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Etude exploratoire de l’exploitation du matériau composite élaboré

CHAPITRE IV – RESULTATS ET DISCUSSIONS

4.2. SACHET PLASTIQUE COMME ADJUVANT CONTRE L’ABSORPTION D’EAU

4.2.1. Déchets de sachets plastiques comme adjuvant de masse contre l’absorption d’eau

4.2.1.5. Etude exploratoire de l’exploitation du matériau composite élaboré

Já se afirmou, no tópico anterior, que existem duas vertentes do Liberalismo. A primeira vertente, também denominada de Liberalismo Clássico, sempre foi orientada para a luta pela liberdade individual contra o Estado. Tendo servido, inicialmente, para fundamentar a liberdade religiosa em face dos Estados Nacionais (sécs. XVI e XVII), foi depois empregada no campo político, para a defesa dos direitos naturais dos indivíduos, mediante a limitação dos poderes do Estado (maior parte do séc. XVIII). Mais adiante, essa primeira vertente de liberalismo serviu para justificar e regular as ordens capitalistas

295 VICENTINO, Cláudio. História geral. 8ª. ed. São Paulo: Scipione, 1997, p. 290. 296 VICENTINO, Cláudio. Op.cit., p. 290.

297 Um liberalismo que era novo, mas que não se confunde com o Neoliberalismo, tão em voga no presente. Esse novo liberalismo se caracterizava pela volta da intervenção estatal, visando a estabelecer igualdades no campo social.

298Cf. STATUS QUO. Liberalismo. Texto disponibilizado na Internet, no portal “Status Quo”, no caminho http://www.statusquo.hpb.ig.com.br/política/regimes/liberalismo.htm . Acesso em 28 set. 2001.

burguesas que se formaram mediante as revoluções constitucionalistas (fim do séc. XVIII e maior parte do séc. XIX).

A segunda vertente do Liberalismo trata-se daquele “novo liberalismo”, do final do século XIX299, que defendia a intervenção do Estado na sociedade, para eliminar desigualdades, através do estabelecimento de legislações de cunho social.

O Neoliberalismo, por sua vez, consiste numa reação teórica e política veemente contra este último tipo de Estado Liberal, ou seja, contra o Estado intervencionista e de bem-estar300. Essa doutrina ganhou impulso com as pregações do austríaco Friedrich Hayek e dos norte-americanos Milton Friedman e Robert Lucas, ganhadores do Prêmio Nobel de Economia em 1974, 1976 e 1995, respectivamente301. A denominação de Neoliberalismo advém da semelhança com o Liberalismo, no que concerne à preocupação com o tamanho do Estado, tendo em vista que “(...) os ‘neoliberais’ acreditam que o Estado cresceu muito e que, por isso, deve diminuir sua participação na economia”302.

Assim como os liberais clássicos, os “neoliberais”, assim como os liberais, defendem intransigentemente a despolitização dos mercados, a liberdade de circulação dos indivíduos e capitais privados e a defesa do individualismo, contrapondo-se ao coletivismo303. Os clássicos e “neo” liberalistas são contrários a uma busca de maior igualdade social pela intervenção do Estado304. Nesse ponto, a idéia comum das duas vertentes do liberalismo é que a igualdade social deve ser entendida como igualação de oportunidades. De tal sorte, tendo os indivíduos as condições de partida iguais, as diferenças individuais os conduziriam a diferentes posições na sociedade. Essas diferenças individuais aparecem, assim, como justificativa para a existência da relação

299 Em vários países, somente no séc. XX, como é o caso do Brasil.

300 Ou seja, contra o “novo liberalismo”, já conceituado na nota de rodapé nº 297.

301 VICENTINO, Cláudio. História geral. 8ª. ed. São Paulo: Scipione, 1997, p. 465. Consoante este mesmo autor, o texto que originou a teoria neoliberalista foi “O caminho da servidão”, de Friedrich Hayek, escrito em 1944, ou seja, muito antes da sua recente disseminação. Trata-se de um ataque apaixonado contra qualquer limitação aos mecanismos de mercado por parte do Estado, consideradas como uma ameaça letal à liberdade não somente econômica, mas também política. Em 1947, Hayek convocou adeptos de sua idéia, com quem, numa assembléia em Mont Pèlerin, na Suíça, fundou a Sociedade de Mont Pèrelin, uma espécie de franco-maçonaria neoliberal, altamente dedicada e organizada, com reuniões internacionais a cada dois anos. Seu propósito era combater o Keynesianismo e o solidarismo reinantes e preparar as bases de um outro tipo de capitalismo, duro e livre de regras para o futuro. As idéias da mencionada sociedade somente encontraram terreno receptivo em 1973, com a crise do modelo econômico do pós-guerra, ou seja, o Estado intervencionista (VICENTINO, Cláudio. Op.cit., p. 465).

302 Cf. GEOCITIES. Neoliberalismo e políticas públicas: diferenças entre o neoliberalismo e o

liberalismo. Texto disponibilizado na Internet, no caminho

htpp://www.geocities.com/sunsetstrip/balcony/5510/22 , acesso em 28 set. 2001. 303 GEOCITIES. Op. cit.

consistente no explorador dominando o explorado, própria do capitalismo e necessária para sua manutenção305.

Apesar de o neoliberalismo ter-se originado, como ideologia, já na primeira metade do século XX, sua afirmação concreta ocorreu somente na passagem da década de 70 para a de 80 do século passado, com os governos de Margareth Thatcher, na Inglaterra, a partir de 1779; e de Ronald Reagan, nos Estados Unidos, desde 1981.

A partir da década de 70, os países industrializados passaram a viver uma segunda grande crise do capitalismo no século XX306. Como conseqüência dessa crise, verificavam-se desequilíbrios macroeconômicos, financeiros e de produtividade que se prolongaram pela década de 80 e se espalharam pela economia internacional. Na pretensão de enfrentar a crise capitalista, a Inglaterra e os Estados Unidos vislumbraram na implantação das idéias neoliberais uma saída307308.

Na Inglaterra, a aplicação do receituário neoliberal mereceu as alcunhas de “thatcherismo” e de “contra-revolução industrial”, esta última em oposição à “revolução keynesiana”309. A “contra-revolução industrial” consistia na aplicação do receituário friedmaniano310 de contração monetária, eliminação do Estado como agente econômico, drástica redução do tamanho e dos gastos com o Welfare State, e a liberalização dos mercados. No citado país, os resultados dessa política, em síntese, foram a recessão e o desemprego, além de outros, embora atingindo o objetivo implícito que era o da valorização internacional da Libra311.

Por sua vez, nos Estados Unidos, o modelo econômico neoliberal foi implantado sob o título de “economia de oferta”. Nesta última, tal como no “thatcherismo”, o Estado aparece como a causa de todos os males, e a estagflação312 é apontada como sendo

305 GEOCITIES. Neoliberalismo e políticas públicas: diferenças entre o neoliberalismo e o liberalismo. Texto disponibilizado na Internet, no caminho htpp://www.geocities.com/sunsetstrip/balcony/5510/22 , acesso em 28 set. 2001.

306 A primeira deu-se cerca de quarenta anos antes, sendo seu ponto culminante a quebra da bolsa de valores em Nova York, em 1929.

307 Cf. SOARES, Laura Tavares. Os custos sociais do ajuste neoliberal na América Latina. São Paulo: Cortez, 2000. (Coleção Questões de Nossa Época, v. 78), p. 11.

308 Deve-se observar que, nessa época, Margaret Thatcher tinha como mentor Friedrich von Hayek e o Presidente Reagan se aconselhava com o economista Milton Friedman (DALLEGRAVE NETO, José Afonso. Transformações das relações de trabalho à luz do neoliberalismo. In: Revista Trabalho & Doutrina: Processo – Jurisprudência, Ed. Saraiva, São Paulo – SP, nº 24, p. 88-108, mar. 2000. Trimestral, p. 90).

309 Keynes combateu a forma clássica do Liberalismo, fornecendo bases teóricas para a formação do Estado Social.

310 Denominação em homenagem ao teórico neoliberal norte-americano Milton Friedman, ganhador do Prêmio Nobel da Economia, em 1976.

311 Cf. SOARES, Laura Tavares. Op. cit, p. 13.

312 “Estagflação” é o fenômeno resultante da combinação da inflação crônica com o baixo crescimento econômico que geraram a segunda crise global do capitalismo no século XX, ocorrida a partir da década de

resultado do excesso de oferta monetária, de impostos e de regulamentação do mercado. A receita para que os Estados Unidos “(...) retomem a posição hegemônica é a volta ao ‘liberalismo econômico’, mediante a redução da carga fiscal, contração da oferta monetária, eliminação dos vários tipos de regulamentação do mercado por parte do Estado e o restabelecimento do Dólar como moeda forte e padrão de referência internacional”313.

A partir das diretrizes desses dois países, o modelo econômico neoliberal foi imposto ou adotado nos países centrais e da América Latina, em especial a partir da década de 90 do século passado, após as quedas do comunismo e do muro de Berlim314.

Todavia, o ajuste neoliberal não foi levado adiante na mesma magnitude nos países centrais, que, na verdade, cuidaram de proteger suas economias e de transferir sua crise para a periferia, através da dívida externa. O modelo neoliberal que se propôs para a América Latina315 contém a exigência de liberalização comercial e financeira a todo custo316. Medidas como a desregulamentação dos mercados e a desobstrução do comércio internacional e da entrada de capitais passaram a ser apregoadas como se fossem as únicas diretrizes de política capazes de garantir a inserção de diferentes nações no contexto de globalização317.

Dallegrave Neto318 relaciona dez medidas trazidas pela “nova doutrina”: 1) flexibilização dos direitos individuais trabalhistas; 2) estímulo à livre negociação entre patrão e empregado, com limitação ao direito de greve e ao poder sindical; 3) exoneração do funcionalismo público e privatização das estatais; 4) diminuição do espaço público e ocupação pelos entes privados; 5) mudanças de prioridade nas diretrizes de educação e saúde públicas; 6) políticas que diminuam a inflação e a tributação sobre as altas rendas; 7) medidas que facilitem a livre circulação do capital especulativo estrangeiro; 8) quebra

70 e prolongada por toda a década de 80, causados, sobretudo, pelas mudanças no pagadigma tecnológico – mudanças essas denominadas de Terceira Revolução Industrial (SOARES, Laura Tavares. Os custos

sociais do ajuste neoliberal na América Latina. São Paulo: Cortez, 2000. (Coleção Questões de Nossa

Época, v. 78), p. 11).

313 SOARES, Laura Tavares. Op. cit. p. 14.

314 Cf. DALLEGRAVE NETO, José Afonso. Transformações das relações de trabalho à luz do

neoliberalismo. In: Revista Trabalho & Doutrina: Processo – Jurisprudência, Ed. Saraiva, São Paulo – SP,

nº 24, p. 88-108, mar. 2000. Trimestral, p. 90.

315 O Brasil e demais países da América Latina comprometeram-se às diretrizes neoliberais impostas pelo FMI e BIRD, em 1989, na reunião que ficou conhecida como Consenso de Washington (DALLEGRAVE NETO, José Afonso. Op. cit., p. 90).

316 DALLEGRAVE NETO, José Afonso. Op.cit., p. 14-15.

317 O tema está bem explorado em CARCANHOLO, Marcelo Dias. Neoliberalismo e o Consenso de

Washington: a verdadeira concepção de desenvolvimento do governo FHC. In: MALAGUTI, Manoel

L. et al. (Orgs.), Neoliberalismo: a tragédia do nosso tempo, 2ª ed., São Paulo: Cortez Editora, 2000, p. 15- 35. – (Coleção Questões da Nossa Época; v. 65), p. 15-35.

dos monopólios estatais e das barreiras alfandegárias; 9) facilitação da circulação de bens e da mão-de-obra nacionais e internacionais; e 10) desregulamentação da economia, que passa a ser regida somente pela lei de mercado.

A globalização é endossada pelo receituário neoliberal como um fenômeno que, “(...) ao efetivar-se, permitiria superar os males do capitalismo primitivo, atrasado”319, a eliminar as misérias e violências inaceitáveis por ele causadas. A globalização (ou mundialização), seria “(...) um desdobramento possível, necessário e inevitável do processo de modernização inerente ao capitalismo, entendido como processo civilizatório destinado a realizar uma espécie de coroamento da história da humanidade (...).”320

Em termos de Economia, a globalização significa o processo de internacionalização do capital321. “A resistência à globalização e ao neoliberalismo seria a responsável pela sobrevivência (...) de manifestações extremas, próprias da fase inicial do capitalismo”322.

3 Efeitos sociais das medidas neoliberais, especialmente nas relações de trabalho