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A faculdade mediúnica pertence ao indivíduo e é seu patrimônio conquistado ao longo de sua evolução espiritual. Sua utilização está sempre atrelada aos espíritos, não sendo, em prin- cípio, um ato isolado. É, portanto, um ato executado em conjunto e que implicará responsabilidades e aprendizado para aqueles que participam de sua ocorrência. O que ocorrer (vitórias e derrotas) será dividido entre seus executores.

Do que se faça dela, corresponderá a qualidade dos espí- ritos que atuam com o médium. Algumas vezes, mesmo que o médium utilize inadequadamente sua faculdade, contará com Bons Espíritos, os quais tentam conduzi-lo a outras atitudes e objetivos mais nobres. Nesses casos, há intercessão em favor do médium por seu merecimento.

A inibição da faculdade pode ser provocada por espíritos que sabem intervir no funcionamento do perispírito a ponto do médium não conseguir utilizá-la. Isso é feito para seu bem, evitan- do que seu uso inadequado gere maiores comprometimentos para o médium e a terceiros. Algumas substâncias químicas quando administradas no corpo físico também têm semelhante efeito.

A faculdade mediúnica também pode ser tornada mais ex- plícita ou aflorada por conta de intervenções perispirituais pro- movidas por espíritos conhecedores de sua fisiologia. Há tam- bém substâncias químicas, sobretudo alucinógenos, que podem

provocar semelhante efeito, da mesma forma que podem abrir as “portas” do inconsciente à consciência, provocando uma série de distúrbios psíquicos.

O uso da mediunidade poderá contribuir para sua inibição ou para seu desenvolvimento, dependendo da forma e do objeti- vo com que se faz, como também dos cuidados que se tenha com o próprio corpo físico.

O proveito que se pode e se deve retirar da mediunidade é de que seu exercício deverá estar de acordo com o sentido que o médium atribui à própria vida, servindo como reforçador para sua evolução espiritual.

O uso da mediunidade profissionalmente, isto é, para sub- sistência pessoal, deixará o médium em situação delicada quando os espíritos não comparecerem ao ato ou quando, por outro motivo, ela for inibida. Esse tipo de proveito o afastará do exercí- cio de sua cidadania pelo fato de não exercer uma profissão le- galmente reconhecida. Tal prática o impede também de manter relacionamentos profissionais com terceiros, a submeter-se a uma hierarquia funcional e a inserir-se na dinâmica da economia da sociedade.

São os seguintes os requisitos para o médium retirar pro- veito de sua faculdade:

1. A atividade a ser executada não deverá fazê-lo depen- der dos espíritos;

2. O exercício deverá contribuir para sua individuação e evolução espiritual;

3. Seu uso não deverá excluí-lo da sociedade nem isentá- lo de suas obrigações como cidadão;

4. O que faça de sua faculdade não deverá levá-lo a ter qualquer transtorno psíquico;

5. Sua ligação com os espíritos, no exercício mediúnico, deve contribuir também para a evolução deles próprios;

6. A atividade que executar deverá auxiliar sem viciar as pessoas que se beneficiam de sua faculdade;

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7. O produto das comunicações mediúnicas não deve ser, de forma alguma, remunerado ou trocado por benefício financei- ro ao médium, ou a terceiros;

8. O uso da mediunidade deve concorrer para a felicidade do médium.

O uso da mediunidade de forma não gratuita não interfere no seu desenvolvimento, mas está ligada à qualidade dos espíri- tos que pelo médium se comunicam.

O grande proveito que se pode tirar da mediunidade é o próprio contato com o espiritual, o qual aproxima o médium de sua natureza essencial. Deve ele, sempre que possível, utilizar sua mediunidade no cotidiano para sua felicidade, atendendo aos re- quisitos acima listados.

A palavra sexo tem muitos significados. Dentre eles desta- co os seguintes: energia psíquica, ato de intimidade, cópula, gê- nero, genitália, impulso/desejo e amor. Procurarei especificar quan- do estiver utilizando-o num ou noutro sentido a fim de facilitar a compreensão.

A faculdade mediúnica não está relacionada ao sexo no que diz respeito à relação sexual. A vida sexual (relações íntimas) de alguém não interfere no desenvolvimento da mediunidade da pessoa. É comum o médium sentir-se culpado quando tem rela- ções sexuais acreditando que aqueles atos o afastam dos Bons Espíritos. Não se deve esquecer que eles também são humanos e como tais o faziam naturalmente quando encarnados. A culpa, muitas vezes, advém da forte introjeção repressiva que a cultura, a educação repressora e a religião castradora impõem.

A recomendação que se faz em relação à prática sexual antes ou no mesmo dia das reuniões de contato com os espíritos, se deve ao fato de se prevenir o médium quanto à fixação emoci- onal que comumente é associada ao ato. Isso vale para qualquer outra atividade do ser humano em que se tenha forte vinculação emocional capaz de afetar o psiquismo, interferindo na atividade mediúnica. As fantasias imaginativas, típicas nas relações sexuais, podem gerar fixações mentais, que são prejudiciais ao exercício da mediunidade, como de qualquer atividade em que se exija

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concentração e disponibilidade psíquica. As imagens mentais ge- radas durante um ato sexual devem ser esquecidas quando do exercício de outras atividades, inclusive e principalmente da mediunidade.

O celibato ou a baixa atividade sexual não interfere no de- senvolvimento da mediunidade, tampouco a prática do sexo impe- dirá que os espíritos se aproximem desta ou daquela pessoa. Para eles, em geral, a atividade sexual é um ato humano natural e que deve ser exercido com educação e harmonia. A instituição do celi- bato no âmbito religioso católico é atribuída às responsabilidades que o exercício sacerdotal exige em que o comando e a manuten- ção de uma família são vistos como concorrentes, além das ques- tões ligadas a herança de bens materiais. Acresce-se a isso, as prá- ticas sexuais inadequadas, típicas do período pré-Idade Média, comuns em ambientes de iniciação religiosa, cujos abusos desper- taram a necessidade do controle, resultando assim no estabeleci- mento das proibições de atividades sexuais. Porém, vivemos em uma outra época, na qual a sexualidade é vivida de forma menos conflituosa e com mais naturalidade. A sexualidade do ser humano tem hoje mais liberdade de expressão, o que contribui para o alívio das repressões estabelecidas no passado. Os tabus estão caindo e o mistério antes existente está sendo paulatinamente desvendado. A atividade sexual sadia do ser humano contribui para o equilíbrio de sua vida psíquica e deve lhe trazer harmonia e satisfa- ção emocional. Sua influência sobre a mediunidade é a mesma de outras que lhe exigem energia emocional.

A atividade sexual consigo mesmo, com um parceiro de ou- tro sexo (gênero) ou com alguém do mesmo sexo não é relevante para o exercício da mediunidade quando não há culpa, medo, im- posição, desarmonia, prejuízo a outrem nem fixação ou viciação mental.

A sexualidade deve ser exercida considerando-se que se está de posse de uma modalidade de energia psíquica cujo uso deve ocorrer visando a felicidade e o amor.

A energia psíquica utilizada na modalidade sexual é uma poderosa alavanca para o crescimento do ser humano, a qual deve ser utilizada visando a felicidade. Sua força propulsora é uma das responsáveis pela criatividade humana e pelo desenvol- vimento social. Por conta de sua força, o ser humano necessita aprender a educá-la a fim de não resvalar para o desequilíbrio. Ela é como a correnteza, que pode assorear as margens do rio como pode gerar energia elétrica quando passa por uma turbina.

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