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La déformation de la loi d'Okun au cours des phases du cycle

A gestão de consumo traz grandes benefícios ambientais e de suporte à rede Elétrica. Graças à implementação de tarifas dinâmicas, a gestão de consumo deverá ser capaz de conferir mais poupanças ao consumidor desde que ele tenha um comportamento de acordo com as necessidades e possibilidades da rede - ou pelo menos assim se espera. E agora a pergunta: e a comercializadora? A entidade responsável por configurar, regularizar e controlar estas tarifas. Qual a sua motivação para integrar, implementar e dar apoio a este tipo de iniciativas?

Imagine-se uma tarifa fixa que é aplicada ao consumidor. Tarifa fixa essa que, como já foi referido, é composta pela tarifa de comercialização, tarifa de uso da Rede e Tarifa de Energia. Este terceiro elemento é um preço médio, sendo que a certas horas o preço ao qual a energia é comprada no mercado terá um preço menor e outras horas em que o preço terá um valor maior do que esta média. Será lógico assumir que caso uma comercializadora consiga “convencer” os seus consumidores a consumirem menos nas horas em que os preços estão mais elevados então é possível que a empresa gere mais lucros do que o normal pois irá gastar menos recursos na compra de eletricidade com preço acima da média enquanto a vende ao mesmo preço – no entanto, a geração de poupanças está dependente do balanço com a tarifa de comercialização. É fácil visualizar esta poupança para a comercializadora para o caso de uma tarifa simples e, por isso, esta vertente de poupanças apenas será analisada para esta tarifa. Para as restantes tarifas poder-

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39 se-ia realizar a mesma operação. Optou-se, no entanto, por avaliar apenas uma das opções já que não se trata do argumento principal desta dissertação.

Existem dois argumentos-chave que levam a crer que a realização desta análise com a tarifa simples representa um “Best Case Scenario” para os ganhos das comercializadoras. O primeiro argumento é que as mudanças de consumo ocorrem em horas em que o preço do mercado é elevado. Essas horas normalmente acontecem em horas de “cheia” ou de “ponta”. O segundo argumento é que a tarifa simples é, entre as tarifas apresentadas, a tarifa que apresenta o menor preço para a Tarifa de Energia em horas de preço de mercado elevado (cheia/ponta). Logo, é de esperar que será a Tarifa de Energia da tarifa simples que vai apresentar um maior diferencial de preços entre o preço da hora da mudança de consumo (preço do mercado, ou seja, o preço a que a energia é comprada) e o preço da Tarifa de Energia estabelecida. Este maior valor do diferencial irá conferir mais poupanças à comercializadora do que as restantes tarifas.

A fórmula a aplicar terá em conta os Preços do Mercado para cada hora – preço a que a Comercializadora compra a energia – assim como a Tarifa de Energia – preço a que a comercializadora vende energia. O valor estabelecido para 2017 foi de 0,601 € por kWh e a tarifa de comercialização é de 0,003€ por kWh. 𝑅𝑒𝑐𝑒𝑖𝑡𝑎𝑠𝑔,𝑐= ∑ 𝐶𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑜𝑔,𝑐,ℎ∗ ((𝑃𝑟𝑒𝑐𝑜𝐻𝑜𝑟𝑎𝑟𝑖𝑜ℎ− 0,601)) + (𝐶𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑜𝑔,𝑐,ℎ) ∗ 0.003 ℎ=8760 ℎ=1 𝐷𝑖𝑓𝑃𝑟𝑒𝑐𝑜𝑔,𝑐= ∑ (𝐶𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑜𝑅𝑒𝑓𝑔,ℎ− 𝐶𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑜𝑔,𝑐,ℎ) ∗ ((𝑃𝑟𝑒𝑐𝑜𝐻𝑜𝑟𝑎𝑟𝑖𝑜ℎ− 0,601)) ℎ=8760 ℎ=1 + (𝐶𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑜𝑔,𝑐,ℎ− 𝐶𝑜𝑛𝑠𝑢𝑚𝑜𝑅𝑒𝑓𝑔,ℎ) ∗ 0.003

Para clarificar a equação 3.29, a primeira parcela da equação representa a diferença entre o consumo padrão e o consumo do cenário em causa, Como neste modelo estamos a retratar diminuições de consumo esta subtração vai resultar na maior parte das vezes zero ou um valor positivo – à exceção dos momentos de peak shifting dos cenários de gestão de consumo comportamental e também dos momentos de carregamento das baterias por parte da rede. A este valor será multiplicado a diferença entre o preço do mercado nesse instante e o preço da tarifa de energia. Este valor será positivo quando o preço do mercado é superior ao valor estabelecido para a tarifa de energia. Quando este valor é positivo, o resultado da multiplicação é normalmente positivo o que realça a geração de poupanças por parte da comercializadora. No entanto, quando o preço do mercado é inferior à tarifa de energia estabelecida este valor será negativo. Nestes momentos a multiplicação irá gerar um aumento dos custos para a comercializadora e esta irá perder dinheiro (caso a primeira parcela seja positiva). Para concluir, esta parcela irá gerar poupanças à comercializadora quando se reduz o consumo em horas em que o preço no mercado é demasiado alto quando comparado com as tarifas de energia consideradas. A segunda parcela da equação incide sobre a taxa de comercialização aplicada ao consumidor e que gera lucros à Comercializadora por cada kWh vendido. Aqui, a diferença presente entre os consumos está invertida quando comparada à primeira parcela e será na maior parte das vezes um valor nulo ou negativo, o que realça a diminuição de consumo e de lucro nos diferentes cenários elaborados.

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40 Para concluir, com este cálculo pretende-se de uma forma geral ter uma ideia de possíveis ganhos ou perdas para a comercializadora de uma forma muito simples e com uma tarifa uniforme. Por um lado, poderá haver poupanças se houver mudanças de consumo nas horas certas, mas será que a diminuição do consumo nessas horas face á redução dos ganhos com a Tarifa de Comercialização se conjugam de forma a estabelecer poupanças? Uma questão a investigar para os diversos cenários.

O perfil utilizado para estes cálculos será sempre o perfil 0 que representa a média de consumo dos grupos estudados. Este perfil será o mais adequado para dar uma ideia de possíveis ganhos num contexto de uma comercializadora com uma gama alargada e diversa de clientes. As poupanças/perdas obtidas serão representadas em unidades monetárias [€] por consumidor, no entanto podem ser escaladas para várias dimensões de comercializadora, desde as mais pequenas, com 3000 clientes, até comercializadoras de grande escala - 500.000 clientes - ou até ao total de consumidores residenciais de Portugal – cerca de 5.600.000 consumidores. Estes números assim como uma percentagem de adesão adequada permitirão ter uma noção de escala e possível implementação, sem deixar de ter em conta as implicações que a aplicação destes cálculos em grande escala poderão ter no mercado de energia.

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