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Déclaration de conformité aux normes environnementales

Dans le document PRIME H510M-A. Carte mère (Page 29-34)

Os processos de textualização desenvolvidos pelo pesquisador, e de conferência desenvolvidos pelos depoentes, neste trabalho de pesquisa, grande parte do tempo estiveram interligados. O processo de conferência dos textos pelos depoentes foi um trabalho muito interessante porque não só houve correções quanto ao entendimento da gravação da entrevista. Os professores residentes em Bauru se dispuseram a discutir pontos da textualização após uma primeira leitura; não apenas para elucidar dúvidas, mas porque interessaram-se pelo próprio processo de textualização, sugerindo inserção de pequenos textos explicativos, escritos de próprio punho, no texto a eles apresentados. Estes contatos posteriores tanto propiciaram acesso a documentos (cedidos pelos próprios depoentes), como indicaram possibilidades de novas áreas de investigação como será comentado posteriormente.

Esta fase revelou importantes aspectos quanto à ação da memória. Aspectos relacionados tanto à comunicação voluntária de experiências quanto às dimensões inefáveis da condição humana e, portanto, não revelados por meio da linguagem e, sim, pelos

esquecimentos voluntários (ou não). E, também, necessidade de novas reflexões metodológicas.

Os relatos orais, analisa Frank (1999), são do tempo presente por serem depoimentos de testemunhas vivas; as fontes orais logo serão de um tempo passado e não de um “presente” renovável, ou como descreve o autor: “tempo renovável à medida em que o tempo passa” (Ibid, p.103). No entanto, estão marcados pelo próprio presente, são inerentes a ele, qualquer que seja a época. Como a História, observa Frank (1999) é, entre outras coisas, um inquérito quase no sentido policial do termo, com indícios, depoimentos e testemunhas, é pertinente a observação de Chauveau & Tétard (1999) sobre a história do presente tocar “um pouco de tudo”. Portanto, esse é um campo particularmente delicado para se construir e analisar, e o depoimento oral, nesse contexto inegavelmente histórico, não pode se restringir à pura e simples transcrição das declarações das testemunhas, concluem Bernstein & Milza (1999). A dificuldade, no entanto, é que a metodologia específica a esse período está sendo construída. Portanto, em trabalhos de pesquisa que, como esse, utilizam a História Oral como recurso metodológico, é necessário estar atento e principalmente, quando se faz parte de um projeto maior no qual pessoas estão interessadas nessas questões, não incorrer no risco ressaltado por Frank (1999, p.105) de banalização do método: “[todos] têm naturalmente, sem fazer muito alarde, o recurso às testemunhas orais, que [...] registra em fitas eletrônicas. [No entanto], quando essas fontes são depositadas junto a um organismo, para serem consultáveis imediatamente ou segundo um prazo fixado, elas se tornam “arquivos orais”. Pires (2001) alerta para este aspecto77 quando discorre sobre utilização de uma retórica ambivalente fundamentada tanto na percepção, na vivência dos acontecimentos por parte dos depoentes quanto na denúncia da inconfiabilidade de certos informes, implicada pelo princípio da presença cognitiva. Por menor que seja a distância temporal entre o tempo do acontecimento e o tempo da narrativa, observa, há sempre, mediando ambos, um ato de memorização do fato, pelo qual a percepção do sujeito que presencia o acontecimento transmite sua realidade perceptiva traduzida por um relato discursivo. A percepção dos fatos e o relato relacionado a eles são comprometidos pela parcialidade do olhar não apenas porque existem subjetividades diversas e, sim, porque, devido a engajamentos antagônicos, acontecem enfoques conflitantes de constatação informativa dos acontecimentos presenciados. Eis porque Le Goff (1996) alerta para os problemas que surgem, tanto nas relações entre a história vivida das sociedades

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Ao discorrer sobre a retórica metodológica de Tucídides de Atenas, o autor analisa as dificuldades e possibilidades de uma exploração hermenêutica da memorização textual a partir do seguinte impasse: “distintos observadores não narram as mesmas coisas acerca de um mesmo acontecimento” (PIRES, 2001, p. 121).

humanas e o esforço científico para descrevê-las, como nas relações entre a história e o tempo. Estas dificuldades têm levado os historiadores a se interessarem cada vez mais por uma história dos homens em sociedade. No entanto, alerta Pires (2001), a possibilidade de crítica a um processo metodológico não está no confronto entre dados ou em uma exploração que resulte na apresentação de uma trama das distintas óticas. A possibilidade de crítica está na pretensão de se alcançar uma realidade monolítica unitária e objetiva, cuja única finalidade é apagar as diferentes formas de se perceber um acontecimento.

Algumas situações, emergidas durante o trabalho de textualização apontam mais do que a necessidade de reflexões sobre o trabalho da memória, como observado acima: evidenciam a necessidade de demarcação clara do modelo de teoria do conhecimento no interior da qual serão tratadas as situações. Isso porque o tratamento teórico a ser dado às questões circunstanciais deste trabalho de pesquisa tornou necessárias incursões por outras áreas do conhecimento. A História Oral como fonte de recursos metodológicos (ainda sem uma fundamentação teórica própria) tem tornado necessário um relativismo epistemológico sem o qual muitos dos conceitos e ações inerentes ao processo metodológico se situariam em um leito dogmático. Reflexões no âmbito transdisciplinar mostram-se necessárias, como discorre Seixas (2001); tramas que coloquem a história em diálogo com campos do saber e da sensibilidade que também, e de formas diversas, tematizaram e problematizaram a memória. E também, porque espera-se que o arcabouço teórico utilizado para elucidar impasses surgidos neste processo investigativo possa, em trabalhos futuros, auxiliar na condução de situações de entrevista, ou melhor, no aprimoramento do processo de entrevistar. Desta forma, o modelo de teoria do conhecimento proposto por Foucault (1999) não só justifica o processo, no qual teoria sobre o objeto de pesquisa e teoria metodológica se retroalimentam, como alerta para a impossibilidade de se fazer uma história da verdade sem se desembaraçar dos grandes temas do sujeito de conhecimento, ao mesmo tempo originário e absoluto.

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