2. Méthodes
2.2. Analyse microbiologiques
2.2.4. Etude de l'activité antibactérienne de l'huile essentielle
2.2.4.3. Détermination de la concentration minimale bactéricide (CMB)
CUIDADOS ÉTICOS
O projeto da presente pesquisa foi realizado segundo os preceitos da Resolução no196 do Conselho Nacional de Saúde, de 10 de outubro de 1996, formulada para pesquisas que envolvem seres humanos, a qual incorpora, sob a ótica do indivíduo e das coletividades, os quatro referenciais básicos da bioética: autonomia (consentimento livre e esclarecido dos indivíduos participantes da pesquisa, a proteção a grupos vulneráveis e aos legalmente incapazes. Além disso, oferecer um tratamento que garanta sua dignidade, respeito e em favor da defesa de sua vulnerabilidade); não-maleficência (garantia de que danos previsíveis serão evitados); beneficência (ponderação entre riscos e benefícios, tanto atuais como potenciais, individuais ou coletivos, comprometendo-se com o máximo de benefícios e o mínimo de danos e riscos); justiça e equidade (relevância social da pesquisa e minimização do ônus para os sujeitos vulneráveis, o que garante a igual consideração dos interesses destinação sócio- humanitária e redução do ônus para as pessoas vulneráveis); fidelidade (estabelecimento de confiança e honrar compromissos) e verdade, fundamentais para a condução de uma pesquisa com ética (Franco, 2005, Mazorra, 2009), que, entre outros, visa assegurar os direitos e deveres que dizem respeito a comunidade científica, aos sujeitos da pesquisa e ao Estado.
A pesquisa científica realizada levou em consideração os princípios éticos e fundamentais para a sua legitimidade e credibilidade, além das precauções necessárias à preservação da integridade dos participantes quanto à sua livre decisão de participar e de desistir a qualquer momento; quanto à certeza do benefício decorrente da sua participação; quanto à garantia de não haver prejuízo pelo fato de estar revivendo o ocorrido; e quanto à certeza de que a sua participação poderia contribuir para o benefício de outros grupos relacionados com processos futuros semelhantes.
Mazorra (2009) aponta cuidados éticos necessários no que se refere: ao propósito da pesquisa, recrutamento dos participantes, cuidados com os participantes e à pesquisadora. Tendo em vista a importância de tais cuidados adotamos os seguintes procedimentos:
a) No que se refere ao propósito da pesquisa
A presente pesquisa tem caráter sócio-humanitário, em primeiro lugar pelo fato de o luto se tratar de um fenômeno enfrentado amplamente pela sociedade (Mazorra, 2009), porém originado em situações de catástrofes e descortinado em um novo contexto no qual a Teoria
do Apego poderia oferecer sua contribuição. Do ponto de vista da relevância social, o aprofundamento dos estudos do luto por perdas significativas ou por mortes em situações de catástrofes, pela própria frequência com que estas ocorrem se faz necessário de maneira contínua. A presente pesquisa se mostra relevante, pois lança mão das questões já bastante estudadas relativas às emoções interditas no processo do luto, ampliando-as para o contexto da sociedade atual denominada, na antropologia, de supermodernidade (Augé, 1994).
b) No que se refere ao recrutamento dos participantes
Cada participante foi consultado para obtenção da autorização de publicação da sua revelação, sendo-lhes esclarecidos os motivos, finalidades e métodos utilizados para esse fim. Além disso, participaram do presente estudo somente as pessoas voluntárias.
Dos casos contatados, de duas viúvas, não foram continuados por iniciativa da pesquisadora. A primeira, que inicialmente aceitou ser entrevistada, quando da confirmação do encontro (24h antes), mostrou respostas defensivas e desconforto a partir de dificuldades diversas e sequenciadas sobre o horário, o dia e posteriormente o local. A tonicidade de sua voz apresentava sentimentos de defesa e cuidado auto dirigido, como se o horário, local e dia lhe causassem prejuízos práticos, aparentemente, não relativos à entrevista. Ao percebermos que a retomada e exposição de suas lembranças pudessem deixá-la vulnerável, interrompemos a confirmação do encontro voltando a perguntar como se sentia, expondo nossa possível sensação de desconforto percebida nesse contato. Diante desta intervenção, Carolina2 esclareceu que não gostaria de voltar a falar no acidente e que tinha um propósito de deixar sua viuvez no passado.
O segundo caso, Laura3, que tinha se mostrado bastante disponível no primeiro contato, no dia da confirmação do encontro solicitou alteração da data da entrevista para uma semana posterior. Decorrido esse período, novamente durante o telefonema de confirmação sobre o local e o horário, percebemos o mesmo desconforto, porém, neste momento, revelado por uma insegurança quanto à invasão de privacidade.
A viúva procurou reforçar sua credibilidade na ética deste tipo de estudo, mas ainda assim temia sua exposição pública e a de seus filhos, pelas abordagens sofridas anteriormente pela imprensa. Neste sentido, solicitou-nos uma mensagem por escrito, via e-mail, sobre: o objetivo da pesquisa, os termos de confidencialidade, dados do pesquisador bem como os do orientador, ao que foi prontamente atendida.
2 Este nome é fictício em função de preservar sua identidade. 3 Idem.
Em seguida recebemos um novo contato no qual ela confirmava o desejo de contribuir com os estudos sobre o acidente, mas solicitava um documento do orientador, por escrito, se responsabilizando pela preservação da privacidade de sua família. Entendemos que não era o fato de desacreditar na Instituição ou na pesquisadora, mas as várias tentativas de abordagem pela mídia e sentimento de invasão de suas memórias somadas à responsabilidade de cuidados com sua família, principalmente após o acidente, que a faziam sentir-se insegura.
Orientados pelas premissas de não-maleficência, tomamos a decisão de não dar continuidade ao processo, comunicando e buscando o apoio sempre presente de nossa orientadora, pois nos pareceu que o desconforto diante deste momento era um processo transferencial, no qual sua resistência nos pareceu um fator de proteção auto promovido. Apesar de pensarmos que este tipo de suporte é característico da terceira figura da supermodernidade, a do ‘eu’, na qual o espaço público não tem sentido de apoio promove o isolamento com a vivência de um luto cada vez mais privado, entendemos que o momento da interrupção da pesquisa poderia servir de conteúdo para uma reconstrução do sentido de suporte público.
c) No que se refere aos cuidados com os participantes
O direito à preservação da identidade das pessoas participantes foi preservado, não sendo divulgado nome ou qualquer outra informação que possibilitasse uma identificação. Para tanto, tomamos o cuidado de substituir os nomes reais por nomes fictícios sendo que, mesmo em futuros trabalhos e exposições de resultados da presente pesquisa (artigos, palestras, livros), qualquer dado que possa permitir a identificação dos mesmos será omitido, somente os característicos da amostra e relevantes para a análise serão revelados. Além disso, a transcrição na íntegra das entrevistas será parte de outro volume, ao qual somente a banca examinadora terá acesso.
Sabíamos que a participação na pesquisa poderia interferir no processo de luto dos entrevistados (Mazorra, 2009) sendo verificado seu bem-estar para a realização da entrevista, no final desta e em contato posterior. Oferecemos atendimento psicoterapêutico gratuito para quem não estava fazendo uso desse tipo de cuidado, bem como indicamos sua valia àqueles que avaliamos como estando em risco para o luto complicado (Mazorra, idem). Além disso, deixamos nosso contato, para o caso do participante querer algum tipo de esclarecimento ou fazer algum pedido ou queixa (Mazorra, idem).
d) No que se refere à pesquisadora
Mazorra (2009) aponta que a experiência em clínica e pesquisa com enlutados, formação educacional a respeito do luto e a busca de informação sobre os estudos mais atuais na área são importantes recursos que qualificam o pesquisador para a condução de seu trabalho. Nossa experiência de doze anos de trabalho em clínica psicológica e pesquisa com pessoas que tiveram algum tipo de vivência em catástrofe, bem como nossa formação educacional a respeito do luto e a busca de aprofundamento teórico em estudos pós-graduados em Instituições acreditadas, qualificou-nos para a condução desta pesquisa.
Efetuar pesquisas com pessoas enlutadas implica entrar em contato com nossa própria vulnerabilidade perante perdas, sendo o processo de análise pessoal um recurso fundamental para entrar em contato com estas angústias podendo discernir questões pessoais das questões dos participantes (Mazorra, 2009). Identificamos que nosso processo psicoterapeutico foi de grande ajuda.
No período deste estudo vivemos perdas significativas, entretanto foi possível avaliar o comprometimento do manejo competente da intervenção uma vez que pudemos contar com a ajuda profissional durante todo o período deste estudo.
Para nós foi essencial estarmos atentos aos cuidados éticos, principalmente em se tratando de pessoas enlutadas por catástrofe, pois, ainda que todas as mortes sejam traumáticas, sabemos que algumas são mais que as outras em função da relação que o enlutado tinha com o morto e do tipo de morte que gerou a perda (Parkes, 2006 [2009]). No entanto, com os devidos cuidados éticos, foi possível minimizar os riscos e potencializar os benefícios da pesquisa, entendendo que também esta atuou como oportunidade para o enlutado compartilhar seus sentimentos (Mazorra, 2009).
O projeto da presente pesquisa foi aprovado pelo comitê de Ética em Pesquisa da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, no processo número 039/2010, em 01 de março de 2010; e somente após essa data foi iniciada a coleta dos dados.
e) A presente pesquisa foi publicada para que possa ser utilizada em proveito do bem comum;
f) Os resultados desta pesquisa estão disponibilizados para acesso de qualquer um dos participantes; e
g) As necessidades e reações dos participantes foram consideradas, uma vez que falar da sua perda poderia fazê-los reviver o ocorrido.
Garantidos os cuidados éticos, é possível reduzir os riscos ampliando os benefícios da pesquisa (Mazorra, 2009). Muito embora haja riscos, diversos estudos apontam que a oportunidade do enlutado compartilhar seus sentimentos, ocorrer o desencadeamento de insights sobre seu luto; o estabelecimento de espaço controlado com possibilidade de promoção de discussão aberta e a educação e o preparo de leigos e profissionais a respeito de luto são benefícios significativos que a pesquisa pode trazer (Kovács, 2003, Franco, 2005, Mazorra, 2009).