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Cas général : collecte en bac(s)

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Após 1907, Le Corbusier (1887-1965) iniciou um conjunto de viagens com o objetivo de conhecer e de se auto cultivar; em 1908 chega a Paris e começa a desenvolver projetos com Auguste Perret, um apaixonado pela recente técnica construtiva em betão armado. Ao exercer atividade com Perret, este motiva Le Corbusier a estudar matemática e novos materiais estruturais, sugerindo que este analise as publicações de Eugène Viollet-le-Duc que abordavam princípios racionalistas. A Cathédrale du Sacré- Cœur d'Oran (1904-1913) foi o primeiro trabalho que desenvolveu com Auguste Perret, onde, apesar de se tratar de um edifício com uma tipologia tradicional, os materiais e técnicas construtivas adotados já

34 TOSTÕES, Ana – Construção moderna: as grandes mudanças do século XX. Aula Ficheiro informático [Ana

Tostões aula_5_b.pdf], p.3.

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Fig. 21 Sistema Dom-Ino de 1914, Le Corbusier

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eram bastante vanguardistas.Nesta obra, preenche os vãos com elementos de betão aligeirados e prefabricados, que são desenvolvidos através da justaposição de formas geométricas, visando alcançar um ritmo de relações entre cheio e vazio. Não sendo novidade o interesse de Perret em trabalhar com jogos de luzes, este sistema construtivo permitia-lhe controlar a intensidade da luz conforme a sua vontade. Esta experiência possibilita a Le Corbusier; a aquisição princípios que possibilitam a associação de uma cultura clássica a uma nova técnica de desenvolvimento de estruturas. Isto está evidente no edifício de Auguste Perret na Rue Franklin, já referido anteriormente, no qual Corbusier colabora durante o período de tempo em que esteve em Paris. Em 1910, Le Corbusier viaja para a Alemanha, visitando vários edifícios públicos, desde escolas a fábricas, exemplos de uma arquitetura mais vanguardista, tendo em conta os custos mais reduzidos e as normas de segurança impostas durante a construção. Ainda neste ano, inicia atividade no gabinete de Peter Behrens. Após este período, visita o Oriente, Itália e Istambul. Mais tarde, em 1914, motivado por todas as viagens, bem como pelas experiências de trabalho anteriores e ainda período da guerra que se atravessava, desenvolve uma nova tipologia construtiva relacionada com as práticas construtivas mais atuais da época- Dom-Ino. No fundo, esta nova tipologia construtiva sintetiza todos os seus ideais, ou seja, uma ossatura composta por viga e pilar, que sustenta as várias lajes, solução particularmente adequada ao uso do betão armado. Em 1917 volta a viajar para Paris, mas desta vez com intenção de permanecer por esta cidade algum tempo; em 1922, desenvolve e constrói um conjunto de habitações assentes nos cinco pontos do seu sistema. Em 1920, com o desenho da Maison Citrohan, conheceu durante várias versões até 1927, na primeira das quais há uma clara referência ao uso do betão armado, que lhe permite explorar melhor os cheios e vazios e, ao mesmo tempo, criar uma estrutura sistemática, onde o interior está relacionado com o exterior.

“ Em outras palavras, uma casa como um automóvel, concebida e organizada como um ônibus ou uma cabine de navio. As necessidades atuais da habitação podem ser precisadas e exigem uma solução. É preciso agir contra a antiga casa que usava mal o espaço. É preciso (necessidade atual: preço de custo) considerar a casa como uma máquina de morar ou como uma ferramenta.”36 Sem dúvida que neste percurso inicial do betão armado são construídas obras emblemáticas, tendo como pioneiros Auguste Perret e Hennebique. O fascínio que todos estes engenheiros e arquitetos aqui referenciados desenvolveram pelo betão armado, pela sua capacidade de expressar uma nova arquitetura, foi, sem dúvida, determinante para a atenção que os arquitetos de todo o mundo devotaram a este novo material.

“O cimento armado e o aço permitem essas audácias e sobretudo se prestam a um certo desenvolvimento das fachadas graças ao qual todas as janelas se voltarão de cheio para o céu; assim doravante, os pátios serão suprimidos. A partir do décimo-quarto andar, é a calma absoluta, é o ar puro.”37

36 LE CORBUSIER- Por uma arquitectura, Editora Perspectiva, 2000, p.170. 37 Ibidem, p.33.

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CAPÍTULO III

A PASSAGEM DO BETÃO ARMADO DO SÉCULO XIX PARA O XX

”Os grandes edifícios de hoje comportam uma ossatura, uma estrutura de aço ou betão armado. A estrutura é para o edifício o que o esqueleto é para o animal.

Assim o esqueleto do animal, ritmado, equilibrado, simétrico contém e suporta os mais diversos órgãos e os mais diversamente situados.

Assim a estrutura do edifício deve ser composta, ritmada, equilibrada, e até simétrica.”38

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3.1 Contextualização

O período que carateriza a entrada em 1900 é profundamente marcado por uma crise, contudo, apesar de toda a instabilidade vivida na época, é também uma altura assinalada pelo desejo de modernização e evolução. Na sequência do crescimento significativo da população, no fim do século XIX, observava-se a expansão da cidade para a periferia. Porém, durante este crescimento criam-se duas vertentes: os amantes de uma cidade moderna, que procuravam um arquitetura mais vanguardista, “com abundância de arcos triunfais, sedes prestigiantes do poder, viadutos e pontes, articulando quer os espaços centrais com os subúrbios recém-conquistados, quer a azáfama da beira-rio com a outra margem do tejo, onde a industrialização se anunciava”,39 e os que resistiam a este desejo de avanço e apelavam à tradição. É através desta disputa entre resistência e desejo, que se pretende fazer uma abordagem sobre o desenvolvimento do betão armado em Portugal. Esta separação entre as eficazes estruturas garantidas pelo engenheiro e a capacidade de composição do arquiteto fazia com que o esqueleto e a pele do edifício andassem separados.

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