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CHAPITRE 2 : LANCEMENT D’UNE INNOVATION DANS L’INDUSTRIE

2.1 Analyse contextuelle du secteur pharmaceutique

2.1.1 Le cycle de vie du médicament

1.1 Design e desenvolvimento local

A confi guração do design como ativida- de profi ssional é um fenômeno relativamente recente, do fi nal do século XIX, quando a maioria das profi ssões já estava consolidada. Para Magalhães (1998, p. 12),

[...] trata-se de uma atividade contemporâ- nea e, como tal, nasceu da necessidade de se estabelecer uma relação entre diferentes saberes. Nasceu, portanto, naturalmente interdisciplinar”.

Essa interdisciplinaridade que dife- rencia o design das demais atividades acaba, por vezes, difi cultando um consenso sobre o conceito e a defi nição da profi ssão.

No contexto nacional, segundo Back et

al. (2008), foi somente na década de 1990, com

a abertura da economia, que houve, por parte

da indústria brasileira, uma grande procura por profi ssionais com competência para o desenvolvimento de produtos. Até então, as indústrias nacionais adaptavam ou copiavam produtos do exterior. O ato de importar so- luções afetou ao design nacional e, de modo mais subjetivo, mas não menos intenso, aos próprios usuários, já que esses produtos não atendiam efetivamente suas necessidades, pois eram direcionados a outro público, com outra cultura e outras carências.

Segundo Papanek (1995), a compreen- são e apreciação do design foi gravemente afetada pela concentração quase exclusiva nos aspectos visuais. Passado o deslumbre inicial, há uma preocupação crescente por parte de profi ssionais da área, especialmente nos países em desenvolvimento, em se valer do design na busca de soluções para problemas de ordem social, aproveitando-se do caráter interdisciplinar da profi ssão para atuar nas mais diversas esferas, considerando o todo cultural. O foco do processo de projeto deixa de ser o produto ou serviço em si, e passa a ser as motivações e as consequências sociais desse processo.

O design, portanto, possui o poten- cial de contribuir para o desenvolvimento local. Para ser consistente e sustentável, o desenvolvimento local deve explorar as po- tencialidades locais e contribuir para elevar as oportunidades sociais e a viabilidade da economia local, ao mesmo tempo, deve asse- gurar a conservação dos recursos naturais locais, que são a base de suas potencialidades e condição para a qualidade de vida da popu- lação (BUARQUE, 2002).

1.2 Horticultura e cultivo protegido

O desenvolvimento agrícola é uma das principais preocupações dos governos de todo o mundo, pois dele depende o abasteci- mento de alimentos para toda a população. O Brasil é um país com vocação agrícola: possui 40% das terras agriculturáveis do mundo.

No Brasil, em 1996, foi criado o Pro- grama Nacional de Fortalecimento da Agri- cultura Familiar (PRONAF), principal polí- tica de incentivo ao setor, cuja fi nalidade é promover o desenvolvimento sustentável do segmento rural constituído pelos agricultores e seus familiares, de modo a propiciar-lhes

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o aumento da capacidade produtiva, a ge- ração de empregos e a melhoria de renda. Segundo o PRONAF (BRASIL, 1996) e a Lei da Agricultura Familiar (BRASIL, 2006), para um estabelecimento ser considerado de agri- cultura familiar, sua área não pode exceder quatro módulos fi scais (hectares), e a renda familiar deve ser predominantemente origi- nada das atividades vinculadas ao próprio estabelecimento.

Apesar de ocupar 24,3% da área total dos estabelecimentos agropecuários, a agri- cultura familiar é responsável por 38% do VBP gerado. Contrariando a tendência de re- dução de pessoas empregadas na agropecuá- ria brasileira desde 1985, foi capaz de reter um número maior de ocupações que a agricultura não familiar: 15,3 pessoas por 100 ha, contra 1,7 pessoas por 100 ha nos estabelecimentos patronais. Mesmo cultivando uma área menor com lavoura, a agricultura familiar é a princi- pal fornecedora de alimentos básicos para a população brasileira. Schneider (2003) explica o desempenho da agricultura familiar a partir de um elemento central, fundamental: a pró- pria natureza familiar das unidades agrícolas. Em todos os sistemas de produção agrícola, inclusive na agricultura familiar, o aumento da produtividade vem associa- do ao consumo de tecnologias. Entretanto, conforme Souza Filho et al. (200-), no Brasil metade dos estabelecimentos de tipo familiar dependem exclusivamente da força física de seus integrantes para realizar as tarefas agrícolas necessárias para a produção, como arar, semear, capinar e colher, utilizando-se praticamente apenas dois instrumentos: foice e enxada. Muitas tentativas de promover a modernização tecnológica e mudanças nos sistemas de produção dos agricultores fami- liares têm fracassado por não reconhecerem as condições reais dos agricultores – disponi- bilidade de recursos, nível de qualifi cação – e o contexto no qual estão inseridos (SOUZA FILHO et al., 200-).

Outro elemento fundamental na dinâ- mica da agricultura familiar é a diversifi cação da produção, o investimento em mais de um tipo de cultivo e/ou criação é um dos princi- pais diferenciais entre a agricultura familiar e a patronal, alicerçada na monocultura. A horticultura é uma opção para esse dina- mismo. Responsável pelo cultivo de plantas

conhecidas como hortaliças, cujas folhas, fl ores, caules, raízes ou frutos são consumi- dos in natura e sem industrialização, tem por objetivo principal o fornecimento regular para atender à demanda e à produção com qualidade o ano inteiro.

A arrancada mundial da horticultura se deu após a segunda metade do século XX, em função de modifi cações profundas nos hábitos de vida e nos padrões da saúde física da população, com a valorização de hábitos alimentares mais saudáveis (ANDRIOLO, 2002). No Brasil, o desenvolvimento da horticultura foi heterogêneo, herança da colonização exploratória em que não havia o interesse do desenvolvimento da agricultura. O hábito do cultivo de hortaliças veio com a chegada dos imigrantes europeus, que culti- vavam hortas domésticas para a subsistência. A horticultura como segmento de economia propriamente dito tem início em São Paulo, com os imigrantes japoneses.

Grandes variações climáticas são co- muns no Brasil, mas ocorrem com maior intensidade no Rio Grande do Sul, com isso muitas culturas, especialmente as hortaliças, são afetadas e os produtores sofrem severos prejuízos econômicos. A prática do cultivo protegido visa controlar as variáveis am- bientais e se proteger do acaso. Conforme Cermeño (1990), a estrutura para cultivo protegido é uma instalação subordinada a determinadas condições, como transparência, impermeabilidade, economia, entre outras, sem as quais se torna impossível a realização das funções para que foi construída.

Segundo Purquerio e Tivelli (2006), além do controle parcial das condições climá- ticas, o cultivo protegido permite a produção em épocas que normalmente não seriam ade- quadas à produção a campo. Somados esses fatores, os índices de produção resultantes do cultivo em ambiente protegido podem ser duas a três vezes superiores aos observados no campo.

Analisando-se as estruturas atualmen- te empregadas para o cultivo protegido, constata-se que a construção artesanal é uma alternativa aos altos custos de aquisição das estufas industrializadas. É comum, nas pequenas propriedades, que os produtores construam suas próprias estruturas, apro- veitando materiais disponíveis como restos

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de madeira e barbante, adquirindo apenas o fi lme plástico. A disseminação dessa técnica foi tamanha que existem manuais para mon- tagem de vários tipos de instalações.

Existem dois tipos básicos de estruturas artesanais para cultivo protegido: os túneis e os abrigos. O túnel é basicamente uma prote- ção de fi lme plástico sobre uma estrutura ao longo de canteiros com cultivos em desen- volvimento, são exclusivamente destinados à horticultura e podem ser baixos ou altos. Em função das dimensões, os túneis baixos não permitem a entrada de pessoas e são desti- nados a cultivos rasteiros, ao passo que, nos túneis altos, é possível a entrada de pessoas e também o cultivo de espécies de maior porte. Os abrigos, localmente denominados estufas, são instalações fi xas com base de concreto e estrutura em madeira. Possuem dimensões maiores que os túneis altos, sendo que a entrada de pessoas é feita através de uma porta. Conforme Müller (2003), o gasto com materiais na construção de um abrigo com 8 metros de comprimento, 5 metros de largura e 3 metros de altura, é de aproxima- damente R$ 1.000,00, fora os gastos com mão de obra.

Conversou-se com produtores de hor- taliças das cidades de Horizontina, Cachoeira do Sul e Santa Maria, no estado do Rio Grande do Sul, e constatou-se que a utilização dos túneis baixos é unanimidade, sendo abrigos utilizados eventualmente para a produção de mudas. A opção pela estrutura deve-se a vários fatores, como o custo reduzido em relação às demais, a possibilidade de os pró- prios produtores montarem suas estruturas, sem dependerem de terceiros, as dimensões apropriadas ao porte das hortaliças e a dis- ponibilidade dos materiais necessários para a manutenção no comércio.

1.2.1 Túneis baixos – análises

Os túneis baixos são normalmente cons- tituídos por uma estrutura simplista (Figura 1), formada por uma série de arcos metálicos (ferro galvanizado ou arame n. 6), com distân- cia entre si de 1,2 a 1,5 m, de acordo com a inci- dência dos ventos. As extremidades dos arcos são enterradas 20 cm abaixo do solo. À meia altura dos arcos, em ambos os lados, existem reentrâncias para segurar o plástico durante

a ventilação. Nas duas extremidades do tú- nel, existem esteios de madeira, nos quais as extremidades do material de cobertura são fi xadas. O material de cobertura geralmente empregado é o polietileno de baixa densidade (PEBD). Uma extremidade do fi lme plástico é presa em um dos esteios e estendido sobre a estrutura de arcos metálicos até chegar ao outro extremo, onde a outra extremidade do plástico é presa ao outro esteio.

F igura 1 – Estrutra de um túnel baixo.

Fonte: Embrapa (2010).

A ventilação nos túneis é realizada através do soerguimento manual da lateral do fi lme (Figura 2). Segundo Sganzerla (1986), o arejamento do túnel não apenas reduz a tem- peratura, mas também diminui o excesso de umidade do ar, que, conjugada com o calor excessivo, cria condições favoráveis para o desenvolvimento de doenças. A ventilação também evita a condensação do ar no inte- rior do túnel, quando gotículas se acumulam sobre a superfície do plástico, impedindo a penetração dos raios solares e o aquecimento do solo.

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Design e agricultura familiar: proposta de estrutura para cultivo protegido

Quanto ao controle da umidade relati- va do ar nas estruturas de cultivo protegido, este é realizado através da ventilação e da irrigação. No Brasil, são utilizados basica- mente dois mecanismos de irrigação: por gotejamento ou por aspersão. Ambas são abastecidas por caixas de água ou, o mais comum nas propriedades familiares, por açudes. Na irrigação por gotejamento, a ca- nalização ligada ao reservatório é conectada a “tubos mestres”, localizados na cabeceira dos canteiros, equipados com conexões “T”, onde são fi xadas as mangueiras fl exíveis, fi lmes tu- bulares plásticos, com 6 cm de largura e dois pares de furos a cada 15 cm, que, quando em funcionamento, tomam o formato cilíndrico em função da pressão da água. A vazão é controlada por meio de um registro instalado no tubo matriz. Já na irrigação por aspersão, a canalização fi ca suspensa, e a vazão da água ocorre por meio de esguichos, que podem ser suspensos, junto ao solo ou feitos na própria canalização.

Entretanto, por se tratar de estruturas artesanais, os túneis apresentam uma série de inconvenientes. Entre os mais citados estão a baixa resistência aos ventos e o processo manual de soerguimento das laterais para ventilação, lento e trabalhoso por não dispor de mecanismos auxiliares. O próprio proces- so de montagem dos túneis despende muito trabalho dos produtores, já que o arame e os canos de PVC utilizados para a confecção dos arcos são vendidos em perfi s retilíneos, difí- ceis de transportar devido às suas dimensões, e exigem que o próprio produtor modele os arcos.

A partir de análises, constatou-se que um dos maiores inconvenientes dos túneis é a alta exigência de mão de obra para a venti- lação, realizada através do soerguimento das laterais do fi lme de polietileno. O processo se torna trabalhoso por não haver mecanismo auxiliar para o soerguimento, sendo que a elevação da cortina plástica é realizada manu- almente, em pequenas etapas, empurrando e amontoando segmentos do plástico, em torno da estrutura. Nos períodos mais quentes do ano, o processo é realizado duas vezes ao dia, sendo que pela manhã as laterais são so- erguidas para evitar a elevação excessiva da temperatura e para reduzir a umidade do ar, e no fi nal da tarde são abaixadas novamente,

para a manutenção da temperatura durante a noite. O soerguimento do fi lme plástico pode ser realizado em apenas uma das laterais ou em ambas, dependendo da posição do sol e da intensidade do vento, sendo imprescindível, para isso, a independência das laterais.

Outro inconveniente advindo do soer- guimento lateral do plástico é a perda gradual da transparência do fi lme de polietileno, em função de ser amassado e amontoado durante o processo de ventilação. Esse fator reduz a vida útil do material e obriga a trocas mais frequentes do material, além de interferir na captação de luz da estrutura e no desenvol- vimento dos cultivos. Constatou-se também que, durante o verão, alguns produtores substituem o fi lme de polietileno pelo fi lme de TNT, mais opaco, que não deixa os raios solares penetrarem com tanta intensidade, reduzindo a temperatura no interior do túnel. Já em épocas de alta umidade relativa do ar, o fi lme de TNT é colocado sob o fi lme de po- lietileno, absorvendo as gotículas de umidade formadas na cobertura plástica, ressaltando a necessidade de uma estrutura que facilite a troca do material de cobertura, facilitando o processo.

Quanto aos canteiros, a maioria não utiliza suportes para conter a erosão da terra e, quando o utilizam, é em função de o ter- reno ser irregular. Alguns desses produtores vêm utilizando estruturas semelhantes aos canteiros de produção de mudas de fumo, formados por um muro de concreto com cerca de 15 cm de altura.

Quanto à irrigação, nem todos os pro- dutores dispõem de um sistema integrado para o procedimento. Dentre aqueles que o possuem, predomina a irrigação por gote- jamento. O processo é realizado duas vezes ao dia, geralmente, uma pela manhã e outra, ao entardecer. A irrigação é acionada direta- mente no registro, onde é defi nida também a intensidade e a quantidade de água despen- dida. Nessa etapa, os produtores encontram difi culdades em acoplar a canalização dentro da estrutura dos túneis, já que estes não pos- suem suporte apropriado para o mecanismo, e acabam improvisando uma estrutura, o que acarreta problemas como vazamentos e desperdício de água.

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2 Proposta de estrutura para cultivo