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1-2 Définition et classification des pesticides

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CHAPITRE I :ÉTUDE BIBLIOGRAPHIQUE

I- 1-2 Définition et classification des pesticides

O

Grupo de Pesquisa “Comunicação e Cultura Digital” da INTERCOM completa em 2020 dezenove anos. Em 2019 tivemos o prazer de lançar nossa primeira coletânea, intitulada “Fluxos em redes sociotécnicas: das micronarrativas ao big data” e organizada por Beatriz Polivanov, Willian Araújo, Caio Cesar G. Oliveira e Tarzício Silva. O livro está disponível gratuitamente em formato digital e é composto por 14 artigos que abordam aspectos como narrativas pessoais e práticas de consumo; epistemologias decoloniais; plataformas e seus algoritmos; e política e opinião pública em espaços online.

Desde seu início o GP articula uma rede de pesquisadores que se debruçam sobre diversas questões que a então denominada “cibercultura” trazia para a Comunicação no que tange à construção de relações sociotécnicas, produção de subjetividades, práticas mercadológicas e de consumo, ativismos e métodos de pesquisa na e para a internet. Em

alguns anos um certo tom de otimismo marcava os trabalhos do GP. Estávamos extasiados com as potências que o mundo digital poderia trazer: as promessas de uma comunicação horizontalizada; de uma aldeia global na qual não haveria barreiras físicas; a facilidade e rapidez na produção, distribuição e consumo de conteúdos por sujeitos comuns; a possibilidade de sermos quem quisermos online, dentre outros tantos aspectos. Não que sejam de todo incabíveis. Mas hoje o tom celebratório dificilmente se sustenta.

Comportamentos e pensamentos humanos são monitorados e transformados em dados extraídos, minerados e vendidos por e para grandes empresas do Vale do Silício; algoritmos reforçam e aprofundam o racismo e relações desiguais de gênero sob um véu de aparente neutralidade e objetividade maquínica; ações de desinformação proliferam afetando democracias; a precarização do trabalho ganha novos contornos com a mediação de plataformas; relações de poder e dominação do “Norte” para o “Sul” seguem, de formas por vezes invisíveis. Não bastasse todo este cenário somos tomados por uma pandemia que já tirou, até o momento de escrita deste texto em setembro de 2020, as vidas de mais de 930 mil pessoas no mundo em alguns meses. Gostaríamos de deixar aqui nossos sentimentos a todos que perderam seus entes queridos.

Nesse contexto desolador e marcado por tantas incertezas, aqueles que puderam (podem) ficaram (ficam) em suas casas, evitando o contágio e espalhamento do Covid-19. Com aulas, eventos e variadas atividades de trabalho transpostas integralmente para ambientes online – novamente, para quem isso é possível – intensificaram-se debates sobre a cultura digital, que ganha lugar de proeminência nas práticas de comunicação cotidianas de bilhões de sujeitos.

Foi com o intuito de complexificar o olhar sobre essa cultura, buscando sair de visões reducionistas que foquem

somente em seus aspectos “positivos” ou “negativos”, que tivemos o prazer de convidar o professor e pesquisador Rafael Grohmann para falar sobre um tema que julgamos de suma importância: o trabalho digital, suas utopias e distopias.

Rafael Grohmann é Professor do Programa de Pós- Graduação em Ciências da Comunicação da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Doutor e Mestre em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP). Criador/editor da newsletter DigiLabour e integrante do Centro de Pesquisa em Comunicação e Trabalho (CPCT – ECA/USP), é uma importante voz em nosso país quando o assunto é o trabalho no contexto das plataformas digitais.

A conversa com o professor Rafael Grohmann ocorreu durante uma das sessões das lives da Cátedra INTERCOM, no dia 21 de maio de 2020. As sessões foram parte das atividades online propostas pela INTERCOM naquele momento. O texto que segue é um compêndio do que foi discutido naquele dia, iniciando-se com uma fala de abertura do professor Rafael Grohmann e seguido de uma conversa com os mediadores e demais participantes da sessão onde o convidado buscou elucidar questões, reportando suas investigações e apontando caminhos para novos questionamentos sobre o trabalho em plataformas.

Apresentando um cenário de utopias e distopias

Falar de utopias e distopias é observar possíveis outros futuros para a nossa vida no trabalho. Há 20 anos, as pessoas diziam que o trabalho não seria uma categoria relevante para explicar o mundo e a comunicação. Mas essa pandemia tem mostrado o contrário. Esse momento histórico já se configurava antes da pandemia e isso se agrava na disputa de um projeto que visa acelerar tudo que a gente está vendo e outros caminhos para a sociedade. Trata-se de um velho que já morreu e um novo que ainda não nasceu, como brilhantemente

mostra Nancy Fraser a partir da queda do neoliberalismo progressista nos últimos anos. Esse assunto é muito sério e nós, pesquisadores, precisamos tomar as rédeas dele. Precisamos tomar as rédeas do significado de futuro. E quando falo de retomar o significado político, significa enfrentar o realismo capitalista e imaginar outras utopias reais. Álvaro Vieira Pinto já falava que a gente precisa imaginar o futuro para a tecnologia considerando um projeto de Brasil, considerando a periculosidade social da ciência.

Eu tenho falado de trabalho digital como uma coisa tão ampla que está em todas as fases da nossa vida como agora a gente está trabalhando e mediado pelos fundos de uma empresa com inúmeros problemas. E tenho falado muito do trabalho em plataformas. É esse o cenário que se tem falado de plataformização do trabalho.

Isso é a concretização histórica de uma série de outros mecanismos e elementos, por exemplo uma racionalidade neoliberal empreendedora de uma competição de todos contra todos em que o neoliberalismo é entendido mais como uma razão e uma maneira de pensar o mundo do que exatamente na política econômica. Há uma intensificação da financeirização e um grande componente comunicacional. Se você pegar os dados das principais empresas no mundo hoje, a maioria é da área de tecnologia e aí vai engolindo todas as áreas de saúde área de educação. Une-se a isso uma intensa extração de dados de todas as instâncias da vida social.

Essa combinação, em uma sociedade como a brasileira, vai se acentuar devido às desigualdades. É diferente de falar em gig economy como fala hoje o pessoal da Europa e dos Estados Unidos porque lá o gig, que é o bico, sempre foi exceção. Enquanto numa economia como a brasileira o bico é a norma; historicamente. A Ludmila Abilio afirma que a uberização é a apropriação produtiva e monopolizada pelas plataformas digitais em relação aos modos de vida das periferias. Nesse

sentido, falar em trabalho em plataforma e falar em marcadores sociais a diferença da desigualdade de classe de gênero de raça é tão bem como a geopolítica do trabalho digital. Então, no Brasil ou no Rio Grande do Sul ou nas Filipinas, a gente tem o cruzamento entre todos esses marcadores sociais. A gente não está no vazio. A plataformização, então, é a maior dependência de plataformas digitais para podermos conseguir alguma atividade de trabalho ou manter alguma atividade de trabalho. As plataformas são entendidas como infraestruturas digitais que são abastecidas com dados e automatizada por algoritmos.

O que isso tem a ver com comunicação? A primeira coisa que eu diria o seguinte a gente. A comunicação só vai ganhar uma centralidade nas Ciências Sociais e Humanas se as outras áreas passarem a nos ler. A gente faz coisa muito relevante as outras áreas não nos leem. A gente só vai sair dessa dessa entropia epistemológica quando deixarmos de lado o que pode ser chamado especificamente comunicacional. A gente tem que se aceitar enquanto uma ciência que é híbrida que vem tudo junto e que não dá para tirar o que é o comunicacional exatamente das coisas.

Então, as plataformas são ao mesmo tempo meios de comunicação e meios de produção. É a comunicação que organiza o mundo do trabalho digital tanto no ponto de vista do seu gerenciamento algorítmica ou da sua vigilância, gestão e controle dos dados quanto às possibilidades de lutas e de organização dos trabalhadores. É a partir então da comunicação que o trabalho se organiza. Mas não é algo puro. Eu tenho dito isso inclusive quando vou a banca na sociologia, porque hoje a comunicação explica melhor o mundo do que a própria sociologia. A gente precisa enfrentar isso.

As plataformas também não são só Uber e iFood, mas também a variedade de plataformas freelancers e de microtrabalho que alimentam a inteligência artificial. Você

pode pedir um professor ou uma drag queen por plataformas. Isso mostra como a plataformização tende à generalização para todas as atividades de trabalho e que estarão cada vez mais taskificadas em plataformas de microtrabalho. Essa é a nossa distopia. Não é algo feudal ou algo pré-capitalista, mas é algo eminentemente capitalista.

Além disso, se vocês soubessem exatamente como funciona a inteligência artificial vocês ficariam decepcionados com o quanto de trabalho humano precisa a inteligência artificial. O Facebook admitiu no ano passado que ele terceirizou trabalhadores para transcrever os áudios dos nossos chats. Google também admitiu isso em relação ao assistente virtual. E a Amazon Mechanical Turk é o maior exemplo desse trabalho do clique. Outro bom exemplo é o trabalho dos moderadores de conteúdo das mídias sociais, tão bem mostrado pelo filme The Cleaners. Então, o Facebook o Twitter e o Google dependem fundamentalmente de trabalhadores em call centers nas Filipinas e nos Estados Unidos. As pessoas têm que analisar mil e quinhentas fotos do que há de mais lixo da Internet. O Facebook foi obrigado a pagar 52 milhões de dólares para os moderadores que tinham desenvolvido algum estresse pós traumático no trabalho. Há trabalhadores desse tipo em agências de publicidade boutique, segundo a Sarah Roberts no livro Behind the Screen (2019). Algo mais profundo do que isso são os treinadores de dados de carros autônomos cuja maioria dos trabalhadores são da Venezuela.

Mas as coisas estão em movimento e há lutas e disputas em torno de possibilidades de outros mundos possíveis. Afinal, o trabalho em plataformas é um laboratório da luta de classes. É preciso imaginar outras utopias no sentido de prefigurações. É assim que vamos pensar em projetos comunicacionais, políticos e digitais para uma sociedade em que o velho já morreu e o novo ainda não pode nascer.

Na Alemanha, existe um sindicato dos youtubers no YouTube. Na Inglaterra, há o sindicato dos influencers criado por uma blogueira de moda. Já há o Game Workers Unite. Os profissionais de comunicação voltaram a se organizar coletivamente nos Estados Unidos e no Canadá em novos sindicatos digitais, algo muito bem documentado por Nicole Cohen e Greig de Peuter. O setor de tecnologia tem criado várias associações de trabalhadores, como Tech Workers Coallition. Motoristas e entregadores têm se organizado coletivamente no mundo todo, inclusive no Brasil.

Há também outros movimentos, como a pressão por trabalho decente nas plataformas digitais, cuja maior expressão é o projeto Fairwork, de Oxford, que eu coordeno no Brasil. Há também iniciativas muito interessantes do chamado cooperativismo de plataforma, que busca construir plataformas a partir da organização do trabalho cooperativista. Na área de comunicação, indicaria a plataforma de streaming audiovisual Means.TV, a Doc Servizi, a cooperativa de games Pixel Pushers Union, entre outros.

O que está acontecendo é que esses movimentos não são respostas prontas, mas recheados de contradições. E precisamos enfrentá-la. Lutar pela circulação do comum em lutas de fronteiras não idealizadas e a partir da cultura digital pela distribuição e circulação desse comum. A Wendy Liu, em Abolish Silicon Valley, fala que precisamos abolir tudo o que o Vale do Silício significa. Precisamos pensar em novas reapropriações tecnológicas para além do realismo capitalista. Precisamos lutar por novas formas de plataformização do trabalho! E sem a comunicação isso é inviável!

Dialogando sobre as distopias do trabalho digital

Caio Cesar Oliveira: Gostaria de iniciar com um

alguns caminhos. Parto de uma publicação antiga de Barbrook e Cameron (1996) chamada A Ideologia Californiana. Os autores falam nesse texto que, no contexto da emergência das grandes corporações do Vale do Silício, estaria aparecendo uma nova classe de trabalhadores: os trabalhadores virtuais. De acordo com os autores, estes trabalhadores enfrentariam problemas porque eles - ao mesmo tempo que seriam guiados por um ideal de liberdade e de individualismo, frente a estas corporações, eles perderam algumas de suas capacidades. A fala de Barbrook e Cameron (1996) é relevante ainda nesse contexto? Como você vê isso no contexto em que vivemos? Você acha que a gente está em um ponto adiante ao que Barbrook e Cameron (1996) fizeram referência?

RG: Eu acho que o ponto da Ideologia Californiana tem

sido atualizado por alguns pesquisadores e pesquisadoras, como Jen Schradie (2019) no livro “The Revolution that Wasn’t: How Digital Activism Favors Conservative” (A revolução que não houve: como o ativismo digital favorece os conservadores, em uma tradução livre) e em um texto que a gente acabou de publicar na revista Fronteiras da Unisinos, chamado “Elites tecnológicas, meritocracia e mitos pós raciais no Vale do Silício” (NOBLE; ROBERTS, 2020), que tem a ver com a ideologia do Vale do Silício e o mito meritocrático pós-racial envolvido na ideologia do Vale do Silício.

Eu acho que essa ideologia do Vale do Silício é muito forte. Eu lembro de uma palestra que fui dar na PUC Minas de Poços de Caldas e, depois de explicar como funcionava a retórica do Vale do Silício, alguém perguntou: “como faço para fazer uma startup estilo Vale do Silício aqui em Poços de Caldas?”. De que maneira que acabamos perdendo um sentido de país? Todo mundo nasce em um lugar, mas o que fazemos a partir de nossas possibilidades locais pensando em circulações globais? O que eu tenho visto em relação à organização dos trabalhadores é algo que está em movimento. O que me chama

atenção é que cada vez mais organizações como a Means TV, como o sindicato Game Workers Unite. Eles se organizam por meio do Discord, que é uma plataforma é usada para games e que tem sido reapropriada para pensar a organização dos trabalhadores. Como já há projetos criados por trabalhadores da Amazon Mechanical Turk e outro criado numa parceria entre a academia e os trabalhadores da Mechanical Turk para denunciar patrões que não pagassem ou maus patrões. Então, essas coisas têm acontecido, mas não de uma forma organizada. Como Callum Cant defende, o trabalho em plataformas hoje é um laboratório da luta de classes. A gente está vivendo experiências ou laboratórios de algo do que pode vir a ser e essas coisas estão em disputa, como mencionei anteriormente, entre a aceleração e esse modelo vigente, que pode ser simbolizado pela ideologia do Vale do Silício e a tentativa de frear e propor alternativas a isso. Obviamente não é uma coisa igual. É uma falsa polarização, porque essa aceleração está ganhando. Mas isso não significa que é uma terra arrasada.

Beatriz Polivanov: No editorial que você escreveu em

parceria com Jack Qiu para o dossiê “Trabalho de Plataforma” da Revista Contracampo (GROHMANN; QIU, 2020) você fala que, exatamente pelo fato de aqui no ‘Sul Global’ termos como padrão essa economia informal, podemos tirar daí uma certa potência para conseguir transformar as relações de trabalho em algo mais benéfico para os próprios trabalhadores. De que forma podemos nos apropriar ou aproveitar do fato de termos o trabalho informal como algo característico?

RG: Foi muito importante esse diálogo com Jack Qiu,

pois o cenário chinês é bastante diferente. Porém, passamos a ver como o Brasil e China tinham algumas similaridades, com essa questão da informalidade marcando o trabalho. Essa fala da potência vem mais da abordagem do Jack Qiu. Ele sugere que não significa romantizar essas experiências. Não se trata de uma visada neoliberal sobre os nossos sofrimentos. Trata-se de

transformar isso em novas maneiras de organização. É muito fácil aplicarmos uma lei da Califórnia no Brasil, mas não funciona. Então, precisamos achar nossas próprias soluções. É um pouco esse o desafio. É algo complexo. Então, talvez seja esse o aprendizado histórico que a gente tem com o bico, agora plataformizado, que possamos nos virar nesses momentos tão difíceis que estamos vivendo.

Pergunta da audiência (via chat): Porquê o que o

campo da comunicação tem essa potência de explicar o mundo e porque é preciso para o campo tornar-se mais relevante?

RG: Passamos por um momento importante no campo de

definir o que são os nossos parâmetros, de definir o que é a nossa área. As instituições tiveram um papel nisso, temos hoje uma área reconhecida na Capes e no CNPq. Nós somos reconhecidos institucionalmente e devemos a essa história no campo da comunicação nesses últimos 20 anos. Porém, tenho defendido que é hora de dar outro passo. Defendo que é hora de ultrapassar o ponto de vista do especificamente comunicacional para trazer o comunicacional com tudo o que vem junto. Um exemplo disso é o que a gente está vivendo na no dossiê “Trabalho de Plataforma” da Revista Contracampo (GROHMANN; QIU, 2020). Temos autores da sociologia, da comunicação, do direito. Eles, que sempre tiveram preconceito com a área da comunicação, estão sendo obrigados a nos ler. Ao estudar o trabalho, por exemplo, não adianta eu pegar só sua dimensão comunicacional, sem considerar as condições de trabalho e de saúde mental desses trabalhadores, como se fosse algo que desse para separar. Se eu não estudar, nenhuma outra área vai estudar do modo como o olhar comunicacional. O Muniz Sodré que essa é a centralidade que o campo da comunicação pode ter, como um lugar menos específico e mais como um lugar de articulação de saberes. Como um lugar epistemológico de encontro entre saberes. É assim também que, ao meu ver, a gente vai dar esse passo para sermos mais lidos por outras áreas.

Pergunta da audiência (via chat): Como pensar numa

expropriação das plataformas como cooperativas locais de trabalhadores sem estar sujeito às lógicas de datificação a partir das formas de distribuição desses aplicativos e plataformas, em uma lógica que são a partir dessas distribuidoras que os aplicativos chegam à grande maioria dos usuários?

RG: A gestão algorítmica é um dos mecanismos do

trabalho em plataformas, de maneira que já está escrita no próprio desenho das plataformas que, por exemplo, o trabalhador só pode conversar com o consumidor e não com outro trabalhador, e o que aparece para um trabalhador, às vezes não aparece para o outro. A pergunta é muito boa e mostra as contradições que estão envolvidas nos movimentos iniciais que eu estava colocando antes., Por exemplo, o movimento por regulação tem seus limites porque você pode acabar alimentando ainda mais um certo capitalismo ético nas plataformas que estão por aí e não criando outras alternativas. Por outro lado, o cooperativismo que se coloca como uma alternativa recebeu um milhão de dólares da Fundação do Google para fazer seus projetos, que é uma contradição a ser enfrentada. Eu entrei em contato com uma cooperativa sueca de serviços de nuvem, que oferece o mesmo que o Google Drive e o Zoom fazem, com mais privacidade de dados. Eu tentei usar o serviço dessa cooperativa para uma videoconferência, mas não foi possível pois a capacidade de banda da cooperativa não está aguentando esse momento de pandemia. O que me faz pensar que não dá para falar em trabalho de plataforma sem pensar as materialidades da comunicação, sem pensar as infraestruturas digitais e até a própria geologia da mídia. Há pontos em comum deste debate com o próprio marxismo e a noção de materialidade. Enquanto dizem que a internet é da nuvem, cada vez mais ela é feita de cabos submarinos completamente materiais e concretos. Estamos em um momento de pensar o material

e o concreto despertando. Quando eu pergunto para aos pesquisadores “Como descolonizar os dados? Como pensar em outras formas de tecnologias sem datificação?”, é algo que sempre recai em contradições. Algo que avança por um lado e por outro lado você é capturado por isso. Vamos precisar enfrentar essas contradições.

Pergunta da audiência (via chat): Como que essas

pressões de novos agrupamentos de trabalhadores dessas plataformas têm sido recebidas pelas grandes corporações. Podemos esperar reacomodações das plataformas e ferramentas a partir dessas demandas ou se trata de nadar contra a corrente?

RG: A professora Wendy Brown (2015) diz que o

neoliberalismo é tão forte que todas as alternativas que se colocam a essa racionalidade precisam passar por ela. Percebemos isso no capitalismo acadêmico. Você não consegue resistir ao produtivismo acadêmico sem produzir. Você precisa entrar de alguma maneira nessa lógica, que é, em si, contraditória. Por isso, precisamos entrar pelas brechas e criar mecanismos de luta. Temos visto que

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