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Définition et formulation

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PARTIE 1 : LES FLAMMES LAMINAIRES DE PREMELANGE

4. L’étirement

4.1 Définition et formulation

Deflagrada a reforma da instrução paulista, já em 1894 é inaugurado o primeiro edifício projetado para abrigar uma escola primária na cidade de São Paulo, que foi a Escola Modelo da Luz, denominado depois de Grupo Escolar Prudente de Morais, e, anos mais tarde, recebeu o nome de Caetano de Campos (Fig. 1).

Figura 1: Grupo Escolar Prudente de Morais – São Paulo (Capital) - 1894

Fonte: https://ieccmemorias.wordpress.com/2016/11/20/2-da-instalacao-na-praca-da-republica-ate-a- decada-de-1970/

46 O autor do projeto foi o arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo, um dos brasileiros mais importantes na construção de grupos escolares, pela quantidade e qualidade dos projetos-tipo. Além disso, é importante mencionar que os grupos escolares receberam as contribuições de vários arquitetos estrangeiros como Victor Dubugras, Giovanni Battista Bianchi, Carlos Rosencrantz e José Van Humbeeck. Buffa e Pinto (2002) abordam a robustez econômica do Estado de São Paulo como fator importante na construção desses edifícios públicos:

[...] O vigor econômico do Estado no período permitiu a construção de escolas com requinte e, em algumas delas, o uso intensivo de materiais importados. Da mesma forma, são importados estilos arquitetônicos europeus, o neoclássico e o eclético, utilizados marcadamente nas construções públicas. Vale lembrar que, nesse período, há um enorme desenvolvimento imobiliário, sobretudo na cidade de São Paulo, representativo da riqueza econômica, fruto da cafeicultura e de um deliberado projeto republicano paulista de modernização da cidade e do Estado. É possível, assim, compreender, com mais clareza, as dimensões e a qualidade dos edifícios escolares então construídos (BUFFA e PINTO 2002, p.34).

Ainda segundo os citados autores (op.cit., p. 34), “a alternância dominante nas primeiras construções escolares foi a utilização de projetos-tipo, ou seja, projetos genéricos que foram construídos em diversos bairros da capital e muitas cidades do interior. [...].”. Isto significa dizer que a planta era a mesma, o que mudava em muitos casos era a fachada; sendo assim, o arquiteto que ficava conhecido, na verdade, era o autor da fachada e não do projeto-tipo, fato explicado pela escassez de profissionais especializados. Segundo os autores, a construção de projetos-tipos, em que nas plantas se seguia uma tipologia definida, se devia à necessidade de construir, em um curto espaço de tempo, um grande número de edifícios, com rapidez e a baixo custo. Assim, os Grupos Escolares podem ser descritos da seguinte maneira:

São edifícios quase sempre térreos, divididos em duas alas, uma para meninos, outra para meninas, conforme exigia o regimento dos grupos escolares, com entradas independentes e muros que se prologam até o fundo do lote, separando também os recreios. Nas escolas de dois andares, muitas delas projetadas até 1902, localizadas na capital e nas mais expressivas cidades do interior, a divisão dos alunos por sexo é feita por pavimento. As edificações são simétricas, com um programa arquitetônico; no caso dos Grupos Escolares, composto basicamente por oito salas de aula, quatro para cada sexo, um número reduzido de ambientes administrativos. O galpão, destinado ao recreio coberto, à ginástica e às

47 festas cívicas, é construído isoladamente no fundo ou nas laterais do terreno, ligado ao prédio principal por passadiços cobertos. Os sanitários também são instalados isoladamente sempre em parceria com o galpão. (BUFFA; PINTO, 2002, p.37).

A descrição acima nos dá apenas uma noção de como era a parte interna dos prédios onde funcionavam os Grupos Escolares. Além disso, vale ressaltar que havia também alguns critérios de seleção para a escolha do terreno que serviria para construir o prédio imponente. Como afirmam Buffa e Pinto (2002, p. 44) informam que eram escolhidas,

[...] quadras inteiras ou grandes lotes de esquina que proporcionassem uma visualização completa do edifício e permitissem múltiplos acessos. A entrada nobre, situada na fachada da escola utilizada pelos alunos apenas em dias de festas, era secundada por entradas para meninos e meninas e de uso diário.

Assim como na capital, nas cidades do interior do Estado, para instalar um Grupo Escolar deveriam se observar vários critérios. Desse modo, no interior, o primeiro Grupo Escolar foi instalado em Amparo4, em 1894, e nesse sentido, “[...] todos os grupos escolares construídos em bairros da capital e em cidades do interior, nesse período, têm funcionalidade marcante, são sólidos e exibem qualidades construtivas então próprias dos edifícios públicos” (BUFFA; PINTO, 2002, p.45).

Vale destacar também que os materiais utilizados para a construção dos edifícios dos Grupos Escolares deviam ter muita consistência e apresentar solidez; as edificações eram construídas de tijolos cozidos e telhas de barro, e sobre o acabamento dos prédios dos grupos escolares, os supracitados autores enfatizam que

No que se refere aos revestimentos e acabamentos, são empregados materiais nobres e, em alguns casos, até mesmo importados. A madeira, material abundante, é empregada em larga escala no piso, divisões e portas. É comum encontrar-se nessas escolas ambientes revestidos com mármore importado. O ferro, ricamente trabalhado, também é utilizado em

4 O Grupo Escolar Luiz Leite foi formado em 1894, pela reunião das oito escolas públicas que

funcionavam na cidade de Amparo – 5 femininas e 3 masculinas. Seu nome é uma homenagem ao Barão do Socorro, título honorífico do Coronel Luiz de Souza Leite, um dos chefes políticos do município e posteriormente Senador da República. (Fonte: http://www.infopatrimonio.org/wp- content/uploads/2013/12/1894_Grupo_Escolar_Luiz_Leite____mario-covas.pdf)

48 diversas obras, como balaústres e, às vezes, como sustentação dos vidros importados que formam os lambrequins (BUFFA; PINTO, 2002, p.47).

Ainda podemos destacar o uso intensivo do vidro, devido às grandes janelas utilizadas nos projetos arquitetônicos, que concebiam em seu bojo os princípios de salubridade e higiene presente nos discursos de médicos e políticos do período. Essas janelas possibilitavam que as crianças tivessem, ao mesmo tempo, mais luminosidade e ventilação controlada.

Assim, partindo deste detalhamento dos prédios, podemos afirmar que os Grupos Escolares possuíam uma arquitetura singular, e nisto estava sua imponência, que faziam distinguirem-se na paisagem da cidade, ou mesmo competir pela atenção, junto a outros prédios que se destacavam pela exuberância e importância social. Neste sentido, como afirmam Buffa e Pinto (2002, p. 43),

Impossível não distinguir, com clareza, na paisagem da cidade, um edifício imponente onde funcionava um Grupo Escolar construído nas décadas do período republicano. Situado em regiões nobres, esses edifícios marcam, definitivamente, pela imponência e localização, seu significado no tecido urbano. Não se trata de um mero acaso. Os terrenos foram estrategicamente escolhidos e os projetos judiciosamente desenvolvidos. A localização privilegiada, ao lado de importantes edifícios públicos, no centro da cidade, garantia sempre que os alunos percorressem e reconhecessem a cidade e suas instituições antes mesmo de chegarem à escola. Em bairros da capital e em cada cidade do interior do Estado onde foi implantado, o Grupo Escolar, símbolo de uma cultura leiga e popular, integrava o núcleo urbano composto pela Prefeitura, os correios, casa bancária, praça central e Igreja matriz. Ao mesmo tempo, distinguia-se das residências, das casas comerciais e dos demais edifícios que constituem a cidade (BUFFA; PINTO, 2002, p.43).

A imponência e a pujança dos prédios tinham o propósito não só de encantar os olhos infantis, mas também de acompanhar as mudanças na configuração espacial das cidades. Um bom exemplo destacado por Buffa e Pinto (2002) é a expansão da linha férrea e seu aumento considerável entre 1875 a 1891; isto significa justamente que ocorreram mudanças espaciais nas cidades, bem como foram incrementados o papel e a importância que a escola adquiriu nesse cenário. Assim, concordamos com os autores quando afirmam que

A nova configuração que a escola primária assume nesse período exige, ao mesmo tempo, uma nova configuração espacial. Esses edifícios deveriam atender a uma série de necessidades da nova proposta de ensino. Os programas arquitetônicos passam a obedecer às determinações dessa nova

49 realidade escolar: classes sequenciais, ambiente administrativo, valorização do professor, novas relações entre os alunos. Como numa cidade ideal, os espaços são articulados de forma a abrigar e instruir, não só pelo seu conhecimento, como também pela sua articulação (BUFFA; PINTO, 2002, p.45).

De significativa importância é considerarmos não só suntuosidade que está no projeto arquitetônico dos edifícios, mas também a categorização do espaço escolar como um lugar e também como um território demarcado e de extrema importância na conjuntura social vigente. Pois “a constituição do espaço como lugar, esse “salto qualitativo” que implica o passo do espaço ao lugar, é o resultado de sua ocupação e utilização pelo ser humano. O espaço se projeta, se vê ou se imagina, o lugar se constrói” (VIÑAO, 2005, p.17). É nesta concepção, de que o lugar é construído pela utilização das pessoas daquele espaço, que podemos compreender a importância e dos grupos escolares, e da escola como instituição essencial para a formação dos indivíduos daquele lugar. Viñao (2005) ainda nos leva entender a compreensão desse lugar como território, quando afirma que

[...] Ao mesmo tempo, essa ocupação do espaço e sua conversão em lugar escolar leva consigo sua vivência como território por aqueles que com ele se relacionam. Desse modo é que surge, a partir de uma noção objetiva – a de espaço-lugar –, uma noção subjetiva, uma vivência individual ou grupal, a de espaço-território (VIÑAO, 2005, p.17).

Entende-se, desse modo, a importância que esses edifícios, que abrigavam os Grupos Escolares, exerceram na constituição social do período, demarcando nas mentes, nas vivências e na formação de inúmeras crianças, indo muito além da construção de um prédio, e sim um sentimento de um pertencimento a esse espaço arquitetônico, constituído em lugar e território que instigou o progresso cultural e intelectual da população.

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