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A leitura do banner publicitário também se deu de forma coletiva, o banner foi apresentado em slide e oralmente segui o roteiro de leitura (APÊNDICE 02) guiando o olhar dos professores ao mesmo tempo em que procurava promover a apropriação dos recursos de sentido que já havíamos debatido e exemplificado anteriormente.

A Figura 11 demonstra os processos iniciais de leitura, sendo que os comentários feitos em resposta às perguntas estão expressos em balões de fala, demonstrando processos verbais, assim como as caixas de texto. Quando solicitados a justificar a fala que expressava o impacto causado pela imagem, os professores externaram as associações realizadas e apontaram os elementos que os havia motivado, para diferenciar essa fala da anterior, optei por utilizar balões em forma de nuvem, que convencionalmente demonstram processos mentais. A indicação de elementos relativos ao objetivo comunicativo do texto está indicado por setas. Apresento a seguir o banner e os comentários tecidos ao longo de sua leitura.

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Figura 11 – Leitura do Banner Publicitário

Ao debater o impacto inicial causado pela imagem, os professores usaram palavras que se referiam à experiência de mundo representada, balões em verde. Ao serem solicitados a uma observação mais detalhada, se referiram aos participantes e a relação interpessoal representada, balões laranja.

Na continuidade da leitura, ao justificarem o sentimento inicial que tiveram, os professores reconheceram elementos composicionais da imagem que subsidiavam o impacto inicial, balões em nuvem.

As duas questões iniciais já demonstraram o reconhecimento das duas principais funções da imagem e conduziram ao debate da terceira pergunta, que era relativa ao objetivo comunicativo do texto. Ao associar “homem cheiroso” com a embalagem de perfume, destaque criado pelo recurso de primeiro plano, todos já haviam percebido a imagem como um anúncio publicitário com o objetivo de venda do perfume.

Ao serem questionados sobre o sentimento inicial gerado pelo texto e seu objetivo comunicativo, os professores expressaram que não havia conexão direta,

mas que o sentimento de bem-estar gerava o desejo de usar o produto a fim de ter as emoções causadas inicialmente. Nesse momento eles expressaram que se deram conta não só que as imagens significam, mas que criam e despertam desejos, nesse caso de consumo, por meio de recursos de sentido escolhidos cuidadosamente pelo autor do texto.

Sobre o público a quem a publicidade se destinava, o primeiro comentário foi de que se destinava a „homens bem sucedidos financeiramente‟, pois só eles teriam condições de estar em um lugar como o representado na imagem. Os comentários que se seguiram fizeram menção ao fato de ser uma publicidade veiculada na internet, indicando que pessoas de baixa renda dificilmente acessam a internet com o objetivo de realizar compras.

O professor 14, que havia citado “homem cheiroso” complementou dizendo que, estando o texto verbal em inglês, era mais um elemento a se considerar, pois para entender o texto como um todo se supunha que o leitor, e provável comprador, saberia ler em inglês.

Quando questionados se faziam parte desse público alvo, os professores disseram querer consumir o produto, mas que a informação de preço não estava disponível, e que eles achavam que isso, por si só já era o indicativo de alto custo.

Ao abordar a última questão do roteiro de leitura que os professores mencionaram que os participantes não estavam olhando para o público e que parecia que estávamos vendo eles de baixo e que esses aspectos, além do inglês na linguagem verbal, distanciavam o anuncio do publico em geral.

Foi nesse momento que houve menção explicita ao ângulo e ao vetor criado pela linha dos olhos como recursos de sentido para criação do distanciamento social.

Ao termino da leitura, o professor 01 comentou que era surpreendente o fato de que normalmente ficávamos apenas na leitura inicial, no impacto causado, mas que de fato não explorávamos os detalhes das imagens e que por isso era tão fácil ser levado ao consumo desnecessário.

Considerando a leitura realizada pelos professores, com o roteiro de leitura conduzindo o olhar, ficou evidenciado que além de terem passado ao nível consciente que a imagem significa, eles facilmente reconheceram também que foi a experiência humana representada que causou maior impacto a primeira vista e que os participantes e a relação interpessoal representada conotavam que esse perfume

91 se destinava a homens que já atingiram maturidade afetiva, com base na indicação de família, e estabilidade financeira, com base no cenário utilizado.

A percepção da distância social criada, não apenas pelo cenário, mas o reconhecimento de ângulo e vetor criado pela linha dos olhos, tornando a imagem apenas uma oferta, demonstra que mesmo sem a metalinguagem os professores estão se apropriando dos recursos de sentido nas imagens e desenvolvendo sua habilidade de leitura imagética.

Além disso, importa perceber que a autopercepção como não pertencentes ao público alvo do produto implica na autoimagem que os professores fazem de si mesmos e na valoração social e remuneração de sua profissão, que, segundo suas falas, não lhes dá acesso a essa representação da experiência humana. Como menciona Arroyo: “Que imagens a sociedade tem de nós? De nosso oficio? Coincidem tão certinho com nossas autoimagens ou estamos lutando por construir outras?” (2000, p. 15). Esse foi um momento que nos permitiu inferir que a auto(trans)formação permanente de professores precisa ir além do fazer pedagógico e, sendo ensinar um ato político, abarcar a luta pelo reconhecimento e dignificação da profissão.

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