Tal como foi apresentado ao longo do terceiro capítulo desta dissertação, trabalhar em conjunto permite obter benefícios diversos que, individualmente, qualquer organização jamais conseguiria alcançar, ou, então, demoraria imenso tempo. Como já foi referido a eurocidade é um projeto importante, no que toca à promoção da cidade, porém, simplesmente promove aquilo que cada cidade possui e não se verifica uma cooperação intercidades para melhorar e para aumentar o leque de ofertas turísticas.
“Infelizmente aqui em Chaves vivemos sempre muito fechados, é verdade! (…) tudo o que seja parcerias e cooperações se forem boas, e à partida serão boas, se forem frutíferas, é bom para os dois lados.” – Jorge Leite
Para aumentar o leque de ofertas disponíveis, devido à pequena dimensão da cidade, e uma vez que não só a cidade de Chaves, mas toda a região do Alto Tâmega (Boticas, Chaves, Montalegre, Ribeira de Pena, Valpaços e Vila Pouca de Aguiar) possuem recursos endógenos inigualáveis, aparentemente parece uma ótima iniciativa unir todos estes municípios do Alto Tâmega e criar um destino turístico. A região possui recursos suficientes para que o visitante crie, desde logo, uma empatia com cada um dos municípios em particular, e as gentes desta terra são tão acolhedoras que o viajante fica sempre com vontade de voltar. Chaves, como sendo o maior concelho da região do Alto Tâmega, acaba sempre por ser vitoriosa, pois tem mais ofertas a nível turístico, mas os produtos e serviços que os outros municípios têm para oferecer complementariam imenso a oferta.
“O que perdia Montalegre, Boticas, Valpaços, se a comunicação fosse feita de forma centralizada? Pode fazer cada um a sua parte, mas em comunicação, sem se atropelar uns aos outros realizando o mesmo tipo de eventos.” – Marta Costa
Quando questionada à cerca da possibilidade de a cooperação em forma de rede passar de uma cooperação somente dentro da cidade para um âmbito transfronteiriço ou inter-regional, Filipa Leite respondeu:
“Eu acho que o passo mais importante seria de regiões. Nós, é lógico, que aqui ao lado no concelho vizinho somos conhecidos, como eles são conhecidos por nós aqui também. Eu acho que o passo seria passar para um âmbito regional e poderia ser por aí, e fazer um crescimento desse ponto de vista, promoção turística e por aí fora.”
A região do Alto Tâmega é uma região pequena, com cerca de 89.000 habitantes ocupando uma área de aproximadamente 2.922 km2. Contudo, cada um dos seus municípios está a lutar por si. O que é que tem acontecido? Os municípios acabam por organizar o mesmo tipo de eventos. Por exemplo a feira do fumeiro é um evento realizado em Chaves, Boticas, Montalegre e Valpaços. Está cada um dos municípios a mandar estratégias de turismo, estratégias de comunicação, estratégias culturais cada um por si. Ou seja, as energias de cada um estão a ser gastas de forma individual, quando podiam unir-se, juntar as forças e desenvolver um destino turístico e tornar a região muito mais atrativa.
Tal como já foi referido anteriormente, ao longo do ano de 2017, a ACISAT em parceria com a ADRAT tiveram a ideia de criar uma rede de colaboração nos setores do turismo e agroalimentar ao nível do Alto Tâmega. Este projeto, apesar de ainda não ter trazido frutos, é um ótimo ponto de partida. Contudo, não é só o setor agroalimentar que está relacionado com o turismo nesta região. O Alto Tâmega possui outros produtos importantes que são uma fonte de atratividade turística e que complementam os produtos que a cidade de Chaves tem para oferecer, tais como: a truta e a vitela barrosã de Boticas, a sexta 13 e a prática de parapente e de Rally Cross em Montalegre, a ponte de arame e o Pena Aventura Park em Ribeira de Pena, o azeite e a castanha de Valpaços e, e o mel e as minas romanas de Vila Pouca de Aguiar, entre tantos outros.
“Eu acho que deveria ser criado um destino (…) Ribeira de Pena, o turismo ativo que é o turismo aventura, aqui o turismo termal, Montalegre turismo natureza, que já fazem lá provas de parapente. (…) criando um destino a força é completamente diferente (…) acho que dá para fazer aqui um destino fabuloso. E como se gastar aqui cinco ou seis dias, e ter todos os dias coisas diferentes para ver (…) Se criássemos um destino, organizássemos e depois o vendêssemos da forma que eu o estou a vender tenho a certeza absoluta que íamos ter um reflexo positivíssimo! Não tenho qualquer dúvida porque eu consigo em termos particulares, portanto também se conseguiria em termos globais. (…) Unir as regiões de uma forma diferente da que estão unidas hoje e organizarem-se em termos turísticos mesmo.” – João Guedes
O destino turístico tem a vantagem de ser visto como um elemento, mas também como vários, ou seja, tanto pode ser visto como uma entidade singular, neste caso o Alto Tâmega, que inclui todos os elementos que fazem parte da experiência turística, como: recursos naturais e culturais, atrações turísticas, meios de transporte, alojamento, restaurantes, entre outros. O que é facto é cada vez mais se verifica o desenvolvimento de novos destinos turísticos e como tal cria-se um mercado mais complexo e competitivo. Por isso, é fundamental que os membros do destino sejam extremamente dinâmicos, com uma boa visão, uma grande capacidade criar estratégias devidamente planeadas, e fundamentalmente, sejam capazes de cooperar entre si.
Posto isto, parece deveras vantajoso criar um destino que englobe toda a região do Alto Tâmega para, assim, poder criar uma oferta bastante diversificada e poder atrair um
municípios desta região, por exemplo através da atribuição de descontos em produtos e serviços, isso fará com que, provavelmente, os visitantes passem a visitar outras localidades da região, sem contar. Por exemplo, quando os visitantes se deslocassem ao complexo mineiro de Tresminas, em Vila Pouca de Aguiar, se fosse divulgada a existência do complexo mineiro do Vale Superior do Rio Terva, em Boticas, possivelmente ficariam com curiosidade em visitá-lo. E se não fosse daquela vez, certamente iriam ter o interesse em voltar, noutra ocasião.
“Por exemplo a nível do Alto Tâmega, só para não ir muito longe, poderia existir uma cooperação em rede entre os museus do Alto Tâmega. Não existe, cada um vive por si, cada um faz as suas coisas. Podíamos ser quase uma associação os museus do Alto Tâmega. Criar exposições em rede, sei lá, conferências, criar palestras, criar as mais variadas publicações e estudos, mas ser tudo uma rede e cooperarmos em rede.” – Jorge Leite
E mais uma vez se volta à importância da criação de rotas. Uma vez que a região é bastante semelhante, seria possível fazer a criação de rotas, como a dos castelos por exemplo. E há outra rota ainda, que, embora seja a única oficialmente existente no concelho de Chaves, a rota da água, poderia ser perfeitamente melhorada, uma vez que essa rota simplesmente inclui as águas presentes na eurocidade, ou seja, Verin-Chaves e Vidago. Porém, bem perto, e pertencentes à região do Alto Tâmega, igualmente existem as águas das Pedras, no concelho de Vila Pouca e a água de Carvalhelhos, em Boticas.
Em dezembro de 2017 foi apresentado o projeto “Eurocidade 2020: a Eurocidade Chaves-Verin”. No boletim municipal de fevereiro de 2018 vêm descritas as atividades propostas para esse projeto, entre as quais se destacam: reforço da cooperação institucional entre Chaves e Verin, a ampliação do espaço territorial de atuação da AECT, com a incorporação da Comunidade Intermunicipal do Alto Tâmega e a Mancomunidade de Verin e a promoção de uma rede de postos de turismo da eurocidade. Ao que tudo indica esse projeto trará imensas vantagens. Aparentemente a junção da região do Alto Tâmega ao projeto Eurocidade poderá vir a ser uma mais valia, uma vez que toda esta zona é muito pequena, muito próxima e com caraterísticas bastante semelhantes. Cada um dos municípios possui as suas caraterísticas particulares, que quando unidos são capazes de criar um destino capaz de atrair pessoas com gostos muito distintos!
“Os espanhóis já alargaram a eurocidade para mais seis concelhos, coisa que nós ainda não fizemos, que é para terem um bocadinho mais de peso, pois da parte espanhola, toda a região de Verin, se pensarmos no que há à volta de Verin, são todos sítios muito pequenos com pouquíssima população, portanto uma eurocidade para ter alguma dimensão tem que ter pessoas. Se a região, por si só, a inicial, tinha pouca população, só alargando a região é que podemos aumentar o número de pessoas (…) mas é uma coisa que eu não me importaria, aliás vejo com bons olhos, se a euro cidade começasse a englobar também da parte portuguesa o Alto Tâmega todo.” – João Guedes
Como já foi referido anteriormente, atuar em forma de rede, no ramo turístico, trás imensos benefícios, não só para a região, mas também para as entidades envolvidas. Contudo, se há assim tantos benefícios com a rede, porque será que os empresários locais não se conseguem juntar? A nossa sociedade exibe, em geral, uma fraca inclinação para a cooperação, especialmente quando se fala de cooperação não hierarquizada, e em Chaves isso é muito visível, especialmente quando se fala em organizações do mesmo setor, uma vez que as pessoas dificilmente concordam em ajudar o seu concorrente. A resistência à formação de redes é, muitas vezes, explicada pela enorme competitividade do setor e igualmente pelo comportamento individualista dos gestores organizacionais, que apenas pensam em atingir os seus próprios lucros.
“O ideal seria juntarmo-nos e fazer se calhar alguma coisa, algum evento… talvez se calhar fosse melhor isso do que outras coisas, mas aqui em Chaves ninguém se consegue juntar!” – Jorge Fernandes
Em suma, os principais objetivos de uma rede de atores turísticos para o desenvolvimento turístico do concelho de Chaves, ou até mesmo da região, deve incidir essencialmente na definição de estratégias para o sucesso do destino e na coordenação de esforços para que isso seja possível. Como tal é fundamental que exista a partilha de informação entre as partes e a capacidade de colaborar em iniciativas conjuntas.
7.5 Síntese e conclusão
Ao longo deste capítulo foram descritas as relações que estão devidamente formalizadas entre os atores turísticos presentes na cidade de Chaves. Seguidamente foi explicado
porque é tão atrativo colaborar em rede a nível turístico e que tipo de cooperações podem ser criadas.
Na primeira secção do capítulo, é relembrada a forma como o turismo tem sofrido alterações ao longo das últimas décadas e a forma como se está a tornar cada vez mais exigente, sendo, por isso, fundamental unir esforços para tornar os destinos completos e atrativos. Em seguida, foram identificados os tipos de organizações que pertencem ao setor turístico e a forma como podem exercer impacto sobre o mesmo, bem como o tipo de relações que estão devidamente formalizadas entre estas organizações e a forma como a comunidade local está envolvida.
Na segunda secção é sublinhou-se a importância de trabalhar em rede bem como os benefícios que advém desse tipo de cooperação. Foram descritos alguns tipos de cooperação que poderiam ser criadas para tornar a cidade de Chaves mais atrativa.
Por fim, na terceira secção, foram explicados os benefícios resultantes do conceito de destino turístico alargado a toda região do Alto Tâmega, de forma a poder criar um destino turístico com uma vasta oferta e cativar um público alvo muito maior. Referia-se, ainda, o interesse para o concelho de Chaves da inclusão da região do Alto Tâmega à eurocidade uma vez este município já pertence a ambas.