7. Les ambitions et hypothèses retenues du plan d’aménagement numérique des Vosges à horizon 2017
7.2 Déploiements programmés par l’initiative publique pour la phase 2 (2018-2022)
Segundo Foucault (2000A), a análise do campo discursivo, ou seja, a descrição dos acontecimentos discursivos, deve estabelecer-se no domínio das coisas ditas,
36 Altman (2003) não determina um início porque, segundo ela, a lingüística resulta de um longo e descontínuo processo de cientifização e institucionalização dos estudos lingüísticos no Brasil, que o antecede e o contextualiza.
domínio imenso constituído por todos os enunciados efetivos que tenham sido ditos ou escritos. Esses já-ditos devem ser considerados em sua instância e dispersão de acontecimento, na busca das unidades aí formadas:
É preciso estar pronto para acolher cada momento do discurso em sua irrupção de acontecimentos, nessa pontualidade em que aparece e nessa dispersão temporal que lhe permite ser repetido, sabido, esquecido, transformado, apagado até nos menores traços, escondido bem longe de todos os olhares, na poeira dos livros. Não é preciso remeter o discurso à longínqua presença da origem; é preciso tratá-lo no jogo de sua instância. (idem, p. 28).
Se o campo dos acontecimentos discursivos é um conjunto finito e limitado das seqüências lingüísticas formuladas, deve-se compreender o enunciado em sua situação singular e estreita, determinar as suas condições de existência, fixar seus limites, correlacioná-lo a outros enunciados aos quais possa estar ligado e mostrar quais exclui.
O que importa não é buscar o enunciado oculto sob o manifesto, mas mostrar por que aquele e não outro, excluído, como ele aparece entre outros, relacionado a outros, naquele lugar e não em outro. O enunciado deve surgir em sua irrupção histórica, como um acontecimento que não pode se esgotar nem na língua nem no sentido, visto que deve ser buscado em sua singularidade.
É na configuração do campo enunciativo que Foucault descreve as formas de coexistência dos enunciados, que delineiam:
- um campo de presença: compreende os enunciados já formulados e retomados em um discurso como verdade admitida, descrição exata, raciocínio fundado ou pressuposto necessário; os enunciados criticados, discutidos e julgados; e aqueles que são rejeitados ou excluídos. São relações implícitas e às vezes formuladas em enunciados especializados como referências, discussões críticas ou implícitas. Ambas podem ser da ordem da verificação experimental, da validação lógica, da repetição pura e simples, da aceitação justificada pela tradição e pela autoridade, do comentário, da busca das significações ocultas, da análise do erro;
- um campo de concomitância: compreende enunciados que se referem a domínios de objetos diferentes, pertencentes a discursos diversos, mas que atuam entre os mesmos enunciados. Isso porque valem como confirmação analógica, princípio geral, premissas aceitas, como modelos a serem transferidos a outros conteúdos ou “porque funcionam como instância superior com a qual é preciso confrontar e submeter, pelo menos, algumas proposições que são afirmadas”. (idem, p.65);
- um domínio de memória: compreende enunciados que não são nem mais admitidos nem discutidos. Ou seja, não se definem mais como corpo de verdade nem como domínio de validade, pois estabelecem com outros enunciados laços de filiação, gênese, transformação, continuidade e descontinuidade histórica.
A análise do campo enunciativo, que deve levar em consideração o já-dito, trata os enunciados em relação aos outros enunciados, isto é, a um conjunto de já-ditos. Se a modificação dos enunciados implica a existência de uma memória, qualquer discurso contém informações já enunciadas. Para Foucault (idem, p. 142), na análise devem ser considerados alguns aspectos em relação a esses enunciados.
O primeiro deles coloca que os enunciados devem ser considerados na
reminiscência que lhes é própria. Não é o retorno ao acontecimento passado, nem da
permanência na memória nem do reencontro com o que se queria dizer. Trata-se da sua conservação graças a suportes e técnicas materiais (o livro, por exemplo), instituições (como a biblioteca), modalidades estatutárias. Os enunciados são investidos em técnicas que lhes permitem serem aplicados em relações sociais que se constituíram ou se modificaram através deles. Assim, “as coisas não têm mais o mesmo modo de existência, o mesmo sistema de relações com o que as cerca, os mesmos esquemas de uso, as mesmas possibilidades de transformação depois de serem ditas” (idem, p. 143).
A abordagem dos enunciados na forma de aditividade é o segundo aspecto a ser considerado na análise. Diz respeito ao fato de que os enunciados não são um simples
ajuntamento de elementos sucessivos e que os tipos de grupamentos não são sempre os mesmos e definitivos para as categorias de enunciados.
Finalmente, a análise deve levar em consideração a recorrência, pois o enunciado pertence a um campo de elementos que o antecedem, em relação aos quais ele se situa. No entanto, ele pode reorganizá-los e redistribui-lo, se novas relações forem estabelecidas. porque
Ele constitui seu passado, define, naquilo que o precede, sua própria filiação, redesenha o que torna possível ou necessário, exclui o não pode ser compatível com ele. Além disso, coloca o passado enunciativo como verdade adquirida, como um acontecimento que se produzia, como uma forma que se pode modificar, como matéria a transformar, ou, ainda, como objeto de que se pode falar. (idem, ibidem).
O passado, aqui, não é um retorno, uma busca pelo estado inicial, uma temporalidade passível de retornar. Ele é agenciado pela análise enunciativa para caracterizar os enunciados no tempo em que eles subsistem, conservam-se, são reativados e utilizados ou esquecidos e, eventualmente, destruídos. Deve tratar-se, então, “enunciados na densidade do acúmulo em que são tomados e que, entretanto, não deixam de modificar, de inquietar, de agitar e, às vezes, de arruinar”. (idem, p. 144).