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Développement du mode de balayage Rocking Beam

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Chapitre II Techniques expérimentales : Rocking Beam et A-ECCI

II.2 Développement du mode de balayage Rocking Beam

Apresentando:

As pontes metáfora e metafísica Segunda navegação

Deus concedeu-me a força de viver como um enigma. Kiekergaard

Este capítulo ganhou esse nome, Acasos e disparates, primeiro porque não estava previsto no projeto de tese; nem nos objetivos, nem na metodologia; ele impôs-se para além de minhas intenções; segundo porque comporta a ciência por direito, seus disparates. Assim, o capítulo tem a parte dos acasos, que a fatalidade fez brechas na estrutura planejada para arejar e também para deixar-me entrar um fio de luz por onde espio o mundo; e a parte dos disparates, os erros humanos, a equivocidade das palavras e a sombra do futuro.

Para Aristóteles, acaso era um acontecimento sem causa. Deixo claro que acaso aqui não é somente o aleatório e sem causa ou uma palavra para exprimir ignorância, mas também as distorções, o fungível do não saber dizer, a falta de matéria, o desconhecimento que acompanham a pesquisa do início ao fim, e o tatear não é somente o recurso do cego. E como cada pessoa tem sua própria maneira de dizer e de interpretar ideias, o campo do acaso e dos disparates comporta um espaço razoável semelhante a um campo quântico da Física, onde os fótons ora é onda ora é partícula, e o cálculo científico das probabilidades localiza apenas quase verdade; na criação de texto, as palavras sofrem mutações e o sentido escorrega esfacelando o esforço de explicação; o que antes foi dado como sólido torna-se uma quase verdade, ou em alguns casos em disparates. Bergsonificando essas ideias e saindo de minhas digressões, vemos que a esfera da realidade é maior do que a esfera do possível, porque ele está preso ao que é conhecido quando o novo brota e acontece na esfera do real, mas, por vício, e somente depois, ampliamos a esfera do possível para que o novo se encaixe. Dessa forma, a esfera da realidade, sendo maior, tece então a sombra do futuro. Para Bergson, só há acaso quando há uma intenção, mas uma intenção destituída de conteúdo que seria necessário dar-lhe corpo, se quisesse reconstituir a representação original.

O acaso é, pois o mecanismo atuando como se tivesse uma intenção. Talvez se diga que, precisamente porque empregamos a palavra quando as coisas ocorrem como se houvesse intenção, não supomos então uma intenção real, mas, pelo contrário, reconhecemos que tudo se explica mecanicamente E seria muito justo, se só houvesse pensamento refletido, plenamente consciente. Mas subjacente a ele está um pensamento espontâneo e semiconsciente, que superpõe ao encadeamento mecânico das causas e efeitos algo de totalmente diverso, não, certamente, para explicar a queda da telha, mas para explicar que a queda da telha coincidindo com a passagem de um homem, que ela tenha precisamente escolhido aquele instante. O elemento de escolha ou

de intenção é tão restrito quanto possível; ele recua à medida que a reflexão quer captá-lo; é fugidio e mesmo evanescente; mas, se não existisse, só falaríamos do mecanicismo, e não se trataria do acaso. O acaso é, pois, uma intenção que se esvaziou de seu conteúdo. Nada mais é que uma sombra; mas a forma dele lá está, à falta de matéria. (BERGSON, 1978, p. 123)

Evidente que Bergson está fundamentando uma crítica ao mecanicismo, à mentalidade primitiva e aos fantasmas da intenção, que termina se tornando uma intenção viva; ele aconselha a dar a essas intenções vivas muito mais conteúdo para obter as entidades malfeitoras ou benfeitoras, mas essas superstições implicam mais um espessamento, algo caricatural.

Más intenções

A pesquisa não é cheia de boas intenções e disposições onde os meios estão sempre ligados a um fim; os acasos, os disparates, as tentações e as traições indicam que no mais das vezes o meio se desligou de seu fim, e penso ser útil e estimuladora da vontade transitar ou mesmo sair do objeto que se tinha razão para objetos novos onde a razão de fato se torna até perigosa por não servir mais para nada, mas tenta se reproduzir de maneira até preguiçosa, por similitude ou imitação e distante das reais intenções; por isso é que ao escrever esta tese fui dissimulada como o demônio ou como as serpentes. Com a intenção de graça e beleza, para seduzir e despertar o interesse e as tentações. Ocultei alguns sentidos, brincando de esconde-esconde, ou às vezes, um tanto quanto ardilosa e cruel. O gênero do texto é, sem dúvida, masculino, circunscrito, inteiro e apoiado na filosofia de Bergson, para enfrentar des moments dificiles.

Muitas pessoas escrevem com retidão aristotélica e se comportam como víboras. Os filósofos buscam a retidão e a simplicidade no agir e são sórdidos ao escrever. Minha tarefa é provocar sensações, emoções e expectativas. Para tanto, construo jogos de apostas como: olho por olho, ou um olho por três olhos. Armo emboscadas e armadilhas para pegar o leitor pelas costas. E quando ele menos esperar, olho-o no olho e lhe cravo o punhal.

Não sou afeita a traições, mas elas se armam do nada; trair são tentações por sermos prisioneiros interativos, e não sabemos o número exato de partidas do jogo – na vida real sempre fazemos palpites estatísticos de sua duração. Assim, cada jogo

é o início de outro e o fim mesmo do jogo é imprevisível como a morte o é, embora seja certa.

Bergson vient me dire que criação é, antes de tudo, emoção e não apenas para a arte ou a para a literatura, mas para a ciência em geral que implica esforço e concentração; finaliza lembrando-me:On doit s’aimer les uns et les autres, amar para mim é também provocar emoções; então Bergson pendre la parole et je reçois bien.

Segundo ele:

Quem se empenhe na composição literária terá verificado a diferença entre a inteligência entregue a si mesma e aquela que consome com o seu o seu fogo a emoção original única, nascida de uma coincidência entre o autor e seu assunto, isto é, de uma intuição. No primeiro caso o espírito labora a frio, combinando idéias entre si, há muito vazadas em palavras, que a sociedade lhe entrega em estado sólido. No segundo, parece que os materiais fornecidos pela inteligência entram previamente em fusão, e que se solidificam em seguida de novo em idéias agora nutridas pelo próprio espírito: se essas idéias acham palavras preexistentes para exprimi-las, isso constitui para cada uma o efeito da boa sorte inesperada; e, na verdade, sempre foi preciso ajudar o acaso, e forçar o sentido da palavra para que se modelasse ao pensamento. O esforço agora é doloroso, e o resultado aleatório. Mas é então somente que o espírito se sente ou se crer criador. Ele já não parte da multiplicidade de elementos existentes para culminar numa unidade compósita em que haja novo arranjo do antigo. Ele foi arrebatado de repente a algo que parece ao mesmo tempo único e peculiar, que procurará em seguida exibir-se bem ou mal em conceitos múltiplos e vulgares, dados de antemão em palavras. (BERGSON, 1978, p. 38)

Meu esforço é fazer aparecer dos textos de Bergson subsídios teóricos para a compreensão de um educar baseado nessa filosofia, e para tanto preciso da boa sorte, preciso ajudar o acaso para forçar a palavra que irá moldar meu pensamento, o que é um jogo de soma zero; onde ou ganho ou perco. Se ganho, continuo, se perco, volto atrás e começo tudo novamente. Fica excluído o jogo de soma não zero onde ambos ganham; aqui ou intuo e ganho, ou não intuo e perco. O ganho é a criação e aparece como se fosse arrebatado de repente a algo único e peculiar que irá expressar em conceitos múltiplos e vulgares, dados de antemão em palavras.

Apoiada numa filosofia e num dispositivo teórico de análise das peças que aparecem à medida do meu esforço de cavar de lapidar, para buscar novo sentido. Mas é sempre que encontro deslizamentos, e tenho de abandonar os tais dispositivos teóricos por serem pesados e deslizo junto com os escombros de

construções feitas em beira de ribeirinhos ou de encostas; então descubro que esta tese não podia comportar uma análise do discurso, nem análise de conteúdo e suas técnicas. Cada regra é uma mina que será explorada uma a uma, com diferentes ferramentas. Como disse antes, o terreno é a filosofia de Bergson e o subsolo a Filosofia ocidental, mais precisamente, Platão e Aristóteles.

Compreendo que somos um projetar, e por isso temos metas, objetivos, mas sei também que na história da humanidade ou da vida privada nunca chegamos como num desembarque em aeroporto; há sempre escalas, transtornos, esperas atrasos, pois além de nossa vontade existe o acaso e os disparates. E o lugar e a forma que chegamos é sempre um pouco diferente do que pensávamos. E, assim irei navegar nas águas de Bergson, e ao mesmo tempo, elegê-lo capitão do meu navio, Bergson será, a bref délai, promu capitaine, de mon petit bateau.

O disparate do capítulo veio de mal súbito e por vertigem. É que, quando fui usar Análise do Discurso para analisar os textos de Bergson, terminei usando-o para o debate sobre o discurso. Ora, sendo a Análise do Discurso posterior a Bergson, somente reencarnando ele poderia fazer tal refutação e filosofar essa análise, conforme sua metafísica. Portanto, simplesmente disparate. Todo pensamento é acompanhado de uma boa gargalhada, filosofa Nietzsche, o que me leva a pensar que existe uma relação muito próxima entre o riso e o pensamento, onde é proibido rir é crime pensar.

Il n’y a pas de doute, não há dúvida, que o trânsito foi e ainda está intenso entre as fontes e o alvo sem desconsiderar a riqueza do percurso, da linda estrada da filosofia francesa dos séculos XIX e XX.

Existem verdades nas quais temos de comprometer a nós mesmos, tão essenciais, que a existência é incompreensível sem elas e sem as quais a vida não tem sentido. É uma verdade que importa ao indivíduo, presa das vicissitudes da existência.

O Homem, não possuindo verdade-absoluta, por está fora de seu alcance, faz escolhas apostando seus palpites e dentro de dilemas cruéis de trair ou cooperar podendo perder tudo ou ganhar, pois joga com outros seres humanos que possuem também dilemas. A fé, como que não é certeza objetiva de verdade, mas uma certeza subjetiva do verdadeiro, é o recurso do homem entregue ao possível.

Angústia, do latim augere, apertar, estrangular, é esse o sentimento diante do possível. A liberdade diante do mundo como o desespero é o sentimento inerente à

relação consigo mesmo. O eu que se sabe eu, não se conhece completamente, não possui nem uma verdade absoluta.

O eu não é só objeto da percepção, mas sujeito de pensamentos. Não é só sujeitado à língua, mas é quem fala. Mesmo entendendo que o discurso não tem origem no sujeito, que está submergido na ideologia, não podemos negar que o discurso pelo menos ganha finitude, tem fim no sujeito que fala que mesmo sendo fruto do acaso é ele, o sujeito, que põe o ponto final no discurso, que fala nele. O eu é o que confere a unidade à diversidade do discurso, que acompanha a todas as representações. Ele é consciência de si consciência de seu papel de acompanhante de todos os seus discursos.

Como o eu, ao ter consciência do mundo, tem consciência de si num mesmo ato, a angústia e o desespero são os instrumentos de formação do espírito, funcionando como um martelo e uma bigorna para estudar, pesquisar e escrever esta tese sobre o tempo sofria diariamente com a vertigem e o conceito de mudança, isto é, a necessidade do desapego. Para Bergson, o espírito é ativo e a consciência é um ato de mudança. A consciência modifica o objeto, mas dilacera-se. Consciência é um dilaceramento e o eu vai se construindo no sofrimento do fluxo, na ferida da mudança, no sofrimento temporal é sempre uma hesitação.

As pontes

Metáfora e metafísica

Pontes no rio do tempo

Toda metáfora é uma ponte que liga o tempo ao espaço

no fluxo do elã vital. Toda língua tem suas pontes. Elas transportam sentido e significados como mercadorias contrabandeadas da linguagem

para as possibilidades do dizer o indizível.

Pontes no rio do tempo

Rita Célia

É bem conhecido: significados não sensíveis para imagens ou o processo pelo qual remetemos elementos sensíveis a esferas não-sensíveis, em nossa linguagem, e a operação com que transferimos. Para poder realizar tais deslocamentos de um âmbito para outro, temos já, como pressuposto intuitivamente,

que existem dois mundos. Por isso, a tradição metafísica define o homem como animal racional. Isso quer dizer na semântica aristotélica, um ser vivo que possui linguagem.

A distinção metafísica entre sensível e suprassensível, entre corpóreo e espiritual, entre animal e o racional não é apenas deslocada para a concepção da linguagem, mas termina por carregar a linguagem, mesmo que a situamos do lado do suprassensível com os elementos da dualidade. Assim, passamos a incorporar na concepção metafísica da linguagem, uma divisão que tem duas consequências: de um lado, ganhamos a vantagem de podermos dilatar nosso esforço de significação ao infinito; de outro lado, caímos numa dependência dessa possibilidade que passa a viciar qualquer esforço de linguagem, em direção à superação do mundo concreto, para nos movermos num contexto apenas conceitual. Toda vez que realizamos a operação denominada metáfora, pressupomos essa dualidade. Mas, ao mesmo tempo, isso demonstra que a linguagem possui uma elasticidade que realiza a ponte entre esses dois mundos.

Falar do fim da metafísica e da não separação de dois mundos seria supor uma linguagem sem metáforas.

As palavras são mais que representação das coisas, falar é mais do que etiquetar. Por isso, encontro na Ontologia um novo nome para a Metafísica, porque a palavra metafísica já está carregada de ideologias, incompreensões, a explicação para a linguagem. Ela, a linguagem, é domínio do ser, o ente é na linguagem, que é do ser.

As palavras são entes mágicos, são “quantas” mudam de cor dependendo do lugar, da atmosfera e da luminosidade do ambiente, elas nos encantam, funcionam também como cantadas musicalizadas ou como trovoadas,por exemplo, a palavra positivismo está para além do que ela representa aqui na academia, ela traz para algumas pessoas os medos primitivos, que tínhamos dos grandes felinos, predadores que nos atormentavam antes do domínio do fogo.

Para outros, positivismo é tudo de ruim, dores recalcadas, explicação de toda a mazela, a encarnação do diabo, o pecado original; ela campeia discursos cheios de tensões. Então, no cotidiano, o uso da linguagem não é tão simples como na filosofia. Filosofar é falar simples o que não é fácil. Descolar os conceitos dos “pré- conceitos” e dos preconceitos. O homem comum não fala simples, sua linguagem é

bastante complexa, cheia de colagens e falsos problemas, cheio de superstições e encantamentos.

O homem de ciência também fala complexo. Baseado em simultaneidades, é preciso falar rápido sem repouso, pois, simultaneidades não duram. A busca da verdade é risco de vida, é criar asas e atirar-se em abismos

A filosofia é a batalha contra o encantamento do intelecto, por meio da nossa linguagem. Os problemas filosóficos surgem quando falta linguagem. A linguagem é coisa do cotidiano como comer, andar, e esses fazeres cotidianos adoecem, daí a fisioterapia, a nutriciologia. A filosofia trata a questão como doença. A filosofia é a terapia das doenças da linguagem.Conforme Heidegger (2003, p. 8):

A linguagem ela mesma é linguagem; [...] no dito, a fala se consuma, mas não se acaba. No dito, se resguarda. No dito, a fala recolhe e reúne tanto os modos e ela perduram como o que pela fala perdura – seu perdurar, seu vigorar, sua essência. Contudo, na maior parte das vezes e com freqüência, o dito nos vem ao encontro como fala que passou.

Esta explicação de Heidegger com uma aparente obviedade de que linguagem é linguagem, é de que a linguagem fala, e de que é preciso ouvir esta fala, que não é a nossa, nem da história, afinal, a história perdura na linguagem. Então, os modos em que a fala perdura são também perdurados por ela. É na linguagem que moram as línguas, e as histórias, as ideologias, as consciências e inconsciências, os mitos e as ciências, as artes e a filosofia. Qualquer linguagem é linguagem. Mesmo quando se representa a linguagem se apresenta como linguagem. Como escutar essa fala? E como escutar o que se recolhe, se resguarda?Tudo que existe e habita no seio do ser, mas ao mesmo tempo o existir temporal entitativo tornamos um exilado do ser.

Toda ontologia, todo prescutar o ser e seus horizontes, o tempo e a linguagem resultam em perseguir uma linha que se move, só encontramos deles pegadas, indício de que já passou por ali. Assim, o escutar o que se recolhe e se resguarda é sempre um estar na saudade; talvez a poesia diga melhor esse indizível.

Segunda navegação

Navegar lambendo o tempo

Na vontade de retorno, angústia e aflição Ou uma melancolia feliz.

Rita Célia 2008

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