internacional.
Portanto, contribuir com as mudanças a serem operadas na universidade brasileira constitui-se o objeto de estudo deste trabalho e orienta a escolha do tema, do problema de pesquisa e dos objetivos, os quais encontram sustentação, interdisciplinarmente, em três áreas do conhecimento: Educação (Mídia do Conhecimento), Gestão do Conhecimento e Administração, conforme demonstrado no Diagrama 02.
Assim, a elaboração de um documento que possa contribuir com a melhoria da gestão institucional das Instituições de Educação Superior (IES) brasileiras desenvolveu-se um survey, com a participação de pró-reitores das 13 (treze) universidades, consideradas as de maior qualidade (Tops no ranking do INEP), a fim de responder ao seguinte problema de pesquisa:
Quais os indicadores de desempenho e práticas de gestão do conhecimento são considerados relevantes para compor
um referencial para a gestão de universidades? 1.2 OBJETIVOS GERAL E ESPECÍFICOS
1.2.1 Objetivo geral
Propor um referencial para subsidiar o desempenho da gestão das instituições de educação superior.
1.2.2 Objetivos específicos
Para alcançar o objetivo geral traçou-se os seguintes objetivos específicos:
a) Mapear as IESs brasileiras com melhor classificação no ranking do INEP/MEC;
b) Identificar indicadores de desempenho em gestão universitária;
c) Identificar práticas de gestão do conhecimento (métodos, técnicas e ferramentas) aplicáveis à gestão universitária;
d) Definir os elementos que compõem os processos de gestão institucional contemplando indicadores de desempenho e práticas de gestão do conhecimento.
1.3 JUSTIFICATIVA
Escuta-se, atualmente, o clamor da sociedade e do mercado de trabalho, por uma educação formal de qualidade que prepare os profissionais para uma economia cada vez mais globalizada e inserida em um mundo de grandes transformações sociais, culturais, econômicas e organizacionais.
Para Almeida et al. (2001) as universidades têm por finalidade a produção de conhecimento, por intermédio da ciência e a transformação desse conhecimento em bens e produtos é de responsabilidade da tecnologia e das organizações. Porém transformar o conhecimento em novas competências, principalmente das novas gerações, é missão das universidades.
Porto e Régnier (2003) entendem que, embora não haja certeza sobre o novo paradigma de universidade que irá se consolidar ao longo do século XXI, estudos têm indicado um amplo conjunto de tendências e forças de mudanças em andamento, dentre as quais citam:
a) quebra do monopólio geográfico, regional ou local, com o surgimento de novas forças competitivas;
b) mudança do modelo organizacional do ensino superior, saindo do modelo tradicional para um mais inovador; c) transformação das universidades amplas, fortes e
verticalmente integradas em instituições mais especializadas e centradas no aluno (e não no professor);
d) significativa reestruturação da educação superior, através de fusões e incorporações e o desenvolvimento de projetos e operações de forma integrada;
e) surgimento de novos protagonistas, concorrentes e parceiros da universidade; novas formas de organização e gerenciamento acadêmico influenciadas pelas tecnologias;
f) incremento nos fluxos internacionais de estudantes; g) aumento da oferta de educação a distância e outras. Essa “nova” universidade precisa estar ajustada aos novos paradigmas de uma sociedade, onde o fator de produção mais importante é o conhecimento, requerendo a formação de pessoas com a mente aberta e capacidade de pensamento crítico e que sejam capazes de solucionar problemas, inovar e
liderar e cidadãos bem-educados com visão ampla e empreendedores dinâmicos, capazes de pensar de forma independente e original, (LEVIN, 2010).
Corroborando com essa reflexão, Tosta (2012) cita que as universidades têm sido reconhecidas como o elo necessário para a conquista do desenvolvimento econômico, cultural e social, por meio do tripé – ensino, pesquisa e extensão – e ela se constitui no grande diferencial de classificação dos países com mais desenvolvimento e os menos desenvolvidos.
Ainda, segundo Tosta (2012, p. 35):
Na prática, poucas são as universidades que alcançam um equilíbrio no desempenho de tais atividades. Entre as universidades públicas financiadas pelo governo, é mais comum essa indissociabilidade, entretanto, entre as instituições privadas ou públicas de direito privado, o foco acaba se voltando para o ensino, que é a atividade mais ‘lucrativa’, enquanto a pesquisa e a extensão acabam restritas por falta de recursos. Essa observação empírica não reflete certamente a realidade de todas as instituições, mas de uma grande maioria.
Tosta (2012) relata que a manutenção das atividades fins das universidades que constituem o suporte necessário para o desenvolvimento científico, tecnológico e cultural do País, não será possível sem o fortalecimento do setor público. No entanto, a exemplo de outros países, paralelamente, ao fortalecimento das instituições públicas, têm-se a expansão do setor privado, que deve continuar, mas com garantia da qualidade.
Buscando respostas para as transformações que as instituições de educação superior precisam fazer para a melhoria do desempenho em sua gestão é que se propôs, nesta tese, desenvolver um trabalho interdisciplinar, associando três áreas citadas no Diagrama 2.
Entende-se que várias são as contribuições que um trabalho de tese pode trazer à academia e à sociedade, que são: No que se refere à contribuição individual deste trabalho, pode-se afirmar que a escolha do tema e do objeto de pesquisa é decorrente da experiência profissional da pesquisadora em
gestão universitária e dos estudos desenvolvidos no Programa de Engenharia e Gestão do Conhecimento (PPEGC), da UFSC, nos cursos de Mestrado e de doutorado. Também, em termos práticos é a intenção de contribuir com a melhoria do desempenho das instituições, indicando diretrizes e práticas de gestão, consideradas relevantes por instituições consideradas tops no ranking do INEP/MEC.
Em relação à contribuição acadêmica e social, o interesse pela pesquisa e a contribuição deste trabalho é o de possibilitar um estudo técnico/científico com contribuições para o desempenho da gestão universitária, por intermédio de elementos de planejamento, gestão acadêmica e administrativa e avaliação institucional, fundamentada no paradigma da gestão do conhecimento, possibilitando uma melhoria da sua qualidade e uma melhor classificação nos rankings nacional e internacional.