Chapitre 2 : Monocytes et cytokines de l’inflammation
B. Les cytokines de l’inflammation
Na análise feita à concepção, utilização e manutenção do espaço, onde está inserido o Bairro Amarelo da Bela Vista, pode-se constatar que os princípios e as estratégias CPTED não se encontram presentes. De seguida analisar-se-á as repercussões da inexistência desses princípios e estratégias, com base no problema específico do Bairro Amarelo, estudado anteriormente.
A forma como o edificado do Bairro Amarelo foi concedido, cria um efeito panóptico, na medida em que possibilita aos moradores do Bairro, verem sem serem vistos, a partir dos corredores, das escadas de acesso e dos fogos, facto que dificulta muito a actuação policial, tanto preventiva como reactiva.
Um dos princípios fundamentais promovido pela CPTED é o bom controlo visual do espaço por parte de pessoas que exercem o controlo formal e informal, isto é, a capacidade, conferida pelo espaço, de ver e ser visto. A iluminação adequada, a eliminação de obstáculos, a inexistência de pontos de refúgio transformam-se em elementos vitais para esse propósito.
No Bairro, para além de existir uma construção labiríntica, com inúmeros locais de cobertura, existe uma iluminação insuficiente ao nível das praças, corredores, escadas, passeios e túneis. A falta de iluminação, não só dificulta o trabalho dos elementos da PSP, como afasta as pessoas que podem exercer um controlo informal, ficando, o espaço, à mercê da prática de ilícitos criminais e de incivilidades. No caso específico do Bairro Amarelo refere-se, principalmente, ao tráfico e consumo de estupefacientes, e aos actos de vandalismo, tais como os graffitis e a danificação de materiais públicos e privados. Ao analisar os dados relativos à criminalidade dos anos 2008 e 2009 pode constatar-se que a maior parte dos crimes ocorre entre as 18h00 e as 0h00, o que vem mostrar que é durante a noite que aquele espaço se torna mais vulnerável, ou cria mais oportunidades para a prática de ilícitos criminais. Este facto poderá estar relacionado com a iluminação inadequada do espaço.
A configuração labiríntica e a existência de pontos de refúgio no bairro são factores que facilitam a fuga de potências delinquentes após cometimento, ou tentativa de cometimento, de crimes ou incivilidades, dificultando, também, a actividade policial no local. Por sua vez, os obstáculos visuais, referimo-nos principalmente às árvores de grande porte e arbustos que não são podados, para além de serem possíveis pontos de refúgio, são bloqueadores do campo de visão e da iluminação dos passeios.
55 Todos estes elementos referidos anteriormente, embora não sejam a causa da criminalidade e da insegurança daquele espaço específico, contribuem para a prática dos crimes contra a propriedade e contra as pessoas, bem como para os crimes de tráfico e consumo de droga e receptação. Salienta-se que este tipo de criminalidade é a mais propícia à criação do sentimento de insegurança.
No que diz respeito ao controlo natural de acessos, a CPTED aponta, como fundamental, a definição clara das fronteiras, isto é, uma transição clara entre espaços públicos, semipúblicos e privados. Este princípio de delimitação dos vários tipos de espaços, para além de permitir um maior controlo sobre este, aumenta o sentimento de territorialidade por parte dos moradores, que ao sentirem o espaço como seu tendem em mantê-lo e protegê-lo. No Bairro Amarelo não se encontra definido e demarcado claramente o espaço público, semi-público e privados, os acessos são todos exteriores e o espaço (excepto o privado que são os fogos) é partilhado por muitos moradores e por pessoas exteriores ao Bairro, entre os quais delinquentes ou consumidores de estupefacientes. Estes factos, aliados aos factores sociais de exclusão e pobreza, tendem a contribuir para a degradação e abandono do espaço.
É de salientar também, que a dimensão do Bairro Amarelo se mostra totalmente desadequada, sendo outro factor que vai contra todos os princípios da CPTED. Segundo o Arquitecto António Baptista Coelho75, “nunca um bairro daquele tamanho resultou”. O Bairro é demasiado grande e possui muitos espaços vagos, albergando uma população com diferentes etnias e culturas, que na sua maioria vive numa situação de pobreza e com agregados familiares grandes. Ao misturar este tipo de população num só espaço e com aquele tipo de dimensões, abre-se uma porta enorme para a insegurança e para a marginalidade, criando-se uma escola do crime dentro do próprio bairro, à qual se ligam, principalmente, muitos jovens que não têm o acompanhamento devido e que estão entregues, muitas vezes, a si mesmos.
No caso do Bairro Amarelo, para além deste possuir uma configuração encerrada sobre si mesmo (devido às praças fechadas apenas com um acesso) e uma dimensão enorme, não se encontra inserido no resto da cidade. Estes três factores interligados, juntamente com o facto de ali habitar população excluída socioeconomicamente da sociedade, propiciam a entrada de muitos jovens na actividade criminal, sendo o Bairro o seu ponto de refúgio ou o ponto de reunião, no qual são pouco observados. Importa ainda
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56 salientar que a população, principalmente a mais jovem, cresceu e foi educada na promiscuidade do Bairro, tornando-se normal e habitual a prática de crimes e de comportamentos transgressivos, sendo extremamente difícil combater e alterar os hábitos que eles tomam como normais, pois não conhecem outra realidade. Assim, torna-se imperioso que as construções com fins de habitação social sejam de menor dimensão e inseridas no normal funcionamento da cidade, para que exista uma pressão social sobre este tipo de população, de forma a prevenir o supracitado, não esquecendo nunca um trabalho ao nível social, visando a inclusão deste tipo de população. Embora existam muitas instituições sociais no Bairro, este trabalho de cariz social não tem sido feito, pois cada um trabalha por si, verificando-se uma falta de cooperação que gera a inexistência de resultados positivos ao nível social, no Bairro.
Da análise efectuada à criminalidade podemos constatar que muitos dos crimes foram cometidos no Bairro por indivíduos externos ao Bairro. Este facto prova que não existe controlo natural, nem vigilância natural no espaço e acredita-se que muitos dos suspeitos externos são consumidores que fazem pequenos furtos para angariar dinheiro e depois deslocam-se às zonas de tráfico dentro do Bairro. Para esta situação contribui, mais uma vez, a iluminação insuficiente e a configuração labiríntica e cerrada do Bairro.