• Aucun résultat trouvé

Cup-produit et produit tensoriel r´ eduit

Com o objetivo de alinhar a estratégia metodológica, seguidamente, apresenta-se a seleção dos métodos e técnicas de investigação, de recolha e análise de dados usados, durante o desenvolvimento desta investigação.

Esta definição torna-se necessária, pois em cada uma das fases de investigação utilizaram-se vários métodos, em conjunto ou isoladamente.

Acha-se também necessário escolher um método de investigação que atenda ao estudo do utilizador (público-alvo definido), num contexto real (interação com a tecnologia). Assim, sabendo que este grupo tem diferentes caraterísticas e necessidades devido à sua deficiência (como por exemplo: muitíssimas dificuldades de comunicação e cognitivas, principalmente), utiliza-se o estudo de caso, pois pretende-se investigar um fato contemporâneo numa situação real, que é um método de investigação qualitativo, podendo no entanto recorrer a uma metodologia mista no seu processo; e, impõe a generalização dos factos, transporta, para casos gerais, factos observados num caso específico [YIN 2001]. Esta metodologia será seguida na fase de criação, desenvolvimento e validação da metáfora (capítulo 4, 5 e 6) com o objetivo de avaliar a interação e a perceção do público-alvo com a tecnologia através dos ícones criados. Sublinhe-se que o estudo requer a interação da observação de diversas variáveis (o desempenho do utilizador, o tempo médio de conclusão de uma tarefa, tempo mínimo e máximo, etc.).

Aliado ao estudo de caso, adiciona-se a etnografia também para suplantar as dificuldades na comunicação encontradas neste grupo. Este método consiste no estudo de um determinado objeto por vivência direta da realidade onde esse objeto se insere [LEWIS 1985]. É igualmente um método qualitativo. Alguns autores consideram-no um subtipo do estudo de caso. Esta metodologia seguida, em todo o desenrolar da tese, (capítulo 3, 4, 5 e 6) é utilizada de forma a obter o maior número de dados relevantes a respeito do uso das tecnologias.

Indicam-se os métodos de recolha de dados utilizados que estão diretamente relacionados com os métodos de investigação adotados: diários de bordo (muito comuns no estudo de caso), análise de documento, questionários, entrevistas, observação direta (usado no estudo de caso e etnografia), e o dispositivo de eye tracking.

Especificamente, os diários de bordo são registos de todas as observações diárias do desenrolar das atividades.

A análise de documentos consiste na recolha, leitura e análise de documentos escritos ou outros artefactos sobre a área de investigação. Utiliza-se esta técnica no estudo de caso e etnografia, especificamente, nos capítulos 1 e 2.

Os questionários são a elaboração de um conjunto de perguntas relacionadas com o tópico de investigação. Esta técnica usa-se no método estudo de caso. Neste estudo, utilizam-se questionários de motivação para se definirem gostos/preferências e motivações do público-alvo para a construção dos ícones de acordo com as categorias escolhidas pelo público, como também realizamos questionários de avaliação de usabilidade, para avaliar o grau de satisfação do utilizador quanto ao uso do protótipo. Utilizamos também os questionários de usabilidade na validação do protótipo.

A elaboração de entrevista visa aprofundar um determinado tópico ou apurar a opinião de um determinado interveniente do fenómeno em estudo. Os métodos estudo de caso e etnografia utilizam esta técnica. Neste estudo, servirá para melhor compreendermos as opções tomadas pelo grupo, já que demonstram grandes dificuldades em comunicação.

A observação direta é uma técnica que se baseia na observação de um conjunto de fenómenos com o objetivo de recolher dados sistematicamente sobre o que um conjunto de pessoas faz. O observador pode ter um papel participativo ou não. Até à validação do protótipo, o observador será sempre participante. Esta técnica utiliza-se nos métodos estudo de caso e etnografia.

Relativamente à recolha e análise de informação e da interação, o dispositivo de eye

tracking possui um enorme potencial de utilização em várias fases de estudo

[BARRETO 2012] e uma importante ferramenta na avaliação da usabilidade [GOLDBERG & WICHANSKY 2003]. Este sistema permite obter a leitura da posição e do movimento dos olhos. Ou seja, compõem-se por um conjunto de tecnologias que nos permite gerir e obter o registo da forma como o indivíduo olha para uma determinada imagem/cena/ interface. Com a sua utilização é possível saber para ONDE está o utilizador a olhar em tempo real e qual a zona focada [JACOB 1995]. Este processo resulta da gravação da cena em questão onde o utilizador foca a sua atenção, é

tido em conta DURANTE quanto tempo o utilizador foca determinada cena e a ORDEM pela qual a segue.

Além disso, recorre-se a pacotes de software, para a interpretação dos dados recolhidos com o dispositivo de eye tracking, que geram um conjunto de animações e representações com a finalidade de resumir graficamente o comportamento visual do utilizador, conseguindo-se representar o caminho que o olho percorreu, através da informação obtida pelo Eye Tracker.

Os Mapas de calor (Heatmap) representam as zonas onde o utilizador focalizou o seu olhar, durante mais tempo, assinalando os vários espaços temporais e número de fixações, através de uma diversidade de cores.

Autores como Poole & Ball (2004) reviram algumas das métricas existentes para a análise de cada conjunto de movimentos adquiridos [POOLE & BALL 2004]. As métricas incidem sobre:

 “Número total de fixações: Um maior número de fixações indica uma menor eficácia na busca o que pode indicar um problema no layout da interface.

 Número de fixações sobre uma área de interesse: Maior número de fixações indica maior importância para o utilizador.

 Duração da fixação do olhar sobre uma área de interesse: Maior duração indica maior dificuldade para interpretar o conteúdo de determinada área.

 Densidade espacial das fixações: Quando as fixações se concentram, numa zona pequena, indicam maior eficácia na busca visual, já se são mais dispersas sugerem que a busca está a resultar menos eficiente.

 Tempo passado entre a primeira fixação: Quanto menos tempo passe até que o utilizador se fixe em uma área de interesse, maior será a capacidade das propriedades gráficas da área para atrair a atenção visual”

Apesar de ser uma mais-valia, o uso deste tipo de métricas, para interpretar os movimentos oculares, são pouco informativas, quanto a certos comportamentos visuais, pelo que é importante utilizar o método think-aloud, ou seja, pensamento em voz alta, pois permite solicitar ao utilizador que descreva verbalmente o que está a pensar e justificar porque segue determinada ação. Esta descrição das ações pode ser feita pelo utilizador, antes ou depois de as ter realizado [GUAN et al. 2006].

Finalmente, é também feita a análise e síntese dos dados através da análise estatística descritiva.

Documents relatifs