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O investimento é fundamental para o crescimento e desenvolvimento de toda economia. Porém, acaba sendo prejudicado quando o câmbio encontra-se valorizado, incentivando a importação de bens que acabam desestimulando a indústria nacional. Desse modo, os investimentos acabam sendo transferidos para os setores como o de serviços, o setor financeiro, construção e negócios imobiliários, agropecuária e mineração.

De acordo com Barros e Pereira, autores do texto “Desmistificando a tese da desindustrialização: reestruturação da indústria brasileira em uma época de transformações globais”, a evolução do investimento na indústria de transformação se encontra na mira dos investimentos diretos estrangeiros. Para os autores, a entrada total dos investimentos de origem externa alocados no Brasil para a indústria de transformação passou de 1,7 bilhões de dólares em 1996 para 13,5 bilhões de dólares em 2007, destacando o setor secundário como maior atrativo do total de investimentos, cerca de 40%, onde uma média de 55% destes é destinada ao setor de serviços, caracterizando uma tendência global para o setor.

Os estudos realizados pelo IEDI analisam a forma como o Brasil buscou soluções diante da instabilidade econômica, e concluem que a decisão de abertura comercial durante os anos 90 não teve sucesso, pois não houve o que se esperava diante dos investimentos realizados. Segundo IEDI (2005) durante a abertura econômica, medidas foram tomadas para

criar um ambiente econômico mais estável, de estabilidade macroeconômica e maior concorrência levando a um círculo virtuoso de crescimento. Como segue:

Como resultado, esperava-se um aumento na entrada de capital externo e de investimento direto, o que ampliaria a competição nos mercados domésticos e traria equipamentos e insumos mais modernos, promovendo a produtividade da economia. Como posteriormente seria constatado, parte considerável da entrada de investimento externo na década de 1990 dirigiu- se à compra de firmas locais (privadas e estatais privatizadas) e a taxa de investimento da economia manteve-se em patamar baixo. (IEDI, 2005, p.6)

Para IEDI (2005), ao mesmo tempo em que o processo de abertura econômica facilitou o acesso de investidores externos a política de juros interna em níveis muito elevados ao longo de todo o período, aliada ao alto grau de incerteza na economia, dificultaram as oportunidades aos investidores internos, gerando conseqüências negativas para o crescimento da economia. Como resultado, acabou diminuindo a demanda agregada de investimentos, o gasto público e também as exportações, comprometendo assim a produtividade industrial e, conseqüentemente, a competitividade da economia. Este estudo conclui que, mesmo sendo um país com grande possibilidade de crescimento econômico, verificou-se o processo de desindustrialização devido aos elementos apresentados.

Em síntese, mesmo sendo dotado de um parque industrial amplo e diversificado, verifica-se nos últimos anos um processo de desindustrialização que é fruto da combinação perversa de taxas de juros elevada e câmbio valorizado. Essa combinação inibe a expansão de investimento e das exportações, corroendo a competitividade e levando a perdas de produtividade na indústria. (IEDI, 2007, p.1)

Squeff (2012) analisa a composição do investimento pelos dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA), por intensidade tecnológica, entre os anos de 1996 e 2007, como mostra tabela 8 abaixo.

Tabela 8: Composição Do Investimento – Indústria De Transformação - Classificação Da OCDE Segundo Intensidade Tecnológica (1996 – 2007)

(Em %)

Fonte: Pesquisa Industrial Anual – Empresa, Do IBGE Elaboração: Squeff (2012)

A partir da tabela acima, podemos concluir que a participação dos grupos apresentou uma grande variação. Para os classificados como de baixo conteúdo tecnológico, o valor variou de 39,9%, em 1997 para 27%, em 2005, apresentando uma tendência de redução de participação do grupo de alta, a partir de 1999, e um enorme aumento dos bens de média- baixa intensidade que, desde 1999, respondem pela maior parte dos gastos com aquisição e melhoria de ativos imobilizados na indústria de transformação. Este último resultado foi fortemente influenciado pela atividade de refino de petróleo e coque, cuja participação no total investido no setor manufatureiro passou de 6,3%, em 1997, para 22,9%, em 2007.

Podemos concluir que, durante o período apresentado, ocorreu uma concentração do investimento em atividades de menor intensidade tecnológica especialmente nos setores ricos em recursos naturais, como refino de petróleo, o que pode ser descrito como doença holandesa. SQUEFF (2012)

Ao analisar o caso brasileiro, Nassif (2006) aponta para o fato da doença holandesa. Para o autor, a hipótese de desindustrialização ocasionada por doença holandesa, deverá apresentar redução dos investimentos, perda da participação do valor adicionado e das exportações em setores intensivos em tecnologia.

Sendo assim, Nassif (2006, p. 26) apresenta razões das quais se podem negar a ocorrência de desindustrialização no Brasil. Dentre eles, destaca o que setor de refino de petróleo “apenas reflete o progresso tecnológico de um ramo produtivo no Brasil”, haja vista a

disponibilidade de matéria-prima básica, alocando elevado montante de capital por unidade de produto gerado. A segunda razão mostra que os setores industriais com tecnologias intensivas em escala e baseadas em ciências mantiveram em 2004 praticamente a mesma participação no valor adicionado total que detinham em 1996

De acordo com o que foi apresentado até agora, existem apenas evidências para que seja, de fato, comprovado a existência da desindustrialização da indústria brasileira.

4.5.1 Perspectivas de Investimentos no Brasil para os Próximos Anos

Diante da importância do investimento para o progresso da economia de um país, serão apresentadas a seguir as perspectivas de investimento no Brasil para os próximos anos. Durante a metade do ano de 2012 até os dias atuais, o governo vem incentivando a indústria nacional com políticas econômicas. Dentre elas, diminuindo a taxa de juros, reduzindo impostos, taxando importações. Com isso espera-se o aumento dos investimentos das indústrias no Brasil.

Um estudo realizado pela Confederação Nacional da Indústria, CNI, revelou que o principal foco dos investimentos em 2013 é atender o mercado interno (80,6%), enquanto somente 4,7% das empresas investirão para exportar, o percentual mais baixo em dez anos. Segundo Flávio Castelo Branco, gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, “a alta prioridade dada ao mercado interno em detrimento de investir para exportar é explicada pela retração da demanda internacional, provocada pela crise econômica”. (CNI, 2013, pg 1)

Figura 4: Percentual De Empresas Que Pretendiam Investir No Período 2010 - 2013

Fonte: CNI

De acordo com a CNI (2013), a intenção de investimentos das empresas industriais para 2013 aumentou 5,2 pontos percentuais sobre os investimentos efetivamente realizados em 2012, porém esse valor é o menor desde 2009, quando 86,6% das indústrias anunciaram a propensão de investir no ano seguinte. A principal razão do aumento dos investimentos para 2013, de acordo com a pesquisa realizada com a indústria, é fruto de um melhor processo produtivo seguido pela ampliação da capacidade de produção. De acordo com a pesquisa, as empresas estão mais dispostas a comprar máquinas e equipamentos em 2013 em relação a 2012. 38,5% das empresas pesquisadas apontaram a importação desses itens, levando a um aumento das importações nestas compras.

86,6% 92,0% 86,6% 85,4% 82,0% 84,0% 86,0% 88,0% 90,0% 92,0% 94,0% 2010 2011 2012 2013

Figura 5: Percentual De Empresas Que Investiu Em 2012 E Pretendem Investir Em 2013

Fonte: CNI

De acordo com as empresas pesquisas, a CNI (2013) concluiu que apenas 50,2% delas realizaram, em 2012, o investimento conforme o planejado, fruto da incerteza econômica e reavaliação da demanda.

Conforme apresentado, as perspectivas de investimentos para 2013 superam as de 2012 em 5,2%. Mais investimento significa mais pessoas empregadas, maior produtividade e maior valor agregado. Com isso, espera-se incentivar a indústria e minimizar os efeitos do processo de desindustrialização.

Na seção seguinte, será apresentando a dinâmica das exportações, das importações e o saldo comercial brasileiro a partir dos anos 70.

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