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Cultures de rente dont le cours mondial est déterminant

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1.2- Piliers majeurs pour un nouveau modèle économique

Catégorie 1 Cultures de rente dont le cours mondial est déterminant

Fig. 2 – Georeferenciação do sítio e vectorização em ArcGIS 9.2. do excerto da Carta Militar 331 (1980)

O Povoado da Amoreira situa-se na confluência da Ribeira da Pucariça - representada em mapa de 1823 com uma importância idêntica à da foz do Rio Zêzere (Castro, 1991: 206) – e a grande planície aluvial projectada pela margem direita do Rio Tejo, onde, à semelhança de outras linhas de água, diversos depósitos coluvionares de datação variável se combinam com os depósitos de aluvião, arrastando consigo uma

variedade de matéria-prima passível de ser explorada. É caracterizado como um arqueosítio pós-pleistocénico, de cariz temporário, inscrevendo-se em termos de indústria lítica numa produção tendencialmente macrolítica, com produção laminar e lamelar e produção cerâmica (formas esféricas), anunciando uma continuidade cronológica que, a fazer fé nas datações absolutas de amostras de carvão recolhidas na camada C, se terá estendido desde o período Atlântico ao Sub-Atlântico (Raposo, 1993: 121).

Pertence administrativamente à Freguesia de Rio de Moinhos no Concelho de Abrantes. Tem como coordenadas geográficas na CMP 331:UTM M – 562,580; P - 4371,300; Altitude Média 62m.

A terceira intervenção neste sítio foi determinada pelo projectado alargamento do cemitério da Amoreira, obra pública que implicaria a destruição definitiva deste sítio que, pelas suas características, é, até à data, único no Alto Ribatejo.

Os trabalhos de emergência decorreram entre 3 de Março e 21 de Julho de 2005, tendo-se posto a descoberto 251 metros quadrados (embora nem toda a área tenha atingido a Camada C). Foram ainda exumadas e registadas várias centenas de achados e determinadas as plantas da zona habitacional.

Nos anos 90, aquando da construção da A23, o local previamente intervencionado foi vedado. Contudo, tal não implicou que não tivesse sido alvo de vários aterros, que destruíram todos os pontos de referência estipulados, alterando ligeiramente a topografia da superfície.

O retomar dos trabalhos implicou desde logo, a recuperação do eixo de coordenadas anterior, tendo a intervenção sido implementada em quatro fases:

Fase 1 – remoção dos aterros e recuperação do sistema de coordenação anterior; Fase 2 – escavação da área a ser afectada;

Fase 3 – moldagem de eventuais estruturas; Fase 4 – análises e processamento de dados.

Procedeu-se à escavação em extensão, em malha quadriculada com um metro de lado, segundo o método definido por P. Barker, muito embora não se tenha adoptado o mesmo sistema para a decapagem dos buracos de poste, considerando a necessidade de moldar estas estruturas virtuais.

A Pré-História recenteno Vale do Baixo Zêzere - Um Olhar Diacrónico 121 Uma vez que já se conhecia a estratigrafia do sítio, bem como os níveis de ocupação arqueológica, decidiu-se sacrificar a escavação por níveis artificiais de 5cm, optando pela escavação integral de cada camada arqueológica: A, B e C.

Respeitou-se a coordenação tridimensional dos artefactos e dos ecofactos (carvões), com registo em caderno de campo. Os artefactos recolhidos no crivo tiveram tratamento posterior em laboratório. Procedeu-se ao registo em planta dos nove pontos equidestantes de cada quadrado (para posterior levantamento em perfil e para elaboração das curvas de nível) e, em desenho de estruturas e achados à escala 1/20, no topo e base de cada camada.

Os sedimentos recolhidos foram crivados a seco em malha de 5 mm.

Recolheram-se amostras para estudos sedimentares, flutuação de sementes e crivagem a água. Fez-se ainda o registo em fotografia e filme.

Foram intervencionados 150m quadrados até à Camada C, 105m quadrados até à Camada B, 47m quadrados (já escavados entre 1992 e 1993) de remoção de entulho e de areão e escavação do topo da Camada C. Foi realizada a moldagem de parte do paleosolo, com a colaboração de especialistas na área.

Não nos foi possível recuperar a camada A original, tal como tinha sido caracterizada nas campanhas de 1992 e 1993, como consequência, pensamos, dos trabalhos de aterro aquando da construção da A23.

A esta nova camada revolvida e compactada foi dado o nome de “camada A“ e nela se observou a constituição de dois níveis que se distinguem pela sua textura:

a) - Entulho I - aterro do antigo campo de futebol contíguo à primeira sondagem efectuada em 1992. (Cailleux: M, N / 40, 45);

b) - Entulho II - lixeira, camada cinzenta. (Cailleux: N 91)

Os factores pós-deposicionais que contribuíram para o remeximento verificado em 2005, poderão ser categorizados da seguinte forma:

1. Antrópico

1.1. Ocupações posteriores à Idade do Bronze e Tardo-Romano, misturados com artefactos Paleolíticos;

1.2. Área agrícola e florestal - quercus, pinhal e olival, tanto quanto é possível recuar no tempo.

2. Animais

2.1. galerias de formigas e tocas de pequenos mamíferos e répteis (ratos-do-campo,

lagartos), não tendo sido detectadas tocas de animais com dimensões semelhantes ou superiores às do coelho.

3. Factores climáticos

Camada com espessura variável entre 0-40cm; é composta, basicamente, por detritos acumulados à superfície por altura da construção do antigo campo de futebol e mais tarde das obras públicas de construção da A23, encontrando-se à mistura com sedimentos característicos do terraço quaternário Q3. Este variado compacto tem ainda parcelas do horizonte O, húmus, manta morta, materiais cerâmicos actuais (sobretudo vidrados, cortinados, baterias de automóvel) e algumas lascas em quartzito.

A Camada B é uma camada arqueológica de ocupação humana holocénica, de origem sedimentar; provavelmente sedimentação por coluvião lento e remeximento pelo arado em associação. Classificação do solo: Cailleux - N / P / 49. Pese embora o grau de remeximento afectar os contextos, compreende, em termos artefactuais, ocupações que medeiam entre o Neolítico e a Idade do Bronze inicial. É uma camada parda escura a olho nu, e tal como a “A”, remexida. Sofreu remeximento pontual provocado pela plantação e abate organizado de oliveiras. Integra materiais atribuíveis ao Acheulense e ao Languedocense. Esta formação coluvionar deverá ser anterior ou coeva da Idade do Bronze, uma vez que os vestígios não evidenciam grande transporte. Os materiais filiam- se numa tipologia similar aos da camada C, embora existam indícios de uma outra ocupação de que será exemplo um vaso troncocónico. A perturbação estratigráfica observada poderá ter incorporado de forma residual, nesta camada, parte do topo da camada C, já que é possível observar, pontualmente, no perfil estratigráfico, a acção do arado ou de máquinas agrícolas.

A Camada C é também, tal como a B, uma camada arqueológica de ocupação holocénica. As datações disponíveis neste momento apontam para um período recuado no tempo que a situará no VIIº milénio, coexistente portanto de ocupações mesolíticas estuarinas.

Estas datas, que parecem entrar em conflito directo com o contexto arqueográfico, dada a presença do conjunto cerâmico em tempos tão recuados como o Epipaleolítico-

A Pré-História recenteno Vale do Baixo Zêzere - Um Olhar Diacrónico 123 Mesolítico, poderá apenas resultar do efeito de uma ocupação prolongada no tempo de comunidades que, também elas, atravessaram o período de transição, como que num efeito pendular. Ainda que não seja claro estratigraficamente, não é de excluir a possibilidade de possuirmos uma ocupação epipaleolítica, como é o caso da lareira localizada no quadrado K4, reorganizada por ocupações neolíticas posteriores.

É constituída pelo terraço Q3, sobre o qual estes grupos humanos organizaram a sua ocupação. Classificação do solo: Cailleux: N 35, com cor sépia alaranjada a olho nu, e possuindo uma textura areno-silto-argilosa.

Encerra achados claramente in situ, envolvendo um conjunto lítico coerente, dominado por seixos talhados, lascas em quartzito, quartzo e anfibolite, com raros elementos em sílex. A este conjunto associam-se buracos de poste, lareiras em fossa, estruturas em barro cozido, e uma estrutura pétrea de combustão. Na proximidade, foi identificado um paleoleito-canal de um pequeno ribeiro que pela densidade de matéria- prima terá sido também uma “jazida” – o local onde era acumulada matéria-prima a ser utilizada posteriormente.

Ainda que tenhamos procurado paralelos em arqueosítios escavados com aspectos similares aos da Amoreira, é em estudos de etnografia relativamente recentes que poderemos encontrar algumas semelhanças na interpretação da organização espacial, a partir das estruturas virtuais postas a descoberto.

Ernesto Veiga de Oliveira, Fernando Galhano e Benjamim Pereira (1988) realizam um levantamento etnográfico, à escala nacional, perspectivando tipologicamente as construções primitivas, residuais, ainda remanescentes no território português:

“Ainda hoje, em várias partes do País, se encontram diversas espécies de abrigos apenas em materiais vegetais, ora fixos ora móveis e transportáveis, uns isolados ou em exemplos raros, outros extremamente frequentes e por vezes mesmo obedecendo a tipos locais sumariamente definidos, muitas vezes – mormente no caso dos abrigos fixos – representando soluções elementares improvisadas e sem qualquer uniformidade, ditadas por razões circunstanciais, e mais ou menos engenhosamente concebidas, conforme a inventiva dos autores.” (Oliveira, et al., 1988:31).

Ao perspectivar o conjunto dos seus levantamentos, concluem que as restrições e condicionalismos de determinadas actividades particulares e específicas conduzem o

homem a elaborar rapidamente formas de protecção, muitas vezes improvisadas, expeditas e pragmáticas que, pelo seu imediatismo, poderão ser consideradas com um carácter arcaico e primitivo, dando como exemplo da relação entre as actividades e as soluções encontradas no meio o carácter semi-nómada do pastoreio. Estas soluções encontradas pelos indivíduos são construções primárias e normalmente pequenas, em materiais vegetais, de forma cónica, certamente adequadas a condicionantes imposta pelos recursos e pelas características da própria actividade.

As observações recolhidas resultam num quadro geral de abrigos construídos em matérias vegetais, de cariz precário, relativamente pequenas, cuja planta poderá ser redonda ou angular (entre o círculo geométrico, o quadrado ou o triângulo).

A distribuição no espaço, a orientação do perfil e a profundidade dos buracos de poste (ou de estaca) do Povoado da Amoreira são variados, podendo proporcionar uma tentativa de reconstrução, cujos paralelos serão similares aos dos levantamentos de Oliveira, Galhano e Pereira (1988). A discussão elementar relativamente aos perigos das analogias em ciências humanas e sociais, às importações de características típicas de algumas comunidades residuais no planeta, aos condicionalismos ambientais, e ainda ao tipo e qualidade de recursos próprios de cada região serão tidos em consideração, apesar de existir sempre um factor de subjectividade nas reconstruções, em Pré-História.

Alguns exemplos etnográficos em Portugal, recolhidos pela mesma equipa de investigadores nos finais dos anos oitenta do século XX, demonstram as semelhanças entre estes abrigos de materiais vegetais, de canas recobertas por palha de fava e choça de canas, dispostas em duas águas, em São Pedro da Cadeira (Torres Vedras) e em Santiago do Cacém, e a amostra agora exumada. Muito embora estejam geograficamente caracterizáveis na Estremadura portuguesa, seria estranho e improvável que este tipo de construções primitivas se limitasse exclusivamente a esta área, sabendo que existem exemplos semelhantes em todo o Alentejo e na zona das Beiras.

Assim, poderemos reconstruir mentalmente algumas áreas compreendidas pelo conjunto exumado:

a) - buracos de poste ou de estaca, cuja profusão se expande por quase toda a área escavada;

A Pré-História recenteno Vale do Baixo Zêzere - Um Olhar Diacrónico 125 b) – fornos/silos com as suas estruturas de barro de cozido muito danificadas, com planta circular ou semi-circular, constituídos por sedimentos do terraço, abrangendo os quadrados I13, N8, X9, AC7/8;

c) - lareiras em fossa, que passaremos a designar por “fossas de cozinha”, abrangendo os quadrados K4, K5, K6, L5, M5;

d) - uma outra área abrangida por uma grande profusão de matéria-prima fragmentada pelo efeito do calor, à qual se juntam artefactos líticos e cerâmicos identificada como estrutura pétrea de combustão, com cerca de três metros de comprimento e uma largura que varia entre os 30 e os 90cm, abrangendo os quadrados M5, L5, I6;

e) - chão de cabana ou de actividade diária, com seixos estalados pelo calor, e artefactos espalhados sem organização que tal como os buracos de poste, abrange quase toda a área escavada;

f) - outras áreas que configuram pequenos amontoados de artefactos líticos e de matéria-prima fragmentada por termoclastia que não sendo, segundo o critério clássico, oficinas de talhe, pela sua exígua dimensão e dispersão, são consideradas como áreas de trabalho, quadrados H5 e V11;

g) - uma estrutura de formação original natural – um canal – com uma carga de clastos em quartzo e quartzito, com um volume de material tal que proporcionou também a sua classificação como “jazida”; esta área, que ocupa cerca de 9m quadrados para além de ser constituída por este volumoso e numeroso grupo de clastos, possui ainda a particularidade de encerrar artefactos líticos de dimensões variadas, pela aparência destes dados residuais, julgamos que foram testados para talhe mas não aproveitados na sua totalidade; abrange toda a área compreendida entre os quadrados Y 11/12 e AC10/15.

A associação sistemática de utensílios líticos, fragmentos de cerâmica, nódulos de ocre e estruturas, poderão produzir uma reconstituição relativamente segura de períodos mais ou menos longos, mas sistemáticos, de actividade na Amoreira, quase comparável à existência de uma pequena aldeia. Deparámo-nos, contudo, com a impossibilidade de reconstruir com segurança plantas de cabanas, devido provavelmente ao abandono e à reutilização sistemática do local de habitação.

Num esquiço rápido contemplámos uma área de cerca de 200m2 compreendendo no eixo Norte-Sul a construção de um painel de protecção contra o vento que sopra de Oeste, em fibras vegetais, que será por nós considerado como paravento (Oliveira, et al., 1988: 31), com cerca de 7m de comprimento. É uma armação constituída por troncos de diâmetros variados, espetados no chão à distância de cerca de 1m uns dos outros, cobertos por erva, cascas de árvore e ramadas, formando uma espécie de parede inclinada, em função da observação da inclinação dos perfis dos buracos de poste (ou de estaca).

Adossados a esta parede-tecto, encontrámos recintos de planta semi-circular sem fecho, que se poderão assemelhar a choços-cabanas cónicas mais ou menos compósitos ou alongados, com uma base razoavelmente larga, mas com uma altura reduzida. Admitindo-se a possibilidade de as choças terem sido construídas em “colmeia”, então uma porção da parede de uma delas serviria também como sustentação para outra. Este conjunto de “habitações – protecções contra as manifestações climáticas” precárias, assim arquitectonicamente construídas proporcionaria maior resistência às intempéries tornando-se um resguardo ou anteparo fixo, cujas paredes seriam constituídas por ramagens dispostas verticalmente ou em abóbada, sendo os paus ou canas apertadas entre si e revestidos de ramagem de pinheiros, herbáceas, murta e giesta. Estas estruturas são constituídas por uma armação de paus, dispostos de forma geométrica, em círculo ou em hipérbole (forma alongada), espetados no chão de terra batida e amarrados em cima, ao centro, com tamanhos decrescentes da frente para as traseiras; à volta deste esqueleto prendem-se paus ou canas finas, ocupando áreas que variam sensivelmente entre os 3, 4 a 5 metros, os 7 metros e os 5 metros de diâmetro sobre o seu eixo mais longo.

Não parece descabido colocar a hipótese de estarmos perante a construção de um pequeno aldeamento, reaproveitado, reorganizado e reconstruído sistematicamente consoante as necessidades do grupo humano, tantas vezes quantas as necessárias, reordenado e recuperado em função da destruição parcelar que as construções sofreram nas fases de abandono. Exemplo disso é a área compreendida pelos quadrados H, I, K, L, M, N, 4, 5, 6, 7 e 8, que pela sua profusão de estruturas e artefactos melhor se entendem num quadro de reocupação num continum de tempo, do que em sincronia.

A Pré-História recenteno Vale do Baixo Zêzere - Um Olhar Diacrónico 127 André Leroi-Gourhan, ao debruçar-se sobre os aspectos e a importância da abstracção e da concepção dos objectos produz esta afirmação “A técnica é em

simultâneo gesto e utenílio organizados em cadeias através de uma verdadeira síntaxe que oferece ao mesmo tempo às séries operatórias firmezaz e flexibilidade (…) » (Leroi-

Gourhan, 1964: 164), que corporiza, de forma exemplar, grande parte das preocupações dos investigadores que analisam os artefactos líticos em ordem à sua função e à forma, aos procedimentos técnicos para a sua elaboração: “(…) A constância das formas

orientou desde a origem das pesquisas não somente a classificação dos utensílios líticos mas, também, considerada como uma garantia de autenticidade da sua origem humana”

(Brézillon, 1983 :16)

As amostras fósseis líticas exumadas de sítios escavados ou prospectadas são hoje olhadas numa perspectiva que se pretende integrada, seja nos seus aspectos morfotécnicos, na análise do seu “lugar” na cadeia operatória, enquanto interpretação das “intenções” e opções subjacentes a cada uma das fases, seja no aspecto particular da variação tipológica – eventual indicador de condicionamentos culturais, ou ainda, ao nível da acessibilidade e na qualidade da matéria-prima, aspectos que poderão condicionar certos estilos de debitagem.

Em termos percentuais, os achados recolhidos podem ser contabilizados em 47% de material lítico talhado, 32% de matéria-prima fragmentada nas áreas de actividade adjacentes ao chão das cabanas, 20% de material cerâmico (produzidas a torno e manuais), 1% de materiais variados, entre os quais de destacam, adorno, cantaria, metal, carvão, ocre, sementes, escória de ferro (?) e vidro.

Observa-se no gráfico 1 uma frequência esmagadora de achados cujo suporte se revela em matéria-prima local, quer de artefactos quer de matéria-prima fragmentada por termoclastia, seguida por artefactos cerâmicos cuja frequência se deve mais ao grau de fragmentação que sofreu do que à quantidade original deixada na fase de abandono. De assinalar uma maior quantidade de recolhas destes tipo na Camada B, que corrobora a observação feita sobre a existência de algumas áreas remexidas na linha de transição da base da camada B para o topo da C, observando-se uma quase estabilização de números já na Camada C.

0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 Anfib olite Aren ito Gran ito Mica xisto Ocre Quart zito Quart zo Sílex Xisto Gráfico 2 - AMR

Frequência de Matéria-Prima de Objectos Líticos por Camada Arqueológica

A B C

Relativamente ao tipo de matéria-prima, na observação do gráfico acima apresentado detecta-se uma abundância relativamente baixa de anfibolite, arenito, granito, conglomerado, xisto, micaxisto, matéria orgânica e ocres. Mantém-se o padrão de frequência esmagadora de quartzitos, seguido dos quartzos e em número muito inferior de sílex. Muito embora o quartzo surja em segundo lugar como matéria-prima utilizada, não deve ser considerado como material secundário ou de substituição. Atendendo à sua aptidão mediana para o talhe, a noção de nível de qualidade parece ser de somenos importância se nos ativermos a objectivos utilitários.

0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600 1800 2000

Termoclastos Ocre Cerâmica Lítica

Gráfico 1 - AMR

Frequência de Artefactos por Camada Arqueológica

A B C

A Pré-História recenteno Vale do Baixo Zêzere - Um Olhar Diacrónico 129 A frequência da utilização dos quartzitos na camada C, não deixa margem para dúvidas relativamente à matéria-prima ‘eleita’ em ordem à manufactura de artefactos, devido à sua abundância, mesmo que não sendo matéria-prima de “óptima” qualidade, ainda que possa ser uma assumpção errónea, se partirmos do princípio que os utensílios ainda em condições de serem utilizados ou reutilizados possam ter sido levados aquando da fase de abandono. Contudo, esta categoria poderia estar reservada para os utensílios fabricados preferencialmente em sílex, já que os clastos de quartzito e quartzo sobejariam nos seus territórios de captação. “(...) O utensílio apresenta-se como um elemento

intermediário na realização do contacto com o mundo exterior. Esta posição implica uma dupla adaptação ao contacto da parte activa com o objecto visado, que se manifesta pelo afeiçoamento de uma zona de percussão, e no contacto com o operador, com o seu meio de acção directa através de um sector de preensão mais ou menos preparado, indirecta pela interposição de um dispositivo de encabamento ou de propulsão. O conceito de utensílio parece depender destes dois elementos e a forma surge como profundamente influenciada pelos constrangimentos da matéria-prima por um lado, e pelo que a tradição do grupo lhe pode imprimir como estilo, por outro.” (Brézillon,

1983 :21).

Um estudo de proveniência de matérias-primas poderia descartar a hipótese de o sílex ser uma matéria-prima exógena, logo, rara e importada.

0 200 400 600 800 1000 1200 1400 Des per dício Lâm ina Lame la Sei xo Ta lhad o Núcl eo Perc utor Mo vent e Lasc a Peso s de Red e Gráfico 3 - AMR

Frequência de Tipo de Objectos Líticos por Camada Arqueológica

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