinado objeto não pode prescindir de uma revisão crítica daquilo que já foi produzido teoricamente sobre o objeto e que o conhecimento tem de ser confrontado com a realidade material, ou seja, que a sua verificação tem de se dar a partir de seu confronto com os processos históricos reais.

A outra trajetória da crítica marxista que Taffarel (2011, p. 2-3) se refere é reconhecida a partir de intelectuais revolucionários de outras áreas. Dentre estes intelectuais, destacamos Freitas (1995, p, 65-66), que retomando os estudos de Enguita (1985), aponta cinco aspectos da crítica marxista e que, nesta pesquisa, buscamos trazer para o âmbito da análise histórica da política nacional de pós-graduação e seus nexos com a produção do conhecimento em Educação Física.

O primeiro aspecto da crítica marxista é de que não se pode examinar nosso objeto de investigação a partir de um modelo para sua organização, onde se podem analisar ações futuras na área; as proposições superadoras para a área, em vista a realidade das contradições, têm que ser construídas por oposição a uma realidade concreta e não na base de um plano teórico em que poderíamos supor. O segundo aspecto se refere ao fato de que a crítica marxista é materialista, ou seja, tem que se apoiar no real em um dado momento histórico concreto. O terceiro aspecto é a visão de totalidade; nosso objeto de investigação não pode ser tomado como um fenômeno autônomo, mas sim, inserido em uma cadeia de múltiplas relações que são determinadas. O quarto aspecto é o reconhecimento dos nexos e das relações entre o objeto investigado e seus condicionantes materiais e históricos provenientes da formação econômica capitalista, a fim de levantar possíveis contribuições que possam apontar elementos para transformação de tais bases. O quinto aspecto é a necessária análise econômica em que se situa o objeto de investigação que se encontra engendrada pelo processo de produção e reprodução do capital e do valor. E por fim, há que se buscar a solução para as contradições colocadas na atual forma de organização do trabalho da produção do conhecimento para indicar elementos para possíveis soluções, considerando antíteses de tendências reais que se encontram objetivadas.

Longe de querer esgotar todos estes aspectos acima apresentados na presente pesquisa, mas considerando um dado grau de aproximação ao método de análise marxista, é a partir

desta abordagem crítica de fundamento marxista que nos apoiamos para a compreensão histórica e explicação da política nacional de pós-graduação e seus nexos contraditórios, que geram uma dada lógica que alimenta a produção do conhecimento stricto sensu em Educação Física.

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