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Définition de la pression

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De forma a esclarecer o processo de mediação inerente à INO que se traduz na necessidade da existência de um mediador pessoal e social em cursos EFA, nas suas funções, no seu papel, na sua prática laboral, decidimos entrevistar os dois mediadores – a totalidade –, dois formadores – um com mais tempo de serviço e outro com menos (relação temporal com o contexto) e quatro formandas – duas do curso de nível básico e duas do nível secundário, pois tratava-se de ouvir os actores sociais envolvidos directamente nos processos de mediação de modo a recolher diferentes perspectivas para reflectir essa problemática.

A constituição da nossa amostra, foco do nosso interesse investigativo, mencionado anteriormente, surge como uma realidade seleccionada previamente e como uma amostra da população objecto-alvo do nosso estudo.

49 De forma a sintetizar os dados identificativos dos diferentes inquiridos, passamos a apresentar no quadro nº 1 uma descrição mais pormenorizada:

Quadro nº 1 – Caracterização dos inquiridos

Área de intervenção Idade

Local de Residência (concelho) Habilitações Literárias Experiência Profissional Tempo de experiência no CNO

Mediador do curso EFA de nível básico (Operador Agrícola Horticultura/Fruticultura) e coordenador dos cursos EFA

34 anos

Vila Real Licenciatura Mediador e Formador de cursos profissionais

2 anos

Mediador do curso EFA de nível secundário (Turismo Ambiental e Rural)

31 anos

Viseu Licenciatura Mediador e Formador de cursos profissionais 1,5 anos Formador da formação prática/tecnológica 45 anos São João da Pesqueira

Bacharelato Professor e Formador 4 anos

Formador da formação

de base 32

anos

Vila Real Licenciatura Formador 3 meses

Formando do curso de Turismo ambiental e rural 25 anos Penedono 9ºano Empregada de balcão e empregada de limpeza __________ Formando do curso de Turismo ambiental e rural 28

anos Penedono 9ºano Agricultora __________

Formando do curso de Operador agrícola

33

anos Lalim 6ºano

Empregada de balcão (frutaria); empregada de mesa; empregada no lar de 3ª idade; diversos trabalhos agrícolas. __________ Formando do curso de Operador agrícola 35 anos Lalim 6ºano

Empregada fabril (cablagens para automóveis e fábrica de confecções); trabalhos agrícolas

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Caracterização dos mediadores

No que diz respeito ao mediador do curso de nível secundário, que passamos a designar de “Tiago”, nome fictício, este exerce a função de mediador há um ano e meio e conhecia vagamente os cursos EFA, assim como o trabalho de um mediador pessoal e social antes de iniciar esta actividade profissional.

Conhecia as funções de um mediador através da legislação, mas na prática não sabia bem como seria. Como é uma profissão relativamente nova e não existem trabalhos desenvolvidos sobre este tipo de mediação o conhecimento que possuía não era rigoroso. Mesmo assim não foi difícil adaptar-me a esta nova função. Foi até fácil porque um mediador pessoal e social deve acima de tudo estar atento e disponível a tudo e a todos, formandos e formadores.

Relativamente aos cursos EFA apenas conhecia os referenciais e que tinha por base de funcionamento os temas de vida e as vivências dos formandos (mediador Tiago, p. 1, l.12-19).

Já o mediador do curso de nível básico, que passamos a designar de “António”, assume esta função há dois anos, sendo também o coordenador dos dois cursos existentes, e teve

(…) a oportunidade de fazer formação antes de começar a exercer a função. Tirei o curso de mediação EFA o que me permitiu ter uma noção mais consciente do que é esta profissão.

Quando comecei a exercer funções de mediador/coordenador já sabia o que me esperava e/ou o que os outros esperavam de mim. As funções neste tipo de curso estão bem definidas através da portaria 230 de 7 de Março de 2008 (mediador António, p.2, l.1-7).

A oportunidade de trabalharem como mediadores surgiu por convite da direcção da Associação em ambos os casos.

Caracterização dos formadores

Como referimos anteriormente, no que diz respeito aos formadores entrevistados a relação temporal com o contexto foi o motivo de selecção, tendo em conta a percepção que tinham do processo de mediação e a importância conferida ao mediador pessoal e social na relação com formandos, na relação com os órgãos de gestão e na relação com a comunidade.

Deste modo, tivemos a oportunidade de entrevistar um formador que trabalha à quatro anos no CNO, que passamos a designar de “José”, bacharel em gestão de

51 empresa agrícola e formador da parte prática/tecnológica, e outro, que passamos a denominar de “Alberto”, que trabalha há 3 meses naquele contexto, possui uma licenciatura em ensino de geografia e é também formador da componente tecnológica.

Ambos demonstraram no decorrer de toda a entrevista conhecimentos acerca dos cursos EFA, embora o “Alberto” sinta algumas dificuldades que se prendem

(…) com a elaboração dos materiais didácticos e [adequação] das sessões às experiências de vida/vivências dos adultos. Mas os mediadores ajudam muito neste sentido. Recorro muitas vezes a eles (formador Alberto, p.2, l.20-23).

Caracterização dos formandos

Relativamente aos formandos, estes constituíram também parte do público-alvo da nossa investigação, uma vez que constituem fontes importantes de informação, principalmente, no que diz respeito, à percepção/opinião que têm relativamente às sessões de Portefólio Reflexivo de Aprendizagens (PRA) e Aprender com Autonomia (AA), ministradas pelos mediadores, ao perfil dos mediadores e às suas funções.

No que diz respeito às duas formandas inquiridas do curso de nível básico de operador agrícola, que passamos a designar de “Joana” e “Catarina”, têm 33 e 35 anos respectivamente, residem no concelho de Lalim (localidade onde decorre o curso) e estão desempregadas. Segundo as palavras delas,

Decidi inscrever-me neste curso para adquirir novos conhecimentos, novas amizades, para ganhar algum dinheiro e para fazer o 9º ano e quem sabe conseguir arranjar trabalho (formanda Joana, p.2, l.13-15).

Eu vim para o curso para tirar o 9ºano e depois o 12º para ver se consigo arranjar um trabalho melhor. Aqui podemos estudar e ganhar algum dinheiro, que não é muito mas já ajuda. Estes cursos são muito bons. Nunca deviam acabar (formanda Catarina, p.2, l.17-19).

Quanto à experiência profissional são formandas que já passaram por diversas profissões: uma delas já foi empregada de balcão numa frutaria, empregada de mesa, empregada num lar de 3º idade e fez diversos trabalhos agrícolas; a outra, já trabalhou como empregada fabril fazendo cablagens para automóveis, numa fábrica de confecções e em diversos trabalhos agrícolas. Ou seja, são formandas que para além de um baixo nível de escolaridade, não tiveram uma vida profissional estável.

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À semelhança destas formandas, também as formandas que estão a frequentar o curso de nível secundário de turismo ambiental e rural entrevistadas, que passamos a designar de “Margarida” e “Clara”, residem no concelho onde decorre o curso, têm 25 e 28 anos, o 9º ano (condição de acesso ao curso) e em termos de experiência profissional trabalharam como empregada de balcão e empregada de limpeza, e na agricultura, respectivamente, embora no momento estejam desempregadas, o que constituiu um dos motivos que as levou a procurar este curso.

Foram muitos os motivos que me levaram a entrar para o curso. Como estava desempregada há muito tempo decidi alargar os conhecimentos, ficar com mais escolaridade porque este curso nos dá o 12º ano, poder arranjar trabalho com mais facilidade porque para além do 12º também temos um estágio na área do turismo, e também poder ganhar algum dinheiro (formanda Margarida, p.2, l.13-17).

O que me levou a vir para aqui como já disse foi para ganhar algum dinheiro porque estava desempregada, para aprender mais, para obter o 12ª ano e uma certificação profissional na área do turismo que penso que é importante para o futuro, porque vamos ter um estágio nesta área e podemos ter a sorte de ficar lá a trabalhar (formanda Clara, p.2, l.19-22).

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