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départementale de Vaucluse de l'ARS PACA

Em 1963, parte das atividades do MAMBA foram instaladas no Solar do Unhão, um conjunto arquitetônico do final do século XVI constituído de casa-grande, capela, galpões e depósitos, pátio de serviço e atracadouro, situado às margens da Baia de Todos os Santos. Em novembro daquele ano foi inaugurado o Museu de Arte Popular – MAP após o restauro do Solar, com a apresentação das exposições “Nordeste” e “Artistas do Nordeste”. Lina Bo Bardi desenvolve o projeto e conduz as obras de

restauro e adaptação do conjunto arquitetônico. Na intervenção, além de conservar e recuperar, Lina Bo demoliu muitas partes acrescentadas ao longo do tempo (Fig. 46). Na área onde havia uma fábrica de rapé e um depósito de combustível implantado pela Marinha os acréscimos foram removidos deixando uma praça atrás da capela com vista para a baía. O acréscimo colocado na frente da capela que estava sendo utilizada como moradia coletiva também foi retirado.

Ainda que o Solar do Unhão fosse um conjunto patrimonial tombado pelo SPHAN em 1943, sua existência, relevância histórica e arquitetônica estava esquecida. O conjunto foi revelado quando iniciaram as obras da construção da Avenida do Contorno ligando a cidade baixa aos bairros novos no entorno do Campo Grande. Esta avenida é uma extensa rampa inteiramente artificial, vencendo um desnível de cerca de 60m, construída sobre estruturas de concreto e aterros entre a borda da Baia de Todos os Santos e a encosta do altiplano onde foi fundada a cidade. Sua construção fazia parte de um conjunto de obras públicas implementadas para transformar Salvador em polo turístico nacional aproveitando os traços da cidade colonial e a disponibilidade de recursos financeiros oriundos da instalação da Petrobrás na Bahia. O projeto original da Avenida do Contorno desconsiderava a existência do Solar. Mesmo se tratando de um conjunto arquitetônico tombado, o primeiro traçado demolia as instalações do Unhão. O arquiteto Diógenes Rebouças, integrante dos quadros do Sphan-Ba propõe então outro traçado para a pista que preservava o conjunto histórico. Com esta solução o estado desapropriou o Solar e destinou-o ao MAMBA. As obras de restauro duraram oito meses e foram realizadas no mesmo tempo de execução da avenida utilizando parte dos recursos destinados a obra viária.

FIGURA 46 – Solar do Unhão

Fonte: Ortega (2008, p. 220)

O projeto de reciclagem elaborado por Lina Bo Bardi previa a adaptação dos edifícios existentes para a instalação do centro de documentação do Nordeste, do Museu de Arte Popular – MAP, e das oficinas de artesãos da escola de design industrial. Não se tratava, portanto, de adaptar o conjunto de edifícios para transferir o Museu de Arte Moderna. Assim, na casa-grande foi instalado o MAP. A intervenção retirou todas paredes internas resultando em duas grandes galerias de exposições retangulares sobrepostas, medindo 18 x 26m (Fig. 47). O único elemento novo acrescentado foi uma escada de madeira de caráter escultórico ligando as duas

galerias, executada com a mesma técnica de encaixe de peças utilizada na confecção das carretas de boi usuais no interior da Bahia (Fig. 48).

No pavimento superior, a cobertura de telha-vã colabora na constituição do caráter de registro histórico do edifício reforçado pela recuperação do assoalho de tábuas largas usual nos edifícios do período colonial existentes em Salvador. A capela passou por um processo de limpeza com a retirada dos tabiques internos que dividiam o espaço da nave e da abside, restituindo a sua configuração original. Nos planos traçados por Lina Bo Bardi a capela foi restaurada para abrigar o centro de documentação sobre arte popular. Seria um repositório de objetos para estudo que ficariam guardados no espaço do coro e das alas laterais. A mesma intervenção de desobstrução e limpeza foi realizada em todos os galpões mantendo-se apenas os elementos necessários para conservar as características construtivas do ponto de vista estrutural. Nestes galpões seriam instaladas as oficinas ateliers de produção de protótipos.

Figura 47 – MAMBA-MAP no Solar do Unhão

Fotografia 1 – Galeria no primeiro pavimento. Fonte: Ferraz

(1993, p. 162) Fotografia 2 – Solar do Unhão – casa-grande. Fonte: Ferraz (1993, p. 156)

Fotografia 3 – Galeria no segundo pavimento. Fonte: Ferraz (1993, p. 163)

Planta do primeiro pavimento.

FIGURA 48 – Escada na casa-grande do Solar do Unhão

O Solar do Unhão foi aberto ao público em 1963 após a conclusão das obras de restauro com a apresentação de duas exposições. Uma mostra coletiva de arte denominada “Artistas do Nordeste”, com aproximadamente 200 trabalhos de 57 pintores, gravadores e desenhistas contemporâneos do Ceará, da Bahia e Pernambuco, apresentados em cavaletes constituídos por ripas de madeira sem acabamento que iam do piso ao teto, montada no galpão fronteiriço ao casarão e nos pavilhões destinado às oficinas (Fig. 49). A outra, denominada “Nordeste” inaugurou o Museu de Arte Popular do Solar do Unhão. Apresentou cerca de mil objetos cotidianos de fatura popular coletados nestes estados a partir de um grande levantamento realizado por Lina Bo Bardi pela região nordestina com a colaboração de artistas e outros diretores de museu. Os objetos provenientes da Bahia foram adquiridos nas feiras populares de São Joaquim e Água de Meninos e do interior do estado. Os objetos provenientes do Ceará foram cedidos pelo Museu de Arte da Universidade do Ceará e os objetos de Pernambuco foram obtidos com o Movimento Popular de Cultura57. As exposições contaram com a colaboração de Lívio Xavier e de Francisco Brennand na curadoria. A apresentação das duas mostras subvertia a hierarquia da arte ao expor a arte erudita nos galpões e os artefatos populares anônimos na casa-grande.

57 O Movimento Popular de Cultura foi criado pela prefeitura municipal do Recife, na gestão de Miguel Arraes, contando com educadores, artistas e intelectuais empenhados em dinamizar as atividades culturais e diminuir o analfabetismo (LOURENÇO, 1999, p. 193. Nota 30).

FIGURA 49 – Exposição Artistas do Nordeste, 1963

Fonte: Oliveira (2007, p. 103)

A exposição “Nordeste” ganhou posição de destaque ao ser montada na casa- grande ocupando os dois pisos do Solar. A ênfase era decorrente de seu propósito. Enquanto a primeira mostra dava continuidade a divulgação e valorização dos artistas locais e regionais, a segunda se vinculava ao ato inaugural do Museu de Arte Popular e de instalação da escola de desenho industrial. Na abertura do Solar e das exposições não houve solenidade e discurso de inauguração, entretanto, o convite oficial já mostrava uma apropriação dos conteúdos da cultura popular para o qual se destinavam os novos edifícios e a nova instituição criada naquele ato (Fig. 50).

Tampouco foi editado um catálogo das mostras, apenas apresentado na entrada do Solar um contundente manifesto de natureza política redigido por Lina Bo chamando a atenção para a situação de miséria da população do Nordeste e destacando a luta humana pelo direito à vida, num esforço que, mesmo sendo realizado em condições adversas, ainda assim produz uma cultura artística singular.

Esta exposição que inaugura o Museu de Arte Popular do Unhão deveria chamar-se Civilização do Nordeste. Civilização. Procurando tirar da palavra o sentido áulico-retórico que a acompanha. Civilização é o aspecto prático da cultura, é a vida dos homens em todos os instantes. Esta exposição procura apresentar uma civilização pensada em todos os detalhes, estudada

tecnicamente (mesmo se a palavra “técnico” define aqui um trabalho primitivo), desde a iluminação às colheres de cozinha, às colchas, às roupas, bules, brinquedos, móveis, armas. É a procura desesperada e raivosamente positiva de homens que não querem ser “demitidos”, que reclamam seu direito à vida. Uma luta de cada instante para não afundar no desespero, uma afirmação de beleza conseguida com o rigor que somente a presença constante de uma realidade pode dar.

Matéria prima: o lixo. Lâmpadas queimadas, recortes de tecidos, latas de lubrificantes, caixas velhas e jornais. Cada objeto risca o limite do “nada” da miséria. Esse limite e a contínua e martelada presença do “útil” e “necessário” é que constituem o valor desta produção, sua poética das coisas humanas não-gratuitas, não criadas pela mera fantasia. É neste sentido de moderna realidade que apresentamos criticamente esta exposição. Como exemplo de simplificação direta de formas cheias de eletricidade vital. Formas de desenho artesanal e industrial. Insistimos na identidade objeto artesanal-padrão industrial baseada na produção técnica ligada à realidade dos materiais e à abstração formal folclórico-coreográfica. Chamamos este Museu de Arte Popular e não de Folclore por ser o folclore uma herança estática e regressiva, cujo aspecto é amparado paternalisticamente pelos responsáveis da cultura, ao passo que arte popular (usamos a palavra arte não somente no sentido artístico, mas também no de fazer tecnicamente), define a atitude progressiva da cultura popular ligada a problemas reais.

Esta exposição quer ser um convite para os jovens considerarem o problema da simplificação (não da indigência), no mundo de hoje; caminho necessário para encontrar dentro do humanismo técnico, uma poética. Esta exposição é uma acusação. Acusação de um mundo que não quer renunciar à condição humana apesar do esquecimento e da indiferença. É uma acusação não- humilde, que contrapõe às degradadoras condições impostas pelos homens, um esforço desesperado de cultura (Lina Bo Bardi, apud FERRAZ, 1993, p. 158).

O tema da exposição dava continuidade a documentação da arte popular tratado na exposição de 1959, mas aqui, o conteúdo encaminha a discussão para o âmbito do design. Se na exposição anterior o Nordeste se apresentava à São Paulo reivindicando em meio à uma Bienal nos moldes tradicionais da Arte com A maiúsculo o seu direito a ser também arte, na exposição “Nordeste” os objetos já deixaram para trás a reivindicação do seu direito ao artístico. A tarefa era compor o discurso de criação junto ao MAMBA e ao Museu de Arte Popular, do Centro de Documentação sobre Arte Popular e de uma escola de desenho vinculada a um projeto de desenvolvimento industrial da região. Para isso, na concepção de Lina Bo Bardi, era fundamental que fosse compreendido nestes objetos o sentido de fazer técnico na gênese da palavra arte, oposto à ideia de arte pela arte.

FIGURA 50 – Convite para inauguração do conjunto arquitetônico do Unhão

Fonte: Oliveira (2007, p. 35)

A exposição tinha caráter de manifesto sobre a capacidade criativa da população da Bahia e do Nordeste presente nas soluções técnicas para problemas do cotidiano. Os objetos foram selecionados e apresentados não pelo valor estético, mas como testemunha cultural de resistência perante as condições precárias de pobreza e miséria da população que se vê obrigada a retirar do lixo a matéria-prima para tal produção. Objetos pobres e utilitários que revelavam a força criativa popular que poderia ser resgatada ao servir de modelo para o desenho industrial. A apresentação em ambiente de museu conferia dignidade a estes objetos portadores de uma estetização pragmática e política.

Os objetos expostos compunham conjuntos de peças classificados em utilitários, rituais, religiosos e de fruição e expostos por grupos acentuando seu caráter de série e exemplaridade com obras em trançados de palha, cerâmica, utensílios domésticos, roupas, armas, couro, latarias, brinquedos, flores, imaginário, baús,

carrancas, ex-votos, carros-de-boi. A exposição ocupou os dois pavimentos da sede do solar com ambientações distintas (Fig. 51). No térreo a forma de apresentação dos objetos se aproxima da exposição Bahia isolando os objetos e apresentando-os sobre suportes individuais e ressaltando a presença e as características de cada objeto. No entanto, a ambientação é despojada sem os recursos cenográficos daquela mostra. Nesta galeria foram apresentados os objetos de maior volume como as carrancas, pilões e jangadas tendo seu caráter escultórico destacado pelo projeto expográfico. O primeiro objeto apresentado era a estátua do Caboclo, símbolo da independência da Bahia, apoiada sobre um pequeno suporte de caixote ao lado de uma jangada sobre o piso. Ocupando a posição central nesta galeria seis pilões de madeira colocados sobre pequenas bases com os socadores suspensos presos a um fio por uma das extremidades destacam-se por seu caráter escultórico.

Outro objeto que ganha posição de destaque desde a exposição “Bahia” são as carrancas utilizadas na proa das embarcações que navegam no Rio São Francisco. São objetos entalhados em madeira medindo cerca de 1,50m de comprimento. Algumas das peças expostas dispunham de orifício na parte superior da cabeça para colocação de penacho. Foram expostas com a mesma inclinação com que se fixam na proa das embarcações sobre uma base feita de cubos de concreto das quais saiam uma haste metálica onde se encaixavam as peças. As carrancas assim expostas adquiriam um caráter escultórico. Suas formas e a economia de traços remetiam às esculturas africanas tão apreciadas pelas vanguardas modernistas por sua forte expressão geométrica.

Ainda no térreo, dois expositores apresentavam acumulações de objetos. O primeiro com uma coleção de pequenas imagens de barro provenientes de Itabaianinha (Sergipe), mostrados em uma grande estante horizontal apoiada em um pilar central de madeira. O segundo apresentava um conjunto de ex-votos esculpidos em madeira de tamanhos e formas variadas em uma estante vertical de madeira. Completando a expografia desta galeria um pano pendurado apresentava pequenos livros de literatura de cordel mostrados pela capa feita com a técnica da xilogravura.

No andar superior a expografia buscava reproduzir o ambiente das feiras e mercados populares. Os objetos foram apresentados em grandes expositores misto de estante e armário contendo muitas peças próximas entre si e dispostas lado-a- lado, de modo que o olhar abarca todo o conjunto exposto. Esta apresentação

assemelha-se ao que se via nos locais de venda destes objetos reproduzindo o ambiente das feiras e mercados populares de onde procederam parte dos objetos expostos. Neste espaço, apresentar o objeto isolado e ressaltar a peça única perde importância, ao contrário, interessa mostrar os objetos misturados, sobrepostos, repetidos, revelando seu processo de produção e as pequenas variações de forma, tamanho e coloração. Nesta galeria estavam expostos objetos de cozinha e outros utensílios como vasos, vasilhas, potes, panelas, cumbucas, tigelas, cestas, garrafas, conjunto de colheres de pau, conchas, batedores de carne, bules e canecas de lata, grelhas de ferro, abanos de palha de coqueiro (para abanar o fogo), fogareiros, peneiras, baldes, bacias. Diversas lamparinas feitas de folha de flandres, fifós, castiçais, candelabros em formatos variados alinhados em estantes com variações na forma final, mas todos trazendo na essência a referência a um, a existência de um mesmo tipo a partir do qual tais variações formais foram elaboradas. No vão acima da escada várias redes de deitar foram presas ao teto marcando o acesso desta galeria. A expografia utiliza recursos simples com expositores que ganham densidade material: estantes rústicas compostas com caixotes de madeira; paineis de tábuas verticais onde estão penduradas colheres de pau e peneiras. Expositores que mantêm a separação tipológica dos objetos apresentados em grupos com peças repetidas, evidenciando o caráter anônimo e coletivo para que o visitante percebesse como conjunto, grupos, corpus, tipos.

Figura 51 – Exposição Nordeste, 1963

1/2/3. Pilões, índio. Fonte: Latorraca (2014, p. 139) 4. Carrancas. Fonte: Machado (2014, p. 79)

6. Armários com ex-votos. Fonte: Suzuki

(1994, p. 30) Cartaz promocional da exposição. Fonte: Ferraz (1993, p. 158) 9. Armário com figuras de cerâmica. Fonte: Ferraz (1993, p. 160) 16. Redes penduradas. Fonte: Ribeiro (2016, p. 113)

12. Grande armário dos objetos. Fonte: Latorraca (2014, p. 141) Planta do primeiro pavimento. Fonte: Ribeiro (2015, p. 159)

Parte da exposição “Nordeste” foi levada para Itália em 1965 para ser apresentada em Roma na Galleria Nazionale d’Arte Moderna. Lina Bo Bardi selecionou objetos representativos da primeira mostra reduzindo a quantidade e variedade dos conjuntos originais de cada tipo. A expografia também foi simplificada com expositores do tipo varal, cavaletes e plintos confeccionados com sarrafos de madeira sem pintura (Fig. 52). A exposição se chamava “Civilização do Nordeste”.

FIGURA 52 – Montagem da exposição Civilização do Nordeste, 1965

Fonte: Latorraca (2014, p. 38)

Ainda na fase de montagem a exposição teve sua apresentação cancelada pela Embaixada do Brasil na Itália cumprindo uma determinação do governo brasileiro sob a alegação de que tal mostra de objetos populares, pobres e grotescos, não poderia ser exibida no exterior pois comprometeria a imagem do Brasil nos países onde fosse apresentada. Na sequência dos acontecimentos os objetos foram encaixotados e enviados de volta para o Brasil. Na ocasião, o teórico e historiador de arquitetura Bruno Zevi, antigo sócio de Lina Bo Bardi na edição da revista “A – Attualità,

Architettura, Abitazione, Arte”, na década de 1940, publicou o artigo “L’ Arte dei poveri fá paura ai generali”, na edição de 14 de março de 1965 do jornal L’ Espresso, de

Roma58, denunciando o governo brasileiro por tentar esconder o “interior faminto do continente, à realidade do País (...), da miséria e da cultura”. A coleção de objetos reunidos por Lina Bo no período de 1958-64 ficou com destino incerto após retornar da Itália. No caminho de volta, alguns volumes retornaram para o Solar do Unhão. Uma pequena parte do material foi apresentada na mostra “A mão do povo brasileiro” montada no MASP na galeria situada abaixo da Pinacoteca (Fig. 53), complementada com peças obtidas em antiquários de São Paulo e do Rio de Janeiro. Esta mostra dá início a terceira fase da expografia desenvolvida por Lina Bo Bardi agora caracterizada pela retomada do repertório de recursos expositivos criados anteriormente. Deste ponto em diante as exposições com as quais se envolverá podem ser consideradas variações dos recursos criados até 1968.

FIGURA 53 – Exposição A mão do povo brasileiro, 1969

Fonte: Latorraca (2014, p. 158)

58 Este artigo traduzido para o português foi publicado no livro Tempos de Grossura: o design no impasse (SUZUKI, 1994).

Outra parte da coleção com cerca de 800 peças, compôs em 2009 a exposição “Fragmentos: artefatos populares, o olhar de Lina Bo Bardi”, apresentada no Centro Cultural Solar Ferrão, no centro histórico de Salvador, com curadoria e expografia de André Vainer e Daniel Rangel (Fig. 54). Vainer conviveu com Lina Bo na década de 1980 quando ainda estudante de graduação em arquitetura iniciou sua colaboração com a arquiteta no projeto para o Centro de Lazer SESC – Fábrica da Pompéia. A exposição “Fragmentos” tem um duplo papel ao retomar os objetos populares reunidos pela arquiteta e por fazer uma interpretação de sua expografia fora das galerias do MASP, atualizando-a para o momento presente e demonstrando sua potencialidade para a expografia contemporânea.

FIGURA 54 – Exposição Fragmentos: artefatos populares, o olhar de Lina Bo Bardi, 2009

Fonte: http://www.andrevainerarquitetos.com.br

Finalmente, o arco do tempo trás de volta ao Parque Ibirapuera a curadoria e a expografia de Lina Bo Bardi, 45 anos depois da montagem de “Bahia no Ibirapuera”, com a inauguração em 2004 do Museu Afro-Brasil, de Emmanoel Araújo (Fig. 55). Aqui o mesmo olhar sobre a população e a cultura popular são retomados com uma

expografia fortemente inspirada nas criações da arquiteta. A nosso juízo, este museu demonstra toda potencialidade imaginativa da museografia desenvolvida por Lina Bo Bardi e sua contribuição para a museologia brasileira.

FIGURA 55 – Museu Afro-Brasil

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