1. LES OPCA OPACIF ET FAF ONT EVOLUE DE FAÇON POSITIVE MAIS ENCORE
1.3 I LS RESTENT POUR UN GRAND PARTIE D ’ ENTRE EUX AVANT TOUT DES COLLECTEURS ET FINANCEURS
1.3.1 La collecte recouvre aujourd’hui une fonction plus large que la simple perception d’une sorte de
1.3.2.4 Les délais de traitement font l’objet d’une grande attention
Quando a terra ainda não tinha valor de troca, e as primeiras gerações eram jovens, a preocupação de seus pais era em encontrar um espaço para trabalhar e sustentar a família. Porém, com o processo de desenvolvimento, a terra passou a ser de uso privado e, com isso, muitos sertanejos acabaram sendo expulsos de seus espaços e passaram a lutar para ter onde morar, principalmente porque, o processo de modernização e o avançar da idade acabavam por dificultar o trabalho nas fazendas que se formavam e exigiam força-de-trabalho mais jovem e bem mais qualificada.
O sonho de adquirir um pedaço de terra para construir a casa própria passou a ser uma luta presente em todas as famílias pesquisadas, sendo que os quatro membros da primeira geração conseguiram construir suas casas em tempos e locais bem distintos. A professora que sempre morou em Barra do Garças só conseguiu construir sua casa na década de sessenta em um local que hoje faz parte do centro da cidade, mas, na época ainda era um espaço com poucas moradias. Nestes últimos anos, a casa vem sendo constantemente ampliada, por um lado para proporcionar mais conforto aos parentes e amigos que vêm para a cidade e ali ficam hospedados e, por outro lado, para abrigar os filhos e netos que têm dificuldade em adquirir a casa própria. Exemplo disso é a filha J. que mora com seus dois filhos na casa da mãe, por não ter conseguido manter as prestações do financiamento para aquisição da casa própria.
D., primeira geração, ao mudar da fazenda onde trabalhava para a periferia da cidade, precisou se abrigar, por um longo período, embaixo de uma mangueira, para
que seus filhos pudessem freqüentar a escola. Depois de muita luta e sacrifício, conseguiu construir uma pequena casa que, atualmente, divide com os dois netos que cria e com os filhos, quando estes vêm para a cidade em busca de tratamento médico, ou para resolver algum negócio. A filha R. durante anos morou, juntamente com suas filhas e o companheiro, na casa da mãe. Com o passar dos tempos, as filhas foram crescendo e começaram a reivindicar um espaço com mais privacidade. Diante disso e dos constantes atritos entre os primos, o companheiro e a sogra fizeram com que a família de R. construísse uma pequena casa num terreno “invadido”, em uma área distante do centro da cidade. Depois da separação, R. e as filhas resolveram abandonar a casa e alugar uma meia-água mais próxima da casa da mãe, do emprego e da escola das filhas.
A família de A., na época, ocupou um pedaço de terra afastada do centro e construiu um rancho de palha para abrigar a família.
Aqui onde a gente morava era só mato. A gente era chamada de “os pés vermelhos”, porque aqui era pó demais, era aquele pó vermelho e quando a gente ia lá embaixo, nas ruas lá debaixo, o pessoal já nos conhecia e apelidou a gente de “os pés vermelhos”, parece uma juriti, uma pomba muito bonita que tem os pés vermelhos. Então, era tudo mato, era puro Matão aí para baixo (A., 66 anos, primeira geração,
entrevista realizada em 07/07/2003).
Alguns anos depois, com o processo de desenvolvimento da cidade, essa família acabou perdendo toda a extensão de terra que ocupava com a produção de hortifrutigranjeiros, que, além de garantir o sustento da família também era comercializado com a população local. Resultado desse processo é que precisou contar com a ajuda de políticos do município para garantir, pelo menos, o terreno onde estava construída a casa. O relato que segue mostra a gratidão dessa senhora humilde com os políticos que intervinham junto à justiça para garantir um pedaço de terra que durante anos esteve à disposição para quem dela quisesse tirar o sustento das famílias.
Eles [prefeitos] fizeram muita coisa porque eles deram terra para o povo. Os que mais trabalharam foram aqueles que deram a terra quitada para o povo fazer casa. Aí quando deu a terra dada foi que todo mundo fechou aqui, logo formou a cidade (A, 66 anos, primeira geração, entrevista realizada em 07/07/2003).
161 A família de seu Ant. que passou a maior parte de sua vida trabalhando na zona rural e depois vendendo hortifrutigranjeiros na cidade, conseguiu construir recentemente uma casinha humilde em um bairro na periferia da cidade que foi ocupado por ele e por outros trabalhadores que moravam de aluguel. Como não dispunham de condições financeiras para adquirir o lote e construir suas moradias resolveram “engrossar” o rol dos sem teto e demarcaram uma área para construir a tão sonhada casa própria. Depois de muita luta, o local “invadido” foi desapropriado pela prefeitura e muitas outras famílias passaram a construir suas moradias naquele bairro que está localizado longe do centro da cidade e possui pouca infra-estrutura, principalmente para atender os moradores com mais idade e que necessitam, constantemente, de assistência médico-hospitalar, como é o caso de Ant. e de sua esposa.
O filho Re., segunda geração, mora no mesmo bairro, pois também ocupou uma área que lhe possibilitou construir duas pequenas casas, uma utilizada como residência do casal e outra que abrigava os filhos que, até recentemente, moravam em sua companhia.
Para estas famílias, a ocupação da área que iniciou em 1987 e que hoje se constituiu em bairro foi a oportunidade que elas tiveram para realizar o sonho da casa própria que, para o pobre, como já foi citado, é o local onde se realiza o projeto de ter uma família.
Das quatro pessoas que fazem parte da segunda geração, somente Re. conseguiu adquirir casa própria. Uma entrevistada mora na casa da mãe, primeira geração, e as outras duas moram de aluguel.