1.3 Optimisation multi-objectif (OMO)
1.3.1 Définitions
As variáveis PIB e PIBPC estão associadas, respectivamente, à massa económica e ao rendimento dos países. Na literatura considera-se que o volume de comércio dos países está directamente ligado ao respectivo rendimento, isto é, países com rendimentos mais elevados atingem maiores níveis de comércio (Kimura e Lee, 2006). É esperado um efeito positivo destas variáveis no volume de comércio. Um maior nível de rendimento deve indiciar, para os países importadores, uma maior procura de serviços (produzidos localmente ou importados), enquanto para os países exportadores deve estar relacionado com a respectiva capacidade exportadora de serviços (Walsh, 2008).
A variável POP pode apresentar um efeito ambíguo. Estudos anteriores demonstraram que o efeito nas exportações pode ser negativo à medida que a dimensão populacional dos países aumenta, devido a uma aposta mais forte no mercado interno, em detrimento da exportação, ou positivo, caso obtenham economias de escala (Walsh, 2008).
DIST pode ser considerada como uma proxy para custos implícitos e explícitos. Está relacionada com os custos de transporte, de comunicação, de transacção, associados à distância cultural na procura de oportunidades e estabelecimento de reputação/relações de confiança (p.e., Batra, 2006; Ceglowski, 2006). Embora a distância entre o país exportador e importador tenha tipicamente um impacto negativo no comércio de mercadorias, não é líquido que mantenha a mesma magnitude e significância no comércio internacional de serviços (Walsh, 2008).
LING é especialmente determinante quando o tipo de serviço exige comunicação intensiva entre as partes, pelo que foi incluída como variável adicional. À imagem de DIST, da existência de um idioma comum é esperada uma redução dos custos de transacção, face à maior facilidade no estabelecimento das negociações comerciais (Batra, 2006; Kimura e Lee, 2006), com efeito positivo no comércio. Neste estudo como
apenas o Reino Unido e a Irlanda partilham o mesmo idioma com a Índia, a variável LING tende a captar também efeitos derivados de laços culturais e relações coloniais/históricas.
No seguimento das diferenças culturais, o comércio internacional é fortemente influenciado por outros aspectos intangíveis, que se constituem como barreiras. É neste contexto que se insere a variável DI. O papel dos factores institucionais, isto é, as tradições e a qualidade das instituições que governam, regulam e asseguram o cumprimento das leis, enformam o modo como é assegurada a governação de um país, sendo uma boa governação essencial para um desenvolvimento sustentado (Kaufmann et al, 2010). Instituições pouco desenvolvidas introduzem externalidades negativas, que afectam a confiança entre as partes, condicionam as formas como se processam os negócios e aumentam os custos de transacção, conduzindo naturalmente à redução dos fluxos de comércio (Linders et al, 2005). Uma empresa que exporte para um mercado externo num patamar institucional semelhante ao do seu mercado doméstico, tem melhores condições para ser bem sucedida uma vez que é poupada a elevados custos de ajustamento, que podem advir do desconhecimento e da incerteza relacionada com as contingências dos negócios (Linders et al, 2005, 2008). Quanto maior a distância institucional, mais difícil será o comércio de serviços entre os países. Logo, é de esperar um sinal negativo dos coeficientes estimados, associados a esta variável (DI).
A construção desta variável assenta em 6 indicadores que agregam as dimensões da governação. Estão disponíveis numa base anual desde 2002 e permitem a avaliação da governação dos países individual ou comparativa, ao longo do tempo, nas seguintes dimensões:
1. Voz e Responsabilidade – reflecte o grau de participação dos cidadãos nacionais na eleição dos governos, assim como a monitorização e responsabilização destes pelas respectivas acções.
2. Estabilidade Política – mede a probabilidade do governo de um país ser afastado, por interferência inconstitucional de natureza doméstica.
3. Eficácia Governativa – reflecte o grau de elaboração e implementação de boas políticas. Foca-se na qualidade do fornecimento de bens e serviços públicos, da burocracia, do funcionalismo público e na credibilidade do comprometimento governamental com essas políticas.
4. Qualidade da Regulação – mede o grau de regulação no comércio externo e a incidência de políticas restritivas.
5. Cumprimento da lei – mede o grau de confiança dos cidadãos no quadro legislativo e a respectiva aceitação. Concentra-se na qualidade do sistema legal e no nível de cumprimento dos contratos.
6. Controlo da corrupção – reflecte o grau em que os poderes públicos são exercidos em benefício de privados.
A construção da variável DI tem como base os indicadores de governação de Kaufman et al (2010) e o índice Kogut e Singh (1988), utilizado por Linders et al (2005) e Möhlmann et al (2009):
(
)
⎥ ⎦ ⎤ ⎢ ⎣ ⎡ − =∑
= kt k kit kjt ijt I I V DI 6 1 2 6 1 (5.4)com Ikit a indicar a pontuação obtida na dimensão k para o país i no período t, Ikjt a indicar a pontuação obtida na dimensão k para o país j (Índia) no período t e Vkt a variância desta dimensão para todos os países da amostra no período t.
A variável UINT permite aquilatar o grau de penetração e utilização da Internet nos diferentes países, ao estar correlacionado com a percentagem de empresas com acesso e ao número de utilizadores, em percentagem da população. É um indicador de desenvolvimento tecnológico de uma nação e concorre para uma melhor disseminação da informação, a custos inferiores, o que se estende à comunicação. O senso comum defende a sua utilização como potencial estímulo para o comércio, como se veio a confirmar posteriormente. A este respeito, as estimações de Freund e Weinhold (2004) determinaram que um aumento de 10 pontos percentuais no crescimento do alojamento de websites provoca um aumento de cerca de 0,2 pontos percentuais no crescimento das exportações. Bojnec e Fertö (2009) confirmam, para os países da OCDE, o impacto positivo dos utilizadores de Internet no padrão das exportações de produtos transformados, dada a menor influência da distância e o papel crescente do e-business, e-commerce e actividades similares no comércio internacional. Na mesma linha de acção, Choi (2010) utiliza um painel de dados, referente a 151 países, para investigar o efeito da internet no comércio internacional de serviços, para o período 1990-2006. Concluiu que um aumento de 10% no número de utilizadores de Internet por 100
habitantes provoca o aumento do comércio de serviços num intervalo entre 0,23% e 0,42%. Face ao mencionado, o sinal esperado para o coeficiente desta variável é positivo.
As estatísticas descritivas para cada variável explicativa são apresentadas na Tabela 8. As fontes dos dados podem ser obtidas no Anexo B.