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Description des campagnes d’irrigation

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CHAPITRE 2 EXPÉRIMENTATION

2.2 MATÉRIEL ET M ESURES

2.2.6 Description des campagnes d’irrigation

porém, ao contrário das outras jovens apresentadas anteriormente, ela

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não mora na Palhoça, mas sim em um morro conhecido de Florianópolis – o Morro da Caixa. O contato com a jovem revela a complexidade das redes que envolvem as experiências e mesmo a localização dos egressos, as quais passam inclusive pelos operadores das políticas de proteção, como pretendo mostrar na sequência. Na lista com os nomes de alguns egressos da casa-lar, aparecia o nome da Estella e de seus quatro irmãos que haviam s ido acolhidos na mesma instituição, ainda que em períodos diferentes. A assistente social e a coordenadora da casa-lar não tinham mais o endereço e tampouco o telefone da família. Mas tinham uma informação preciosa: uma das educadoras da instituição mora na mesma comunidade da jovem e, portanto, poderia ter alguma notícia dela. Na ocasião, a educadora se mostrou bem disponível e interessada em localizar a mãe da Estella, dona Wilma, e mesmo fazer a mediação do meu contato com ela. A profissional sugeriu que ela conversasse primeiro com a Wilma, a fim de marcar um dia para ela me encontrar na casa-lar. Todo esse cuidado seria porque, segundo ela, não era muito aconselhável eu entrar sozinha na comunidade.

Passados alguns dias, a educadora conseguiu o número de celular da Wilma e, ao contrário do que havíamos combinado anteriormente, ela sugeriu que eu ligasse e falasse diretamente com a mãe da jovem. Com o número de telefone em mãos, não tive dúvidas, liguei imediatamente e, para minha surpresa, quem atendeu a ligação foi a própria Estella. Aproveitei o contato e já falei sobre a pesquisa para a jovem, que não só aceitou participar como disse que estava sempre em casa, pois o seu bebê estava com dois meses. Por telefone, ela me explicou como eu fazia para chegar ao endereço e tudo, a princípio, parecia muito simples. No entanto, assim que desci do ônibus eu dei início a uma verdadeira saga em busca da rua que não ficava, como eu havia imaginado, na rua Governador Ivo Silveira, a principal daquela região. Nesta havia apenas uma pequena ruela de areia (um atalho que os moradores usam), que corta o Morro da Caixa de uma ponta a outra. Depois de pedir informação em muitos lugares, de caminhar durante horas por ruas cada vez mais distantes daquela que eu procurava, eu finalmente parecia ter retomado a rota. “É essa marginal, esse número deve ser mais lá para cima”, me respondeu o funcionário de uma concessionária de automóveis. Ótimo, pensei, agora eu estava na rua, era só seguir a marginal, “toda a vida”. Errado. A via começou a mudar de nome, ou melhor, o seu nome começou a desaparecer. Antes de prosseguir, fui até uma padaria e perguntei sobre o endereço. Na fila para pagar as compras, estava um homem, que se adiantou e disse: “É lá no Morro da Caixa, seguido temos que andar lá”. Nisso, eu olhei para o seu crachá e

percebi que ele era do Conselho Tutelar. Imediatamente pensei que ele pudesse me ajudar, então expliquei que estava fazendo uma pesquisa e à procura de uma jovem egressa. “Quando é assim, é melhor você ir antes no Conselho ou no CRAS, que é melhor para localizar esses adolescentes”, respondeu o conselheiro que, na sequência, aumentou o tom de voz e falou para quem desejasse ouvir: “Ontem mesmo, tivemos que pegar um bebê, os pais eram drogados, a coisa mais linda a menina, me deu até vontade de ficar com ela para mim e não entregar”. Nisso, o padeiro foi comigo até o meio da rua para me mostrar como eu faria para chegar ao meu destino, que de fato era o Morro da Caixa. “Tá vendo aqueles predinhos, lá? É por lá, mas você vai contornar por aqui, ó...”. Nesse momento, o conselheiro saiu do minimercado e me fez uma série de perguntas, seguidas de recomendações: “Estás levando celular na mochila? Melhor colocar no bolso. Tens dinheiro? É melhor colocar a mochila para a frente, porque lá eles passam e te arrancam a mochila fora. Lá, é meio complicado, às vezes eles não deixam entrar em alguns lugares”. No caminho até a casa da Estella estavam as políticas públicas de proteção, ainda que como “fundo”, a postura desse profissional que fazia questão de marcar distância em relação às outras pessoas da comunidade, sobretudo ao mostrar um conhecimento e vigilância acerca do que se passa ali e também em relação a mim, enquanto pesquisadora. Ao sugerir que eu dever ia ter procurado o Conselho Tutelar ou o CRAS, pretendia marcar também uma posição para o próprio Conselho e para as próprias políticas públicas de assistência social: a de um lugar incontornável na produção e localização dos egressos.

Segui meu caminho e comecei a lembrar da educadora da casa- lar, das recomendações dela sobre a comunidade e senti medo. Senti medo, não daquele lugar, mas do lugar que aquelas pessoas haviam construído para mim. Cheguei a me perguntar se valia mesmo a pena continuar subindo. Eu já podia ver o desenho do morro, e seu ponto mais alto, lugar aonde eu teria que chegar. Encontrei duas jovens e perguntei se elas conheciam a Estella, filha da dona Wilma. “Ah, uma meio indiozinha, que tem um bebê?”, me perguntaram elas. Eu respondi que sim; não sabia como ela era, mas o fato de ter um bebê parecia uma boa indicação. Então, elas me deram as coordenadas: “Você vai subir, depois descer, depois subir de novo, essa rua é assim, parece que acaba, mas não. Ela mora nuns quitinetes lá em cima. Finalmente eu estava no topo do morro – era o fim da linha; ou era ali, ou teria que voltar sem encontrar a Estella. Os números eram de fato salteados e muitas casas, inclusive, não tinham numeração. Onde estaria o 1024 em meio àquela imagem tão paradoxal que se abria diante dos meus olhos? Do meu lado

direito, uma paisagem exuberante do mar com a cidade ao fundo. Uma amplidão. Um cartão postal. À minha esquerda, esse mesmo cartão, cujo enquadramento não foram capazes de capturar os que estão fora, os que contemplam aquela imensidão, sem, talvez, nela poder penetrar. Era o morro, imponente não pela amplidão, mas pela falta de espaço, pelo amontoado de pequenas casas que, numa arquitetura astuciosa, faz com que tudo se encaixe e ocupe os menores pedaços de terra, de maneira a abrigar a todos. Resolvi ligar para a dona Wilma que, gentilmente, disse que iria ao meu encontro.

Dentro de alguns instantes, quando olhei para cima, avistei uma senhora me acenando. Eu comecei a subir e ela a descer. Ela era diferente de qualquer imagem que eu pudesse ter feito dela. Uma senhora na faixa dos 50 anos, com cabelos escuros, na altura dos ombros. Aquele rosto me dizia muitas coisas, me falava de cuidado, responsabilidade, fé e de muitas batalhas. Batalha para estar naquele lugar e sustentar os três filhos que ainda moram com ela. Nós entramos pela cozinha, e desse espaço já consegui avistar uma peça que é um misto de sala e quarto. Vi duas camas: numa delas estava deitado um jovem que usa fraldas e, na outra, um jovem sentado com um bebê no colo. Os dois são irmãos da Estella. O primeiro foi o único dos filhos que não esteve na casa-lar. O segundo não só esteve na casa-lar, como também, depois do desacolhimento, acabou cumprindo medida socioeducativa. A Wilma acendeu a luz do cômodo e o adolescente de fraldas falou em um tom baixinho: “Tia, tu sabia que eu sofri um acidente? Um carro me pegou”. Fazia algumas semanas que o jovem, que tinha deficiência mental, havia sido atropelado, não muito longe de casa.

Quando eu cheguei, a Estella estava se aprontando; não estava ali no quarto com os demais, mas sim no andar superior da casa (uma espécie de mezanino de madeira). Enquanto a jovem não descia, fui apresentada ao mais novo membro da família, o seu filho de dois meses. Eu pedi para pegar o bebê no colo e, aos poucos, pude perceber o quanto ele se tornava o centro das atenções da casa e também o ponto de partida para um processo de aproximação com a família. A conversa sobre o bebê acionou outros tantos assuntos e, aos poucos, pude perceber que a Estella e a dona Wilma eram bem falantes. A Estella é morena, alta, bonita, com as pernas bem compridas e finas, não tinha aspecto de quem há poucos meses tinha passado por um parto normal de um bebê de mais de quatro quilos, com 50 cm de comprimento. Ela é bem magra, com os cabelos encaracolados, negros e compridos, os quais até a hora da minha partida se mantiveram presos.

Ao contrário das outras jovens da pesquisa, a Estella falou pouco sobre os motivos que culminaram no seu acolhimento. Relatou apenas que depois que o pai foi preso, ela teria ficado “muito atormentada” e não queria mais “parar em casa” e por isso foi acolhida. “Eu gostava muito do meu pai, eu sofria muito por ele estar preso, eu não entendia por que ele tinha sido preso”. Ela também nunca falou o motivo da prisão do pai, mas é possível entender que ela tinha um laço forte com ele. E por conta disso, é como se, para ela, a história toda começasse depois, com o próprio desacolhimento. Isso, porque foi justamente no momento em que ela retornou para a casa que ela foi abusada pelo pai, que havia pouco saíra do presídio. O lar para onde ela desejou voltar acabou a expulsando novamente. “Depois que o meu pai me abusou, daí eu fugi de casa, casei e, por nunca ter tido uma pessoa que dissesse para mim, Estella tu tem que fazer isso, tu tem que fazer aquilo, eu tive que descobrir a vida sozinha”. Ela se casou quando tinha 12 anos com um “coroa” e, entre separações e reconciliações, os dois ficaram quatro anos juntos, morando no bairro Monte Cristo em Florianópolis. Mas, para ela, o casamento, além de ser uma possibilidade de fugir do abuso do pai, era também um lugar de afeto e de cuidado, que ela não tinha mais dentro de casa. “Ele me deu carinho de pai que eu não tive, sabe? Então, só que como eu era muito criança, eu confundia as coisas, eu não entendia. Então, foi falta, eu acho assim, até pode ter sido erro dos meus pais”. Por vezes, os relatos da jovem são marcados por um sentimento de exclusão dentro da própria família, o qual vai sendo reafirmado pela maneira como ela se vê sozinha conduzindo sua vida, sem poder contar com ninguém. “Amigos é só a família da gente e, assim mesmo, essa às vezes falha. Eu não confio em ninguém”. A Estella tem seis irmãos: três são seus irmãos por parte de pai e mãe e os outros três são apenas por parte de mãe. E entre todos eles, ela diz que sempre foi a mais excluída, desde pequena. O amor que teve foi do pai, mas este também foi sua maior decepção e motivo de revolta.

Minha mãe pode dizer que não, que é coisa da minha cabeça, mas depois que o meu irmão caçula veio, ela já não me deu mais bola desde pequena. Tudo que ele pede, ela dá. Ele pode quebrar tudo, ela não fala nada. Então, por isso, que muitas vezes, eu fugi de casa e fui buscar minha felicidade na rua. Então, tipo assim, o meu pai foi a única pessoa que me dava carinho, querendo ou não. Do jeito dele, mas dava. Só que depois ele fez isso para mim, eu não consigo mais nem olhar

para ele. De vez em quando, ele vem aqui para pedir dinheiro para a minha mãe. A minha mãe ainda é tola e ajuda.

Desde que saiu de casa para se casar, ela nunca mais tinha voltado a morar com a mãe. Ela conta que o motivo para não retornar estava no difícil relacionamento com a irmã mais velha que, na época, morava na mesma casa. “Eu odiava ela, por culpa dela que o meu pai foi para a cadeia. Daí foi aonde que eu tomei uma decisão, eu disse: nunca mais boto o pé dentro da minha casa. Tanto é que, depois que eu me separei, eu voltei de novo e não fiquei aqui dois meses, já aluguei uma casa no Monte Cristo e me mandei”. Ela só voltou a morar no Morro da Caixa, com sua mãe e seus dois irmãos, depois que o seu filho nasceu.

Durante o tempo que foi acolhida, a Estella também teve a possibilidade de ser adotada. Assim como para a Alice e a Isabelle, tal possibilidade se deu em função do Programa de Apadrinhamento Afetivo desenvolvido na casa-lar. No entanto, conforme os relatos da jovem, no momento em que o casal anunciou que iria formalizar o processo de adoção, ou, como ela diz, “passar o meu nome para o nome deles”, ela desistiu. “Eu sabia quem era o meu pai, eu sabia quem era a minha mãe. E eu ficava com medo porque a tia dizia que a gente nunca mais podia se ver. E realmente, os meus pais adotivos falaram que se eu fosse morar com eles, nunca mais. Eles exigiam que eu chamasse eles de pai e mãe, não tinha como”. Além disso, a jovem conta que se sentia frustrada em não corresponder às expectativas dos pais adotivos, especialmente em relação a todos os cursos e atividades de que eles gostariam que ela participasse. A adoção implicaria, segundo ela, uma mudança de estilo de vida, na sua maneira de conduzir sua própria vida, que não corresponderia a tudo aquilo a que ela havia sido acostumada, sobretudo em termos das rotinas próprias da casa-lar. “Tu sabe o que é tu se levantar da cama, não ter que arrumar a cama? Sentar na mesa, te servirem café? Eu não me acostumei com aquele ambiente, foi muito difícil porque eu era acostumada na casa-lar a acordar às seis horas da manhã, arrumar a cama, tomar café e já começar a limpar, para tu poder ir para a aula”.

Contudo, se, por um lado, ela se sentia “muito pressionada”, em relação a todas as aprendizagens que ela teria que dar conta, por outro, ela sabia que “seria feliz”, que teria a oportunidade de continuar os estudos e de ter uma família. Ela se sentia muito acolhida, tanto pelos pais, como pelos filhos do casal. “Eles já me chamavam: oh, maninha, vem cá.Eu já sentia minha família, porque eles eram legal comigo”. Ao

fazer uma avaliação do que teria sido a experiência da adoção em sua vida, ela se arrepende de não ter ficado com o casal. “Eu me arrependi, sabe por quê? Porque eu podia ser alguém na vida, eu podia ter um futuro. Eu podia bater no peito e dizer: eu, hoje, sou alguém. Se fosse para voltar atrás, eu iria morar com eles”.

A partir do caso da Estella, é possível observar uma outra perspectiva em relação à experiência de acolhimento. Diferentemente das outras egressas da Casa-Lar Nossa Senhora do Carmo, a Estella ressalta outros aspectos do cotidiano institucional, tais como as brigas com as outras meninas na casa e também a relação conflituosa com algumas educadoras. Ainda que, num primeiro momento, ela relativize o fato de algumas educadoras, ou as “tias”, como ela fala, serem “brabas”, para reafirmar o apoio e o cuidado dessas profissionais nos momentos em que as jovens mais precisavam. “Mas, elas estão com a gente para que der e vier, sabe? Quando tu precisa de alguma coisa, elas fazem de tudo para ajudar. Pelo menos, eu adorava mesmo a tia Lia, a tia Cristina, a tia Helena. Eu gostava muito delas assim, então, eu não tenho do que me queixar. Eu adorava a tia Lia, meu deus do céu! Ela podia br igar tudo comigo, dela eu gostava de ouvir”. Assim como ela pondera que a experiência na casa-lar foi importante para a sua vida, uma vez que na instituição ela aprendeu a ter “disciplina”, ela diz que com o tempo tudo acaba mudando.

Lá, eles são legais, mas depois que tu se acostuma, eles não querem saber, xingam a tua mãe: „se a tua mãe fosse boa, tu não taria aqui‟. Falam ma l da gente. É uma fofocalhada do inferno! Ó eu fiquei lá naquela casa, eu vi cada coisa! Teve uma menina que engravidou, da casa- lar, eles mandaram abortar. Daí quando a gente vem para a mãe ou a gente chega: „ah, porque tu não vai mais, porque não tá te fazendo bem‟. Se a gente chega um pouco atrasada da escola, já não davam almoço para a gente, botavam a gente de castigo, a gente não podia fazer nada que tava sempre errado, pelo menos, no meu caso. É importante lembrar também que o período de acolhimento da Estella, ao contrário das outras jovens que entraram para a casa-lar no fim do anos 90, é bem mais recente, sendo concluído em 2007, um outro momento das políticas assistenciais e de proteção à infância e à adolescência. Nos seus relatos, as relações estabelecidas na casa-lar não assumem características familiares, como para a Clarissa, a Alice e a

Virgínia. Ainda que ela chame as educadoras de “tias”, isso se deve muito mais, ao que me parece, a uma tendência presente nas instituições em função do “reordenamento institucional” que objetivava desmontar os grandes abrigos e constituir casas-lares que se aproximassem o máximo possível do modelo familiar em termos das relações, do que propriamente uma familiar ização destas por parte da jovem. E ainda que ela tenha notícias dos(as) adolescentes que foram acolhidos no mesmo período que ela, ela não manteve amizade com nenhum egresso. “Eu fico sabendo, porque no facebook, internet, rola bastante papo. A gente vai achando os perdidos por aí. Mas eu já procurei um monte de gente, não consigo detectar”.

Assim como a Alice, ela faz questão de mostrar o álbum de fotografia, onde mantém as fotos de família e também as da casa-lar. Ela faz isso não para lembrar da casa-lar, mas sim para que eu pudesse ver a foto da sua irmã, a Bruna (já mencionada anter iormente), que é motivo de lembrança para as outras egressas, como para a Clarissa e a Alice. “Minha irmã é bonita”, diz a Estella orgulhosa, enquanto pega a caixa de fotos sobre um armário preso na parede. “É uma morena bonita. Sabe aquela Cléo Pires? Ela é a Cléo inteirinha, olhando assim de c orpo. Tem a foto dela aqui”. Enquanto me mostra a foto da irmã, eu conto que a Clar issa, a Virgínia e a Alice lembravam dela com muito carinho, de levar para a escola, ajudar nas tarefas, de proteger e cuidar dela. Nisso, ela conta que a irmã está desaparecida há sete anos. “A Bruna sumiu, desapareceu, ninguém sabe onde ela tá. Já fomos na polícia, já fomos em tudo quanto é lugar. A gente tem esperanças de encontrar ela, mas só se a gente for realmente na TV para eles poderem fazer alguma coisa”. A Bruna desapareceu durante a festa de aniversário de 12 anos da Estella. “Ela tinha se pegado de pau com a minha irmã. Ela passou uma semana saindo direto. Ela saiu e deixou todas as roupas dela. Não levou nada, sabe o que é nada? E desapareceu”. Depois de três meses, a família só viu a jovem no carnaval de 2000, na companhia de um namorado, um “guri ali do Morro do 25”. E depois desse reencontro, nunca mais a viram. “Meu deus do céu! Como a gente procurou essa guria e não achamos...”.

Na sequência das fotos da família é que aparecem algumas imagens do período do acolhimento. Estas lhe permitem lembrar de alguns adolescentes da casa-lar e dos desfechos para muitas trajetórias, em geral, produzidos em função das drogas. “Essa é a casa-lar antigamente, ó esse tá na pedra (crack), o Anderson tá na pedra, esse tá na pedra, esse aqui tá na pedra, esse aqui também tá na pedra”. A Estella nunca mais retornou na casa-lar, porque, para ela, não havia nenhum

motivo para isso, uma vez que muitas coisas mudaram na sua vida desde

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