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Dépannage courant

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Résolution des problèmes

9. Résolution des problèmes

9.3. Dépannage courant

Ao ingressar no Curso de Doutorado em Educação, eu tinha o intuito de pesquisar aspectos relacionados aos estudantes com deficiência intelectual na Educação Superior, e queria fazer isso a partir de Vigotski. Portanto, iniciei meu percurso estudando a Teoria Histórico-Cultural, destacando-se a temática da pesquisa de e a partir de Vigotski, pesquisador que constitui a base teórica desta Tese.

Vigotski3 valorizou a estruturação do método de investigação, afirmando que

em “[...] cualquier área nueva la investigación comienza forzosamente por la búsqueda y la elaboración del método4” (VYGOTSKI, 2012k, p. 47). No texto “O problema e o

método de investigação”, Vigotski (2009a) explicitou seu método de pesquisa para atingir o objetivo de compreender as relações entre o pensamento e a linguagem. Defendeu a necessidade de “ter claro que métodos vai aplicar e se eles levarão a uma boa solução do problema” (VIGOTSKI, 2009a, p. 05). Problematizou como a relação entre o pensamento e a linguagem vinha sendo estudada até aquele momento, e constatou que “sempre oscilou entre dois extremos, ou entre a plena identificação e a plena fusão do pensamento com a palavra ou entre a plena separação e dissociação igualmente metafísica e absoluta”. Então, o problema consistia, de um lado, na identificação e na fusão desses conceitos e, por outro lado, na separação e na difusão entre eles presentes na Psicologia de Piaget e Stern5 da época. Assim, partindo da análise do que já existia sobre o tema, Vigotski investiu no estudo experimental da relação entre pensamento e linguagem.

A partir desse relato e dos passos percorridos por Vigotski na realização dessa pesquisa, compreendi a necessidade de definir o lugar que pretendo chegar, ou academicamente falando, o objetivo da minha Tese:

- Compreender as narrativas sobre os processos de aprendizagem dos estudantes com deficiência intelectual na Educação Superior, e, a partir dessas

3Nas publicações sobre o autor, diversas são as grafias para o nome Vigotski. Neste trabalho, farei a

opção pela grafia Vigotski usando como referência os estudos de Prestes (2012a, 2012b), que analisou a origem do nome e identificou ser essa a tradução mais aproximada. Entretanto, no decorrer do texto, poderão aparecer outras grafias, respeitando como encontram-se nas fontes consultadas.

4Tradução nossa: “qualquer área nova de investigação começa necessariamente pela busca e

elaboração do método”.

5 William Stern (1871-1938), foi um psicólogo alemão, trabalhou com a psicologia infantil e diferencial.

narrativas identificar o que possibilita/promove/facilita a aprendizagem desses estudantes.

Somente após essa definição foi possível dar seguimento às outras fases da pesquisa e optar por caminhos metodológicos que mais se adequassem ao objetivo dessa investigação.

No terceiro capítulo deste texto, primeiro passo deste caminho investigativo, apresento um estudo das dissertações e teses que abordaram a escolarização de pessoas com deficiência na Educação Superior e, num contexto mais específico, a deficiência intelectual na Educação Superior. Os trabalhos analisados foram publicados entre os anos de 2005 e 2018/01 e coletados nos repositórios do Banco de Teses & Dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD).

O segundo passo do meu caminho, necessário para a elaboração da crítica, foi o aprofundamento teórico em Vigotski, sobretudo no que se refere às pessoas com deficiência e à deficiência intelectual. Essa análise teórica originou o capítulo quarto, e colaborou na definição de qual aspecto da deficiência intelectual gostaria de pesquisar: a aprendizagem. De tal modo, após estudar a deficiência intelectual a partir de Vigotski, foi necessário/possível rever o Projeto de Pesquisa que havia sido elaborado por ocasião do processo seletivo para o curso de Doutorado em Educação.

A partir das leituras da Teoria Histórico-Cultural, especialmente de Vigotski, da reorganização do Projeto de Pesquisa e, especialmente da definição do meu problema e objetivo de pesquisa, os próximos passos do meu percurso metodológico puderam ser planejados e percorridos. Nas próximas seções descrevo os caminhos trilhados para a realização desta tese. Em “Os percursos anteriores à entrevista” explico o processo percorrido para chegar às instituições visitadas e aos profissionais entrevistados, detalhando acontecimentos que alteraram o caminho que havia sido proposto no momento da qualificação do projeto de tese. Na seção “Da entrevista semiestruturada à entrevista narrativa: a necessidade de mudar o jeito de caminhar” justifico a necessidade de alterar a forma da entrevista durante o processo de coleta de dados, defendendo que esse outro modo de conversar, proposto pela entrevista narrativa, era/foi mais interessante para os propósitos da pesquisa empreendida. Por fim, em “A Análise Textual Discursiva”, apresento a técnica de análise textual utilizada para tratamento das entrevistas, detalhando como fiz esse trabalho.

2.1 OS PERCURSOS ANTERIORES À ENTREVISTA

No momento da qualificação do Projeto de Tese, havia estabelecido os seguintes critérios para seleção das Universidades Federais a serem convidadas para participar da pesquisa:

1. possuir Núcleo de Acessibilidade ou setor com função semelhante6,

responsável por gestionar os recursos do Programa Incluir e acompanhar os estudantes com deficiência;

2. ter alguma política de reserva de vagas para pessoas com deficiência; 3. possuir estudantes com deficiência intelectual.

Contudo, com a alteração da Lei nº 12.711/2012, popular “Lei de Cotas”, através da Lei nº 13.409 de 28 de dezembro de 2016, todas as Universidades Federais e as Instituições Federais de ensino técnico de nível médio passaram a ter que realizar reserva de vagas também para pessoas com deficiência, conforme artigos 3º e 5º:

Art. 3o Em cada instituição federal de ensino superior, as vagas de que trata

o art. 1o desta Lei serão preenchidas, por curso e turno, por autodeclarados

pretos, pardos e indígenas e por pessoas com deficiência, nos termos da legislação, em proporção ao total de vagas no mínimo igual à proporção respectiva de pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência na população da unidade da Federação onde está instalada a instituição, segundo o último censo da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.

[...]

Art. 5o Em cada instituição federal de ensino técnico de nível médio, as vagas

de que trata o art. 4o desta Lei serão preenchidas, por curso e turno, por

autodeclarados pretos, pardos e indígenas e por pessoas com deficiência, nos termos da legislação, em proporção ao total de vagas no mínimo igual à

6 As Universidades Federais adotam diferentes nomenclaturas para nomear os setores responsáveis

pelo acompanhamento dos acadêmicos considerados, atualmente, público-alvo da Educação Especial, tais como: Núcleo de Apoio à Inclusão; Núcleo de Acessibilidade; Núcleo de Apoio às Pessoas com Necessidades Especiais; Núcleo de Inclusão e Acessibilidade; Programa de Apoio as Pessoas com Necessidades Educacionais Especiais; Divisão de Acessibilidade e Ações Afirmativas; Coordenadoria de Atenção a Pessoas com Necessidades Especiais; Coordenadoria de Acessibilidade; Núcleo de Acessibilidade e Inclusão Acadêmica; Núcleo de Apoio à Acessibilidade e Inclusão; Coordenadoria de Acessibilidade Educacional; Núcleo de Apoio Psicopedagógico; Núcleo de Acessibilidade e Inclusão; Comitê de Inclusão e Acessibilidade; Coordenação de Políticas de Educação Inclusiva; Divisão de Ações Inclusivas; Coordenação Geral de Ação Afirmativa, Diversidade e Inclusão Social; Comissão Permanente de Apoio a Estudantes com Necessidades Educacionais Especiais; Secretaria de Acessibilidade; Setor de Acessibilidade e Promoção à Saúde; Núcleo de Políticas de Inclusão; Coordenação de Acessibilidade Educacional, Física e Informacional; Núcleo de Educação Inclusiva; Centro de Ensino, Pesquisa, Extensão e Atendimento em Educação Especial; Divisão de Inclusão, Acessibilidade e Assuntos Comunitários; entre outras. Nesse sentido, com o objetivo de manter o anonimato das instituições pesquisadas, o nome desses setores não será mencionado nesta Tese, fazendo a opção por utilizar a expressão “Núcleo de Acessibilidade”.

proporção respectiva de pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência na população da unidade da Federação onde está instalada a instituição, segundo o último censo do IBGE. (BRASIL, 2016).

Desse modo, como o processo de coleta de dados aconteceu em 2017, quando as Universidades Federais já estavam em processo de adaptação a essa nova prerrogativa legal, eu fiz a opção de contatar não apenas as Universidades que já adotavam alguma política de reserva de vagas para estudantes com deficiência, mas todas as Universidades Federais. Os primeiros contatos com as Universidades, através de e-mail, foram realizados no primeiro semestre de 2017, o objetivo era realizar o mapeamento das instituições que possuem ou que já possuíram estudantes com deficiência intelectual.

Das 63 Universidades Federais, apenas quatro não foram contatadas: a UFSM por ser meu local de trabalho; uma Universidade da Região Centro-oeste cujo e-mail retornou; e duas Universidades que não tiveram o setor (Núcleo de Acessibilidade ou semelhante) localizado, uma da região Centro-oeste e outra da Região Sudeste. Assim, 59 Universidades Federais foram contatadas e convidadas a participar da pesquisa. Dessas, 21 não responderam o e-mail, mesmo após uma segunda tentativa, e 38 responderam.

Gráfico 1 – Resultado do contato inicial por e-mail

Fonte: Autores.

Descrição: gráfico demonstrativo, com três colunas azuis. No eixo vertical, aponta-se o número de e-mail respondidos em linhas que seguem, horizontalmente, passando pelas colunas. No eixo horizontal, indicam-se as Instituições em relação ao e-mail. Respectivamente, 59 Instituições contatadas, 38 Instituições que responderam o e- mail e 21 que não responderam o e-mail.

Os dados desse contato inicial foram tabulados em planilha do Excel que permitiu o tratamento das informações.

Tabela 1 – Dados dos e-mails respondidos

Possuem/possuiu estudantes com deficiência intelectual

17

Não possuem/possuiu estudantes com deficiência intelectual

17

Hipótese diagnóstica7 1

Não fornecem informações 2

Há suspeita, mas sem diagnóstico 1

Total de respostas 38

Fonte: Autores.

Tendo em vista as dificuldades em receber respostas/devolutivas para pesquisas em Educação através de contato eletrônico, que é por si só mais distante e impessoal, considero que o número de devolutivas ao e-mail foi bastante significativo, 38 e-mails respondidos de um total de 59 enviados, corresponde à 64,4%. Muitas das Universidades parabenizaram a mim e minha Orientadora pela escolha do tema, e manifestaram interesse nos resultados da pesquisa.

Outro aspecto interessante que foi possível verificar nos dados fornecidos pelas 17 instituições que indicaram possuir estudantes com deficiência intelectual, diz respeito ao número de estudantes e a forma de identificação desses, conforme pode ser observado na Tabela 2.

Tabela 2 – Região do país, número de estudantes com deficiência intelectual e forma de identificação dos mesmos

7

Hipótese diagnóstica é quando há um diagnóstico preliminar, mas o diagnóstico ainda não está fechado, ainda precisa confirmação para se tornar definitivo.

Região Número de estudantes com deficiência intelectual Identificação CENTRO-OESTE 1 3 CENTRO-OESTE 2 5 Autodeclaração NORTE 1 6 NORTE 2 1 SUL 1 1 Autodeclaração SUL 2 68 Autodeclaração

SUL 3 Não informou o número

SUL 4 3

19

SUL 5 3

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