níveis de poluição. Petróleo. Espera-se não ser um problema, devido à importância crescente que o álcool de cana-de-açúcar está assumindo, substituindo a gasolina.
Neste verão boreal, os países da UE, que em matéria de energia já são eficientes em dobro com relação aos Estados Unidos ou ao Canadá, anunciaram um plano de ação para reduzir em mais 20% as necessidades de consumo até 2020. “É mais fácil e mais barato melhorar a eficiência energética do que produzir mais energia”, assegura Glasgow (2005), as oportunidades de melhorar a eficiência energética são quase infinitas, segundo o autor. Também sobre as mesmas idéias são creditadas a Lovins (2000) que projetou programas para grandes e pequenas empresas que diminuíram drasticamente o uso de energia e economizaram milhares de milhões de dólares. Converter carvão em uma central elétrica norte-americana em energia que acenda uma lâmpada incandescente tem eficiência de apenas 3%, segundo pesquisadores do Instituto Rocky Mountain. As usinas elétricas alimentadas a carvão gastam 70% da energia que geram em forma de calor e as linhas de transmissão perdem outros 10%. O calor residual de centrais norte-americanas que funcionam com carvão equivale a 20% mais de energia do que a usada por todo o Japão, de acordo com Lovins (2000).
Quanto ao Brasil, o Governo Federal vem ignorando a necessidade premente de um programa ambicioso de racionalização no uso de energia. Existe uma lei para esse fim que não foi implementada. A sociedade brasileira mostrou com o “apagão” de 2001 que sabe economizar, mas faltam incentivos adicionais e ações fortes para mudar a situação atual. O que cabe, pois, ao novo governo fazer, de imediato, na área de energia e meio ambiente é rever o atual modelo do setor elétrico.
Seria impossível falar de energia sem associar o meio ambiente ao tema, pois toda a energia produzida, é resultado da utilização e transformação das forças oferecidas pela natureza.
Se voltarmos um pouco na história da energia, ver-se que no começo o homem queimava os troncos e galhos de árvores para fazer o fogo, sendo que até a invenção da máquina a vapor essa prática não prejudicava tanto as florestas. Mas, após o advento da máquina a vapor, a devastação de florestas começou com grande intensidade, chegando a se destruir imensas florestas nos países europeus, para a geração de vapor.
Tem, a aproximadamente 150 anos, tempo da utilização dos combustíveis fósseis em geração de energia e força motriz, e nos últimos anos com o crescimento da indústria automobilística, que vem colocando um grande número de veículos circulando pelas grandes cidades, e a grande industrialização dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, que juntos emitem bilhões de toneladas de gases na atmosfera provocando tremendos impactos negativos ao meio ambiente, trazendo alterações climáticas provocadas principalmente pelo efeito estufa e a destruição da camada de ozônio.
Tais ineficiências representam centenas de milhares de milhões de dólares nos Estados Unidos e mais de um bilhão ao ano globalmente. Entretanto, os governos preferem construir novas centrais elétricas ou investir em novas tecnologias, como as células de combustível de hidrogênio, apesar de já existirem ferramentas para melhorar notoriamente a eficiência energética, disse Glasgow (2005). A lâmpada compacta fluorescente é uma delas. Utiliza entre 70% e 80% menos eletricidade, dura entre 10 e 13 vezes mais do que uma incandescente, e custa entre US$ 2 e US$ 5. “Lâmpadas fluorescentes são usadas mais na China do que nos Estados Unidos”, afirmou Flavin, (2001).
“A eficiência não tem a ver com fazer menos, mas com obter os serviços que deseja-se com menos energia”, segundo Barg (1990), ironicamente, Estados Unidos e Canadá podem ter mais problemas para fazer este ajuste do que os países em desenvolvimento. “O modo como organizou-se as cidades na América do Norte, com insustentável expansão urbana, dificulta as melhorias em matéria de eficiência energética”.
Segundo o Instituto de Pesquisas Tecnológicas IPT (2006), a lenha usada em padarias e olarias ou mesmo o carvão vegetal dos altos fornos das indústrias de cimento e algumas siderúrgicas poderia ser substituída pelo capim-elefante, gramínea de grande porte com crescimento rápido. O processo de queima é semelhante ao do bagaço de cana, com a vantagem que o capim-elefante tem maior produtividade (200 toneladas/hectare por ano) do que a cana (90 ton/ha/ano). O aproveitamento da biomassa também pode ser realizado em áreas urbanas com resíduos domésticos (lixo orgânico) e industriais (óleos filtrantes, óleos saturados, aparas de papel e madeira).
Essa alternativa, embora precise de subsídios, pode ser a solução para boa parte do lixo urbano que absorve um volume grande de recursos para tratamento e destinação adequada (manutenções de lixões e aterros sanitários).
Vê-se que ter todas as variáveis necessárias para resolver a grande equação da geração/produção, transformação/manutenção e distribuição/consumo. Ter recursos naturais em abundância, clima e formação geológica altamente favorável ao desenvolvimento humano, uma natureza que nos presenteou com os melhores recursos a serem explorados. Necessita-se apenas de definições de políticas públicas, estudos acadêmicos, com claras determinações de incentivos a investimentos diretos e indiretos, política tributária não onerosa para quem produz e desenvolve novas tecnologias, e de instrumentalização na política ecológica e do meio ambiente, para conter os impactos e os danos ambientais.
Segundo FLAVIN, (2001) durante a crise dos anos 70, os Estados Unidos e Canadá desenvolveram fortes programas de eficiência energética, mas a maioria caiu em desuso, concluiu. O governo canadense financiou o desenvolvimento de um projeto de moradias energeticamente supereficientes na década de 1970, chamadas R-2000. Contudo, somente alguns milhares foram construídos, porque custam 5% mais. “Se o Canadá tivesse adotado o R-2000 como padrão de construção de moradia, sería um país muito mais eficiente em matéria de energia”, assegurou. Até agora, os atuais governos dos Estados Unidos e do Canadá se negaram a ordenar padrões mais elevados nesse sentido ou a estabelecer políticas nacionais de eficiência energética, como fizeram os países europeus.
A humanidade responde a crises urgentes, mas ignora as de longo prazo, disse Barg (1990). “Com a mudança climática esta se chegando a uma crise global. A pergunta mais importante é se ser-mos capazes de responder a tempo. Os políticos e o público não compreendem a urgência do problema da mudança climática”.
Até a década de 1980, o crescimento econômico se atrelava à expansão da oferta de energia. Entretanto, com o aumento da consciência ecológica e os problemas globais gerados pelas externalidades ambientais, a sustentabilidade energética é um fator de preocupação constante.
A energia é um aspecto-chave do consumo e da produção. A dependência de recursos não renováveis pode ser considerada insustentável a longo prazo. Ainda que se descubram novas reservas de combustível fóssil, sua utilização pode não ser aconselhável por motivos econômicos. Por outro lado, os recursos renováveis podem fornecer energia continuamente, se adotadas estratégias de gestão sustentável.
Divulgado em relatório anual. O estudo elaborado pelo Worldwatch (2005), obteve, desta vez, o merecido espaço nos meios de comunicações; isto com relação aos anos anteriores. Houve uma demonstração clara de que ainda estar-ses longe da consciência ecológica e ambiental, pois a ênfase da demonstração da insustentabilidade dos atuais padrões mundiais de produção, consumo e renda, e na necessidade de novos caminhos – com relação a estes paradigmas, pois a exploração e o consumo de recursos naturais já estão ultrapassando, e muito, a capacidade de reposição natural do planeta, isto já demonstrado pelos os relatórios do (PNUMA, 2006).
É citado ainda no Worldwatch (2005), que "Este consumismo desenfreado", é a maior ameaça à humanidade". Além de esgotar recursos, piora a qualidade de vida de ricos e pobres. Obesidade já é um dos maiores problemas de saúde no mundo: 65% da população adulta dos EUA, por exemplo, já está entre os obesos [gerando 300 mil mortes por ano e US$ 117 bilhões anuais de custos para o sistema de saúde]. Nesse país, só um terço das pessoas se consideram "muito felizes". E o endividamento progressivo
atormenta a maioria. Inclusive porque os 10% mais ricos da população detêm 30% da renda, enquanto os 10% mais pobres ficam com 1,8%. No mundo, apenas 1,7 bilhão dos atuais 6,3 bilhões de pessoas tem capacidade de consumir além das necessidades básicas.
Em seu relatório o Worldwatch (2005), mostrou-nos que o crescimento do consumo mundial passou de US$ 4,8 trilhões em 1960 para US$ 20 trilhões [mais de quatro vezes] e está altamente concentrado – 60% só nos EUA, no Canadá e na Europa, onde vivem menos de 12% da população. Se somar-se o Japão e outros países industrializados, chega-se aos 80% da produção, do consumo e da renda apontados pelos relatórios da ONU como concentrados em nações com menos de 20% da população mundial. Insustentável em termos ambientais, sociais e políticos, como disseram em 2002, na Cúpula Mundial do Desenvolvimento Sustentável, vários chefes de Estado e de governo da própria Europa.
Para quê tanto consumo? US$ 18 bilhões anuais são para gastos com maquiagem; US$ 15 bilhões para perfumes; US$ 11 bilhões para sorvetes na Europa; US$ 14 bilhões para cruzeiros em navios. Bastariam US$ 19 bilhões anuais para eliminar a fome no mundo [mais de 800 milhões não têm o que comer], US$ 10 bilhões/ano para prover todas as pessoas com água de boa qualidade [1,1 bilhão não têm], US$ 1,3 bilhão/ano para imunizar todas as crianças contra doenças transmissíveis, US$ 12 bilhões para dar saúde reprodutiva a todas as mulheres. A ONU vem repetindo isso há anos, em seus relatórios sobre o desenvolvimento humano. Enfatizando que 2,8 bilhões de pessoas, quase metade dos seres humanos, vivem abaixo da linha da pobreza.
Enquanto o crescimento econômico no mundo, desde 1950, multiplicou por sete o PIB mundial, a disparidade de renda entre ricos e pobres dobrou.
Segundo NOVAES (2004) o Brasil – sétimo maior consumidor do mundo – não está fora da questão, já que apenas um terço da população [57,8 milhões de pessoas] pode consumir além do suprimento das necessidades básicas [nos EUA os consumidores são 84% da população; no Japão, 95%; na Alemanha, 92%; na Índia, 12%]. O consumo
médio
brasileiro dos que podem comprar além do básico estão em US$ 7 mil anuais [US$ 21,7 mil nos EUA e na Europa, US$ 194 na Nigéria].
Segundo o relatório, está no Brasil o segundo maior consumo mundial de carne bovina [após os EUA]. No mundo todo são 242 milhões de toneladas consumidas anualmente, o dobro do que era em 1997, cinco vezes mais que em 1950. Nos países industrializados, consomem-se 80 quilos de carne por ano por pessoa; nos países ditos em desenvolvimento, 28 quilos. O problema está em que produzir uma caloria de carne [bovina, suína ou de aves] exige de 11 a 17 calorias em alimentos para os animais. Uma dieta de carnes, para ser produzida, precisa de quatro vezes mais terras que uma de vegetais. E produzir um quilo de carne bovina exige até 15 mil litros de água, segundo os relatórios da ONU no Fórum Mundial da Água, no ano passado, em Kyoto [um quilo de grãos, em média 1.300 litros de água].
Que aconteceria no mundo se as dietas de hoje e o consumo dos mais ricos pudessem ser estendidos a todas as pessoas? A demanda de recursos naturais exigiria mais uns três planetas como a Terra, dizem esses relatórios. Mas a China, nas últimas décadas, já agregou 240 milhões de consumidores ao mercado. Juntamente com a Índia, já consome mais que a Europa Ocidental [juntos, os dois países têm 2,4 bilhões de pessoas].
Que fazer? O próprio relatório do Worldwatch (2005) propõe alguns caminhos:
Uma reforma fiscal "ecológica", com impostos proporcionais ao consumo de recursos e legislação que imponha padrões mínimos aos setores produtivos; responsabilização dos produtores pelo ciclo completo dos produtos – o que os responsabilizaria também pelas embalagens, resíduos e destinação final do respectivo lixo; padrões obrigatórios de durabilidade a serem impostos aos produtores para eliminar a obsolescência precoce; mudanças nos padrões pessoais rumo a um consumo responsável.
"Não vejo alternativa para a espécie humana senão a cooperação", disse Henderson (2005), em visita ao Brasil a escritora, crítica feroz do consumismo. É verdade. Mas como introduzir a eqüidade como padrão básico de comportamento para reger seres humanos e nações? Com que regras? Que instituições?
HENDERSON (2005) acha que, "se você olha para o mundo real, e não para os números loucos, vê que, numa análise per capita, o Brasil é um dos países mais ricos do mundo". Também é verdade, pensando em recursos e serviços naturais. Mas, quando o país colocará isso no centro de sua estratégia, como já se comentou aqui várias vezes?