CHAPITRE III LA MIGRATION COMME REMISE EN QUESTION
III. 2.1- Résistance à la représentation du centre
III.3 LES ENJEUX ET LES DÉFIS DE LA MIGRATION DANS THE PICKUP
III.3.3 Les défis de la migration dans The Pickup
Em relação ao segundo elemento fundamental da Y-AP, os “mentores naturais”, Zeldin et al. (2013) explicam que a tomada de decisão por jovens ocorre em contextos que não só são dirigidos por objetivos, mas também são relacionais e emocionais, uma vez que
as interações que se criam nas Y-AP são entre os jovens e uma multiplicidade de adultos diferentes, tais como os líderes comunitários, os profissionais das organizações que frequentam, os funcionários públicos, os vizinhos, etc. Os jovens podem distinguir claramente os diferentes adultos: segundo um estudo de Camino (2000), os adultos que estão dispostos a trabalhar de forma colaborativa são referidos pelos jovens como ''adultos parceiros'' ou '' aliados”; já segundo um estudo de Christens e Dolan (2011) os adultos que são considerados como tendo influências ou meios financeiros são referidos como ''adultos de poder''.
O processo de mentoring natural eficaz tem como característica o facto de os adultos não pertencerem à família, nem a programas formais de mentoring (Sterrett et al., 2011). Os programas de mentoring oferecem aos jovens um mentor adulto cujo objetivo é promover o crescimento positivo (como por exemplo, a melhoria da autoestima) e evitar o envolvimento em comportamentos de risco, através de uma relação enriquecedora (Timpe & Lunkenheimer, 2015). Em geral, estes programas parecem ter uma influência positiva sobre os jovens em risco, pelo menos no curto prazo (DuBois, Portillo, Rhodes, Silverthorn, & Valentine, 2011). No entanto, os benefícios a longo prazo são menos claros: por exemplo, Herrera et al. (2011) distribuíram aleatoriamente mentores por alunos com idades entre os 9 e os 16 anos e acompanharam-nos durante um ano e meio, tendo constatado que os jovens que receberam mentoring melhoraram a auto perceção e o desempenho acadêmico; no entanto, um ano e meio pós-intervenção os ganhos tinham desaparecido. Além disso, Rodriguez-Planas (2012) constatou que os jovens que receberam mentoring concluíam o ensino secundário mais cedo e estavam mais propensos a frequentar o nível seguinte, mas que não houve impacto significativo na situação de emprego cinco anos mais tarde.
Os mentores naturais são distintos daqueles encontrados em programas de mentoring porque têm por base modelos positivos que emergem naturalmente da interação diária com os jovens e das suas atividades (Timpe & Lunkenheimer, 2015). Em contraste com o mentoring formal ou estruturado, em que os adultos assumem a liderança na criação dos parâmetros da relação com os jovens, o mentoring natural ocorre sem um programa definido e com o consentimento mútuo dos envolvidos, em condições de maior igualdade de poder (DuBois & Silverthorn, 2005; Hamilton et al., 2006).
Foi demonstrado que os mentores naturais ajudam a melhorar os resultados psicológicos e educacionais dos jovens e podem desempenhar um papel importante para os mesmos em situações de risco no lar (Timpe & Lunkenheimer, 2015). Os mentores naturais, por vezes, ajudam os jovens a se focarem no seu futuro em face da adversidade (Hurd &
Zimmerman, 2010) e servem como modelos de referência bem-sucedidos, tanto no âmbito profissional, como no educacional (Chang et al., 2010). Timpe e Lunkenheimer (2015) afirmam que surgiram da literatura três características das relações bem-sucedidas entre os mentores naturais e os jovens: em primeiro lugar, há um interesse comum, tal como um interesse recreativo (por exemplo, nos desportos ou nas artes), (DuBois & Silverthorn, 2005); em segundo lugar, ocorrem um vínculo emocional e contatos frequentes (DuBois & Neville, 1997); e, por último, a relação estende-se ao longo do tempo, tipicamente um ano ou mais (Grossman & Rhodes, 2002). Quando as relações de mentoring natural exibem essas características, os jovens podem experimentar um maior bem-estar geral e os seus efeitos podem persistir no início da idade adulta e mais além (Hurd & Zimmerman, 2014).
A presença de adultos capazes de funcionar como mentores naturais é elementar para a criação de Y-AP de sucesso em comunidades e organizações (Zeldin et al., 2013).
De acordo com Bowers et al. (2015), as relações de mentoring natural surgem frequentemente a partir de ligações entre jovens e adultos dentro da sua rede social. Portanto, é mais provável que estas relações sejam mantidas porquanto já se encontram num contexto importante para os jovens e estão possivelmente ligadas a outras relações entre jovens. Várias organizações de desenvolvimento dos jovens realçaram estes aspetos das relações de mentoring natural para conceber e implementar programas para promover o PYD. Por exemplo, o National Guard Youth Challenge Program (NGYCP) é um programa residencial intensivo para jovens dos 16 aos 18 anos que já não frequentam a escola em virtude da sua expulsão ou desistência e que estão desempregados (e.g., Schwartz, Rhodes, Spencer, & Grossman, 2013). O NGYCP utiliza um modelo de mentoring inovador denominado youth-initiaded mentoring. Neste modelo, os jovens selecionam mentores de entre adultos não familiares pertencentes aos seus contextos sociais (e.g., um professor, um vizinho, um líder religioso). Se estiverem dispostos e forem aprovados, estes adultos são treinados e apoiados de forma a se tornarem mentores destes jovens. Por seu turno, estes mentores dão suporte a estes jovens à medida que os mesmos evoluem no programa e regressam à comunidade. O NGYCP utiliza os pontos fortes das relações de mentoring natural para promover resultados positivos, como por exemplo, melhorando os seus desempenhos na educação e aumentando a durabilidade dos seus empregos (Millenky, Schwartz, & Rhodes, 2014). Contudo, estas relações vão mudando de estrutura, tornando- se mais parecidas com relações de mentoring formal, nas quais um adulto (normalmente, um voluntário de entre a comunidade) é atribuído a um jovem com o propósito de agir enquanto mentor (Bowers et al., 2015).
A Big Brother Big Sisters (BBBS) é um exemplo já estudado de organização de mentoring. O estudo da BBBS conduzido pelo Grossman e Tierney (1998) foi uma das primeiras avaliações rigorosas e em grande escala realizadas a um programa de mentoring formal. Este estudo de referência demonstrou que os jovens da BBBS, entre os 10 e os 16 anos, em comparação com os que não participaram em BBBS, revelaram-se significativamente mais aptos a obter resultados positivos (como por exemplo, sentirem-se mais confiantes acerca do seu desempenho escolar) e menos propensos a vivenciar resultados negativos (como por exemplo, faltar à escola).