Chapitre II : Réactions bio-orthogonales et chimie « click »
III.2. Les cycloadditions dipolaires
III.2.1. Cycloadditions 1,3-dipolaires dont le dipôle est une fonction azoture
António Sousa Bastos no Dicionário do Teatro Português, na entrada Pateos, diz o seguinte: “Denominavam-se assim os primeiros teatros que existiram em Lisboa. Eram toscos, primeiramente ao ar livre para representações de dia e depois cobertos e com paredes de alvenaria, podendo já n’eles representar-se de noite. N’alguns os prédios contíguos tinham janelas para dentro dos pateos. Os pateos de que há conhecimento terem existido são os seguintes: Pateo da Bitesga ou da Mouraria, Pateo dos Condes, Pateo das
Fangas da Farinha, Pateo da Rua das Arcas e Pateo da Rua da Praça da Palha” (Bastos,
1908: 110).
Os paços, os palácios, mosteiros, igrejas e capelas, o próprio Hospital Real de Todos os Santos, palcos dos elitistas teatros vicentinos do século XVI (Feio, 1834) coexistem já com os pátios públicos, mantendo-se na centúria seguinte: “As comédias espanholas juntamente com as representações na corte, para um público muito seleccionado, e as tragicomédias dos jesuítas, encenadas em Latim e nos seus colégios de Coimbra, Lisboa e Évora, constituíam os três géneros de teatro representado em Portugal no século XVII” (Lopes, 2010: 197-198).
Para as representações da corte veja-se o exemplo do aviso a solicitar que seja escolhida a comédia que será representada no paço, para comemorar o aniversário da princesa Maria Francisca Isabel de Sabóia, em 1668 (AML-AH, CR, Liv. 1º, ff. 34 a 37v) e nas representações nos colégios veja-se o já mencionado exemplo do teatro no Colégio de Santo Antão, ou seja, neste período não há substituição de espaços teatrais, mas antes uma simultaneidade de géneros e localizações da prática teatral, a que acrescem os pátios das comédias, locais públicos com uma assistência que pagava para ver representar as comédias.
Mas que pátios são estes? São "os velhos pátios do século XVI, como o Pátio das Arcas ou da Praça da Palha, e o Pátio da Betesga ou da Mouraria" (Braga, 1870: 78), mas também o do Poço do Borratém e das Fangas da Farinha. A proximidade dos locais apontados – Betesga, Arcas, Palha – contribui para a persistência da dúvida sobre a nomenclatura e sobre a localização, e exemplos não faltam, até com autores a divergirem de si próprios, como se verá.
Embora afastada da nossa cronologia deixamos referência a uma Provisão régia de 1742 a autorizar a montagem de um teatro de títeres “no Patheo da Bittesga do qual
no local do dito Patheo levantar hum palanque e a desmontá-lo depois findas as funções” (Passos, 1999:78), de onde se conclui que não era um pátio permanente. Algum dia o foi? Cremos que sim.
“Aparece depois, segundo a cronologia dos documentos, o pátio da Rua da Praça da Palha, freguesia de Santa Justa, de que já há notícia em 1593. Segue-se o da Rua das Arcas, que por ser mui próxima aquela é duvidoso se foram estabelecimentos diversos, ou somente um, embora com aqueles nomes diferentes, como para nos temos por certo” (Nogueira, 1866), acrescentando que “Um destes pátios foi construído na Rua da Betesga, e já em 11 de julho de 1594 (data da primeira receita proveniente das comedias) o hospital recebia – da caixa de Manuel Rodrigues das comedias da betesga 2$230 réis e da caixinha das comedias parece que do mesmo local e respectivos meses de novembro e dezembro um dito ano e janeiro e fevereiro de 1595 85$130 réis”. Sabemos já que foi antes, em 1591, que as receitas da Betesga são registadas.
Palma-Ferreira afirma que “existiram o Pátio da Betesga ou da Mouraria; o Pátio da Mouraria (ou da Betesga) chamou-se também Pátio dos Condes de Monsanto (ou Marqueses de Cascais)” (1980: 191) e, curiosamente o autor acrescenta em seguida: “Por vezes, estas designações confundem-se com outras”. É o caso. Ainda Teófilo Braga diz que “Datam deste tempo [1591] os dois pátios da Betesga e das Arcas, que foram dirigidos pelo mesmo Latorre” (Braga, 1870: 79).
O mesmo Teófilo Braga diz ainda que o “Pátio das Fangas da Farinha de 1588 a 1633 e o Pátio da Betesga, de 1691, foram absorvidos pelo Pátio das Arcas” (Braga: 1916: 581). Acrescenta ainda que “Depois do Pateo das Arcas segue-se-lhe em antiguidade o Pateo da Mouraria conhecido no século XVI pelo título de Pateo da Bitesga, tendo começado a funcionar a 11 de julho de 1594 sob a direcção de Manoel Rodrigues” (Braga, 1898, v. 8: 464) numa clara confusão também com a pessoa que recolhia as receitas, que não era proprietário do local.
Eduardo Noronha na Evolução do Teatro afirma que o pátio mais antigo era o das Fangas da Farinha e “Houve depois o pateo da Bitesga, que data de 1591” (Noronha, 1909: 473).
Já Vasconcelos, para falar da música afirma que “Este uso [da música] continuou provavelmente depois, até se introduzir nos Pateos das Comedias e de apparecer na primeira representação a 11 de Julho de 1594, no Pateo da Bitesga” (Vasconcelos, 1870: 175).
Matos Sequeira afirma que o “Pátio da Casa dos Condes de Monsanto, ao Borratém, a que se chamou o Pátio da Mouraria. A este das Arcas também o povo chamou o Pátio da Betesga, por o recinto ficar perto deste velho arruamento, cujo nome ainda persiste” (1952: 72). O mesmo Matos Sequeira, contradizendo-se, menciona ainda o
memorável recinto que foi o primeiro «corro» de espectáculo que houve em Lisboa e que se chamou Pátio do Borratém, da Moiraria e ainda da Betesga, anterior ao que o castelhano Fernão Dias de la Torre veio a instalar na Rua das Arcas, abaixo da Praça da Palha, em 1596, mediante contrato com o Hospital Real, apelidado por estes dois locais e ainda da Betesga que era vizinha também. Esta denominação, menos habitual do que a de Pátio das Arcas, levou, em tempos, alguns investigadores a supor que o «corro» particular dos Condes de Monsanto e o teatro público de la Torre, fossem o mesmíssimo pátio de espectáculos” (Sequeira, 1960: 13).
Leite de Vasconcelos e Machado Guerreiro afirmam que estes locais “terão sido o Pátio do Borratém ou da Mouraria, e o da Betesga (depois Pátio das Arcas) e o das Fangas da Farinha” (Vasconcelos & Guerreiro, 1978: xxvii).
António Pinho, em Alguns velhos teatros desta Lisboa alfacinha, intitula um capítulo como “Os «Pátios» da Betesga, das Fangas da Farinha e da Rua das Arcas (1591)” (Pinho, 1981: 24), apontando que o da Betesga e o da Mouraria seriam o mesmo, findando os seus dias em 1600. Albino Forjaz Sampaio defende que o Pátio das Arcas é o mesmo que o da Betesga, ou da Praça da Palha (1994:108), localização mencionada ocasionalmente em função da proximidade com o local.
Magalhães refere ainda “Pátios das Arcas ou da Comédia” acrescentando em seguida o do “Pátio do Borratém, na Mouraria” (Magalhães, 2018: 51). Já Sousa (2018) não menciona o Borratém ou a Mouraria, e a Betesga é mencionada uma única vez e em nota de rodapé, e aqui encerramos os exemplos.
A referência à Betesga é recorrente, com uma maioria de autores a colocar a possibilidade da existência de dois pátios, um na rua da Betesga e outro entre a rua das Arcas e os Becos das Comédias e de Lopo Infante (Guimarães, 1874: nº 6261; Sequeira, 1933: 84; Oliveira, 1974; Reyes Peña & Bolaños Donoso, 1991: 268-269; Câmara, 1991: 79; Leite & Viena, 1991: 31; Guimarães 1996: 108); e há ainda quem afirme que só existia o da Rua das Arcas, que foi erradamente nomeado da Betesga (Cruz, 2001: 71).
tornam confusa a distinção, ainda mais quando a documentação coeva é escassa. Não temos apoio documental para esclarecer os equívocos historiográficos, mas considerámos útil chamar a atenção para esta dispersão ambígua que pode transportar incertezas.
Ainda assim, arriscamos uma hipótese. Tendo em conta que a escritura foi assinada a 9 de maio de 1591 e menos de dois meses depois (6 de julho) já se registavam receitas (Braga, 1898: 353), Fernão Dias de La Torre, morador no Beco dos Frades a Valverde, proprietário de umas casas na rua da Betesga, pode tê-las utilizado para dar resposta imediata ao contrato que acabava de fazer: “que se/ obriga a fazer, e outro sy eexapecial du-/ as moradas de cazas, que elle tem, e pes-/ suem que estam neste cidade na Rua/ da Bitesga” (ANTT/HSJ/Liv. 1124, f. 282r). A ter sido assim, podemos tirar uma tripla conclusão: La Torre cumpriu de imediato o contrato com o Hospital, existiu efectivamente um Pátio da Betesga e assim se explica a profusão de menções e a sua ligação a ambos os pátios.
4.2. A influência castelhana: como Os Espanhóis dominaram no palco antes de