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Chapitre III : Altération des lipides

3. Les analyses physico-chimiques

3.6 Détermination de taux de cendre

CASP9+83C/T em populações controlo

Na figura 14 encontram-se descritas as frequências genotípicas do polimorfismo BIRC5-31G/C segundo o modelo funcional, definido no presente estudo, em três populações mundiais. As frequências genotípicas foram calculadas com base em trabalhos publicados anteriormente, encontrando-se já inseridos os resultados do presente estudo na população europeia, usada como referência.

De acordo com os resultados obtidos, verificam-se diferenças estatisticamente significativas entre a população europeia e a população Asiática (P <0,001). Por outro lado, entre a população Europeia e a população da América do Sul, não se observam diferenças estatisticamente significativas (P = 0,768).

Figura 14. Estudo comparativo das frequências genotípicas do polimorfismo BIRC5-31G/C em populações

controlo mundiais.

0 500 1000 1500 2000 2500 3000 População Sul Americana

População Asiática População Europeia CC GC/GG P = 0,768 P <0,001 Ref.

4. Resultados

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Quando comparadas as frequências genotípicas do polimorfismo BIRC5-31G/C (Figura 15), entre populações Europeias, constatam-se diferenças estatisticamente significativas entre a população Portuguesa, do presente estudo e a população Grega (P <0,001), não se mantendo estas diferenças quando comparada a população Portuguesa com as populações Turca (P = 0,366) e Húngara (P = 0,554).

Figura 15. Estudo comparativo das frequências genotípicas do polimorfismo BIRC5-31G/C em populações

controlo europeias. 0 100 200 300 400 500 600 população Turca População Grega População Húngara População Portuguesa CC GC/GG Ref. P <0,001 P = 0,554 P = 0,366

4. Resultados

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Dado que, para o polimorfismo CASP9+83C/T, apenas estão referenciadas frequências genotípicas em populações controlo europeias, poder-se-á efectuar unicamente o estudo comparativo das frequências genotípicas deste polimorfismo nestas populações. Deste modo, quando comparadas as frequências genotípicas do polimorfismo CASP9+83C/T (Figura 16), observam-se diferenças estatisticamente significativas entre a população Portuguesa e as populações Britânica (P <0,001) e Moldava (P = 0,002), não se mantendo estas diferenças quando comparadas a população Portuguesa com a da Bélgica (P = 0,084).

Figura 16. Estudo comparativo das frequências genotípicas do polimorfismo CASP9+83C/T em populações

controlo. 0 200 400 600 800 1000 População Belga População Moldava População Britânica População Portuguesa CC CT/TT Ref. P <0,001 P = 0,002 P = 0,084

5. Discussão

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Nas últimas décadas, tem-se assistido a um grande investimento na área da Oncologia apoiado, sobretudo, nos avanços da Biologia Molecular. A identificação de genes e alterações nestes, associados ao aparecimento de neoplasias malignas, culminou numa melhor compreensão do processo de carcinogénese, tendo importantes repercussões na área do diagnóstico e terapêutica. Todavia, o cancro permanece ainda uma doença enigmática com muito por explorar.

O mecanismo pelo qual uma célula normal evolui para uma neoplasia envolve, normalmente, a interrupção de vias moleculares específicas, onde se inclui a apoptose. A capacidade de resistir à apoptose permite à célula sobreviver mesmo com defeitos genéticos, resultando num aumento da probabilidade de preservação e propagação de mutações e outras alterações genéticas que podem levar a instabilidade genética em grande escala. Alterações nos genes codificadores de proteínas associadas à apoptose têm potencial para conferirem vantagens de sobrevivência às células, contribuindo para a aquisição de fenótipo maligno 143.

A caspase-9 e a survivina são moléculas com papéis determinantes no processo apoptótico. O estudo da survivina tem sido um desafio constante dada a dupla associação desta proteína com a apoptose e com o ciclo celular, e por a mesma estar frequentemente sobre-expressa em tumores, sobre-expressão esta correlacionada com a diminuição da sobrevida, prognóstico desfavorável, resistência à terapêutica e elevada taxa de recorrência 144. A survivina actua, por conseguinte, como um elo de ligação entre

a maquinaria apoptótica e o ciclo celular. Esta dupla função oferece um potencial oncogénico a esta molécula por permitir às células a progressão no ciclo celular escapando, deste modo, à apoptose 145. Por outro lado, a caspase-9 é uma proteína

central no processo de apoptose, em particular na via intrínseca, dada a sua importância na formação do apoptossoma. Alterações nesta molécula podem resultar numa morte celular deficiente, processo celular importante para o desenvolvimento tumoral 146.

Apesar da importância que reside nos factores de progressão próprios das células neoplásicas, também a variabilidade genética do hospedeiro em consequência da ocorrência de polimorfismos funcionais em genes específicos condiciona e modula o desenvolvimento e a progressão tumoral. Deste modo, polimorfismos nos genes BIRC5 e CASP9 podem, respectivamente, contribuir para que ocorra alterações na biodisponibilidade de survivina e formação de um apoptossoma com alterações estruturais respectivamente, favorecendo, em conjunto ou separadamente, a aquisição de fenótipos de desequilíbrio no processo de apoptose capazes de favorecer o desenvolvimento e a progressão tumoral, reflectindo estas alterações o perfil genético

5. Discussão

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individual que, por serem consequência de variantes do genoma com origem na linha germinativa, ditam a exposição ao longo da vida do indivíduo a diferentes concentrações/estruturas de moléculas envolvidas na apoptose.

É de realçar a existência de uma ampla heterogeneidade no que respeita às distribuições genotípicas dos polimorfismos estudados, entre diferentes populações Mundiais e mesmo dentro da população Europeia. A localização geográfica de uma população determina a sua exposição a factores ambientais e culturais particulares.

A intensa investigação que tem sido feita no âmbito das neoplasias do rim tem-se focado na compreensão dos perfis genéticos e moleculares que reflectem as características biológicas específicas de um tumor podendo auxiliar no diagnóstico, prognóstico e resposta à terapia, apresentando também um grande potencial para identificar possíveis novos alvos terapêuticos e desenvolvimento de terapias dirigidas 147.

Admite-se, que futuramente o estabelecimento do perfil genético individual possa vir a ser útil na prevenção ao possibilitar a definição de grupos de risco para o desenvolvimento de CCR, na selecção e direccionamento dos doentes para uma terapêutica mais efectiva e dirigida, atendendo às potenciais vias celulares que se encontram alteradas.

5. Discussão

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5.1. Distribuição das frequências genotípicas dos polimorfismos BIRC5-31G/C e

CASP9+83C/T em populações controlo

Dos polimorfismos descritos no gene BIRC5, o BIRC5-31G/C é aquele que tem sido mais estudado, dada a sua correlação com baixos níveis de apoptose, resistência à quimioterapia e radioterapia, aumento da taxa de recorrência e reduzido intervalo livre de doença 99,148. Com a análise das frequências genotípicas deste polimorfismo em

populações normais, verificou-se que existem diferenças com significado estatístico nas frequências genotípicas de acordo com a localização geográfica das populações.

Em populações europeias normais, onde se inclui o presente estudo, o genótipo CC, referente ao polimorfismo BIRC5-31G/C está presente em 15,5% 124,125,134,135. Na

população da América do Sul observa-se uma distribuição genotípica semelhante à Europeia (14,0%) (P = 0,768) 127, observando-se uma distribuição distinta na população

Asiática, onde o genótipo CC é o mais frequente (22,3%), em comparação com a população Europeia (P <0,001) 126,129-133,149.

Apesar de o genótipo de risco CC, associado potencialmente a uma diminuição da apoptose, ser o mais frequente na população Asiática comparativamente à Europeia, verifica-se uma maior incidência de CCR nas populações do continente Europeu do que no Asiático 32. Para além disso, apesar de as distribuições genotípicas Europeia e Sul

Americana serem estatisticamente semelhantes, os países Europeus apresentam taxas de incidências de CCR superiores às dos países da América do Sul 32. Estas aparentes

incoerências poder-se-ão dever à relação gene-ambiente.

Nos países Asiáticos, apesar da elevada percentagem de indivíduos portadores do genótipo de risco, estes poderão estar protegidos pelos estilos de vida e hábitos alimentares que adoptam. Substâncias como os flavonóides, presentes sobretudo nos alimentos de origem vegetal, tão amplamente consumidos nos países asiáticos, apresentam actividades anti-oxidante, anti-inflamatória e possivelmente anti-mutagénica e anti-proliferativa 150, podendo limitar o potencial efeito oncogénico do polimorfismo.

Concomitantemente, a alimentação saudável praticada nestas populações previne a obesidade e o desenvolvimento de HTA, que também são factores de risco para CCR. Curiosamente, o aumento da incidência de CCR nos últimos anos nos países Asiáticos poder-se-á dever a uma progressiva adopção de estilos de vida ocidentais. Começa-se a observar, nestes países, um maior consumo de produtos animais, café e chá preto em detrimento do arroz, soja e chá verde 151.

Nas populações Europeia e da América do Sul, apesar da similaridade relativamente à frequência do genótipo de risco do polimorfismo BIRC5-31G/C, os países Europeus apresentam taxas de incidências de CCR superiores às da América do Sul 32.

5. Discussão

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Estes resultados poderão ser explicados, por um lado, através do uso recorrente na Europa de técnicas imagiológicas mais avançadas, que permitem a identificação de um maior número de tumores de forma acidental 31 e, por outro lado, através das diferenças

alimentares e estilos de vida destas populações. Embora as populações Europeias não estejam geneticamente susceptíveis ao desenvolvimento de CCR, o consumo de alimentos processados e o uso de produtos fitoquímicos nas suas culturas, expõem-nas a compostos químicos com potencial carcinogénico 152. Além disso, a elevada prevalência

de HTA e obesidade, factores de risco para o desenvolvimento de CCR, fundamenta as elevadas taxas de incidência desta doença na Europa 32. Nas próximas décadas, prevê-

se que as taxas de incidência de CCR na América do Sul venham a aumentar devido às recentes alterações na agricultura, tais como a introdução de transgénicos e selecção de culturas.

Comparando, por sua vez, as distribuições genotípicas do polimorfismo BIRC5- 31G/C exclusivamente em populações controlo europeias, observa-se que a frequência dos indivíduos portadores do genótipo CC das populações normais Húngara (13,3%) 125 e

Turca (9,1%) 135 são similares à Portuguesa (11,5%) (P = 0,554 e P = 0,366,

respectivamente). Na população normal Grega, por outro lado, verifica-se uma maior frequência de portadores do genótipo CC (21,5%) 124,134, comparativamente com a

Portuguesa (P <0,001).

As taxas de incidência de CCR em Portugal e na Grécia são baixas. No entanto, verifica-se uma maior frequência de portadores do genótipo de risco na população normal Grega, que poderá dever-se a fluxos migratórios provenientes de países Asiáticos e Africanos. Na Grécia e em Portugal as populações seguem uma dieta mediterrânica, onde as frutas e vegetais são consumidos de forma abundante e as carnes vermelhas são ingeridas em quantidades moderadas, comparativamente aos países da Europa Central e do Leste 153. Verifica-se, por conseguinte, um consumo de alimentos ricos em

substâncias anti-oxidantes e um baixo consumo de gorduras saturadas 154. Deste modo,

este tipo de dieta poderá conferir protecção para o desenvolvimento de CCR na população normal Grega, limitando o efeito oncogénico do polimorfismo. Na Hungria e na Turquia, as taxas de incidência para CCR são superiores às Portuguesas, embora as frequências de portadores do genótipo de risco sejam baixas. Na Turquia estas taxas poder-se-ão dever ao elevado consumo de tabaco 155, um dos principais factores de risco

para o desenvolvimento de CCR. Os danos causados pelos carcinogénios presentes no fumo do tabaco poderão sobrepor-se, aos efeitos protectores da dieta deste país, que tem uma grande influência na dieta mediterrânica. Na Hungria, o consumo de tabaco e álcool em conjunto com uma baixa actividade física poderão proporcionar o

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desenvolvimento de CCR nesta população, apesar da baixa frequência de portadores do genótipo de risco 156.

A distribuição das frequências genotípicas do polimorfismo CASP9+83C/T apenas foi estudada em populações Europeias e, à semelhança do que se verifica no polimorfismo BIRC5-31G/C, observam-se diferenças estatisticamente significativas nas distribuições das frequências dos genótipos CT/TT entre essas populações. Os genótipos CT/TT apresentam uma sub-representação na população Portuguesa (65,7%) comparativamente às populações normais na Moldávia (81,8%) 137 e no Reino Unido

(79,1%) 157 (P = 0,002 e P <0,001, respectivamente). Por outro lado, a distribuição das

frequências dos genótipos CT/TT na população Belga (73,3%) 139é similar à do presente

estudo (P = 0,084).

Observa-se que as taxas de incidência de CCR são reduzidas em Portugal e na Moldávia e são consideravelmente mais elevadas na Bélgica e Reino Unido. Historicamente, a incidência global de doenças oncológicas é inferior nos países mediterrânicos, onde se inclui Portugal, comparativamente aos países no Norte da Europa 153. Estas diferenças poderão estar associadas à alimentação praticada por estas

populações, a diferentes tipos de registos oncológicos e diferente acesso a cuidados de saúde e ainda devido a diferenças ao nível da exposição solar relacionada com a localização geográfica destes países. Estudos observacionais têm mostrado que os baixos níveis de vitamina D, observados em indivíduos residentes em países de maior latitute, estão associados ao aumento do risco de desenvolvimento neoplásico, uma vez que a vitamina D apresenta actividade anti-tumoral 158. Deste modo, uma maior

frequência dos genótipos de risco nas populações da Bélgica e do Reino Unido, associada a menor incidência de luz solar nestes países, a estilos de vida sedentários e a uma alimentação pobre em frutas e vegetais, favorece o desenvolvimento de CCR nestes países 155. Na população da Moldávia, um país fortemente rural, onde os hábitos

tabágicos estão bastante presentes e a ingestão calórica é acentuada, apesar da elevada frequência dos genótipos de risco, verifica-se uma baixa incidência de CCR. Esta incongruência poderá dever-se a limitações do registo oncológico, assim como, um acesso a cuidados de saúde limitados, o que poderá culminar na identificação de um limitado número de doentes com CCR.

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5.2. Associação dos polimorfismos funcionais BIRC5-31G/C e CASP9+83C/T na

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