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Détermination des différents paramètres et coefficients de calcul

CHAPITRE II : Action climatique

II.1 ACTION DU VENT

II.1.2 Détermination des différents paramètres et coefficients de calcul

Todos os dados obtidos foram registados numa base de dados criada especificamente para o efeito, sendo monitorizada a sua qualidade na altura do seu registo. Procedeu-se à sistematização dos dados obtidos e ao seu tratamento estatístico utilizando a aplicação Microsoft® Office Excel®.

8. RESULTADOS

Durante o período de estudo registaram-se no CRSP 80.509 potenciais dadores de sangue, dos quais 59.597 foram sujeitos a processamento analítico. Destes, 433 (0,7%) eram dadores que se enquadravam nos critérios de selecção do presente estudo.

A idade dos candidatos a dador de sangue variou de 18 a 65 anos, com média de 37,7 anos, de ambos os sexos (53% sexo masculino e 47% do sexo feminino) e todos residentes na zona Norte de Portugal.

Dos 433 dadores de sangue estudados enquadrados nos critérios de selecção do presente estudo, 298 eram naturais de áreas endémicas (69%), seis eram filhos de mães oriundas de áreas endémicas (1%) – Brasil e Venezuela –, 70 residiram em áreas endémicas (16%) e 59 viajaram de férias para áreas endémicas (14%).

Gráfico 1: Distribuição dos dadores de sangue por critérios de selecção. 1% 16% 14% 69% Naturais de áreas enémicas Filhos de mães naturais de áreas endémicas Residiram em áreas endémicas Férias em áreas endémicas

A distribuição dos dadores por naturalidade está representada no Gráfico 2, onde se constata que brasileiros e venezuelanos representam mais de metade (67%) dos dadores incluídos no estudo.

Foram incluídos no estudo três dadores naturais dos EUA (dois residiram no Brasil e o outro em Cuba), dois dadores naturais de França (um residiu no México e o outro fez férias na República Dominicana), um natural de Moçambique (que passou férias no Brasil), um natural da Irlanda (residiu no México) e 128 naturais de Portugal, cujos motivos de inclusão se encontram representados no Gráfico 3.

Gráfico 2: Distribuição dos dadores de sangue incluídos no estudo por país de origem. 222 128 68 1 1 1 1 2 1 1 2 3 1 1 0 50 100 150 200 250 Bras il Portugal Venezuela Rep. Dom inicana Moçam bique México Guatem ala França Chile Equador Argentina EUA Peru Irlanda

Gráfico 3: Motivo de inclusão no estudo dos dadores de sangue naturais de Portugal.

Dos 70 dadores incluídos no estudo por terem residido em áreas endémicas predominam os residentes no Brasil e na Venezuela, numa percentagem de 90% (Gráfico 4).

Gráfico 4: Distribuição dos dadores de sangue por área de residência, 5% 48% 47% Filiação Residencia Férias 36 27 3 2 1 1 0 5 10 15 20 25 30 35 40

Ao analisar o destino de férias como causa de inclusão no estudo, dos 59 dadores seleccionados 80 % esteve no Brasil (Gráfico 5).

A fim de testar a especificidade do Sistema de Teste ELISA T.cruzi ORTHO® foram submetidas a prova 1.000 amostras de dadores de sangue que não se enquadravam nos critérios de selecção do presente trabalho. Todas elas foram não reactivas para o Teste ELISA T.cruzi ORTHO®. A especificidade nesta população de baixo risco foi de 100% (intervalo de confiança de 95%).

Especificidade = Número de negativos X 100 Número de verdadeiros negativos

Especificidade = 1000 X 100 = 100% 1000

Dos 433 dadores de sangue seleccionados para o estudo não obtivemos nenhuma amostra positiva para anticorpos anti – T. cruzi.

Gráfico 5: Distribuição dos dadores de sangue por destino de férias. 80% 3% 5% 5% 3% 2%2% Brasil Cuba México Rep. Dominicana Venezuela Colombia Costa Rica Formatada: Português (Portugal)

9. DISCUSSÃO

Não obstante a importância do tema ao nível mundial e a existência de abundante literatura e estudos, constantemente actualizados, em Portugal não conseguimos encontrar referências bibliográficas relativas à DCH. Uma constatação que ganha maior relevância se acentuarmos ser Portugal um país com uma forte população imigrante oriunda de países onde a DCH é endémica.

A Organização Pan-americana da Saúde recomenda que nos países onde a infecção não é endémica – mas que recebem migração latino-americana, como o nosso – devem organizar uma rede de centros especializados em temas relacionados com esta infecção, destinada a estabelecer protocolos de vigilância e estratégias de controlo, mantendo o contacto com as existentes em países onde é endémica, para promover estratégias conjuntas de pesquisa (Consulta Técnica Regional OPS/MSF 2005).

Os fluxos migratórios oriundos da América Latina já trouxeram a DCH para vários países da Europa, o que faz aumentar o risco de transmissão do parasita através da transfusão de produtos sanguíneos nestas zonas não endémicas (Izaguirre 2006; Vérges et al. 2006). Estes factos têm gerado um gradual interesse da comunidade científica e clínica pela patologia.

Além das triagens clínica e epidemiológica, a serológica tem um papel importante na prevenção da doença transfusional. A Organização Mundial de Saúde (OMS 2002) preconiza que o diagnóstico deva ser baseado através da confirmação de positividade em dois testes serológicos de princípios diferentes, pois, de forma geral, resultados falso–positivos e/ou falso–negativos podem ocorrer na rotina laboratorial devido às reacções cruzadas.

O teste ideal para diagnóstico deve ter alta sensibilidade e alta especificidade, dado que resultados falso–negativos podem produzir infecções por transfusão

sanguínea, e os resultados falso–positivos terem sérias implicações pelos problemas pessoais e sociais associados aos portadores de resultados serológicos positivos (Lunardelli et al. 2007).

O Sistema de Teste ELISA T.cruzi ORTHO® é uma metodologia padronizada, validada e automatizável. Já foi alvo de vários estudos (Cañavate 2005; Assal 2007; Gorlin 2007; Tobler 2007). No nosso, constatamos que a realização deste teste se enquadra no tipo de trabalho realizado diariamente no Laboratório de Agentes Transmissíveis do CRSP-IPS e obtivemos uma especificidade de 100%, tal como vem referido na bula do teste (Anexo 3).

Estudos realizados em dadores de sangue oriundos de áreas endémicas demonstram que a prevalência de DCH nesta população pode variar desde 0,03%, nos EUA (Tobler et al. 2007), 0,62% (Piron et al. 2007) e 0,8% (Barea et al. 2005), ambos em Espanha.

No presente trabalho, da análise dos resultados no que se refere aos países de origem, constatou-se que Brasil e Venezuela representam mais de metade (67%) dos dadores incluídos no estudo, o que está de acordo com os dados doINE que, reportando ao ano de 2006, refere que dentro dos imigrantes oriundos da América Central e do Sul, os nacionais do Brasil (41.728) e Venezuela (3.211) constituem as comunidades maioritárias em Portugal (Moreira 2009).

A repartição por sexo da população estudada revelou a predominância do sexo masculino, com 53% contra 47% do sexo feminino, ao contrário do que se verifica na nossa população de dadores do CRSP-IPS, na qual o sexo feminino predomina, com 54% contra 46% de sexo masculino. Uma vez mais, estes resultados são congruentes com os publicados pelo INE, onde podemos constatar que os homens predominam na população estrangeira, fruto provável da sua maior representatividade no processo migratório, sobretudo naqueles de natureza económica (Carrilho 2009)

Da análise aos dadores de nacionalidade portuguesa incluídos no estudo, concluímos uma vez mais que, no que se refere à sua inclusão, o Brasil predomina quer como destino de férias (80%) quer por motivo de residência (51%). Actualmente constitui um dos principais destinos de férias dos portugueses e foi até à década de sessenta do século XX um dos principais países que os portugueses escolhiam para emigrar. Nesta altura, a emigração portuguesa era maioritariamente transatlântica, em direcção ao continente americano: o Brasil e os Estados Unidos da América, de preferência, mas também o Canadá e a Venezuela (Moreira 2009).

Não obtivemos neste estudo qualquer positividade para o T. cruzi. Pode apontar- se como razões para estes resultados as seguintes:

 Os dadores, embora provenientes ou residentes em países endémicos, podem não ser de áreas endémicas;

 Alguns dos países actualmente mais problemáticos para a DCH, tal como a Bolívia, não estão representados no nosso estudo;

 Não foi esclarecido no presente trabalho a localização dentro do país de cada dador, ou seja, se oriundo de zona rural ou urbana, assim como não foram caracterizados os factores sócio-económicos relevantes para maior incidência (pobreza, habitação rural degradada, entre outros);

 O tempo de permanência não foi considerado como variável em estudo, o que poderia ter sido relevante.

Consideramos que seria uma mais-valia para um trabalho desta índole a realização de um inquérito epidemiológico mais específico, designadamente no que diz respeito às questões atrás referidas.

10. CONCLUSÃO

A evolução epidemiológica da doença de Chagas tem adquirido uma crescente relevância na transfusão sanguínea, não só na América, como na Europa.

Não se encontraram casos de infecção por T. cruzi neste estudo. Com base nestes dados, não nos parece ser necessária a implementação sistematizada e alargada de uma estratégia de triagem laboratorial para a DCH em dadores de sangue em Portugal.

Contudo, consideramos importante a realização de estudos deste género, noutras regiões do país, de forma a monitorizar uma possível evolução da situação. Isto tendo em conta que, segundo dados do INE, nos estrangeiros a residir legalmente em Portugal, os nacionais do Brasil subiram 34,3%, entre 2001 e 2007, representando neste último ano 12,7% desta população, e representam a maioria dos residentes estrangeiros provenientes da América Central e do Sul (Carrilho 2009).

Genericamente podemos dizer que a nossa população de origem estrangeira é de baixo risco para esta patologia.

Terminamos, assim, com a esperança de que este contributo possa ter o condão de poder vir a potenciar outros mais, idênticos ou com outros enfoques, a uma escala mais alargada e constantemente actualizada, no (duplo) sentido do favorecimento da integração social dos imigrantes e rumo a um acréscimo à segurança transfusional - fundamentais numa sociedade em constante evolução, diversificação social e de mobilidade cada vez mais globalizada. E acelerada.

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