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Démocratie

Dans le document «A nous les banques!» (Page 51-54)

O alcoolismo é característico das sociedades modernas. Nas sociedades tradicionais as bebidas alcoólicas eram usadas em rituais religiosos, não compondo quadros de dependência.

O alcoolismo cria suas raízes na cultura no momento em que todas as comemorações são vinculadas ao uso e abuso da bebida alcoólica. A mídia reforça sistematicamente e com ênfase este conceito de afinidade entre comemoração, felicidade e álcool. Estes conceitos são internalizados desde cedo através de gerações e o álcool passa a ser visto e presenciado com naturalidade.

Quando um indivíduo sofre de alterações afetivas, depressão, ansiedade, fobias ou até mesmo alguns conflitos temporários e adaptativos de determinadas fases do desenvolvimento, como a timidez da adolescência, torna-se o álcool um recurso de fácil acesso para a resolução de suas dores.

O custo afetivo do alcoolismo para o paciente e seus familiares é inestimável, sendo que muitos pacientes depressivos ou com outros desajustes sociais graves são filhos de alcoolistas.

Para Melman (1990, p. 25) o alcoolismo é uma tentativa de corrigir a castração, através da oralidade. É uma tentativa de validar um gozo outro. O objeto do qual se trata o alcoolismo, o objeto deste gozo infinito é o falo, parece ser uma tentativa imaginária de assegurar um enlaçamento entre o real, o imaginário e o simbólico, e que as alcoolistas demandam um terapeuta bastante móvel para aceitar se mover entre os lugares do outro e demandam também de uma terapeuta que fala bastante, pois o silencio é insuportável, já por demais percebidos do Outro, alguém

que precisa ser um terapeuta bastante perspicaz, para poder aceitar a ineficiência da interpretação, bem como da construção.

No alcoolista, a fase do espelho não opera, pois falta o olhar do outro, que faria aprovação, há também a falta de fantasma, ele não se vê, uma vez que não há o Outro, um olhar para organizar sua visão e que o olhar de um parceiro o faz se sentir como ideal, sem relação com a realidade.

O alcoolista organiza com este outro uma generosidade suprime a propriedade privada, por isso o alcoolista é sensível para adivinhar os últimos redutos do privado, podendo parecer xenófobo.

O alcoolismo inicia cedo, geralmente no inicio e meio da adolescência, com o grupo de amigos ou em casa. Podemos entender a questão do alcoolismo buscando na história antecedentes que nos levam ao reconhecimento da produção de álcool, primeiramente de forma artesanal. Depois, com o aumento da produção, o preço do álcool diminuiu muito, facilitando o acesso ao produto por parte de um maior número de pessoas (LARANJEIRA & PINSKY, 1997, p. 2).

A maior parte das populações passou a viver em grandes concentrações urbanas, mudando bastante o perfil das relações sociais. O álcool até então era uma bebida a ser consumida durante as refeições, comprada a preços baixos. Essas mudanças permitiram que um número muito maior de pessoas passasse a consumir álcool constantemente; a partir de então, os médicos começaram a observar uma série de complicações físicas e mentais decorrentes desse consumo excessivo, inclusive as primeiras descrições daquilo que hoje, chamamos de alcoolismo.

Ninguém nasce dependente de nenhuma droga. Não existe nenhum fator que determine, de forma definitiva, que pessoas ficarão dependentes do álcool, assim como nós não podemos saber, de um grupo de crianças ou adolescentes, quais fumarão cigarro a ponto de se tornarem dependentes da nicotina. Na realidade uma combinação de fatores contribuiria para que algumas pessoas tivessem maiores chances de desenvolver problemas em relação ao álcool durante algum período de sua vida.

A dependência começa a partir do momento em que a pessoa ingerir quantidades de álcool capazes de provocar algum tipo de indisposição – a popular “ressaca” no dia seguinte. Que a pessoa tem repetidas ressacas percebe que parte do desconforto do dia seguinte pode ser aliviada se recomeçar a beber. Se alguém que estava acostumado a beber somente a noite e a ter ressacas muito fortes começarem a beber na hora do almoço,

sentirá que uma parte da irritação, ansiedade e falta de concentração melhorará com o álcool. A partir disso que a dependência pode começar; a pessoa passa a beber não mais por prazer, ou num ambiente social, mas para aliviar os sintomas de abstinência do álcool. (LARANJEIRA & PINSKY, 1997, p. 18)

A dependência significa que o ato de beber deixou de ter uma função social e de eventual prazer e passou a ficar disfuncional, isto é um ato em si mesmo. A pessoa progressivamente perderá sua liberdade de decidir se quer ou não beber, fiando a mercê da própria dependência.

Qualquer pessoa que beba além das quantidades consideradas seguras está fazendo uso abusivo de álcool, então podem surgir problemas comumente associados ao consumo abusivo de álcool: problemas físicos como gastrite, pancreatite, hepatite, pressão alta, fraqueza nas pernas, quedas frequentes, convulsões semelhantes a ataques, quedas frequentes, convulsões semelhantes a ataques epilépticos, tremores pela manhã.

Como problemas psicológicos temos o nervosismo, irritabilidade, insônia, falta de concentração, problemas com a memória, mentiras frequentes e problemas sociais como perda de produtividade, faltas no trabalho, brigas frequentes com familiares e amigos, gastos excessivos, perda da responsabilidade em relação – a família.

É comum pessoas com depressão, desânimo, visão negativa da vida, falta de vontade para fazer qualquer coisa, irritabilidade, falta ou excesso de sono, beberem muito. Muitas mulheres que ficam em casa sozinhas acabam consumindo álcool sem que ninguém veja. Nessas condições, não é incomum haver associações com depressão. A mulher sente-se envergonhada pelo consumo excessivo de álcool e isso faz com que os familiares demorem a descobrir o problema, retardando assim a busca por auxilio (LARANJEIRA & PINSKY, 1997, p. 22).

O álcool é um péssimo calmante, pois seu efeito imediato produz uma certa euforia seguida de depressão do sistema nervoso, com sedação. Muito embora o álcool produza inicialmente relaxamento, o entusiasmo por esse efeito diminui logo que se avalia o que ocorre em seguida.

O álcool pode piorar a qualidade do sono, levar a problemas de stress devido á ação direta do álcool no sistema nervoso em células do cérebro, provocando a diminuição da memória e na capacidade de raciocínio mais complexo no julgamento de situações mais difíceis.

O álcool etílico, no fígado, é convertido em aldeído acético, e que por ação da enzima acetoaldeído desodrogenase, é transformado em acetato. A pessoa normal, em relação ao consumo de álcool, teria nível baixo desta enzima, o que elevaria a concentração de aldeído acético, responsável por rubor facial intenso, queda de pressão, palpitações, vômitos, tonturas, aumento da freqüência cardíaca.

O álcool pode produzir uma cardiomiopatia alcoólica, que é uma infiltração gordurosa do músculo cardíaco, produzindo dilatação do coração com diminuição da capacidade de impulsionar o sangue, além da hipertensão, causa delírio, alucinações, agitação.

De acordo com Laranjeiras & Pinsky (1997, p. 43-50), os fatores psicológicos associados ao desenvolvimento do alcoolismo podem incluir algumas características de personalidade, usualmente percebidas no desenvolvimento do individuo, que contribui para tornar algumas pessoas mais angustiadas, ansiosas, receosas, dependentes e com dificuldade em lidar com problemas difíceis.

A qualidade da relação pais-filhos é um item especialmente importante e parece influenciar o consumo de bebida de alcoólicas tanto direta quanto indiretamente. Um relacionamento próximo entre pais e filhos pode influenciar a escolha de amigo destes últimos, e ter efeitos sobre o uso inadequado de álcool pelo adolescente.

Crenças, atitudes e comportamentos dos pais, principalmente no que tange ao estabelecimento de regras e limites para conduta do adolescente, podem influenciar a ocorrência do uso inadequado de álcool. De modo geral, pode se afirmar que o alcoolismo se desenvolve com mais frequência em famílias cujos pais impõem limites muito tênues aos filhos. Os pais devem estar atentos aos filhos e considerar que podem e devem dizer não em determinadas circunstancias, impor limites faz parte do papel dos pais, assim como dar carinho, sentir e demonstrar interesse.

A família pode ter um papel bastante atuante para prevenir tanto quanto para estimular o uso de bebidas alcoólicas. Muitas pesquisas apontam para uma associação positiva entre o consumo abusivo de álcool por parte dos pais e o consumo pelo adolescentes. Assim é provável que os filhos apresentem problemas com relação ao consumo excessivo de bebidas alcoólicas em famílias em que os pais bebem muito do que em uma família abstêmica, ou que consuma álcool apenas moderadamente. O fator biológico, deve exercer papel nessa historia, mas a

ocorrência de um modelo de comportamento positivo par ao uso de álcool é extremamente importante.

É possível prevenir o alcoolismo desenvolvendo estratégias para lidar com dificuldades, momentos ruins e ansiedades evitando que estes fatores provoquem o consumo abusivo de álcool. A família pode ter ai um papel facilitador.

O tratamento para o alcoolismo depende da severidade do uso do mesmo. Existem várias possibilidades de tratamento como as internações, ou concomitante a ela outras possibilidades com enfoque farmacológico, de terapia de auto-ajuda e ambulatorial.

As internações podem ser de curto ou longo prazo, visam de maneira geral, dar oportunidade para os mais debilitados se recomporem e ficarem momentaneamente afastados do ambiente de consumo de bebidas alcoólicas. Podem ser realizadas em hospitais e clinicas particulares ou públicos que tratem de dependência, ou que atendam também pacientes com problemas psiquiátricos.

A internação deve ser pensada depois de outras medidas menos intensivas terem sido experimentadas. O individuo será afastado de seu ambiente. Os grupos de auto-ajuda (AA) são um tipo de tratamento bastante popular em que o trabalho e realizado com grupo de alcoolistas e as reuniões são centralizas nos depoimentos pessoais sobre o uso de álcool e com o objetivo de abstinência de bebidas alcoólicas por 24 horas reafirmando-se o mesmo objetivo. Apesar de suas vantagens, nem sempre os alcoolistas se adaptam á estrutura e ás premissas do AA.

O tratamento farmacológico do alcoolismo é geralmente utilizado em conjunto com outras formas de atuação, como apoio a atendimentos individuais ou grupais em ambulatório.

Para o melhor funcionamento da terapia, os terapeutas grupais geralmente estabelecem algumas regras de funcionamento chamadas de contrato terapêutico intenção é definir, na primeira sessão, os objetivos e a duração do tratamento, horário e locais das sessões, número de faltas aceitas, sigilo de contrato externo e, no caso a maioria dos tratamentos, a necessidade de o individuo estar abstinente na sessão.

Os ambulatórios oferecem cada vez mais trabalhos dirigidos ao grupo de familiares. A família começou a ser incluída no tratamento por que o profissional foi se dando conta de que é importante o papel dessa na prevenção e estimulo ao

desenvolvimento do uso de drogas. A inclusão da família nos tratamentos visa, amplamente auxiliá-la a se tornar ativa e eficiente ao lidar com o membro dependente auxiliando-o a se dar conta de seu poder de atuação tanto para ajudar quanto para piorar a situação.

O fator ambiental, por muito tempo nem mesmo considerado na abordagem dessa questão, tem sido cada vez mais encarado como de extrema importância no desenvolvimento do consumo excessivo de álcool e do alcoolismo e, portanto, em sua prevenção.

Fatores sociais são observados como demanda e oferta, informação e propaganda, constituem elementos poderosas tanto de prevenção quanto de estímulo ao desenvolvimento de padrões inadequados de bebida.

Estar informado sobre as bebidas alcoólicas e seus efeitos é importante, mas isso não significa que o individuo vai, necessariamente, estar livre de um envolvimento perigoso com abuso/dependência de álcool. Muitas pessoas prejudicam a si e a outrem mesmo sabendo, racionalmente, que não estão fazendo a coisa certa.

Apesar da prevenção nas escolas, informar não é prevenir; a mudança de comportamento e atitudes em relação ao álcool não decorre apenas da quantidade d e da qualidade de informações que a pessoa recebe. O individuo que já tem algumas atitudes em relação ao uso de bebidas alcoólicas vai apreender, das informações recebidas, o que faz sentido para ele, vai transformar as informações em função de sua atitude e de seu comportamento preestabelecidos.

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