Chapitre VI – L’administration et la vie de votre contrat
Article 45 - Définitions
A análise proposta tem como objetivo identificar as semelhanças e nuances entre uma história contada nos cinemas baseada numa história em quadrinhos, tendo como base as aplicações sobre convergência midiática proposta por Jenkins (2008), onde cada mídia precisa trabalhar sozinha independente de outras já produzidas, levando em consideração o tempo, lugar, acessibilidade do material, proposta e contexto do mesmo dentro de cada universo criado.
Sendo assim, Capitão América: Guerra Civil (Figura 11) é um filme dos estúdios Marvel (Disney company) lançado em 2016, dirigido pelos irmãos Russo, Anthony Russo e Joseph V. Russo, baseado na HQ Guerra Civil publicada em sete partes entre 2006 e 2007, escrita por Mark Millar e desenhada por Steve McNiven. É preciso o entendimento de que o material de origem das adaptações para a análise, no caso a HQ, possui elementos típicos da era da convergência, já pensadas interiormente pelo seu criador Mark Millar, que em 2004, criou a Millarworld, uma empresa que garantia os direitos de suas próprias criações, além de Guerra Civil, várias outras obras já foram adaptadas para o cinema. Portanto, para a análise é necessário que se faça uma contextualização das duas obras, correlacionando os eventos entre as duas.
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Figura 11 - Capitão América Vs. Homem de Ferro
HQ: Guerra Civil (2006/07)
Filme: Capitão América - Guerra Civil (2016)
Fonte: Site Minha Série
Nos quadrinhos a história se inicia num universo onde os heróis, ou a maioria deles, são bem aceitos pela sociedade, tanto que um grupo de super-heróis
68 conhecidos como os Novos Guerreiros estão fazendo um reality show, assim eles se deparam com uma casa habitada por quatro vilões que haviam fugido na rebelião ocorrida na Balsa, uma prisão para vilões com poderes sobre humanos, até que um integrante dos Novos Guerreiros decide atacar os vilões em busca de audiência, a batalha tem um fim trágico quando o vilão conhecido como Nitro explode e consequentemente destrói um quarteirão onde havia uma escola primária.
Dessa forma a população inicia a retaliação aos super-heróis, alegando que eles possuíam poderes do quais não tinha controle, indo as ruas exigindo que existisse uma lei de registros para o controle dos super-heróis, mas primeiramente a lei seria aprovada apenas nos Estados Unidos. Em meio a isso, no velório das vítimas da explosão, Miriam Sharpe, mãe de umas das crianças que morreram no desastre, drasticamente abalada confronta Tony Stark (Homem de Ferro), mexendo com o seu lado humano e fazendo com que ele aderisse ao lado apoiador da lei de registro, nesse meio tempo Johnny Storm (Tocha-Humana) é atacado em frente a uma boate, por civis irritados com o acontecido.
Com a lei aprovada, Tony Stark agrega ao seu time um aliado muito importante, Peter Parker (Homem-Aranha) que acaba revelando sua identidade em uma coletiva de imprensa, com o objetivo de que a população voltasse a ter mais confiança nos super-heróis, do outro lado estava Steve Rogers (Capitão América), que era completamente contra a lei, pois ia contra a liberdade e tudo mais em que ele acreditava. Um dos pontos chave da história é quando o Homem de Ferro faz uma emboscada para o Capitão América, com o objetivo de convencê-lo a ir para seu lado, mas as coisas não vão tão bem como ele esperava, pois um clone do Thor (que na época estava morto nas HQ’s) acaba matando Golias, um dos heróis que estava ao lado do Capitão América, a morte de um herói mostrava que a luta ia para o lado oposto do que todos acreditavam assim alguns heróis de ambos os lados acabam mudando de lado, inclusive o Homem Aranha que é salvo pelo Justiceiro após um confronto com o Homem de Ferro, assim ambos se unem ao Capitão América.
No processo de recrutamento para as causas, alguns heróis acabaram sendo presos em uma prisão projetada por Reed Richards (o Senhor Fantástico), líder do
69 Quarteto Fantástico, que apoiava o lado do Homem de Ferro. A última investida do Capitão América seria invadir a prisão e libertar todos que estavam sendo mantidos lá, assim o Homem de Ferro prepara mais uma emboscada para o Capitão, mas desta vez ele estava preparado, e possuía um espião infiltrado na equipe do Homem de Ferro, a luta entre as duas equipes acaba se estendendo até a cidade, onde o Capitão quase mata o Homem de Ferro, parando apenas quando se dá por conta onde eles chegaram com tudo aquilo.
Por fim os dois lados estavam certos, tanto o Capitão quanto o Homem de Ferro não confiavam no governo, mas estavam tão cegos pelos seus ideias que não conseguiam ouvir um ao outro, de qualquer forma a pressão da população faria a lei ser aprovada, e o Homem de Ferro sabia disso, então ele apoiou a lei para que ele pudesse ter controle sobre ela, tanto que ele foi eleito diretor da S.H.I.E.L.D8, assim ele teria todo controle sobre os registros de heróis, mantendo-os a salvo. Nas HQ’s a história termina bem para ambos os lados, mas no filme nem tanto. Aqui temos outro ponto chave, o final, pois nos quadrinhos esta seria uma minissérie mais fechada, logicamente que os acontecidos aqui teriam consequências em edições posteriores, mas que em poucas edições poderiam ser corrigidas ou modificadas, já no filme é necessário que a adaptação siga o contexto dos outros filmes para que as sequencias saiam como planejado, disponibilizando assim uma experiência diferente dos quadrinhos, onde os estúdios Marvel se mostra extremante competente, no planejamento das sequências de seus filmes.
Mídias diferentes atraem nichos de mercado diferentes. Filmes e televisão provavelmente têm os públicos mais diversificados; quadrinhos e games, os mais restritos. Uma boa franquia transmidiática trabalha para atrair múltiplas clientelas, alterando um pouco o tom do conteúdo de acordo com a mídia. Entretanto, se houver material suficiente para sustentar as diferentes clientelas – e se cada obra oferecer experiências novas -, é possível contar com um mercado de intersecção que irá expandir o potencial de toda franquia (JENKIN, 2008, p. 136).
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É uma super organização, muito mais forte e importante do que qualquer outra (CIA, NSA, FBI, etc). Com uma base invisível e flutuante liderada por Nick Fury cuida dos interesses dos EUA e do mundo. E ainda monitora os heróis (em especial os Vingadores) em suas missões, além de ser considerada a "última defesa do mundo" contra ameaças superiores, como os skruls, a HYDRA, inumanos, etc.
70 Pelo fato de que a Marvel não possui os direitos cinematográficos de todos os seus personagens, a história de Capitão América: Guerra Civil é significativamente diferente dos quadrinhos, sendo uma consequência dos acontecimentos dos filmes anteriores da Marvel, Capitão América 2: O Soldado Invernal e Vingadores 2: A Era de Ultron, pois assim, como afirma Jenkins (2008) na convergência tudo é transformado em uma nova linguagem, que precisa funcionar independentemente de outras mídias, ou seja, a história ganha força e não se define a apenas uma mídia.
A história inicia quando um terrorista se explode em Wakanda, terra natal de T’Challa (Pantera Negra), dizendo que foi mandado pelo Soldado Invernal, identificado em Capitão América 2 sendo Bucky um amigo de longa data do Capitão América, que após um acidente passa a responder por Soldado Invernal a mandato da Hydra depois de passar por uma lavagem cerebral, os vingadores tentam impedir mas sem sucesso. Aqui já podemos ver as primeiras diferenças entre a HQ e a adaptação cinematográfica, os eventos do filme vão, basicamente, girar em torno do Capitão procurando respostas sobre que aconteceu com seu amigo.
Após o ataque terrorista em Wakanda, a ONU faz com que os heróis assinem o Tratado de Sokovia, nome da cidade onde ocorreram os eventos de Vingadores 2, aqui temos outro ponto importante que é convergido dos quadrinhos de forma diferente, visando a adaptação dentro do contexto cinematográfico, onde o Tratado de Sokovia diferentemente da Lei de Registro dos Super-heróis, tinha somente o objetivo de regulamentação dos heróis, pelo fato de que no universo cinematográfico Marvel a maioria dos heróis não possui identidade secreta exceto, até o momento, o Homem-Aranha. O tratado seria discutido na sede geral das Nações Unidas, sendo interrompida por outro ataque terrorista, causando a morte do Rei de Wakanda, pai de T’Challa, fazendo com que o herói busque vingança, ainda mais quando descobre o que o responsável foi o Soldado Invernal.
A partir desse momento os heróis se dividem como nos quadrinhos, temos de um lado Homem de Ferro apoiando o tratado, e assim como na HQ, é confrontado por uma mãe que perdeu o filho no desastre, sendo crucial em sua decisão na escolha de um lado, e do outro Capitão América, lutando pela liberdade. Dessa forma o Capitão investiga o que teria acontecido com seu amigo Bucky, e descobre
71 que na verdade ele estava sendo controlado por um antigo general conhecido como Barão Zemo, responsável pelo projeto Soldado Invernal. Os dois lados juntam aliados, o que leva a outro ponto a ser observado, no filme, assim como no quadrinho, o Homem-Aranha é recrutado pelo Homem de Ferro, mas continua em seu time até o fim do filme e não revela sua identidade secreta, pois não havia motivos para isso.
A Guerra Civil só acontece de fato quando o Capitão América descobre que Barão Zemo está na Sibéria, e quando no aeroporto Homem de Ferro tenta o impedir de pegar o avião, motivado pelos seus ideais. Em meio ao embate entre os dois times, o Capitão junto com Bucky conseguem seguir viagem até Sibéria, como consequência desta batalha o Máquina de Combate que estava ao lado do Homem de Ferro é ferido e quase fica impossibilitado de andar, os heróis que apoiavam o Capitão foram presos, assim, após ser reprimido por suas ações por todos aqueles que estão presos, o Homem de Ferro, driblando as escutas do governo, descobre as reais intenção do Capitão América, vemos aqui o Homem de Ferro fazendo a troca de lado e vai até a Sibéria ajudar o Capitão. Chegando lá Zemo faz com que o Homem de Ferro descubra que na verdade o Soldado Invernal foi quem matou seus pais, o que faz com que o Capitão e o Soldado entrassem em combate com o Homem de Ferro.
Por fim, com o Homem de Ferro nocauteado o Capitão e o Soldado vão atrás de Zemo, eles não lutam e descobrem que Zemo sabia que não podia derrotar seus inimigos sozinho, então decidiu jogar uns contra os outros, o que deu muito certo, impedido de se matar pelo Pantera Negra, que havia os seguido até a Sibéria, é quem acaba resolvendo tudo diplomaticamente, levando Zemo à justiça e o Soldado Invernal à Wakanda, onde ninguém poderia encontrá-lo sobre a jurisdição do Pantera Negra. No fim os Vingadores continuam divididos, onde o Capitão continua agindo clandestinamente e o Homem de Ferro a favor do governo, sem um se intrometer nos assuntos do outro.
Dessa forma, vemos que a adaptação cinematográfica de Guerra Civil apropria-se apenas de alguns pontos chaves da história original, e mesmo assim os utiliza de forma diferente das HQ’s, independentemente de ser um filme bom ou não
72 ele é uma boa adaptação, assim aprofundando e entendendo quando Jenkins (2008) diz que cada obra franquiada precisa funcionar sozinha, determinando suas próprias normas de conduta, permitindo o consumo individual de cada uma, ou seja, você não precisa ter lido as histórias em quadrinhos para aproveitar o filme e vice-versa. Obviamente que existe muita referência direta dos quadrinhos em adaptações, que atingem diretamente o consumidor das histórias em quadrinhos, referências estas, feitas de maneira que não afeta negativamente a experiência de quem só consome as produções cinematográficas.
Existem pontos que poderiam ser melhores explorados, como um governo que não demostra sua supremacia, mas é essencial o entendimento de que é uma adaptação e nem todas são perfeitas. Talvez para fãs mais assíduos seja ruim por não apresentar a mesma grandiosidade que é apresentada nos quadrinhos. Mas, de qualquer forma, sua proposta funciona dentro do universo cinematográfico e é bem pensada, utilizando as consequências de ações tomadas em outros filmes, deixando ganchos para que a história se desenvolva em próximos filmes.
Assim como todo filme adaptado de quadrinhos, Capitão América: Guerra Civil teve uma grande influência nas vendas das HQ’s, como podemos ver (Figura 12) a influência nas vendas do mês de estreia do filme cresceu consideravelmente, mas como já citado anteriormente, é uma influência momentânea apenas. O filme teve um custo de US$ 250 milhões arrecadou US$ 1,1 bilhão tornou-se a 4ª maior bilheteria entre os filmes de heróis até o momento. É preciso ressaltar o fato de que o filme levou muitos fãs de quadrinhos para o cinema, pois aparentemente era baseado em uma das HQ’s mais bem sucedidas da Marvel.
73 Figura 12 - Vendas de quadrinhos do Capitão América
Fonte: Comichron / Copyright: Canal Claquete
Portanto, aqui cabe citar a definição de comunicação de massa por Thompson (2002), onde ele diz que, é fato de que as mais diversas mídias estão disponíveis para uma vasta quantidade de possíveis consumidores, ela estar disponível pra todos não quer dizer, necessariamente, que todos irão consumi-la. O importante é que existem diversas maneiras de consumir produtos de um mesmo universo, onde a ideia de consumir um primeiro produto midiático para aproveitar o outro ou ainda entende-lo, aqui neste caso de convergência, já não se faz necessário.
A convergência acabou por se tornar algo mais necessário que se pode imaginar, através dela é possível criar ciclos de produção cultural cada vez mais inseridos no cotidiano do consumidor, trazendo velhos consumidores para novas mídias e vice-versa, ou seja, produtos de uma mesma temática, ou universo, disponíveis para todos os gostos e maneiras de interação.
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CONCLUSÃO
A convergência por, muitas vezes, se provou algo essencial e necessário, além de ser um processo natural por parte das mídias atuais, onde possuímos mais de uma mídia compartilhando de um mesmo universo com histórias distintas disponíveis para os mais variados públicos. Existem inúmeros exemplos citados ao longo deste trabalho, mostrando que a adaptação nunca vai ser algo totalmente fiel, por seus vários motivos, mas como o termo já diz, a adaptação busca, da melhor forma, transmitir o que o material de inspiração representa, tanto para a indústria quanto para o consumidor, exigindo dessa forma que haja modificações, logo, para cada meio é necessário uma mudança na mensagem.
A história da adaptação do quadrinho de Guerra Civil, objeto de análise, funciona de forma separada ao material de origem, possuindo um universo próprio, onde as ações têm consequências, e fazem sentido apenas ali, apesar da apropriação de elementos já existentes em outra mídia, a experiência com os filmes acaba por se tornar única e conectada, pois é preciso ver as cenas pós-créditos de cada filme, dando pistas do que vira a seguir.
Dessa forma podemos entender as modificações nesta obra em específico, pelo fato de que os quadrinhos possuem infinitas possibilidades sem precisar movimentar toda uma equipe e dinheiro necessário para a produção de um filme, principalmente com as dimensões de Guerra Civil, onde está disponível todo o acervo de personagens criados pela editora, coisa que não é possível nos cinemas pelo fato de que direitos de alguns personagens não estão com o estúdio cinematográfico Marvel. Outro ponto que mostra que os filmes de super-heróis, numa visão geral, são muito bem recepcionados pelo público, é o fato de que pode haver mais identificação por parte do público quando são utilizadas pessoas reais, a aproximação assim é bem maior, por mais que o personagem seja um alienígena com super poderes ou um super gênio. Mas ainda assim existem exceções como no caso do Homem-Aranha, que sempre foi retardado da forma mais crível possível, dentro de um universo onde muita coisa é possível, pois ele não tem só que lidar com super-vilões, mas também com problemas amorosos, financeiros e problemas
75 na faculdade ou escola, fazendo com que a identificação por parte do consumidor seja muito maior com o personagem.
O importante é que existem diversas maneiras de consumir produtos de um mesmo universo, e as experiências nunca serão as mesmas, ler um quadrinho que serviu de inspiração para um filme, pode agregar informações valiosas sobre o que pode ocorrer no filme ou apenas deixar o consumidor/fã por dentro do fan servisse que poderá ocorrer no longa.
Pode-se concluir então que o mais importante é o conteúdo ou roteiro, o desenrolar da história, não que a caracterização dos personagens deva ficar em segundo plano, pois ainda é extremamente importante para que aja a identificação por parte do público que já conhece e acompanha o personagem, mas é necessário ter coerência no roteiro, as cenas retiradas diretamente das páginas dos quadrinhos são espetaculares aos olhos de quem já leu a história, mas o fanservice (serviço para fãs), não pode ser utilizado de forma leviana, sendo simplesmente jogada num filme com o objetivo de agradar os leitores mais antigos, atropelando a prioridade de contar uma boa história e ainda lucrar com isso.
As adaptações cinematográficas, por exigir um orçamento maior, precisam que o lucro seja grande para que ocorram sequências e adaptações de novas histórias, pelo fato dos filmes serem uma mídia mais popular acabam agregando mais valor aos quadrinhos, por mais que momentaneamente nas épocas das estreias cinematográficas. O impacto que estas adaptações têm no mercado vão para além do cinema, chegando às feiras de quadrinhos, as conhecidas Comic Con, que foram criadas inicialmente como convenções de fãs de quadrinhos comerciais, que nos dias atuais grandes filmes, anúncios de novas adaptações e estrelas do cinema tomaram o lugar dos quadrinhos como os pontos mais principais da convenção.
Portanto, Guerra Civil como uma adaptação funciona muito bem sozinha, independentemente do que veio anteriormente nos quadrinhos, podemos assim concluir que contar uma história coesa de forma criativa em meio ao universo criado
76 é muito mais importante do que se o personagem deve ou não usar a cueca por cima da calça9.
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Quando Henry Cavill foi escalado para viver o Superman nos cinemas em 2013, numa nova adaptação do herói sem ligação com os demais filmes, a notícia de que o uniforme dos heróis seria modificado e ele não usaria a “cueca por cima da roupa”, a internet ficou fervorosa pelo fato que o personagem ficaria visualmente descaracterizado por isso.
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