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A Fab Foundation tem como missão fornecer acesso às ferramentas, ao conhecimento e aos meios financeiros para educar, inovar e inventar, utilizando tecnologia e fabricação digital para permitir que qualquer pessoa possa fazer (quase) tudo28. Esta fundação define Fab Lab como um laboratório de fabricação digital, um lugar para brincar, criar, aprender,

orientar, inventar: um lugar para aprendizagem e inovação. Para tal, as Fab Lab oferecem acesso “to the environment, the skills, the materials and the advanced technology to allow anyone anywhere to make (almost) anything.”

A Fab Lab é um componente educacional do Center for Bits and Atoms (CBA) do MIT, uma extensão da sua investigação em fabricação e computação digital. A Fab Lab é uma plataforma de prototipagem técnica para inovação e invenção, fornecendo estímulo ao empreendedorismo local; uma Fab Lab é também uma plataforma para aprendizagem e inovação. Ser um Fab Lab significa conectar-se a uma comunidade global de estudantes, educadores, tecnólogos, investigadores, fabricantes e inovadores – uma rede de partilha de conhecimento que abrange cerca de cem países.

As Fab Labs estão estreitamente alinhadas com o CBA do MIT, onde pesquisas sobre ferramentas e software da próxima geração, bem como fluxos e processos de trabalho de fabricação, estão a pressionar as fronteiras entre o analógico e o digital. O CBA está a delinear um roteiro de pesquisa que atravessa a fronteira da fabricação digital neste percurso: de máquinas numa Fab Lab que fazem coisas, para máquinas que fazem partes de máquinas, para máquinas que se auto-replicam, para construir com materiais digitais, para materiais que são programáveis e que se podem transformar em partes. À medida que se avança nesse caminho de pesquisa, vai-se disseminando o conhecimento e as melhores práticas por toda a rede Fab Lab, tornando-o um laboratório de ponta para Investigação e Desenvolvimento.

No nosso país, a Associação FabLabs Portugal tem como missão reunir todos os Laboratórios de Fabricação Digital – FabLabs – que operam a nível nacional, viabilizando a construção de uma rede de partilha de conhecimento e projetos.29

28 Fonte: página Internet da Fundação – https://fabfoundation.org/#page-top.

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No livro Designing Reality, três irmãos unem-se para abordar o tópico da fabricação digital. A sua principal premissa é que uma ampla transformação tecnológica e social está no horizonte, já que as simples impressoras tridimensionais (3D) de hoje abrem caminho para uma nova era de materiais projetados digitalmente e de redes de um novo tipo de fabricantes.

Os autores sustentam que a fabricação digital levará a uma terceira revolução digital, com consequências ainda mais radicais do que as duas revoluções digitais anteriores em comunicação e computação. No entanto, eles discordam sobre as implicações da próxima revolução: um irmão está otimista, antecipando um mundo em que as coisas são projetadas e montadas digitalmente em comunidades autossuficientes de partilha de conhecimento; os outros irmãos têm menos certezas – eles preocupam-se com as iniquidades económicas, danos ambientais e outros impactos sociais adversos que a fabricação digital pode originar.

O mais notável dos irmãos é Neil Gershenfeld, físico e cientista da computação que dirige o Center for Bits and Atoms do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Neil foi pioneiro em abordagens inovadoras de pequena escala para manufatura personalizada e comunitária. Há duas décadas, ele estabeleceu um curso do MIT designado “How to Make (Almost) Anything” que levou ao surgimento de “fab labs” – oficinas comunitárias com uma variedade de ferramentas, incluindo cortadores a laser, fresadoras, scanners, impressoras 3D e computadores, onde as pessoas fazem as coisas por si mesmas, incluindo produtos ainda não imaginados pelos fabricantes estabelecidos.

Designing Reality is about taking care to follow the exponential trajectory of digital fabrication. It aims to help you use this knowledge to both prepare for and shape the third digital revolution. In small and possibly big ways, everyone has agency to contribute to this revolution. We do not need to wait a half century for future political, educational, and philanthropic leaders to realize that fab access and literacy is a necessity, not a luxury. We are still in the early stages of the third digital revolution. Research priorities are being formulated, core technologies are developing, and the organizations and institutions essential to universal fab access and literacy are emerging. (Gershenfeld, Gershenfeld, e Cutcher-Gershenfeld, 2017, p. 6)

Algumas estimativas projetam que até metade de todos os postos de trabalho poderia eventualmente ser automatizada por causa dos avanços na inteligência artificial, robótica e outras tecnologias que se aceleram rapidamente. Segundo os autores, a capacidade crescente de poder fazer o que se consome, a nível pessoal ou comunitário, oferecida pela

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fabricação digital ajudará a enfrentar um dos maiores desafios emergentes das duas primeiras revoluções digitais – o número de empregos substituídos pela tecnologia.

These are big challenges, yet the increasing democratization of manufacturing could lead to a more appealing future where personal and community self-sufficiency is combined with global interdependence and knowledge sharing—grounded in capability rather than fear. It could help break down the false dichotomy of globalization and local self- sufficiency and help transcend political divides. (Ibidem, p. 8)

Ao explorar tecnologias exponenciais, podemos facilmente cair numa visão distópica do futuro, onde os seres humanos têm pouca participação, já que a tecnologia fica descontrolada e os robôs roubam todos os nossos empregos, ou embalar numa visão tecno-utópica do futuro, onde nos podemos sentar e a tecnologia resolverá todos os nossos problemas. Ambos os extremos são continuamente reforçados pelos media mais populares:

As we have seen with the first two digital revolutions, the reality is much more textured. The benefits and risks of accelerating technologies are very real, with deep impacts on many lives, but we have the agency, individually and collectively, to shape these impacts now.

We can all help bend the arc of the third digital revolution to create a more self-sufficient, interconnected, and sustainable society. Such a transition will not happen overnight. There will be continued employment for work that cannot be replaced, along with new jobs that leverage these digital fabrication technologies. As individuals and communities increasingly make what they consume, emerging models will challenge our conceptions of work—providing new options for balancing how we will live, learn, work, and play. (Ibidem, p. 9)

Segundo os autores, fazer esta combinação de arranjos sociais beneficiar todos não será tarefa fácil. No entanto, se observarmos um aumento exponencial na capacidade e no alcance das tecnologias de fabricação digital nas próximas décadas, podemos antever a visão de trabalhar e gastar menos, enquanto se cria e se conecta mais. Poderíamos desenvolver a visão de Fab City de uma sociedade generativa em vez de extrativa, reparadora em vez de destrutiva e empoderadora em vez de alienante.

Will we light the way or burn it down? We have the agency, individually and collectively, to tip this balance. As digital fabrication becomes increasingly democratized, we’ll have the ability to leverage bits to manipulate atoms to improve lives. We will be able to design reality, both metaphorically and literally. (Ibidem, p. 15)

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