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Détermination des vitesses de mouvement des marches atomiques

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3.5 Conclusion

4.1.1 Détermination des vitesses de mouvement des marches atomiques

O pot-in-pot cooler foi desenvolvido pelo nigeriano,

Mohammed Bah Abba, filho de família de

ceramistas, em 1995. Trata-se de um sistema para preservação de vegetais durante a estação seca. O sistema usa dois potes de cerâmica comum, um dentro do outro, separados por uma camada de areia ou barro encharcado com água. Os alimentos depositados no seu interior ficam frescos por dias pela ação da evaporação da água pelas paredes do sistema.

O invento foi desenvolvido a partir dos potes da cerâmica tradicional local, que fazem parte do patrimônio cultural das comunidades rurais nigerianas. O sistema foi imediatamente dominado pelos ceramistas locais e distribuído não somente para a zona rural da Nigéria, mas também para outros países africanos como Camarões, Etiópia, Niger e Burkina Faso.

Fonte: Abba (2007).

Esses produtos mostrados no Quadro 07 exemplificam como idéias, conceitos e soluções, contidos no repertório cultural de uma comunidade tradicional, podem ser usados pelo design moderno. Não somente para o desenvolvimento de novos

produtos, mas fazendo com que estes possam desempenhar um papel de relevância tanto para os seus consumidores, externos à comunidade, mas, e principalmente, para as comunidades detentoras de tais conhecimentos. Outros estudos que relacionam design e comunidades tradicionais têm apresentado formas semelhantes de abordagem.

• Martins e Silva (2009) apresentam bases de uma metodologia participativa de design gráfico, abordando diferentes grupos comunitários e propondo, a partir daí, uma “reflexão sobre o papel do designer ao atuar em projetos que visam apoiar o desenvolvimento sócio-econômico de comunidades tradicionais”. As pesquisadoras efetuaram pesquisas em duas comunidades tradicionais do Belém do Pará: a primeira foi a Ver-as-Ervas – grupo de vendedores de ervas atuantes no Mercado do Ver-o-Peso em Belém; a segunda comunidade foi a Associação Comunitária dos Artesãos e Lapidários de Floresta do Araguaia, localizada no município de Floresta do Araguaia. Uma terceira comunidade foi o núcleo produtivo Cardume de Mães, da periferia da cidade de São Paulo. A pesquisa teve como um dos objetivos o desenvolvimento de um sistema de identidade visual que representasse comercialmente a respectiva comunidade. Para isso foram aplicados nessas comunidades métodos de pesquisa participante como forma de coleta de informações e de sugestões delas próprias para o desenvolvimento dos sistemas de identidade visual.

• Muniz (2009) e Muniz e Figueiredo (2010) realizaram pesquisa baseada numa articulação entre métodos de pesquisa-ação e abordagem sistêmica e na ferramenta de investigação Looking for Likely Alternatives (LOLA), o qual gerou a PAIS (Pesquisa-ação integral e sistêmica). Essa abordagem de pesquisa-ação envolveu os pesquisadores com os moradores da Guarda do Embaú, uma comunidade tradicional de pescadores de colonização açoriana, localizada no entorno do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, região do Município de Palhoça do Estado de Santa Catarina. Esta pesquisa usou o design como alternativa para integrar os stakeholders (partes interessadas) no processo de investigação e promoção de inovações sociais sustentáveis. Os autores chegaram à conclusão de que “a inovação social não pode ser projetada, porém o design pode oferecer contribuições para a sua promoção” (MUNIZ e FIGUEIREDO, 2010).

• Preto, Merino e Figueiredo (2011), partindo do pressuposto de que o artesanato tradicional tem importância tanto por representar a identidade cultural de

comunidades locais quanto por ser uma fonte de trabalho e renda relevante para a mesma apresentam, numa pesquisa que envolve revisão de literatura e pesquisa exploratória, um “processo de aprendizagem situada como estratégia cognitiva nas comunidades tradicionais locais, para a valorização dos produtos, territórios e identidades por meio da gestão de design.” Os autores concluíram que a aplicação dessa aprendizagem neste tipo de comunidade se traduz em benefícios devido à “conscientização da realidade da comunidade sobre sua tradição e território”. Segundo os autores, esse processo pode possibilitar a “valorização do produto local, a exploração sustentável e o desenvolvimento do território como parte da identidade local”, disseminando a cultura interpretada nos produtos pelos consumidores.

Os benefícios podem ser muitos, tais como o reconhecimento dos valores tradicionais fora da comunidade; soluções de problemas do cotidiano; ganhos sociais tais como oportunidade de trabalho, geração de renda e a transformação desta em melhoria da qualidade de vida local, dentre outros. De qualquer forma, estes são possíveis benefícios os quais o papel do design, ao orientar a forma como o repertório cultural local é usado, torna-se importante para aproximar tais comunidades das propostas do desenvolvimento local.

2.5.2. Relações interdisciplinares entre Design e Antropologia Cultural

Por ser uma atividade multifacetada, o design possui uma natureza interdisciplinar, que usa processos criativos para desenvolvimento de novos conceitos para a solução de problemas e criação de produtos inovadores. A múltipla tarefa de entender problemas e desenvolver conceitos e soluções criativas e inovadoras leva o

designer a mover-se entre várias áreas do conhecimento, de maneira transversal,

dependendo da necessidade do problema ou da natureza do fenômeno o qual se propõe a resolver ou compreender. A abrangência dos conhecimentos usados de forma interdisciplinar “vão além das áreas usualmente utilizadas nas atividades econômicas e industriais” (ASSIS, FARIA e NAVALON, 2008). Compreende também atividades de natureza intrínseca a ele mesmo numa busca se de obter o máximo de variáveis que atuam no contexto de um projeto (RIBEIRO, 2008).

Na interdisciplinaridade “busca-se a intercomunicação entre as disciplinas, abordando efetivamente um tema ou objetivo comum de forma transversal” (ROSA, SCHULTE e PULS, 2010), ocorrendo quando se usa um conhecimento de uma disciplina dentro de outra diferente, integrando conteúdos fragmentados numa

concepção e entendimento unitários. A natureza do processo de conhecimento científico é ilimitada, construindo-se a partir da circulação dos mais variados tipos de conhecimentos. Tal dinâmica justifica-se a partir de necessidades diversas, principalmente na complexidade atual de enfrentar problemas contemporâneos, já que se apresentam contendo dimensões distintas e diversas.

O design aborda conhecimentos e habilidades vindas das mais variadas origens, o que o caracteriza como sendo uma atividade interdisciplinar. Como exemplo de conteúdos interdisciplinares destacam-se os das áreas tecnológicas, tais como a tecnologia dos materiais, os processos de fabricação, o desenho técnico. Nas áreas das artes destacam-se o desenho artístico e demais formas de representação gráfica, construção de mock-ups e maquetes, os processos criativos, a computação gráfica e o estudo das cores. Na área das ciências humanas destacam-se a história das artes e do

design, a fotografia, a semiótica e a percepção visual. Na área da filosofia, por sua

vez, tem-se a ética e a estética. Além disso, há fortes aproximações com outras áreas interdisciplinares, tais como a ergonomia ou a biônica, dentre outras.

Dentre os conteúdos relacionados de forma interdisciplinar com o Design, destacam-se os da Antropologia Cultural. Segundo Ullmann (1991, p. 29) “a antropologia, em sentido estrito, constitui-se o estudo e o conhecimento sistemático do homem e de suas obras”. Para Harris (2001) a Antropologia é o estudo da humanidade, dos povos antigos, dos contemporâneos e seus estilos de vida. É um campo extremamente vasto, abrangendo tanto o histórico da evolução física humana, a Antropologia Física, quanto da cultura associada a essa evolução, a Antropologia Cultural. Harris (2001) ainda afirma que a “antropologia cultural se ocupa da descrição, análise e comparação das culturas do passado, as contemporâneas e suas tradições socialmente aprendidas, proporcionando base para hipóteses e teorias sobre as causas dos estilos de vida relacionados às sociedades”.

Tendo, portanto, a cultura como objeto do seu trabalho, a antropologia cultural constitui-se numa área privilegiada para oferecer ao design os elementos necessários à concretização de idéias e conceitos relacionados com necessidades apresentadas pelo ser humano na sua relação com seu entorno.

A natureza interdisciplinar da atividade de design confere-lhe uma importante dimensão antropológica cultural. No desenvolvimento de produtos industrializados, o design sofre, por um lado, o impacto do desenvolvimento tecnológico e dos processos técnicos, e, por outro, as pressões das transformações culturais decorrentes do surgimento de novos usos e necessidades, promovidos pelos artefatos que são inseridos na Sociedade (ONO, 2004).

A relação do design com a Antropologia pode ser compreendida como uma relação entre design e cultura, pois o estudo dos valores, comportamentos, estilos de vida e demais elementos culturais de uma determinada sociedade, além do estudo comparativo entre as culturas, pode permitir sua aplicação em projetos de design (XU, 2012).

A Antropologia Cultural, na sua atuação interdisciplinar pode permitir o acesso a conteúdos que fundamentam o conhecimento para o trabalho em Design. Conteúdos tais como cultura local e suas expressões de identidade; herança cultural e suas formas de transmissão; aspectos imateriais e materiais da cultura e sua correlação interna, tornam-se componentes do conhecimento sobre contextos sociais e culturais que podem orientar e se constituir em informações e dados para a elaboração de projetos em design atuando, inclusive, como fonte de inspiração para a realização de suas tarefas. Tais conhecimentos permitem então, o entendimento de

[...] uma série de elementos constituintes de uma sociedade, ou seja, sua organização econômica, social, jurídica e política, além de seus sistemas de parentesco, religiosos, míticos, e suas criações artísticas. (RODRIGUES. 2005)

A partir dos conhecimentos obtidos através da relação interdisciplinar com a Antropologia Cultural, o Design pode contribuir para a formação de uma consciência crítica e responsável a respeito do patrimônio cultural de comunidades pesquisadas, podendo favorecer, além de tudo, a regeneração e melhoria de economias locais, conforme explica Vezzoli (2010, p. 190).

Assim, a relação do design com a Antropologia Cultural pode permitir a visibilidade de conteúdos culturais pouco conhecidos ou o resgate de outros já esquecidos, dando retorno favorável aos indivíduos a eles relacionados. A partir da Antropologia Cultural, o estudo e a aplicação da cultura podem desempenhar um papel importante no campo da concepção e se tornar um importante diferenciador no

design do futuro (LIN, 2007), identificando e articulando elementos socioculturais

tradicionais (MOALOSI et al, 2007), marcando e reforçando identidades e territórios culturais num mundo globalizado.

As abordagens reunidas neste capítulo atendem, portanto, às necessidades da tese quanto ao conhecimento do contexto geocultural no qual se desenvolvem as relações entre o design e a cultura de uma comunidade tradicional rural, numa perspectiva de desenvolvimento local.

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