II. Etude de la ventilation naturelle de la serre
II.3. Analyse et discussion des performances en ventilation
II.3.1. Détermination des paramètres du modèle
Esta variável diz respeito ao grau em que o trabalho requer que o empregado lide diretamente com outras pessoas. O fato de o professor lidar diária e diretamente com o ser humano (alunos, pais, diretores, coordenadores e demais professores da escola) para a consecução de suas tarefas seria um pressuposto de que esta variável fosse percebida de forma satisfatória pelos participantes da amostra, influindo positivamente na QVT destes profissionais.
Entretanto, os resultados indicam que o trabalho docente apresenta moderado inter- relacionamento (média de 3,54), como apresentado na TAB. 13. Não se observou diferença estatisticamente significativa entre essas duas escolas (p>0,05), não nos permitindo comprovar com argumentos estatísticos suficientes que as duas escolas têm percepções diferentes em relação ao grau de relacionamento interpessoal com os diversos atores.
TABELA 13
Comparação entre os professores da escola municipal e da estadual quanto à variável Inter-relacionamento
Min Máx. Média d.p.
Municipal 1 5 3,49 0,5283 Estadual 1 5 3,55 0,6644 Total 1 5 3,54 0,6246 Fonte: Dados da Pesquisa
Nota: O valor de p se refere ao teste de Mann-Whitney Mu = Municipal e Es = Estadual
Conclusão
Inter-relacionamento 0,614 Mu = Es
Variável Instituição Medidas Descritivas p
16,24,28
Questões
Apesar de manterem contato constante com outras pessoas para a execução de suas tarefas, o grau moderado de satisfação explicitado pelos dados quantitativos pode ser explicado pela dificuldade que os entrevistados declararam sentir em relação aos alunos, alegando que a convivência com indivíduos na fase da adolescência, sua cultura, seus problemas familiares, a falta de compromisso e a ausência de limites representam obstáculos à cooperação e colaboração por parte dos alunos.
Os entrevistados da escola municipal revelaram maior score que os da estadual, no que diz respeito ao grau de relacionamento interpessoal com os alunos. Um dos entrevistados comentou que “os alunos estão sem limites. Não existe uma norma de comportamento, e isso
tem dificultado a relação” (M12). Observações da pesquisadora durante o período de coleta de dados evidenciaram situações de conflitos graves e de tensão entre alunos e professores da escola municipal. Acredita-se que contribuem para esse comportamento o ambiente, a cultura escolar e a atitude do aluno perante a escola. Tal análise corrobora os dados quantitativos de níveis scores na escola municipal.
Contudo, houve menção, durante as entrevistas, a um ponto positivo extraído dessa dificuldade: os professores enxergam nessa experiência de lidar com conflitos com os alunos um exercício de aprimoramento de seu relacionamento interpessoal nos vários âmbitos da vida social.
Em síntese, os professores, em termos gerais, têm moderado inter-relacionamento no seu trabalho, sem diferenças significativas entre as escolas. Porém, esse inter-relacionamento poderia ser maior, caso não enfrentassem tantas dificuldades de colaboração e cooperação por parte dos alunos. O que parece estar acontecendo é que o inter-relacionamento dos alunos com os professores é estressante e conflituoso. Nesse aspecto, a escola municipal revelou maior desgaste que a estadual, mostrando-se mais estressante quanto à relação professor- aluno, o que influi diretamente no processo ensino-aprendizagem.
5.4.5 Autonomia
A autonomia se refere ao grau de independência e liberdade que o indivíduo tem para programar seu trabalho e determinar os procedimentos necessários à sua execução.
Pelos resultados obtidos, constatou-se nível moderado de autonomia no trabalho docente, visto que a média geral é 3,14 (TAB. 14). A mesma média foi apurada nas duas escolas, não se observando diferença estatisticamente significativa (p>0,05) entre elas. Sendo assim, os dados obtidos não permitem afirmar que os professores das duas escolas percebem de maneira diferente sua autonomia na execução das tarefas docentes.
TABELA 14
Comparação entre os professores da escola municipal e da estadual quanto à variável Autonomia
Min Máx. Média d.p.
Municipal 1 5 3,14 0,5953 Estadual 1 5 3,14 0,6491 Total 1 5 3,14 0,6307 Fonte: Dados da Pesquisa
Nota: O valor de p se refere ao teste de Mann-Whitney Mu = Municipal e Es = Estadual
Conclusão
Autonomia 0,898 Mu = Es
Variável Questões Instituição Medidas Descritivas p
17,31,35
De acordo com a percepção de 50% dos entrevistados, sua autonomia é elevada no âmbito da sala de aula, onde o desenvolvimento da prática pedagógica, o planejamento do trabalho, as modificações, os aprofundamentos e as adequações de conteúdos e metodologias não sofrem interferências externas.
As restrições legais ou curriculares resultam, contudo, na percepção de uma autonomia relativa para 38,9% dos entrevistados, que declaram se sentir limitados em sua ação pelos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCN. Percebe-se, entretanto, que, com criatividade e talento, o professor tem tido condições seja de flexibilizar certos conteúdos, aprofundando-os um pouco mais em uma ou outra área, seja de criar novas práticas e, dessa forma, aumentar sua autonomia no aspecto pedagógico.
Também quando se parte para o coletivo, ou seja, para a escola como um todo, o nível de autonomia esbarra em restrições relativas às normas governamentais, conforme exemplificado pela seguinte declaração:
Você não tem autonomia, por exemplo, se precisa fazer o famoso trabalho coletivo. Então, essa autonomia da escola é ficção também. Não existe essa autonomia, tudo é determinado pela Secretaria de Educação. Normalmente a direção das escolas não rompe essa hierarquia, o que vem para ser feito deve ser feito, ou pelo menos faz de conta que é feito. (E2)
A autonomia no trabalho docente parece também sofrer restrições devido a fatores intra-escola, tais como a postura da direção, que nem sempre apóia as decisões dos professores, a falta de apoio financeiro para executarem suas propostas e o posicionamento do aluno. De acordo com os relatos, o professor, embora tenha um alto nível de autonomia nas escolas públicas, por falta de recursos financeiros e pelo desinteresse do aluno, nem sempre
consegue executar suas tarefas da forma desejável ou planejar suas aulas a contento. Por exemplo, professores que lecionam nas duas escolas afirmaram que já tentaram realizar com alunos da rede municipal determinadas atividades pedagógicas bem sucedidas com alunos da rede estadual, entretanto, o resultado foi abaixo do esperado em virtude da atitude do aluno perante a atividade, o professor e a escola.
Houve ainda durante as entrevistas menção ao cerceamento da autonomia do professor, em virtude do modelo de gestão e liderança da escola, isto é pela liberdade de ação que o diretor estabelece.
Apesar de não ser objetivo deste estudo estabelecer comparação escolas públicas e as particulares, cabe observar que alguns entrevistados que trabalham ou já trabalharam em escola particular salientaram que, nestas últimas, o nível de autonomia é mínimo, se comparado ao da escola pública. Tal fato pode ser explicado pelo posicionamento dos alunos na escola privada como “clientes” de um produto pelo qual pagam caro e pela maior pressão exercida pela direção das escolas particulares, conforme observou um dos entrevistados: “a escola particular é muito refém do aluno tirano, do aluno-cliente” (E4).
Em suma, os resultados demonstraram que os professores têm moderada autonomia no trabalho, sem diferenças significativas entre as escolas. Pela análise das entrevistas, nota-se que os professores têm liberdade plena dentro de sala de aula quanto ao seu trabalho pedagógico, contudo, a autonomia perde espaço em função das limitações legais e do administrativo da escola.