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Chapitre IV Validation numérique

4. Cas tests sous Abaqus

4.5 Culasse monocylindre

Nesse trabalho, os requisitos são levantados a partir da análise de domínio sob a ótica da Semiótica Organizacional (SO) e da revisão de literatura. Inicialmente, introduzimos alguns conceitos da Semiótica Organizacional fundamentais para a compreensão da base teórica dessa análise, e em seguida, os resultados encontrados a partir da análise realizada.

3.3.1 Base Teórica e Metodológica

A Semiótica Organizacional (SO) [58] é uma disciplina baseada na Semiótica que compreende a organização como um sistema de signos utilizados na comunicação entre as pessoas. Ela utiliza

37 Capítulo 3. Identificação de Requisitos

conceitos e técnicas vindos da Semiótica [61,62] para estudar questões relacionadas aos aspectos dos diferentes níveis de uma organização (informal, formal e técnico). O estudo acerca dessas questões e suas influências são importantes para o desenvolvimento dos sistemas de informação

Um dos métodos do conjunto MEASUR (Methods for Eliciting, Analyzing and Specifying Users’ Requirements) [58] é o Método de Articulação de Problemas (Problem Articulation Method - PAM). Ele possui diversos artefatos para auxiliar a análise do domínio, dando suporte à descoberta de partes interessadas, identificação de problemas e soluções, e a expressão e representação de aspectos em diversos níveis organizacionais.

O artefato Partes Interessadas (PI), um dos artefatos do PAM, permite distribuir os stakeholders, ou seja, todos os envolvidos com o domínio analisado, sejam diferentes grupos ou organizações, em camadas referentes aos diferentes contextos de interesse. A identificação dos atores envolvidos no domínio separadamente por grupos explicitam: (a) quem pode contribuir diretamente para o desenvolvimento de soluções ou é afetado diretamente (camada contribuição); (b) quem fornece, é fonte ou faz uso de dados, informação ou elementos da solução (camada fonte); quem integra o mercado desse domínio (camada mercado); quem possui interesse e/ou expectativas relacionadas às novas soluções, influencia ou é influenciado no contexto social (camada comunidade).

Outro artefato do PAM é a Escada Semiótica (ES), que ajuda a clarificar questões do domínio do problema e separá-las em diferentes visões. Os seis níveis da escada são referentes às três divisões tradicionais da Semiótica, que são Sintática, Semântica e Pragmática, e a elas foram adicionadas outras três [63]: Mundo Físico, Empírico e Mundo Social. O Mundo Físico faz referência ao signo em seus aspectos físicos, tais como propriedades e hardware utilizado; no Empírico são estudadas as propriedades estatísticas dos signos em diferentes meios físicos e dispositivos utilizados, como transmissões de sinais, eficiência e codificação; já o nível Sintático se refere à combinação dos signos sem considerar seu resultado específico, ou seja, a estrutura do signo. Nos níveis superiores estão o Semântico, que se refere ao significado dos signos, ou seja, a relação entre o signo e o objeto representado; o Pragmático, em que são analisados a origem, o uso e o efeito dos signos, ou seja, o propósito de uso; e por fim, o Mundo Social, onde os efeitos do uso dos signos no contexto social são estudados.

Conforme [64], nosso entusiasmo com os ganhos obtidos com as tecnologias podem nos fazer negligenciar problemas que podem ser óbvios de outras perspectivas. Portanto, a análise do domínio é importante para seu entendimento em suas diversas perspectivas, e a utilização da SO como referencial permite essa análise com uma visão sócio-técnica. Nesse sentido, utilizaremos dois artefatos da SO: PI e ES. A seguir, os resultados da análise utilizando esses conceitos são apresentados.

Ambientes Residenciais Controlados por Dispositivos Móveis: Estudo, Concepção e Desenv. de um Aplicativo Considerando a Diversidade 38

3.3.2 Resultados

O PI resultante da análise do domínio é apresentado na Figura 2. Ele auxilia na identificação dos stakeholders separados em uma visualização por diferentes contextos.

Fig. 2 – Partes Interessadas resultante da análise do domínio.

Com base nos resultados advindos da análise mostrada no PI, algumas considerações merecem destaque:

 Na camada Contribuição, surgem públicos pouco ou nem citados nos trabalhos da literatura deste domínio, como donas de casa, criança e idosos. Isso reforça a necessidade do design de soluções que atenda à diversidade de público, incluindo essas parcelas da população, que apesar de geralmente possuírem pouco conhecimento técnico, possuem características de uso distintas. Ainda nesta camada, também é possível notar que as deficiências do público podem ser permanentes, tais como as pessoas com deficiências visuais, motoras ou auditivas, ou podem ser temporárias, como é o caso de donas de casa e outros usuários realizando tarefas domésticas que, por exemplo, podem exigir uso e ocupação das mãos, impossibilitando certas formas de interação.

 Na camada Fonte são encontradas universidades, centros e institutos de educação – públicas e privadas – que estão envolvidos com trabalhos relacionados ao domínio. A maioria desses trabalhos são trabalhos de conclusão de curso, e focam em questões de baixo nível, como implementação de um sistema em hardware

39 Capítulo 3. Identificação de Requisitos

provendo uma interface, porém sem uma maior preocupação com aspectos de interface e interação com o usuário.

 Entre as camadas Mercado e Comunidade, surgem algumas diretrizes vindas dos esforços de empresas que podem influenciar o design de novas soluções, tais como as diretrizes de interface para iOS, Android e Java.

A ES resultante da análise do domínio é apresentada na Tabela 2, que auxilia na identificação de questões relevantes sob diferentes visões do problema.

Tabela 2 - Escada Semiótica resultante da análise do domínio.

N Questões Iniciais Envolvidas

M u n d o S o cial

S1. As soluções para controle da casa via dispositivos móveis desenvolvidas

consideram valores humanos? Quais valores humanos essas soluções devem considerar e de que modo? S2. Quais são os impactos sociais do controle da casa via dispositivos móveis? O uso de outras formas de interação traz algum impacto no aspecto social? Será que a disseminação dessa forma de controle poderia causar conflitos ou alguma forma de discriminação (e.g., por uso ou não uso)? S3. Existe resistência por parte dos usuários para essa forma de controle? S4. Todos os usuários, independente da condição sócio-física, são capazes de realizar essa forma de controle? Pessoas com problemas motores e/ou cognitivos, de diferentes faixas etárias, como crianças e idosos, analfabetos ou pessoas com baixo-letramento, pessoas de diferentes classes sociais? Existe alguma restrição financeira que limitam o uso por algum público? Será que as aplicações atendem à diversidade de público? S5. Que normas ou leis as aplicações para este domínio devem seguir? S6. Existe algum receio quanto ao uso de outras formas de interação para controle da casa via dispositivos móveis?

P ra g m áti co

P1. Que funcionalidades devem ser providas pelas soluções para controle da casa via

dispositivos móveis? Que tarefas domésticas e que aparelhos devem estar disponíveis?

P2. O que deve ser explicitado pelo design da interface/interação para controle da casa

via dispositivos móveis? P3. Como o usuário expressa a forma de desfazer uma ação?

P4. Como prover uma interface para diferentes propósitos de uso? P5. Existe algum

usuário e/ou grupos de usuários implícito nas interfaces atuais para controle residencial? S em ân ti co

Se1. Como garantir que os elementos da interface (e.g., textos, ícones e figuras) para

controle da casa via dispositivos móveis – caso existam – e a forma de interação proposta sejam entendidos por qualquer tipo de usuário? Se2. Que significados são interpretados pelos usuários através de diferentes formas de representação dos elementos da casa via dispositivos móveis? Se3. Diferentes formas de interação via dispositivos móveis para controle da casa são capazes de realizar a mesma comunicação?

S

in

tático

Si1. Que linguagem de interação para controle da casa via dispositivos móveis poderia

ser utilizada? Si2. Que linguagem aplicar para realizar gerenciamentos complexos?

Si3. A sintaxe varia de um tipo de dispositivo móvel para outro? Si4. Que linguagem

utilizar para representar a casa? Si5. Como avaliar se a linguagem adotada na solução para controle de ambientes residenciais via dispositivos móveis é adequada – de uso simples e fácil de aprender – a todos os usuários? Si6. A linguagem de interação via tela touchscreen do dispositivo móvel pode ser mapeada diretamente por comando por voz ou interação gestual nesse contexto de uso? Si7. Com deve ser a linguagem da interação/interface com o dispositivo móvel para que todos os usuários (e.g., crianças, jovens, adultos e idosos), independente de suas condições físico-cognitiva-sociais possam controlar o ambiente residencial?

Emp

íri

co

E1. Qual largura de banda é necessária, qual a velocidade mínima de conexão necessária para comunicação entre a aplicação e a unidade responsável pelo controle?

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F1. Qual infraestrutura é necessária para uso das soluções para controle da casa via dispositivos móveis? F2. Que tecnologia de hardware é necessária para implantação das soluções de controle da casa via dispositivos móveis? F3. Que tecnologias são necessárias nos dispositivos móveis para uso pelas soluções para controle da casa? F4. Como prover soluções para controle da casa que atendam aos dispositivos móveis de diferentes tamanhos de tela? F5. Quais são os possíveis impactos posteriores de uma única ação?

Em relação às questões levantadas a partir da análise de domínio de controle da casa via dispositivos móveis, algumas considerações são destacadas.

Geralmente as pessoas interagiam com os dispositivos móveis somente através de uma interface gráfica, porém existem outras formas de interação por esses dispositivos. Em relação às questões S2 e S6, será que existe algum receio por parte dos usuários quanto a isso e qual o impacto do uso dessas outras formas de interação para controle do ambiente residencial? Por exemplo, será que a interação por voz pode passar uma imagem de interação para deficientes motores e pessoas sem esse tipo de deficiência não estão induzidos a utilizá-la?

 A questão Si2 refere-se ao desafio do controle de diversos aparelhos e funcionalidades e ainda, somado às características e restrições dos dispositivos móveis e dos usuários desses dispositivos, que linguagem aplicar para realizar esse gerenciamento complexo?.

 Em relação à questão Si7, as soluções de controle de elementos do ambiente residencial podem envolver o uso por público como crianças, que exigem uma atenção especial. Como deve ser a linguagem da interação/interface com o dispositivo móvel para que todos os usuários, incluindo esse público, possam utilizar?

 Já as questões Si3 e F4, do Sintático e Físico respectivamente, referem-se às diferentes características dos dispositivos móveis. Dispositivos com diferentes interfaces, formas de interação, especificações de hardware e software, que impactam em aspectos de IHC no desenvolvimento de soluções para esse contexto. Baseado nos resultados dessa análise, na próxima seção iremos levantar os requisitos de interface/interação para soluções que visam o controle do ambiente residencial via dispositivos móveis.

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